Portugal vai decidir na próxima semana, durante a Assembleia Geral da ONU, a agenda definitiva da presidência portuguesa do Conselho de Segurança das Nações Unidas, em janeiro de 2027, indicou esta quinta-feira à agência Lusa Paulo Rangel.
Contactado por telefone pela agência Lusa desde Lisboa, o ministro dos Negócios Estrangeiros português indicou a partir do Cairo, onde se reuniu com o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil Fahmy, e com o homólogo egípcio, Badr Abdelatty, que existem temas que, pela sua natureza, constam já na agenda do Conselho de Segurança.
“Por exemplo, o caso da questão palestiniana, da questão da Líbia, a questão do Sudão, a questão do Iémen, todas elas fazem parte. Também o mesmo acontece com o Haiti. Há temas que são acompanhados sempre pelo Conselho de Segurança. No ano passado, em janeiro, houve a questão da Venezuela e aí se começou a tratar um assunto que até aí não estava na agenda do Conselho de Segurança”, explicou.
O chefe da diplomacia portuguesa adiantou que nas reuniões da próxima semana estarão presentes os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança – China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia –, realçando que em cima da mesa estarão também os restantes conflitos.
“Teremos sempre de nos pronunciar sobre os [atuais] conflitos, como Iémen, Líbia, Sudão, Síria, Líbano, Israel e Palestina, são assuntos que são seguidos todos os anos, em várias alturas e com várias sessões pelo Conselho de Segurança”, sublinhou, não esquecendo a guerra entre a Rússia e a Ucrânia.
Portugal foi eleito como membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU para o biénio 2027-2028, assumindo a presidência mensal deste órgão logo no arranque do mandato, em janeiro.
Sobre a reunião com o novo líder da Liga Árabe, ele próprio um antigo ministro dos Negócios Estrangeiros egípcio, Paulo Rangel disse ter analisado o atual momento que se vive na região do Médio Oriente, defendendo ambos a necessidade de se evitar uma escalada através de “uma diplomacia discreta”.
“Essencialmente foi uma análise da situação no Médio Oriente, em particular no Iémen e no Mar Vermelho, o conflito do Irão e o Golfo, e a Síria, o Líbano e, obviamente, o conflito israelo-palestiniano e os seus últimos desenvolvimentos. Mas também o Sudão e também a Líbia, uma vez que se trata de países também da Liga Árabe, e depois muito o papel que Portugal poderia ter no Conselho de Segurança na forma de lidar com estes conflitos”, afirmou, sem adiantar pormenores.
“O atual secretário-geral [da Liga Árabe] é uma pessoa com grande experiência internacional e diplomática, essencialmente falou muito na importância de uma diplomacia, digamos, discreta. Porque hoje, face às novas condições tecnológicas e da era digital em que vivemos, muitas vezes podem ser encontradas soluções num certo recato e num certo silêncio que podem ser prejudicadas por uma comunicação constante”, concluiu.