O Tribunal Correcional de Paris anunciou esta segunda-feira a decisão do processo movido por Brigitte Macron, condenando os dez arguidos por assédio online cometido contra a primeira-dama francesa.

Os réus — oito homens e duas mulheres com idades entre 41 e 65 anos — foram acusados de terem publicado “inúmeros comentários maliciosos” e de “prejudicarem deliberadamente a autora da ação”, alegando falsamente que a esposa do presidente Emmanuel Macron nasceu homem e associando a diferença de idade de 24 anos entre eles a um ato de pedofilia, escreve a Associated Press.

Segundo a mesma agência, o tribunal condenou os réus a penas que variam entre prisão (de quatro a oito meses) suspensa na sua execução, destacando os comentários “particularmente degradantes, insultuosos e maliciosos” como motivo para esta decisão, inclusive ao sugerir a sua “suposta pedofilia”, detalhou o presidente dos juízes, Thierry Donnard. Um dos arguidos foi apenas sujeito a ter de assistir a ações de formação para o cyberbullying.

Segundo o Le Figaro, um dos arguidos — um promotor imobiliário — foi condenado a pena efetiva de seis meses de prisão, por ter faltado às audiências de julgamento. Alguns dos réus foram ainda impedidos de aceder às contas nas redes sociais que usaram para disseminar estes comentários a respeito de Macron.

O Ministério Público francês tinha pedido penas de prisão suspensas entre três a 12 meses e multas de até oito mil euros.

Brigitte Macron — cujo relacionamento com Emmanuel Macron tem sido alvo de escrutínio desde que este se tornou o presidente da França, em 2017 — apresentou queixa por assédio em agosto de 2024, levando à detenção de várias pessoas em dezembro desse ano e fevereiro de 2025.

A primeira dama francesa não compareceu ao julgamento de dois dias, decorrido a 28 e 29 de outubro, mas numa entrevista emitida este domingo pelo canal TF1 disse ter iniciado um processo judicial para “dar o exemplo” na luta contra o assédio. Uma das acusações mais prevalecentes de que tem sido alvo — e que tem sido repetidamente desmentida — é de que nasceu Jean-Michel Trogneux, que na verdade é o nome do seu irmão.

Arguidos no caso de assédio online a Brigitte Macron defendem que estavam apenas a fazer “humor” sob o “espírito de Charlie”

Durante o julgamento, a defesa dos acusados incidiu no argumento que estavam apenas a fazer “humor” em relação à primeira-dama de França, invocando a sua liberdade de expressão e negando a intenção de atacá-la. Macron, pelo contrário, fez saber aos investigadores que os rumores tiveram “um impacto muito forte” sobre o seu círculo de amigos e sobre ela própria, relatando que se viu confrontada com os rumores cada vez que privava com a mulher de um chefe de Estado estrangeiro e que os seus netos ouviram dizer que “a sua avó é um homem”.

Também presente no julgamento, Tiphaine Auzière, filha de Brigitte Macron fruto do primeiro casamento com o banqueiro André-Louis Auzière, afirmou ter assistido a “uma degradação da saúde e das condições de vida” da mãe desde que o rumor começou a circular, descrevendo ainda o “impacto psicológico devastador” que as publicações. “A minha mãe já não sabe o que fazer para que tudo isto pare. Ela vive em constante alerta. É obrigada a ter cuidado com o que veste e com a sua postura porque sabe que a sua imagem pode ser utilizada indevidamente”, sublinhou.

Ministério Público francês pede penas suspensas de entre três a 12 meses para os arguidos no caso do assédio online a Brigitte Macron

Como nota a Reuters, este é apenas o primeiro round das batalhas legais movidas pelos Macrons a propósito destes ataques a Brigitte, visto que estão envolvidos noutro processo judicial de grande repercussão nos Estados Unidos por difamação contra a influencer e podcaster de extrema-direita Candace Owens.

Owens foi responsável pela série de investigação Becoming Brigitte, que alega que Macron nasceu enquanto Jean-Michel Trogneux. A alegação é descrita pelos Macron como uma “narrativa grotesca”, que se tornou numa “campanha de humilhação global” e “bullying implacável à escala mundial”. Os dois casos judiciais acabam por ter elos de contacto, porque várias pessoas julgadas em Paris divulgaram as publicações de Owens, regozijando-se com a internacionalização das teorias sobre Brigitte Macron.