Ann Widdecombe, antiga deputada e porta-voz do Reform UK, deu uma entrevista de rádio apenas 20 minutos antes de ser assassinada. A antiga ministra do Partido Conservador — cuja morte está a ser tratada pelas autoridades como terrorismo — falou sobre Nigel Farage e defendeu a sua decisão de se demitir e convocar uma “eleição especial”. A gravação ficou na posse da família, que aceitou agora a sua partilha pública (mas só de quatro minutos).

Foi à TWR-UK, uma emissora de rádio cristã, que Ann Widdecombe falou no seu último dia de vida, 10 de julho. A conversa começou às 11h54 e durou cerca de 15 minutos. Nessa entrevista, a antiga deputada disse que “há muito tempo que existe um jogo; um jogo de destruição pessoal, não apenas contra Nigel, mas também contra muitos políticos”.

A porta-voz do Reform UK deu a entrevista depois de Nigel Farage renunciar ao mandato de deputado a 7 de julho. O político decidiu retirar-se em virtude de suspeitas que recaem sobre as suas finanças, uma vez que não terá declarado a receção de cinco milhões de libras antes das eleições de 2024 — algo que diz tratar-se de um presente de caráter privado que recebeu antes de assumir o cargo de deputado.

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Apoiando a sua decisão de convocar eleições após enfrentar críticas, Ann Widdecombe disse em entrevista que as investigações às finanças de Nigel Farage eram parte da “política de destruição de reputações”. A antiga porta-voz do partido de Farage apontou ainda o facto de todo o processo estar a ser influenciado por “especulações da imprensa”.

E criticou o registo de interesses dos membros do Parlamento, que diz ter-se “tornado uma piada”: o registo de interesses “tornou-se um jogo em que as pessoas tentam descobrir o que é que cada pessoa talvez não tenha declarado”, afirmou.

No final da entrevista, Ann Widdecombe despediu-se do entrevistador e trocou depois mensagens por WhatsApp com um produtor do Channel 5. A conversa iniciou-se às 12h14 e não chegou a terminar, uma vez que a antiga deputada deixou de responder às mensagens pelas 12h19. Segundo o jornal The Times, depois de os recibos de leitura do WhatsApp não mostrarem que Ann Widdecombe tinha lido a mensagem, o produtor ligou-lhe várias vezes, mas não obteve resposta.

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Mais tarde viria a público a morte de Ann Widdecombe, com as autoridades a adiantar que tinha sido assassinada na sua casa pelas 12h30. Na altura, o entrevistador da rádio TWR-UK informou a polícia de que tinha falado com a antiga deputada minutos antes, mas as autoridades não pediram para aceder à gravação.

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