O primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, considerou esta quinta-feira “claramente insuficiente” a proposta atual para o próximo orçamento comunitário e defendeu a possibilidade de serem criados impostos a nível europeu, para empresas como as grandes energéticas.
Sánchez, que falava a jornalistas à entrada do Conselho Europeu que esta quinta-feira arranca em Bruxelas, afirmou que Espanha está “a caminho de se transformar em contribuinte líquido” da União Europeia (UE) graças ao bom desempenho da economia e que isso implica uma “dose de responsabilidade e orgulho”.
O governo espanhol, acrescentou, “está também aberto a negociar” sobre a necessidade de aumentar “os recursos próprios” da UE, o que implica “abrir o debate sobre justiça fiscal” e a necessidade de “impostos à escala europeia”, a aplicar, por exemplo, a grandes empresas do setor da energia que aumentam lucros com crises como a atual no Médio Oriente.
O líder dos socialistas espanhóis, que se vai submeter a eleições antecipadas em 29 de novembro, disse que o Governo de Espanha “não está de acordo” com a proposta para o próximo orçamento comunitário atualmente em cima da mesa, cujo debate e negociação arranca nesta reunião de dois dias do Conselho Europeu.
Sánchez disse que a proposta é “claramente insuficiente” para responder aos desafios da UE, referindo a transição energética, a resposta às alterações climáticas, o aumento da competitividade, a necessidade de “ganhar soberania” digital e energética ou a gestão das migrações.
A este respeito, sublinhou que Espanha defende uma UE “ambiciosa” e “coerente com os princípios e valores” europeus, o que, a nível da imigração e do controlo de fluxos migratórios irregulares, exige mais recursos para as fronteiras, mas também para a cooperação com países de origem e trânsito.
O primeiro-ministro espanhol considerou que a proposta de orçamento não reflete os relatórios Draghi e Letta, sobre a competitividade e economia europeias, “que todos aplaudiram” e afirmou que “não é aceitável”.
A crise energética, o Quadro Financeiro Plurianual para o período 2028-2034, o apoio à Ucrânia face à invasão russa e as divergências com os Estados Unidos (EUA), bem como a gestão das migrações, estão entre os principais temas da reunião dos chefes de Estado e de Governo dos 27 da UE, que arranca esta quinta-feira e se estende até sexta-feira à tarde em Bruxelas.
O debate sobre o próximo orçamento plurianual da UE até 2034 tem como base a proposta apresentada no passado fim de semana pela presidência irlandesa do Conselho da UE, com cortes de 8% face ao documento da Comissão Europeia.
“O presidente do Conselho Europeu [António Costa] assumirá agora a condução deste processo negocial, a partir deste momento e até ao final do ano, e veremos o que se conseguirá”, referiu um alto funcionário europeu.
A instituição que junta os chefes de Estado e de Governo da UE mantém o objetivo de um acordo político ainda em 2026.
A migração será outro dos temas centrais, com os chefes de Estado e de Governo da UE a debaterem a resposta a situações de crise, como a do enclave espanhol de Ceuta, onde uma entrada em massa de migrantes durante o verão expôs fragilidades na gestão das fronteiras externas.
Sánchez congratulou-se esta quinta-feira, à entrada para o Conselho Europeu, por a primeira versão das conclusões desta reunião manifestar solidariedade com Espanha por parte dos outros estados-membros e da Comissão Europeia pelo ocorrido em Ceuta, assim como o compromisso das instituições europeias na solução da crise gerada na cidade, que é, com Melilla, outro território espanhol, a única fronteira terrestre europeia no continente africano.
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