O presidente do Chega, André Ventura, considerou esta quarta-feira que existem motivos suficientes para a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito aos mandatos do ministro da Administração Interna, Luís Neves, à frente da Polícia Judiciária.
Esta posição foi transmitida aos jornalistas por André Ventura momentos antes de o líder do Chega entrar para uma reunião com a bancada parlamentar e a direção nacional do partido na Assembleia da República.
Interrogado sobre se, no seu entender, existem motivos para a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito aos mandatos de Luís Neves como diretor nacional da Polícia Judiciária, entre 2018 e 2026, o presidente do Chega respondeu que sim, adiantando que esse será um dos temas da reunião.
“Acho que sim, que pode vir a ser o motivo para isso. Acho que temos que ter todos aqui o sentido de responsabilidade, de compreender que há coisas que podem ser evitadas se se tomarem as decisões certas a um determinado momento e evitar que as instituições colidam umas com as outras”, acrescentou.
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, tem estado envolto numa polémica relacionada com obras realizadas numa propriedade sua em Odemira pela empresa Construbarcelos – anteriormente responsável por obras na PJ, quando era diretor nacional – e com um atrelado apreendido num processo de tráfico de droga, posteriormente encontrado nas instalações da mesma empresa.
À entrada para a reunião, na Sala do Senado, André Ventura considerou que o Estado e o Governo estão em “degradação constante”, dando como exemplo não apenas as polémicas com Luís Neves, mas também os problemas na correção dos exames nacionais ou a ação do Ministério Público para suspender as obras de um empreendimento em Cascais, cujas decisões remontam ao período em que Miguel Pinto Luz, ministro das Infraestruturas, era vice-presidente na autarquia.
Interrogado sobre se tal é motivo para uma moção de censura ao executivo, Ventura respondeu apenas que “é motivo para que o principal partido da oposição olhe para o que está a acontecer com muita preocupação e tome decisões também de acordo com essa preocupação, que é a degradação das instituições”.
“Quando as instituições ficam reféns de pessoas, as instituições degradam-se. Quando ficam reféns do poder absoluto de alguém, degradam-se, mas também quando alguém tem o poder e a responsabilidade de tomar decisões, e por alguma razão está refém destas pessoas, o poder também se degrada, e eu acho que é tempo de isso ser feito”, acrescentou.
Ventura disse saber o que é sentir-se “ofendido e atacado”, mas realçou que nesses momentos “responde aos jornalistas e aos líderes da oposição”, numa referência a declarações do ministro da Administração Interna esta terça-feira, em Viana do Castelo, nas quais não respondeu a perguntas dos jornalistas.
“Isto é um mau sinal político, é um mau sinal de transparência, e francamente eu não sei o que é que o senhor primeiro-ministro está à espera para pôr a casa em ordem”, argumentou.
Questionado sobre se já teve resposta à carta que divulgou no sábado, enviada ao primeiro-ministro, na qual advertia Luís Montenegro que a manutenção de Luís Neves como ministro da Administração Interna arrasta o Governo para a “cumplicidade criminosa”, Ventura respondeu que não.
O presidente do Chega disse ainda não ter obtido igualmente respostas às perguntas que colocou à ministra da Justiça.
“E isso pode levar a uma atitude política de maior censura quando poderia ser evitável isso”, acrescentou.
O Chega tem 60 deputados eleitos, número suficiente para impor a criação de uma comissão parlamentar de inquérito – segundo o Regime Jurídico dos Inquéritos Parlamentares, é necessário um quinto dos parlamentares em efetividade de funções, ou seja, 46.
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