Mais desiludida, mais cínica, mais pessimista. Brigitte Macron refletiu sobre quase uma década enquanto primeira-dama, um período que deverá terminar em 2027, com o fim dos dois mandatos presidenciais do marido no Palácio do Eliseu. Em entrevista ao jornal francês La Tribune Dimanche, a mulher de Emmanuel Macron confessou que, desde que o marido assumiu a presidência de França, tem sido confrontada com uma realidade mais dura do que a que conhecia.
“Antes, tinha uma vida normal, filhos, um emprego, altos e baixos, como toda a gente. Aqui, estes dez anos passaram tão depressa… Foram tão intensos. Vi a escuridão do mundo, a estupidez, a maldade”, lamenta a mulher de Emmanuel Macron.
A primeira-dama francesa diz que se tem sentido “mais triste do que nunca” e admite:“Às vezes é difícil para mim ver o lado bom das coisas. Tenho momentos de pessimismo que não tinha antes”, confessou, acrescentando que escrever os seus pensamentos a ajudou “muito”.
Brigitte Macron afirmou ainda que se sente mais “cínica”, segundo o The Telegraph. A sua relação com Emmanuel Macron, que conheceu quando este tinha 15 anos e era seu aluno de teatro, tem sido alvo de intenso escrutínio e críticas nas redes sociais, incluindo a disseminação de informações falsas de que a primeira dama era transgénero, levando o casal a avançar com ações judiciais em França e nos Estados Unidos.
Em janeiro deste ano, vários dos autores de cyberbullying contra a primeira-dama francesa — acusados de difundir insultos e boatos relacionados com o seu género e com a diferença de idades em relação ao Presidente — foram condenados a prisão até seis meses em França, a maioria com suspensão condicional da pena.
Nos Estados Unidos, a podcaster conservadora Candace Owens, acusou a ex-professora de teatro de ser “um homem“, publicando vários vídeos onde tentava demonstrar a teoria. Posteriormente, Brigitte Macron terá admitido que o rumor teve “um impacto muito forte”, tanto sobre si como sobre o seu círculo mais próximo, segundo o Le Monde.
Imagens divulgadas pela Associated Press no ano passado, que mostram um momento de aparente tensão entre o casal — com a primeira-dama francesa a empurrar o presidente francês no rosto — terão também contribuído para especulações nas redes sociais. Donald Trump chegou mesmo a ironizar a situação durante um almoço privado na Casa Branca que foi divulgado. “Ligo para França, Macron, cuja mulher o trata extremamente mal”, comentou “e peço para ajudar na guerra com o Irão”.
Presidente francês empurrado pela mulher. Imagens mostram momento de tensão à chegada ao Vietname
O Presidente de França negou que o episódio correspondesse a uma discussão doméstica, descrevendo-o como uma simples brincadeira entre o casal. “Estávamos a brincar, na verdade, a fazer piadas com a minha mulher, e estou surpreendido com isso”, afirmou Emmanuel Macron aos jornalistas.