Luís Montenegro defendeu este domingo a inclusão da Rússia em negociações para se obter a paz na Europa e considerou que o continente europeu não pode delegar noutros países a sua missão neste processo.

“Só pode e só vai haver paz na Europa e na Ucrânia quando nós sentarmos a Rússia na mesa das negociações de paz“, disse o primeiro-ministro, no discurso de encerramento da 15.ª Universidade Europa, em Porto de Mós (Leiria).

Sublinhando que “a Europa não pode estar longe disto”, nem pode delegar a sua intervenção e missão neste processo a países terceiros”, Luís Montenegro lembrou que há já mais vozes a defender o passo de falar com Moscovo para terminar a guerra na Ucrânia. “Depois de uma estranheza inicial, agora já vários intervenientes à escala europeia assumem que a própria Europa deve, e bem, criar esse canal”, para “poder salvaguardar o interesse da Europa e da própria Ucrânia”, disse, acrescentando: “Aliás, não tenho dúvidas de que é esse também o interesse da Ucrânia e dos seus responsáveis”.

Antes, e dirigindo-se a uma plateia de jovens, o presidente do PSD reconheceu também que a Europa “atravessa uma encruzilhada política e institucional” e a União Europeia, com 27 Estados-membros, tem “uma dificuldade grande em decidir e implementar as suas políticas” face “a outros blocos políticos e comerciais com os quais compete na esfera internacional, onde a decisão é muito mais fácil”.

O líder do executivo adiantou, por outro lado, que “este Governo tem um objetivo que é que Portugal seja contribuinte líquido da União Europeia”.

“É esse o nosso objetivo, que um dia nós possamos dar mais do que recebemos, no sentido em que somos mais desenvolvidos num conjunto uniforme de países, para todos caminharem em conjunto, caminharem de forma harmoniosa, e, portanto, nós estamos disponíveis a dar aos outros para também receber em troca o fruto de um desenvolvimento conjunto, de um bloco consistente e de um bloco desenvolvido”, continuou.

Contudo, ressalvou que Portugal, “mesmo ainda não estando nesse patamar”, tem “uma contribuição anual de cerca de 2.500 milhões de euros para a União Europeia”, antecipando um crescimento da comparticipação no próximo quadro financeiro plurianual “para um valor muito superior”, sem precisar.

E, quando forem feitas as contas entre aquilo que o país dá e aquilo que recebe, Luís Montenegro assegurou que se vai chegar à conclusão de que já se está “quase lá”, explicando ser essa “uma das razões pelas quais” tem defendido na União Europeia que “é preciso manter o respeito por aquilo que está nos tratados sobre a política de coesão, sobre a política que garante que todos estão no mesmo barco”.

A Universidade Europa, promovida pela JSD, pelo PSD, pela Delegação do PSD no Parlamento Europeu, pelo Instituto Francisco Sá Carneiro e pelo Grupo do PPE, visa aprofundar o estudo das questões europeias.