Os colonos da Cisjordânia estão a praticar “terrorismo judeu” que pode causar uma “revolta palestiniana”, disse o Major-General Avi Bluth, chefe do Comando Central das Forças de Defesa de Israel (IDF), numa reunião à porta fechada, a cujo conteúdo o jornal israelita Haaretz teve acesso.

“Quando casas são incendiadas com os seus habitantes lá dentro, chama-se terrorismo judeu”, denuncia Bluth, que considera que é “quase um milagre que os palestinianos se mantenham indiferentes”, mas avisa que tal “não irá durar indefinidamente”.

Bluth acredita que estes colonos estão a “causar danos inimagináveis a Israel e ao projeto sionista” e faz uma ligação direta entre os ataques contra palestinianos e o aumento de ações contra os colonos.

“Sabemos agora de [palestinianos] que foram feridos por ações de price tag e logo em seguida realizaram incursões” contra os ocupantes israelitas, afirma o chefe das IDF”, que avisa que “se a Intifada começar, será uma sequência de ataques em vez de uma incursão surpresa como o que aconteceu no 7 de outubro”.

As ações price tag correspondem a atos de vandalismo por parte de colonos israelitas extremistas — como o grupo Juventude das Colinas — contra palestinianos e autoridades israelitas a tudo o que considerarem ser um ataque contra os colonatos estabelecidos ilegalmente.

Além disso, o chefe das IDF avisou o primeiro-ministro, Benjamim Netanyahu que a possibilidade de uma revolta palestiniana na Cisjordânia também poderá advir da retenção de receitas fiscais da Autoridade Palestiniana por parte de Israel. 75% da cobrança de impostos é feita por Israel e posteriormente transferida para a Autoridade, ao abrigo do Protocolo de Paris, de 1994.

“Há coisas que podem aumentar a tensão, como os fundos que não foram transferidos para os palestinianos durante um ano, e a força de segurança da Autoridade Palestiniana, que recebeu apenas 40% dos salários durante quase um ano”, esclarece Bluth.

Além disso, classifica os ocupantes israelitas como não sendo “pessoas particularmente educadas” e critica as penas de prisão “ridículas” atribuídas pelos tribunais israelitas a colonos detidos, que incluem apenas dias de prisão domiciliária ou proibição de circular em vilas palestinianas na Cisjordânia durante um mês.

Distinção entre colonos

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O chefe das IDF faz uma distinção entre as colónia da Cisjordânia, que são estabelecidas em coordenação com as autoridades israelitas e os postos de colonos — de onde se deverá originar toda a violência contra palestinianos — “criados sem coordenação e que se dizem quintas”.

O chefe das IDF acredita a ineficácia do sistema judicial foi exacerbada pela decisão do ministro da Defesa em não aplicar detenções administrativas a judeus.

“São pessoas selvagens, que deveriam estar na prisão”, atira Bluth, que também afirma que o aumento da violência dos colonos está relacionado com a radicalização da sociedade israelita pós-7 de outubro” e com os ataques contra o Irão.

As declarações do chefe do Comando Central das IDF representam mais um caso de críticas das ações dos colonos israelitas contras palestinianos. Na passada semana, o antigo diretor da Mossad, Tamir Pardo, afirmou ter “vergonha” de ser judeu e comparou as ações dos ocupantes aos nazis, alertando para a possibilidade de um novo 7 de outubro.

Desde outubro de 2023, foram mortas cerca de 1.169 pessoas na Cisjordânia, segundo dados atualizados na segunda-feira pelas autoridades palestinianas, resultante tanto de ataques de colonos, como do exército israelita.

Em fevereiro, foi aprovada uma lei no Knesset — parlamento israelita — que designou áreas da Cisjordânia como “propriedade estatal” de Israel, justificada devido a “procedimentos ilegais de colonização que a Autoridade Palestiniana está a promover na Área C”.

Áreas Cisjordânia

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Os Acordos de Oslo dividiram a Cisjordânia em três áreas de controlo:

  • Área A: sob o governo da Autoridade Palestiniana, controla cerca de 18% do território, que inclui cidades como Ramallah e 80% de Hebron.
  • Área B: sob gestão partilhada da Autoridade Palestiniana (assuntos internos) e de Israel (segurança), é composto por cerca de 22% do território
  • Área C: sob o controlo de Israel, corresponde a cerca de 60% da Cisjordânia