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Na Justiça da década de 70 e 80 do século passado era relativamente comum imputar o crime de associação criminosa a grupos que praticavam de forma continuada assaltos à mão armada contra instituições de crédito ou outro tipo de furtos. Mas nunca um ex-banqueiro foi acusado de fundar, liderar e corromper os seus próprios administradores, diretores e funcionários para delapidar o património de várias instituições de crédito, falsificar a contabilidade de várias sociedades e burlar milhares de clientes. Tudo com um objetivo trágico: salvar um grupo falido chamado Grupo Espírito Santo (GES).

Nunca tinha acontecido, mas aconteceu esta terça-feira. Ricardo Salgado foi acusado de 65 crimes — entre um de associação criminosa, 12 de corrupção ativa no setor privado, 29 de burla qualificada, seis de infidelidade, um de manipulação de mercado, sete de branqueamento de capitais e nove de falsificação de documento. Na prática, Salgado foi acusado por uma equipa de sete procuradores liderada por José Ranito de fundar uma alegada associação criminosa a que terão aderido Amílcar Morais Pires (ex-administrador financeiro do BES), Isabel Almeida (ex-diretora do BES) e mais oito altos funcionários do Departamento Financeiro, Mercados e Estudos (DFME) e dois responsáveis da sociedade suíça Eurofin.

A pergunta que se segue é simples: como é que, segundo a acusação, o homem mais poderoso do país, educado nas melhores escolas nacionais e internacionais para ser banqueiro e prosseguir o legado da família Espírito Santo, conseguiu criar, planear e executar um plano que veio a destruir o GES e a provocar a resolução do BES em Agosto de 2014? E como conseguiu alegadamente corromper os seus administradores e funcionários?

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