Um homem de 60 anos foi condenado esta segunda-feira pelo tribunal de Merthyr Tydfil, no País de Gales, a dois anos e quatro meses de prisão, por fraude na obtenção de subsídio e profanação de cadáver, por ter mantido o corpo da mãe no congelador durante cerca de três anos.

O homem, Christopher Phillips, beneficiou de 78.190,92 libras (91,3 mil euros) da pensão da idosa, Sylvia Phillips, após a sua morte, em março de 2023, tendo “acedido à conta bancária da sua mãe, feito levantamentos das suas economias e embolsado benefícios”, refere o The Guardian.

Segundo o comunicado da polícia de Gales do Sul, as autoridades souberam da morte da idosa, que teria 89 anos aquando do óbito, quando foram chamadas à casa de Phillips, a 17 de fevereiro de 2026, “devido a uma preocupação com o bem-estar de uma mulher que não era vista por profissionais médicos desde 2022, apesar das suas prescrições continuadas e do contacto anterior consistente”.

O homem foi interrogado sobre o paradeiro da mãe e alegou que estava em Londres com primos. No entanto, recusou-se a fornecer mais detalhes sobre a alegada visita e os agentes inspecionaram a casa, tendo encontrado o cadáver da idosa dentro do congelador. Em cima do eletrodoméstico encontravam-se flores, postas regularmente pelo filho. Foi realizada uma autópsia, mas a causa da morte não foi ainda confirmada.

“Você continuou a retirar as receitas médicas da sua mãe e enganou os profissionais de saúde sobre o seu paradeiro, mentindo quando questionado sobre a sua mãe e dizendo repetidamente à equipa médica que ela não queria comparecer às consultas nem fazer exames. A pensão e os benefícios da sua mãe continuaram a ser pagos nas suas contas bancárias, às quais você tinha acesso”, refere a juíza que julgou o caso, citada pelo The Guardian.

A advogada de defesa sublinhou que o arguido era “excecionalmente próximo” da sua mãe, de quem era cuidador desde 2008, e com quem conversava sobre telenovelas e corridas de cavalos. Afirmou que Phillips terá dito à polícia que “não a queria deixar ir”.

“Ele descreveu a conversa com ela como se ainda estivesse viva, sentado ao lado dela, a falar sobre programas de televisão, [a novela] Coronation Street, corridas de cavalos, como faziam sempre”, afirmou a advogada, que referiu que o seu cliente estaria a passar por “uma situação de saúde mental vulnerável” quando a mãe morreu.

A responsável pela investigação, Claire Lamerton, apelidou o caso de “extremamente triste” e referiu que Phillips lucrou com a morte da mãe “durante um período significativo”.

“Os meus pensamentos estão com os entes queridos de Sylvia neste momento tão difícil, e espero que tenham encontrado alguma paz por lhe terem podido dar um enterro digno”, sublinhou Lamerton, no comunicado da polícia de Gales do Sul.