Milhares de pessoas, a maioria das quais estudantes, funcionários públicos e organizações pelo direito à habitação, manifestaram-se esta sexta-feira em Itália contra o elevado custo de vida, as políticas do Governo e o rearmamento militar.

Os protestos fizeram parte de uma greve geral convocada pela Unione Sindacale di Base (USB) e abrangeram as principais cidades italianas, com destaque para Roma, onde foi montado um acampamento em frente ao Coliseu que irá prolongar-se até domingo.

De acordo com o membro do comité executivo nacional da USB Stefano De Angelis, que citou dados da organização, mais de 1,5 milhão de pessoas participaram nos protestos a nível nacional, mas os números oficiais ainda não estão disponíveis.

“Os trabalhadores, a classe trabalhadora, os sem-abrigo e os produtores agrícolas mobilizaram-se contra a crise económica que este Governo nos impõe para financiar o rearmamento e as despesas militares que nada têm a ver com os interesses do povo”, afirmou.

Em Roma, onde as autoridades estimaram a participação de cerca de 20 mil pessoas, a principal manifestação partiu da Piazza del Cinquecento, organizada pelos sindicatos de base e grupos estudantis, e seguiu para as imediações do Coliseu.

Aí, os organizadores anunciaram a intenção de ocupar a Via dei Fori Imperiali, uma avenida que liga a central Piazza Venezia ao monumento, e montar tendas até domingo, dia em que se realiza uma assembleia popular e sindical para encerrar a mobilização iniciada com a greve geral desta sexta-feira em Itália.

A iniciativa, promovida pela USB e pelo movimento Lotta per la Casa (Luta por Habitação), pretende transformar a zona num espaço de mobilização e participação dos vários setores que têm apoiado os protestos.

“Esta manifestação não termina aqui. Continuaremos a mobilização até domingo, quando, nesta praça, sob o Coliseu, realizaremos uma grande assembleia popular nacional com a presença de representantes de todas as mobilizações que decorreram hoje no país”, explicou De Angelis.

O dirigente sindical denunciou ainda as restrições que, segundo disse, impedem os manifestantes de se aproximarem de Montecitorio, sede da Câmara dos Deputados (câmara baixa do parlamento italiano), classificando-as como “antidemocráticas”.

“Em qualquer país onde haja manifestações contra o Governo, é possível chegar à sede do Governo e do parlamento. Em Itália, é proibido“, criticou.

O principal episódio de tensão do dia aconteceu em Turim (norte de Itália), onde eclodiram confrontos entre manifestantes e forças de segurança na central Piazza Castello.

Os participantes na marcha atiraram ovos, garrafas e tinta vermelha contra a polícia de choque, que respondeu com investidas e o uso de canhões de água.

Após os confrontos, os participantes regressaram ao campus universitário, mas anunciaram uma nova concentração às 18h00 locais (17h00 em Lisboa) para dar continuidade aos protestos.

A greve causou também grandes transtornos no trânsito, principalmente em Bolonha (norte de Itália), onde os manifestantes bloquearam o acesso a várias instituições de ensino e marcharam pelas estradas, obrigando ao encerramento temporário de uma autoestrada.

A greve marcou o início de uma série de protestos em Itália, que se prolongarão até 20 de novembro com nova greve geral, convocada pela CGIL, a maior federação sindical do país, e uma greve dos taxistas prevista para 14 de dezembro.

Em todo o país foi observada uma forte presença policial, após violentos incidentes, a 17 e 18 de outubro, em Milão, Turim e Bolonha, que levaram o Governo a aprovar um decreto de segurança extraordinário e a mobilizar 500 militares para apoiar as forças policiais.