Um grupo de coletivos enviou uma carta ao Governo exigindo a revisão do último Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), que confunde o combate contra as “práticas genocidas” do Estado de Israel com “atos antissemitas”.
Em causa está o alerta do RASI 2025 para o aumento de atos violentos de antissemitismo e estabelece uma relação entre os coletivos pró-Palestina e a “extrema-esquerda”.
O RASI constata que em 2025 houve “um agravamento das ações ilícitas de caráter antissemita, dirigidas contra entidades oficiais e privadas, que, direta ou indiretamente, estão relacionadas com o Estado de Israel, cidadãos ou empresas israelitas e a comunidade judaica em Portugal”.
No relatório destaca-se que “a extrema-esquerda portuguesa manteve-se particularmente ativa no contexto da causa palestiniana, aderindo a diferentes iniciativas de protesto de grupos ativistas, desvirtuando-as, pontualmente, através da realização de atos de vandalismo e da proclamação de mensagens antissemitas”.
Em resposta, um grupo de coletivos enviou uma carta ao ministro da Administração Interna, Luís Neves, na qual assinalam que “os movimentos pró-Palestina em Portugal organizam ações pacíficas em prol do respeito pelo direito internacional e pelos direitos humanos”.
Na nota enviada à imprensa pelo coletivo Humans Before Borders, um dos signatários, consideram que o RASI 2025 é “incorreto quando associa movimentos ou ações contra práticas genocidas a ‘atos antissemitas’, confundindo antissemitismo com posições e ações que denunciam o Estado de Israel”.
Ao mesmo tempo, recordam “a presença ativa em Portugal de um coletivo de judeus nas mobilizações críticas às práticas do sionismo”.
O RASI 2025 representa um “perigo” para os grupos pelos direitos do povo palestiniano e pelo fim do genocídio na Palestina, “colando as suas ações a ‘violência’, perpetrada pela ‘extrema-esquerda’”, denunciam os signatários.
“Ao caraterizar, de uma forma abusiva e errónea, o movimento pró-Palestina e a ‘extrema-esquerda’, o RASI 2025 contribui para fomentar o discurso de ódio e a desinformação sobre movimentos que se regem pela reivindicação de uma ordem internacional assente na autodeterminação dos povos e no respeito pelos direitos humanos”, contrapõem.
Os coletivos que assinam a carta – entre os quais estão Judeus pela Paz e Justiça, Academia Cidadã, Graal, Parents for Peace, Refugees Welcome Portugal, SOS Racismo e Vida Justa – sublinham que acolhem pessoas de “diferentes sensibilidades políticas, unidos/as por princípios comuns de justiça, legalidade e respeito pela dignidade humana”.
Os signatários – que incluem também pessoas individuais – reafirmam ainda que “o Estado português é cúmplice do genocídio na Palestina” e recordam que o Tribunal Internacional de Justiça apelou a todos os Estados para adotarem sanções contra Israel.