A escritora e antiga jornalista E. Jean Carroll já recebeu os mais de 5,6 milhões de dólares (cerca de 4,9 milhões de euros) que Donald Trump lhe devia, após um júri decidir, em 2023, que o Presidente norte-americano era responsável por abuso sexual e difamação. O pagamento foi confirmado por registos de um tribunal federal de Manhattan divulgados esta terça-feira.

Os documentos, citados pela imprensa norte-americana, mostram que o montante de 5.625.005,48 dólares, correspondente à indemnização acrescida de juros, foi libertado de uma conta judicial a 9 de julho, um dia depois de o juiz Lewis Kaplan ter ordenado a transferência.

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“Há três anos, um júri unânime de nove pessoas considerou o Presidente Trump responsável por abusar sexualmente e difamar E. Jean Carroll. Hoje, temos o prazer de informar que ela recebeu a indemnização atribuída pelo júri”, afirmou Roberta Kaplan, advogada principal de Carroll, em comunicado citado pela NBC News.

A decisão surgiu depois de o Supremo Tribunal dos Estados Unidos ter recusado, a 29 de junho, apreciar o recurso apresentado por Trump. O líder norte-americano procurou impedir a libertação do dinheiro, defendendo que o montante deveria continuar retido enquanto tentava obter uma reapreciação da decisão do Supremo, um pedido que continua pendente. Trump nega qualquer prática ilícita.

Após a recusa do Supremo em analisar o recurso, a equipa jurídica de Carroll pediu de imediato ao juiz que ordenasse a libertação dos fundos. Os advogados de Trump solicitaram mais tempo para responder ao pedido, mas o juiz recusou esse adiamento. O dinheiro encontrava-se depositado no sistema de investimento do registo dos tribunais federais (CRIS), ao abrigo de um acordo entre as duas partes que permitia a Trump manter o montante em depósito enquanto decorriam os recursos. O mesmo acordo previa, porém, que os fundos seriam entregues a Carroll caso o Supremo Tribunal recusasse apreciar o recurso.

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Num documento apresentado em tribunal, os advogados de Carroll indicaram que a escritora e antiga jornalista pretende utilizar o dinheiro para viver durante a reforma e que manterá a indemnização numa conta remunerada até que seja rejeitado o pedido de reapreciação apresentado por Trump.

Este processo teve origem nas acusações de Carroll, que afirmou que Donald Trump a agrediu sexualmente num provador de uma loja de luxo em Nova Iorque na década de 1990, alegações publicadas em 2019 num excerto do seu livro What Do We Need Men For? A Modest Proposal, divulgado pela revista New York. Em 2023, um júri federal concluiu que Trump era responsável por abuso sexual e difamação.

Já em 2024, num processo distinto relacionado com declarações posteriores de Trump sobre Carroll, outro júri condenou o Presidente norte-americano a pagar 83 milhões de dólares por difamação. O recurso desta decisão também já foi rejeitado por um tribunal federal.

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Trump sempre negou as acusações de que foi alvo. Em maio deste ano, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu uma investigação contra E. Jean Carroll com o objetivo de analisar se a jornalista terá mentido sob juramento em relação ao financiamento da sua acusação.

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