Hugo Soares diz estar “muito orgulhoso” com o que tem sido alcançado desde que a coligação PSD/CDS subiu ao poder, prometendo mais reformas nos próximos três anos da legislatura para continuar o “momento de viragem” que vê o país a atravessar. “Ainda estamos no início. Este é só o princípio da transformação que queremos fazer”, afirmou no encerramento das jornadas em Cascais.

O líder parlamentar do PSD considera que o país “começa a sentir” essas transformações que a AD tem conseguido aprovar, apesar de ser não ter uma maioria absoluta no Parlamento. “Temos feito das tripas coração para podermos encontrar as melhores soluções de políticas públicas e de apoios parlamentares para as podermos aplicar”, garantiu. “Às vezes, dou por mim a pensar que somos uma espécie de ginastas que procuramos dentro da espargata possível conseguirmos conciliar a aprovação da legislação com a otimização das soluções políticas.”

“Entre o oito e o oitenta, é no meio que está a virtude e nós somos mesmo esta virtude. Nem cederemos à sofreguidão estatizante do PS nem ao radicalismo populista do Chega”, continuou o líder da bancada social-democrata. Hugo Soares assegurou que, independentemente do parceiro na Assembleia da República, PSD e CDS “não cedem nos seus princípios”, dando como exemplos aquilo que aconteceu na aprovação da lei da Nacionalidade ou na indisponibilidade em baixar a idade da reforma para fazer aprovar o pacote laboral.

O secretário-geral do PSD pediu aos dois maiores partidos da oposição para que “deixassem a infantilidade política e pusessem o interesse nacional à frente”. Apesar de acusar o PS de “fundamentalismo ideológico” na gestão do SNS, Hugo Soares acabaria por ser mais crítico do Chega na sua intervenção para encerrar as jornadas parlamentares. O líder parlamentar do PSD criticou o partido de Ventura por, segundo o jornal Público, ter encomendado uma sondagem sobre a popularidade da reforma laboral, dias antes da votação no Parlamento. “Quem acha que as decisões se tomam com base em sondagens só está a pensar em eleições e não nas populações”, atirou.

O líder da bancada social-democrata aproveitou também as intervenções de convidados independentes das jornadas parlamentares para criticar a exigência relativa à descida da idade da reforma. Hugo Soares perguntou a Ventura se continua a defender a medida, sabendo que isso significaria “reformar cerca de 30% dos médicos portugueses”. “Chega de demagogia, populismo e mentir aos portugueses e portuguesas”, terminou.

Núncio: “Depois de Cunhal, poucos fizeram tanto pelo comunismo como Ventura”

Antes de Hugo Soares, Paulo Núncio, líder parlamentar do CDS, já tinha criticado Ventura. “Depois de Álvaro Cunhal, poucas pessoas terão feito tanto pela causa comunista como André Ventura nos últimos anos”, provocou o democrata-cristão. Numa crítica ao voto do Chega contra a reforma laboral, o líder parlamentar do CDS disse mesmo que pelos “distintíssimos serviços prestados à causa do sindicalismo comunista” é da “mais elementar justiça” que Ventura receba a medalha de mérito da CGTP.

“A ‘cheringonça’ voltou, agora unida com punhos cerrados contra o Governo que os portugueses elegeram. E insisto que não basta dizer-se de direita e ser-se marxista na economia, não dá para ser de direita e ser comunista ao mesmo tempo”, disse Núncio aos deputados de CDS e PSD.

Além da reforma laboral, o líder da bancada democrata-cristã criticou o Chega por aprovar com o PS a “irresponsável” isenção de portagens ou a “injusta” redução das propinas para ricos e pobres. “Diz-me com quem andas, com quem ergues o punho, dir-te-ei quem és. De tanto querer agradar à esquerda, o Chega é hoje o maior aliado do PS e da extrema-esquerda contra o Governo da AD”, acusou.

Na preparação do debate do Estado da Nação, a 16 de julho, Paulo Núncio defendeu que “nenhuma outra força política governou tão bem Portugal como a AD governou” e que o “espírito reformista” se mantém no atual Governo. “Portugal está muito melhor do que estava durante os oito anos de governo socialista”, defendeu, apesar de admitir que a AD não foi tão longe quanto podia. “Esta governação podia ter tido mais resultados? Sim, podia, se algumas das nossas reformas não tivessem sido chumbadas pela oposição.”

Por fim, Núncio garantiu ainda que a AD “virou a página do delírio woke” nos dois anos no poder, nomeadamente ao proteger as crianças portuguesas do “horror” das terapias hormonais para mudança de sexo. O líder parlamentar do CDS sublinhou que os edifícios públicos “não devem servir para campanhas políticas e ideológicas que dividem a nação” portuguesa, numa referência à medida vetada pelo Presidente da República que a AD vai tentar aprovar novamente numa versão suavizada. “Governar não é só administrar as finanças públicas, também é afirmar e proteger os valores que nos definem”, defendeu.