O presidente do Conselho de Administração da Lusa salientou esta terça-feira a importância da agência num tempo em que a informação “é constantemente posta à prova” e defendeu que Lusa deve “contribuir para a qualidade da vida democrática”.
Joaquim Carreira discursava no átrio principal do Parlamento na cerimónia de inauguração da exposição “40 Anos | 40 Fotografias”, integrada nas comemorações do aniversário da agência Lusa, depois de uma intervenção do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco.
O presidente da administração da Lusa começou por salientar a relevância da agência de notícias portuguesa como uma “resposta estratégica do país” para “garantir informação rigorosa, independente e de interesse público em Portugal e para o mundo”.
Joaquim Carreira considerou que, do percurso da agência, “emergem valores que hoje se identificam claramente como sendo da Lusa” como a verificação de factos, o rigor, a independência editorial e o sentido de serviço público.
O presidente do Conselho de Administração da agência Lusa defendeu ainda que, “num tempo em que a confiança na informação é constantemente posta à prova, instituições como a Lusa tornam-se cada vez mais indispensáveis”.
“O seu papel não é apenas informar, é também contribuir para a qualidade da vida democrática”, salientou, acrescentando que “celebrar a Lusa é celebrar a importância do jornalismo credível, é reconhecer o valor de quem trabalha diariamente para garantir que os factos prevalecem sobre o ruído”.
Joaquim Carreira afirmou que a exposição inaugurada esta terça-feira é uma “expressão simbólica” do percurso da agência, mas que as fotos expostas são “uma ínfima parte de todo o património informativo da Lusa”. “Um património vivo construído diariamente”, acrescentou.
O administrador da Lusa salientou também o papel dos trabalhadores da Lusa nestes 40 anos de história, considerando-os “o ativo mais importante da agência”.
“A sua experiência, o seu conhecimento e o compromisso são a base que permitem à Lusa chegar até aqui e serão a base que permitem enfrentar o mundo em constante mudança”, frisou.
A exposição itinerante “40 Anos | 40 Fotografias”, inaugurada esta terça-feira no átrio principal da Assembleia da República, integra as comemorações do aniversário da Lusa e reúne fotografias captadas por atuais e antigos fotojornalistas da agência de notícias nas últimas quatro décadas.
A primeira foto, de 1986, retrata a fusão das agências noticiosas ANOP e NP que resultou na agência Lusa. Estão também expostos registos de momentos marcantes da vida do país, como a vitória de Rosa Mota na maratona feminina dos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988; a atribuição do Nobel da Literatura a José Saramago, em 1998; a queda da ponte de Entre-os-Rios, em 2001; a detenção do antigo primeiro-ministro José Sócrates, em 2014; ou a conquista do Campeonato da Europa de futebol de 2016.
Entre as fotografias mais recentes estão imagens da destruição em Kiev, na sequência da invasão russa da Ucrânia, em 2022; as Jornadas Mundiais da Juventude, em 2023, com a presença do Papa Francisco; o apagão elétrico que atingiu a Península Ibérica em abril de 2025; e as marcas de destruição deixadas pela depressão Kristin que assolou o país no início deste ano.
A exposição conta ainda com uma secção dedicada à Assembleia da República, com registos que vão desde a aprovação do Orçamento do Estado para 2002, do então Governo minoritário do PS chefiado por António Guterres, até à XVI Legislatura, em 2024, marcada pelo aumento da bancada do Chega para 50 parlamentares, e a eleição, à quarta tentativa, de José Pedro Aguiar-Branco como presidente do parlamento.
Pode ler-se também na exposição um texto do sociólogo e antigo deputado António Barreto que salienta o papel “indispensável” da Lusa e a forma como a agência guiou a informação “ao longo de uma formidável correria durante a qual se consolidou a liberdade em Portugal, se afirmou a democracia e se garantiu um extraordinário progressos”, mas “também se correram risco medonhos e se viveram catástrofes e desastres”.