O Japão está a recorrer a uma solução tecnológica invulgar para lidar com o aumento dos ataques de ursos: lobos robôs equipados com olhos LED vermelhos, sons ameaçadores e sensores de movimento. O dispositivo, conhecido como “Monster Wolf”, está a tornar-se cada vez mais popular em zonas rurais do país, avança o The Japan Times.
Fabricado pela empresa japonesa Ohta Seiki, sediada em Hokkaido, o robô foi inicialmente criado em 2016 para defender produções agrícolas de ursos, javalis e veados. No entanto, o crescimento do número de problemas com ursos levou a uma explosão na procura do produto. Já foram recebidas cerca de 50 encomendas em 2026 — mais do que o habitual para um ano inteiro, disse o presidente da empresa, Yuji Ohta.
“Fazemo-los à mão. De momento, não conseguimos fabricá-los com a rapidez suficiente. Estamos a pedir aos clientes que aguardem entre dois a três meses”, afirmou Yuji Ohta ao The Japan Times.
O “Monster Wolf” funciona através de sensores que detetam movimento. Quando um animal se aproxima, o robô ativa luzes vermelhas intermitentes, move a cabeça de um lado para o outro e emite mais de 50 sons diferentes, incluindo uivos, rugidos e vozes humanas, audíveis até um quilómetro de distância.
O Japão enfrenta atualmente um aumento de acidentes com ursos. Entre 2025 e o início de 2026, registaram-se mais de 50 mil ursos em todo o país e 13 mortes associadas a ataques — o valor mais elevado de sempre. Os animais têm sido vistos perto de escolas, habitações e supermercados. Especialistas apontam como explicação para este fenómeno, as alterações climáticas, a escassez de alimentos naturais e o despovoamento das zonas rurais japonesas.
Japão regista este ano máximo histórico de 230 ataques de ursos e 13 mortos
Cada “Monster Wolf” custa cerca de 600 mil ienes (aproximadamente 3 mil euros) e inclui painéis solares, bateria e colunas de som. A empresa está também a desenvolver versões com rodas, para perseguir animais ou patrulhar por caminhos específicos e pretende integrar câmaras com inteligência artificial em modelos futuros.
Texto editado por Dulce Neto
[Renato Seabra matou Carlos Castro, isso ninguém contesta. A pergunta a que os jurados têm de responder é outra: o jovem modelo português pode ou não ser responsabilizado pelo crime? Sentiu raiva ou estava mentalmente perturbado? Ouça o sexto e último episódio de “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o Podcast Plus do Observador narrado pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio, aqui o segundo, aqui o terceiro episódio, aqui o quarto episódio e aqui o quinto episódio]