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O embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, manifestou esta sexta-feira ceticismo sobre o desarmamento do movimento islamita palestiniano Hamas em Gaza, mas assegurou o “compromisso” do seu país com o acordo anunciado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.
“Ninguém confia numa organização terrorista. É preciso verificar o que fazem, não o que dizem. Mas estamos comprometidos com o plano”, declarou Danon em entrevista à CNN.
O embaixador israelita afirmou ter informações de que o Hamas está “a considerar a ideia de transferir armas de um depósito para outro”.
“Isto não é desarmamento (…). O desarmar significa retirar completamente as armas da Faixa de Gaza, para que o Hamas nunca mais tenha a capacidade de tocar nessas armas”, acrescentou.
Questionado sobre a condição imposta pelo movimento palestiniano, de que Israel retirasse as suas tropas para a fronteira demarcada pela ONU antes do desarmamento, Danon sugeriu que estas são questões que “podem ser discutidas e resolvidas”.
No entanto, reiterou a falta de confiança de Israel no Hamas: “Se estão a jogar sujo e a oferecer soluções superficiais, isso não vai funcionar para nós”.
Danon afastou a ideia de que Trump devesse preparar-se para uma resposta israelita que frustrasse os seus planos. “Se realmente [o Hamas] concordar e estiver disposto a entregar as armas, veremos progressos. Mas se for apenas um jogo, teremos de voltar à mesa das negociações”, concluiu.
Enquanto o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, permanece em silêncio, Trump afirmou esta sexta-feira que Israel está “muito satisfeito” com o acordo para “o desarmamento total” do grupo palestiniano Hamas na Faixa de Gaza.
Questionado pelos jornalistas durante uma reunião com membros da sua administração se tinha garantias de que o executivo israelita concordava com o acordo, Trump respondeu: “Sim, temos um entendimento com Israel. Israel está muito satisfeito com isso”.
Anteriormente, um alto membro da administração de Washington disse à imprensa norte-americana que Donald Trump ficará “muito, muito desapontado” se Israel não cumprir a sua parte do acordo de paz na Faixa de Gaza.
“Não estamos a pedir mais nada a Israel para além de que aceite o plano de 20 pontos que inicialmente endossou. Por isso estamos totalmente confiantes de que o respeitarão. Se não o fizerem, obviamente o Presidente Trump ficaria muito, muito desapontado”, afirmou o responsável.
O líder norte-americano anunciou na quinta-feira um acordo sobre o desarmamento do Hamas na Faixa de Gaza, um elemento-chave da segunda fase do plano de paz da Casa Branca.
O Hamas confirmou que foi alcançado um acordo relativamente à questão das armas e à retirada gradual das forças israelitas, mas Netanyahu, que se encontrou com Trump esta semana na Casa Branca, ainda não se pronunciou, entre divergências já conhecidas sobre a interpretação do entendimento.
Nas suas declarações desta sexta-feira à imprensa em Camp David, nos arredores de Washington, o político republicano não deu detalhes quando questionado se os israelitas precisam concluir a sua retirada do enclave palestiniano antes do desarmamento do Hamas, ou o inverso, insistindo que o acordo é um “grande avanço” para a paz na Faixa de Gaza.
Um autodesignado “alto responsável” anónimo do exército israelita afirmou, numa declaração enviada à imprensa israelita, que “não haverá retirada das Forças de Defesa de Israel da atual “linha amarela” sem o desarmamento genuíno do Hamas“, referindo-se à demarcação da presença do exército no território.
Israel expandiu as suas posições desde o acordo de cessar-fogo, firmado em 10 de outubro de 2025, e reclama o controlo atual de mais de 60% do território.
No primeiro pronunciamento de um membro do Governo israelita, o ministro da Segurança Nacional, o ultranacionalista Itamar Ben-Gvir, considerou, pelo seu lado, que o acordo é “inaceitável para Israel”, defendendo a continuação da ofensiva no território palestiniano.
Para o político de extrema-direita, terminar as operações na Faixa de Gaza “equivale a aceitar que o Hamas se prepara para o próximo massacre”, referindo-se aos ataques em 7 de outubro de 2023 no sul de Israel, que desencadearam a guerra no enclave palestiniano.
O roteiro para a cessação das hostilidades inclui a eliminação progressiva das capacidades militares do Hamas, o desmantelamento de túneis no território e arsenais de armas e um sistema de monitorização internacional durante o processo.
O documento estabelece ainda que a primeira condição para o progresso será a cessação completa das operações militares e o cumprimento das obrigações estipuladas no acordo de cessar-fogo, além de contemplar uma retirada gradual das forças israelitas.
O Conselho da Paz, órgão criado por Trump no seu plano para a Faixa de Gaza aceite pelas Nações Unidas, publicou esta sexta-feira os pontos deste roteiro na rede social X, advertindo que Israel deve “cumprir sem demora os compromissos pendentes do Protocolo de Sharm el-Sheikh, particularmente a cessação das operações militares”, tal como o Hamas.
A Roadmap for Completing the Implementation of President Trump’s Comprehensive Peace Plan in Gaza
Principles:
1. All parties reaffirm their commitment to President Trump’s Comprehensive Plan to achieve peace in Gaza, which constitutes, together with the UN Security Council…
— Board of Peace (@BoardOfPeace) July 31, 2026
A guerra no enclave foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.
Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave, que provocou mais de 73 mil mortos, segundo as autoridades locais, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.