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O Estreito de Ormuz será reaberto “instantaneamente” e o bloqueio norte-americano aos portos iranianos terminará “imediatamente”, em resultado da assinatura do memorando de entendimento por Washington e Teerão, confirmou esta quinta-feira o primeiro-ministro paquistanês.
O protocolo “entrará em vigor com efeito imediato e, numa primeira fase, a República Islâmica do Irão reabrirá sem demora o Estreito de Ormuz e os Estados Unidos da América levantarão imediatamente o bloqueio naval”, escreveu Shehbaz Sharif, na rede social X.
I am honoured to announce that the historic ‘Islamabad Memorandum of Understanding’ has been electronically signed today between the United States of America and the Islamic Republic of Iran. The Memorandum has been signed by honourable Presidents of both the countries and also…
— Shehbaz Sharif (@CMShehbaz) June 18, 2026
O governante paquistanês, principal mediador das negociações, confirmou ainda que se realizará na sexta-feira, na Suíça, uma cerimónia “para comemorar este acontecimento marcante e dar início às discussões técnicas”, ainda que fontes iranianas e norte-americanas tenham sugerido que o encontro se tornou irrelevante.
A publicação de Sharif ocorreu pouco depois do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado a assinatura do memorando em Versalhes, após um jantar oferecido pelo homólogo francês, Emmanuel Macron.
A abrir o memorando de entendimento para pôr fim à guerra no Médio Oriente, os Estados Unidos e o Irão, divulgado tanto por Washington como por Teerão, as partes e respetivos aliados “declaram a cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano“.
Comprometem-se ainda “a não iniciar guerras ou operações militares e a abster-se da ameaça ou do uso da força uns contra os outros, garantindo simultaneamente a integridade territorial e a soberania do Líbano”.
O Irão e os Estados Unidos “comprometem-se a negociar e a celebrar o acordo final num prazo máximo de 60 dias, prorrogável de comum acordo”.
Os Estados Unidos concorda começar “imediatamente” a levantar o bloqueio aos portos iranianos, que será total no prazo de 30 dias, e compromete-se ainda “a retirar as suas forças das imediações da República Islâmica do Irão, no prazo de 30 dias, após o acordo final”.
Em contrapartida, o Irão compromete-se a “garantir a segurança da passagem de navios comerciais, sem custos, durante apenas 60 dias, do Golfo Pérsico para o Mar de Omã e vice-versa. O tráfego de navios comerciais terá início imediatamente” e será totalmente restabelecido no prazo de 30 dias, assim que o Estreito de Ormuz for desminado.
Os Estados Unidos e os seus parceiros regionais elaborarão um plano “no valor de, pelo menos, 300 mil milhões de dólares (260,4 mil milhões de euros), destinado à reconstrução e ao desenvolvimento económico” do Irão.
Comprometem-se ainda “a pôr fim a todos os tipos de sanções”, unilaterais e internacionais, contra o Irão, de acordo com um calendário a definir no acordo final, assim como “a tornar plenamente disponíveis e utilizáveis os fundos e ativos da República Islâmica do Irão congelados ou sujeitos a restrições, a partir da entrada em vigor do presente protocolo de acordo”.
Divulgados oficialmente os 14 pontos que constam no memorando de entendimento entre o Irão e os EUA
Igualmente de forma imediata e até ao levantamento das sanções, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos concederá “derrogações para a exportação de petróleo bruto iraniano, de produtos petrolíferos e derivados, bem como para todos os serviços associados, incluindo transações bancárias, seguros, transportes, etc.”.
No domínio nuclear, o Irão reafirma que “não irá adquirir nem desenvolver armas nucleares”, e o destino do urânio enriquecido será resolvido “de acordo com um mecanismo a acordar mutuamente”. A questão do enriquecimento relacionado com as necessidades nucleares civis do Irão será discutida “com base num quadro satisfatório a definir no acordo final”.
Enquanto se aguarda o acordo final, o Irão “manterá o status quo atual do seu programa nuclear”, e os Estados Unidos “não imporão quaisquer novas sanções nem destacarão forças adicionais na região”.
Segundo Shehbaz Sharif, o acordo foi assinado eletronicamente e à distância na quinta-feira, hora de Islamabad, pelos presidentes iraniano Massoud Pezeshkian e norte-americano, Donald Trump.
O acordo final será objeto de ratificação por uma resolução vinculativa do Conselho de Segurança da ONU.