Acompanhe neste artigo em direto todos os desenvolvimentos das tensões no Médio Oriente e a guerra entre Rússia e Ucrânia

Ao fim de mais de quatro anos de guerra — e após Zelensky escrever uma carta a Putin — o Presidente da Ucrânia afirma que o conflito parece estar finalmente a virar-se a favor de Kiev. “Não podemos dizer que a Rússia está a perder a guerra. Mas podemos dizer que estão a perder a iniciativa a cada dia, dia após dia“, afirmou em entrevista ao jornal The Guardian.

Segundo as contas de Volodymyr Zelensky, morrem entre 23 e 24 mil soldados russos por mês neste conflito e cerca de 5 mil ficam gravemente feridos. Isto significa cerca de 30 mil baixas mensais, aponta. “No total, este número é muito grande. Significa que não estão a vencer a guerra“, diz, reconhecendo que a Ucrânia também perdeu soldados — mas em menor escala.

O líder ucraniano apontou ainda que a imagem de Vladimir Putin tem enfraquecido ultimamente. “Estão [a Rússia] a perder influência em vários países. Estão isolados dentro da Europa e também dos Estados Unidos da América. Estão sozinhos”, disse. Na base das suas declarações está, por exemplo, o facto de ter rejeitado a proposta de Zelensky de se encontrarem presencialmente para pôr fim à guerra, numa postura que alguns consideraram implacável.

Mais tarde, no fórum económico de São Petersburgo, o líder russo garantiu que as tropas russas continuam a avançar na linha da frente, afirmação que levou algumas pessoas a questionarem-se se Putin estará a receber informações erradas por parte dos seus comandantes.

A este cenário acrescenta-se, ainda, a derrota do seu aliado mais próximo na Europa, Viktor Orbán, que acabou derrotado nas eleições húngaras. E ainda o facto de, na última semana, drones ucranianos de longo alcance terem atingido a cidade natal do Presidente russo, São Petersburgo, tendo como alvo principal terminais de petróleo.

Para Zelensky, “a vitória nesta guerra será quando a sociedade russa reconhecer que a guerra é terrível, que a guerra é uma tragédia. Acho que esse será o momento.”

Zelensky reconhece que “foco dos EUA mudou”

Em entrevista, Zelensky admitiu ainda que as prioridades de Donald Trump se alteraram. O líder reconhece que a atenção de Washington está agora voltada para o Médio Oriente, apesar de se dizer grato pelo “forte apoio” que os EUA prestaram à Ucrânia.

“Desde o início da guerra com o Irão, o foco dos EUA mudou“, disse, acrescentando que entende o porquê de este país estar a gastar “tantos mísseis e armas” num conflito que se iniciou porque assim o quiseram. No entanto, lamenta que a Ucrânia nunca tenha recebido “esse nível de apoio”, ao contrário de Israel e dos aliados dos EUA na região do Golfo. “É uma pena”, disse.

Desde o início deste conflito, em fevereiro de 2022, a Ucrânia tem vindo a desenvolver a sua produção de material militar, assim como a investir na inovação tecnológica. Contudo, detalha o Presidente ucraniano, há uma arma que a Ucrânia precisa, nomeadamente os mísseis Patriot, que são fabricados nos EUA e são o único sistema capaz de abater mísseis balísticos russos. Cada um destes mísseis Patriot custa mais de 3 milhões de euros.

Perante a pouca ajuda que atualmente a Ucrânia está a receber e tendo em conta que o Reino Unido não produz mísseis antibalísticos, Zelensky considera que esse país, assim como França e Alemanha, devem começar a pensar na sua construção. E diz que Kiev está disposto a partilhar a sua experiência em contexto de guerra: “Trata-se de informação valiosíssima. Há um volume enorme de dados disponíveis.”