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Criou mais de 100 identidades falsas nas redes sociais. Homem condenado a 16 anos por chantagear e violar menores no Reino Unido

Violador utilizava contas falsas para chantagear mulçumanos, que tinham receio de assumir a sua orientação sexual devido à "cultura religiosa". Polícia afirma estar a investigar cerca de 100 vítimas.

Polícia Metropolitana de Londres
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Após conquistar a confiança das vítimas, o agressor solicitava imagens íntimas que incluíssem o rosto, para facilitar a chantagem

Polícia Metropolitana de Londres

Após conquistar a confiança das vítimas, o agressor solicitava imagens íntimas que incluíssem o rosto, para facilitar a chantagem

Polícia Metropolitana de Londres

Um homem foi condenado a 16 anos de prisão no Reino Unido depois de ter criado mais de 100 perfis falsos nas redes sociais com o objetivo de chantagear e agredir sexualmente adolescentes muçulmanos. Este é um caso descrito pela polícia como uma das maiores investigações de “exploração sexual” de que há registo, noticiou a BBC.

Waleed Saeed, britânico de 31 anos de origem somali, foi condenado na sexta-feira no Tribunal da Coroa de Snaresbrook, em Londres, por 17 crimes que incluem violação, chantagem e posse de imagens íntimas de menores.

O violador utilizava contas falsas no Snapchat, Instagram e Grindr para contactar adolescentes muçulmanos, que tinham receio de assumir a sua orientação sexual devido ao impacto nas famílias e na sociedade, sublinhou o juiz responsável pelo caso.

Após conquistar a confiança das vítimas, o agressor solicitava imagens íntimas que incluíssem o rosto, para facilitar a chantagem e, posteriormente, ameaçava expor as suas orientações sexuais caso não lhe pagassem uma certa quantia de dinheiro. Quando as vítimas não conseguiam pagar, eram coagidas a encontrar-se com ele pessoalmente, acabando por ser sexualmente abusadas ou violadas.

“É gay e, assim como algumas das suas vítimas, profundamente transtornado pela visão negativa da sua cultura em relação à homossexualidade. As vítimas eram todas jovens de idade semelhante, adolescentes. Aproveitou-se do facto de que as questões culturais os tornavam vulneráveis à ameaça de exposição”, disse o juiz ao violador durante a leitura da sentença.

O tribunal ouviu um estudante universitário que partilhou fotografias e vídeos sexuais com Waleed Saeed, e que revelou que se sentia incapaz de confiar na própria família por causa da cultura religiosa. “Eu não vou muitas vezes a casa porque tenho constantemente medo que eles descubram. Eles teriam muita vergonha de mim e não iriam falar mais comigo”, afirmou a vítima.

O estudante revelou que depois da situação teve de recorrer a medicamentos para controlar a ansiedade. “Sempre que ouço a notificação do Snapchat, sinto medo e tenho de verificar imediatamente, a primeira coisa que penso é que pode ser uma fotografia ou vídeo meu publicado”, admitiu.

A investigação policial começou em 2024, após a denúncia de uma violação num parque em Londres. O jovem de 18 anos revelou ter trocado imagens íntimas com uma pessoa que acreditava ser uma mulher transgénero, que na realidade era Waleed Saeed. Pouco depois, começou a ser chantageado com a ameaça de divulgação dessas imagens em troca de dinheiro, refere o jornal britânico.

As autoridades identificaram ligações a dezenas de outras potenciais vítimas, sendo que a Polícia Metropolitana de Londres afirma estar a investigar cerca de 100.

Texto editado por Dulce Neto

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