Reportagem. A vida no gueto do Jamaica onde a polícia só entra à força /premium

22 Janeiro 20191.907

Para a polícia, é um bairro difícil onde se escondem suspeitos de roubo e tráfico de droga. Mas quem lá vive sente-se num gueto, em constante luta contra o preconceito por causa da cor da pele.

Vai respondendo desconfiado às perguntas e sempre com medo do que vão fazer com as suas respostas. Apresenta-se como “Dumas” e é reservado quando o assunto é a sua vida familiar. Aos poucos, encostado a uma máquina de lavar velha à porta de uma das casas inacabadas do Vale do Chícharo, no Seixal, acaba por desfiar a vida que o trouxe ali quando tinha apenas dez anos. Vinha de Angola, onde deixou a mãe, para se juntar a um pai hoje com mais de 80 anos. “Saí de um gueto para o outro, mas aqui com mais nacionalidades”, conta. Hoje, aos 29 anos, Dumas é licenciado em engenharia eletrotécnica, está a fazer um mestrado na mesma área no Instituto Politécnico de Setúbal e um dia quer ter uma casa longe dali.

Tal como as palavras, o seu percurso não foi fácil. Quando chegou ao bairro onde a PSP foi filmada a intervir no último domingo, motivando um inquérito à sua atuação, não tinha sequer frequentado a escola. Começou do zero, atrasou o percurso, mas sempre com o objetivo de chegar à universidade. O pai tinha vindo para Portugal, depois de ter sido professor de Economia em Angola. Arrastado para um emprego na Construção Civil, guardava em casa os livros e apontamentos de outrora. “Sempre quis estudar como ele. E como tinha muita curiosidade em como funcionavam as televisões, os rádios e gostava de desmontar tudo para ver como tinham sido feitos, quis seguir esta área”, refere Dumas, agora com um sorriso. “Ainda hoje não sei como funcionam”, ironiza.

Está na hora de almoço da empresa de elevadores onde agora trabalha. Mantém vestida a farda e aproveita para ir almoçar a casa, onde vive com a mulher e dois filhos gémeos ainda bebés. “Isso também atrasou o meu percurso profissional”, explica, para logo a seguir se retrair: “Mas quer saber a idade dos bebés porquê?”, atira. “Não gosto que saibam muitas coisas da minha vida privada”, justifica. Dumas considera que a sua cor de pele é logo um entrave à sua progressão. Acrescenta a isso às rastas no cabelo que manteve até há um ano, quando acabou por “ceder”, depois de várias entrevistas recusadas, uma delas na TAP — em que acredita não ter ficado por causa do aspeto físico. “Vocês só podem saber o que a gente sente se tiverem a nossa cor”, sublinha.

E não é só a cor. Todos os dias, Dumas diz sentir na pele o que é viver num bairro considerado problemático. “Vocês não sabem o que é tentar fazer um contrato com a Vodafone e não virem cá porque é aqui. Ir ao banco pedir um crédito e dar esta morada ou ir comprar uma máquina de lavar roupa à Worten e recusarem o serviço de entrega”, exemplifica.

É o tal “viver no gueto”, o do bairro da Jamaica.

"Tróia", segundo à esquerda, arrendou um café no bairro onde serve almoços e jantares são tomenses

O bairro onde vivem criminosos que a PSP tem que ir buscar

Para a PSP, o Vale dos Chícharos, ou Jamaica, é considerado uma Zona Urbana Sensível ou, por outras palavras, um bairro problemático. A sua aparência não ajuda. Quando ali se chega de carro, mal se cruza a Travessa Vale dos Chícharos, depara-se com um conjunto de nove blocos em tijolo vermelho, por rebocar, rodeados por um descampado desajeitado, em terra batida e cheio de lixo. As condições são precárias e é difícil assumir que ali vivem mais de 200 famílias. Ao Observador, as informações da PSP corroboram a aparência do bairro inacabado. Da criminalidade ali registada, destacam-se a venda de produtos roubados, o tráfico de droga, as ofensas corporais, os casos de violência doméstica e as rixas. Depois há os crimes praticados fora do bairro por pessoas que ali residem, como furto de carros, furtos em interior de veículos, roubo, tráfico de droga e recetação. Como se não bastasse,  “há uma grande rivalidade entre gangues de jovens entre os 20 e os 25 anos que andam sempre em confronto com jovens da Quinta da Princesa para o controlo do tráfico de droga”. Também dentro do bairro, onde vive uma minoria de etnia cigana, há concorrência no negócio da droga.

“A policia é recebida com muita hostilidade, fazemos operações no bairro para deter suspeitos de tráfico de droga, recuperar objetos furtados ou roubados, é uma relação muito complicada”, diz fonte oficial da PSP. No entanto, refere que nos últimos dois anos não houve “um aumento” dos crimes, mas sim do grau de violência.

A descrição da polícia não é, no entanto, a de quem lá vive. Dumas não se recorda de como o bairro nasceu e quase nunca fez perguntas ao pai de como aquilo era quando ele foi para ali viver. Mas Manuel Barros, 56 anos, lembra-se bem das características do Vale do Chícharo há mais de 30 anos. Naquela altura, Manuel, que ficou conhecido como “Tróia”, trazia peixe fresco de Setúbal para vender ali. Pai de seis, nunca viveu no bairro, mas recorda que os prédios que agora se avistam em tijolo cru eram apenas pilares de betão. Vivia pouco mais do que uma família. Amigos e familiares destes foram chegando de países africanos de Língua Portuguesa ou mesmo de outros bairros do país e começaram a erguer as paredes dos prédios — cuja obra nunca foi terminada porque a empresa entrou em insolvência — piso por piso. Cada um fazia a sua casa, a sua canalização e a sua puxada de eletricidade.

À medida que o bairro ia ficando mais populado, Manuel ia ganhando mais clientes — e mais calotes. “Desisti de vender peixe, abriu um concurso numa junta de freguesia em Setúbal e fui trabalhar para lá como motorista no projeto do Rendimento Mínimo Garantido”. Manuel, que no bairro continuou a ser conhecido como Tróia, não se desligou dali. Já depois de terminar o contrato como motorista, foi tirar um curso de cozinha e trabalhou no restaurante de um hotel em Tróia e em várias cozinhas de restaurantes do distrito de Setúbal. Até ao dia que, cansado das horas que passava a trabalhar, decidiu abrir o seu próprio negócio: um café que serve refeições no bairro do Vale do Chícharo e pelo qual paga uma renda de 300 euros a um “proprietário” que está emigrado em França.

Construído no rés do chão de um dos prédios em tijolo, o café tem esplanada e é conhecido por muitos pelos pratos são tomenses. Hoje o almoço é banana com cozido de peixe, mas o cheiro que vem da cozinha não é obra sua. Ilda, que vive fora do bairro, está ali há quatro dias a trabalhar. Ao Observador não admite que é um trabalho, diz que é uma almoço de família. Mas Tróia diz que os pratos servidos são procurados por clientes que até vêm de Lisboa de propósito. “Agora no Inverno o negócio está mais fraco”, lamenta.

Ilda trabalha há quatro dias no cafe do bairro

Cafés, frutarias e até discotecas. Ninguém precisa de sair do bairro

Numa parede descascada do estabelecimento comercial há um sistema de som com colunas. À noite, depois dos jantares, fecham-se as portas e o espaço transforma-se numa discoteca para os habitantes do bairro. “Temos tudo aqui, cafés, restaurantes, frutaria e até discoteca”, conta Higina, a 100 metros do café, e à porta da sua casa que não terá mais de 15 m2, e onde vive com os filhos e o marido. Não tem pudor em mostrar o sítio onde mora. Abre a porta. À esquerda ainda se vê a grelha suja onde cozinhou o jantar do dia anterior. As crianças estão na cama de casal a discutir por vídeos no Youtube. Há internet, um grande LCD afixado  numa parede e uma Playstation. No canto, atrás da bancada da cozinha, uma casa de banho imaculada.

Higina apresentou queixa contra a PSP. Diz que os polícias agrediram a sua família no domingo

Na noite de sábado, segundo recorda, foi dia de festa no bairro. “Vieram umas raparigas de fora e eu entrei num bate boca com uma delas. Isto é para onde? Um online? Ah isso é bom, escreva isto tudo que eu lhe vou dizer”, dispara Higina, pouco mais de 20 anos, acelerada no discurso. “No outro dia as raparigas voltaram cá com facas e queriam-me espetar. Eu sou magra, mas não sou fraca e reagi”, recorda. E terá sido na sequência deste desacato que a PSP foi chamada ao bairro, já no domingo. “Agrediram a minha mãe, o meu pai e o meu irmão, que acabou detido. Eu estava de baixa do Instituto Espanhol, onde trabalho, e agora fui agredida e não posso ir trabalhar outra vez”, continua. “Já apresentámos queixa”, responde, mesmo quando não lhe fazem perguntas. Higina não participou na manifestação na baixa de Lisboa, esta segunda-feira, porque estava no Tribunal. O irmão acabou por ser libertado depois de presente a um juiz. “Foi libertado porque estava limpinho. Não levava nada”, refere, sem justificar o argumento.

A cunhada, Vanusa Coxi, 33 anos, é mais ponderada no discurso. A voz está rouca das lágrimas e dos gritos dos últimos dias. Trabalha num call center, mas o bebé que traz na barriga obrigou-a a abrandar e a ficar de baixa médica. Vanusa chegou a entrar numa licenciatura em Gestão de Empresas, mas os filhos mudaram-lhe o rumo profissional, “por enquanto”. É também um membro ativo na Associação de Desenvolvimento Social de Vale Chícharos, que, nos últimos anos, tem travado uma luta com a Câmara Municipal, no Parlamento, para conseguir que as mais de 200 famílias que ali habitam em condições precárias sejam realojadas. Vanusa não concebe que o bairro ganhe o selo da violência e fala, sem rodeios, do esforço que todos os dias muitos jovens fazem para fugir ao rótulo do gueto e conseguirem seguir com as suas vidas.

Os filhos do bairro que emigram para estudar

Manuel Sousa, 51 anos, também tem trabalhado pela associação. Mas quando o filho mais velho, agora com 22 anos, lhe pediu para ir estudar para Inglaterra, não recusou. Hoje, também a mulher e os outros dois filhos estão em Londres. Um é programador, o outro está a acabar o curso de Business Management e a mais nova, ainda com 16 anos, tem ambição de ser nutricionista. “Eu trabalho na Construção Civil, mas ainda frequentei o curso de Direito na Lusófona. Só que a mensalidade era demasiado alta para prosseguir os estudos”, diz o operário, que em São Tomé chegou a trabalhar como escrivão num tribunal. “Tenho uma grande paixão por esta área”, revela com o desgosto de quem não conseguiu realizar um sonho.

É ele, conhecido por “Vicente” quem nos guia pelo bairro. “Vou-lhe dizer o que é viver num gueto”, afirma, enquanto anda ao nosso lado. Leva-nos à torre 10, conhecida pela Torre de Babel, onde em dezembro viviam 64 famílias que foram retiradas e realojadas noutros locais do concelho — num processo que se se vai estender até 2022 e que pretende realojar as duas centenas de famílias que ainda ali vivem. “Este era o prédio mais perigoso, que corria o risco de ruir. Como vê está vedado e nós próprios garantimos que ninguém vai para lá”.

Manuel Sousa, 51 anos, tem os três filhos a estudar em Inglaterra

Nesse dia, do realojamento, a dias do natal, Vicente lembra-se como o bairro foi cercado pela polícia temendo problemas na mudança. “Deram a sensação que era um bairro de marginais, que não é. Nós queremos sair daqui. Só que viver num gueto é assim: a polícia chega e não procura perceber o problema, manda deitar no chão. Não vêm com humanidade, vêm com brutalidade”, acusa. Vicente arrisca mesmo dizer que hoje em dia não há crime no bairro. “Sempre que houve problemas foi com pessoas de fora que vinham para aqui. Aliás o bairro ganhou o nome de Jamaica precisamente porque vinham para aqui muitas pessoas fumar marijuana”, justifica.

Para a Polícia Judiciária, no entanto, a versão é outra. E os inspetores continuam a ir ao bairro buscar suspeitos de crime. “A nossa atuação é diferente da PSP e por isso nunca tivemos problemas com os moradores. Eles até falam connosco, mas é um bairro complicado, com demolições em curso, que tem pessoas com estratos sociais baixos, muita juventude sem fazer nada, vários moradores”, diz uma fonte da PJ de Setúbal ao Observador. Ao contrário do que diz Vicente, os “meliantes”não vêm apenas de fora. “Já nos apareceram crimes da nossa competência, como situações  de tráfico de droga, suspeitas de roubos com armas de fogo, com gente residente na Jamaica”, refere. Também a PJ fala nas rivalidades que existem entre bairro e outros do concelho, numa luta pelo negócio da droga.

O problema do realojamento

O bairro Vale dos Chícharos, conhecido como o Jamaica, nasceu nos anos 80 na freguesia de Amora, depois de a empresa que construía aquele empreendimento ter aberto insolvência ainda antes de ter terminado a obra. Em 2000 acabaria por ser comprado em hasta pública pela empresa Urbangol, com quem a câmara tem tido algumas divergências quanto ao futuro do empreendimento e ao destino a dar às famílias que ali vivem.

Quando as primeiras famílias ali chegaram para ocupar o espaço, tal como aconteceu noutros bairro da Grande Lisboa (como a Quinta do Mocho, em Sacavém) tinha ficado por “concluir a construção de um conjunto de edificações, em diversas fases de construção (fundações, pilares, placas e escadas de serviço), rede de água eletricidade, esgotos e espaços exteriores”, como descreve um diagnóstico social da Câmara Municipal do Seixal concluído em 2006. “Estas edificações foram sendo ocupadas progressivamente por famílias que, num processo de auto – construção, se foram instalando nesse espaço, obtendo água e eletricidade, através de puxadas, improvisando fossas, maioritariamente por imigrantes de origem africana”, lê-se no documento.

A divisão dos espaços foi sendo feita ao longo dos anos conforme as necessidades de quem chegava e de forma improvisada, até se tornarem habitação permanente. Mesmo “as caves dos edifícios, sem janelas, e tal como os restantes espaços, sem as condições mínimas de habitabilidade”, foram ocupados, como o Observador confirmou no local, doze anos depois.

Em 1993, a autarquia ainda fez um levantamento das famílias que ali residiam com o intuito de as realojar. Foram recenseados 47 agregados que mais que quadriplicaram desde então. De acordo com o descrito num memorando elaborado pelo Gabinete de Acção Social em 1998, os ocupantes dos edifícios de Vale de Chícharos, eram, em termos percentuais, 49,2% são-tomenses, 15% angolanos, 15,3% guineenses, 22% cabo-verdianos, 17,8% portugueses (maioritariamente africana e de etnia cigana) e 0,5% de outras nacionalidades. 15,6% da população tinha idade inferior a 6 anos, 33,5% menos de 18 anos e 44,2% idades entre os 16 e os 35 anos. Três anos depois, no entanto, a Divisão de Habitação referia que em Vale de Chícharos existiam 283 agregados familiares, sendo que apenas 14 estariam inscritos no plano de realojamento.

Vanusa Coxi tem um trabalho ativo na Associação do bairro e procura que todos sejam realojados

No bairro existe agora a Associação de Solidariedade Social “Criar’T”, que com apoio da autarquia explora um espaço com creche, jardim de infância e um Centro Lúdico. Também dá apoio aos moradores, com consultas de psicologia e atendimento jurídico. Existe também uma Associação de Moradores (ADIME — Associação para a defesa e integração das minorias étnicas) que foi quem nos últimos anos conseguiu, com a câmara, levar a questão do realojamento à Assembleia da República, com o apoio da bancada parlamentar do PCP, numa altura em que alguns dos edifícios ameaçavam mesmo ruir.

O pedido acabaria transformado numa resolução da Assembleia da República, assinada em 2017, que mandava estudar a melhor forma de realojar estas famílias. “A solução de realojamento deve ser abrangente, considerando para além da intervenção no plano da resposta à carência de habitação, intervenha também no plano social com o objetivo de promover a integração e a inclusão das famílias”, lia-se na resolução.

O acordo acabaria por ser assinado no Seixal já a 22 de dezembro de 2017, entre o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, a Câmara Municipal do Seixal e a Santa Casa da Misericórdia do Seixal. Na altura foi anunciado que o realojamento das 234 famílias que vivem “em condições precárias de salubridade e em sobrelotação” custaria cerca de 15 milhões de euros e seria finalizado em cinco anos, ou seja, com fim previsto para 2022. As primeiras 64 famílias, que viviam no bloco em piores condições, na chamada Torre de Babel, já foram realojados uma semana antes do natal último ano.

Comandante da PSP de Setúbal mandou e-mail a prever queixas contra PSP

Logo depois de a PSP ter entrado em confrontos com moradores do bairro, no último domingo, o comandante da PSP de Setúbal, o intendente Viola da Silva, enviou um e-mail aos seus subordinados a prepará-los para o que aí vinha. Essa informação, que acabou por cair nas redes sociais, revela como a polícia lidou com a ocorrência que envolveu Higina e a sua família.

O email relata que os agentes foram atacados com pedras, chamados por causa de uma “desordem”, sendo um “atingido com uma pedra na boca, tendo sido pouco depois detido o suspeito de ter atirado a pedra, tendo o mesmo resistido à detenção, obrigando por isso ao uso da força física”. A carta conta que, depois, “os familiares e amigos do detido entraram também em confronto com o pessoal procurando evitar a sua detenção, o que obrigou a utilizar a força física e a efetuar três disparos de shotgun”.

O comandante da PSP falava ainda no vídeo que começou, de imediato, a circular nas redes sociais. Diz que foi “gravado provavelmente por um smartphone” e sublinha que “apenas mostra a intervenção policial na parte que interessa aos desordeiros, não mostrando a parte inicial onde se poderia verificar o apedrejamento de que o pessoal foi alvo e que levou à intervenção”. Viola da Silva destacava ainda “a grande coragem” dos agentes, lembrando que “é um bairro de muito difícil actuação para a PSP, não só pela grande hostilidade que muitas pessoas que lá habitam tem para com as forças de segurança, mas também pela grande degradação dos edifícios que lá se encontram semiconstruídos”.

Antecipando já as críticas de quem está “confortavelmente sentado no seu sofá a ver o vídeo pela televisão”, o intendente explica que “quem está no terreno, os polícias, e tem de participar neste tipo de intervenções, em ambientes muito hostis e que colocam em causa a sua integridade física, sabe bem que não há outra forma, que aquela que utilizámos, de enfrentar indivíduos que apenas querem é agredir de forma gratuita os agentes de autoridade que simplesmente procuram cumprir a sua missão, e que neste caso apenas procuravam terminar com uma desordem entre mulheres, para a qual foram chamados ao bairro”.

A casa de Higina não terá mais de 15 metros

O filme no bairro

A vida no bairro do Jamaica, no Seixal, já foi retratada num filme português. Em São Jorge, Jorge (Nuno Lopes) veste a pele de um pugilista desempregado que tenta a todo o custo encontrar sustento para a mulher e para os filhos. Aceita um trabalho numa empresa de cobrança de dívidas e passa a intimidar pessoas que, tal como ele, se encontram numa situação desesperada. De um momento para o outro, “vê-se a atravessar a fronteira da moralidade e a entrar num mundo de criminalidade gerada pela pobreza e pela falta de alternativas”, lê-se na sinopse do filme.

“Dumas”, o rapaz de 29 anos que vive no Jamaica e que tirou o curso de Engenharia Eletrotécnica sabe que a sua imagem aparece na terceira longa-metragem de Marco Martins, “embora não o tenha autorizado”. Ainda assim, não é um filme que tenha tido curiosidade de ver. Mesmo sendo no bairro onde cresceu e que defende.

(Artigo corrigido na alcunha de Dumas, que erradamente foi chamado de “Duma”)

Texto de Sónia Simões, fotografia de Diogo Ventura.

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