Morreu esta segunda-feira Étienne Davignon, ex-vice-presidente da Comissão Europeia, avança o Instituto Jacques Delors. O ex-governante e diplomata foi acusado em março deste ano de ter estado envolvido no assassinato de Patrice Lumumba, primeiro líder da República Democrática do Congo, em 1961, e esperava-se que fossse a julgamento, em 2027.
Étienne Davignon entrou na carreira diplomática em 1959, tendo sido presidente da Agência Internacional de Energia, entre 1974 e 1977, comissário europeu entre 1977 e 1985 e vice-presidente da Comissão Europeia, entre 1981 e 1985, antes de ter sido elevado a visconde, em 2018, pelo Rei Filipe dos Belgas.
A 17 de março, o Tribunal de Primeira Instância de Bruxelas ordenou que Davignon fosse presente a tribunal por suspeitas de envolvimento no assassinato de Lumumba, segundo a Reuters, acusando-o de crimes de guerra, por alegadamente ter participado na “detenção ilegal ou transferência de Lumumba [privando-o] do seu direito a um julgamento imparcial”. Além disso, terá submetido o primeiro líder da RD Congo a um “tratamento humilhante e degradante” e estado envolvido também no homicídio de dois dos seus aliados próximos (Maurice Mpolo e Joseph Okito).
Davignon, que era um jovem diplomata à data dos crimes, negou sempre o seu envolvimento no assassinato, tendo apresentado um apelo junto do tribunal que o acusou, de acordo com a Reuters. Foi a primeira pessoa acusada neste caso e a única viva à data da investigação que estava a ser feita desde 2011, quando a família de Lumumba apresentou o caso em tribunal. Outros nove suspeitos não foram acusados, por terem morrido. Com a morte de Davignon, o caso será encerrado, segundo a emissora belga VRT.
À data da acusação do tribunal, Yema Lumumba, neta de Patrice Lumumba, afirmou à Reuters que a decisão era “um passo na direção correta” e que procurava “a verdade e estabelecer responsabilidades diferentes”.
Patrice Lumumba foi o primeiro primeiro-ministro da República Democrática do Congo, após a independência face à Bélgica, antes de ser assassinado, em 1961, por milícias pró-belgas. O seu corpo foi dissolvido em ácido, tendo apenas restado um dente de ouro, que apenas foi devolvido ao Congo em 2022. 20 anos antes, o governo belga admitiu “responsabilidade moral” no crime, e pediu desculpa ao país, segundo noticiou à época o The New York Times.
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