O Tribunal da Relação de Lisboa confirmou a pena de 25 anos de prisão para Fernando Silva, o autor do triplo homicídio na barbearia “Ganda Pente”, em Lisboa. O tribunal de recurso considerou, no acórdão citado pela SIC Notícias, que a pena “não é excessiva nem desproporcionada, mas moderada face à gravidade dos factos”.

Os homicídios foram cometidos em 2 de outubro de 2024 por Fernando Silva, na barbearia situada no bairro da Penha de França, em Lisboa. O homicida entrou na barbearia e, por não ter sido atendido de imediato, atingiu a tiro o próprio barbeiro, Carlos Pina, bem como Bruno Neto e Fernanda Júlia, um casal de clientes. A mulher encontrava-se grávida.

O tribunal de primeira instância tinha condenado, a 28 de janeiro, Fernando Silva a uma pena de 25 anos de prisão. A pena foi o cúmulo jurídico das três penas de 19 anos a que foi condenado por cada um dos homicídios, da pena de nove anos por tentativa de homicídio e da pena de dois anos e meio por posse de arma proibida.

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Após os homicídios, Fernando Silva fugiu para o Pinhal Novo, onde foi detido pela Polícia Judiciária uma semana depois.

O autor dos crimes foi diagnosticado com problemas do foro psiquiátrico e foi internado e tratado no Hospital Júlio de Matos, em Lisboa. A sua defesa procurou usar este facto para tentar reduzir a pena, mas o Ministério Público considerou que Fernando Silva havia exagerado os sintomas de doença mental e que, no momento do crime, o homem não tinha o seu discernimento toldado por nenhum problema.

Na acusação, o Ministério Público tinha afirmado que Fernando Silva evidenciava “uma preocupação em dar uma imagem patológica de si, ainda que de modo vago, com exagero de sintomas, cujos fatores a literatura científica aponta como comportamento de sobrevivência para evitar uma sanção penal e reclusão prisional”.

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Defesa de triplo homicida admite recorrer para o Supremo

O advogado de Fernando Silva, condenado a 25 anos pelo triplo homicídio ocorrido em 2024, admitiu recorrer para o Supremo Tribunal de Justiça, após a Relação confirmar a condenação e rejeitar a inimputabilidade do arguido.

“A família irá decidir se quer recorrer para o Supremo. Se tem condições ou não. Eu acredito que sim”, afirmou Luís Candeias, em declarações à Lusa. Para o advogado Luís Candeias, o seu cliente deveria ter sido considerado inimputável ou, pelo menos, sujeito a uma “segunda perícia psiquiátrica”.

“Nós achamos que a perícia feita pelo perito nomeado não vai ao encontro daquilo que aconteceu nos cinco anos que antecederam o crime. O arguido foi atendido por cerca de 13 psiquiatras e todos eles o medicaram para a esquizofrenia. Agora vem um perito dizer que não. Que foi medicado mas que não era para a esquizofrenia, que era só para o acalmar”, apontou.

Luís Candeias ressalvou que uma eventual declaração de inimputabilidade não significaria a libertação do arguido, sublinhando que teria de estar em tratamento pelo menos durante 15 ou 16 anos. “Para mim, o meu cliente é vítima do sistema. Devia ter sido internado compulsivamente nos cinco anos que antecederam os factos e não foi. Uma pessoa que se atira do terceiro andar, que ouve vozes, que tem todas as características de um doente com esquizofrenia”, argumentou.

Notícia atualizada às 18h24 com declarações da defesa de Fernando Silva