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Rita Castro Blanco é maestrina principal da Uddersfield Philarmonica Orquestra. Assume que evita utilizar auricula

Rita Castro Blanco é maestrina principal da Uddersfield Philarmonica Orquestra. Assume que evita utilizar auricula

Análise com especialista. O que diz uma maestrina sobre uns auriculares sem fios topo de gama?

Fomos perceber com a ajuda da maestrina Rita Castro Blanco se os auriculares sem fio Sony WF-1000xm4 são dos melhores. Veredicto? Apesar de deixar elogios, diz: "Nem sempre é preciso um topo de gama".

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Esta é uma análise diferente aos auriculares sem fios Sony WF-1000xm4, considerados atualmente uns dos melhores no mercado. No Observador, já testámos inúmeros gadgets de muitas maneiras: com análises tradicionais, com gifs, com cães e até no fundo do mar. Porém, não sabemos tudo. E, se às vezes, mais vale falar com o realizador do que com o crítico de cinema, com gadgets também vale a pena falar com outros peritos. Nesta “análise com especialista”, e sendo um teste a auriculares, a opinião que conta é a da maestrina Rita Castro Blanco.

Os auriculares usados para a análise

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Sony WF-1000XM4 — Lançados em junho de 2021. Preço atual, cerca de 280 euros.

Galaxy Buds+ — Lançados em março de 2020. Preço atual, cerca de 90 euros.

Samsung Earphones Tuned by AKG EO-IG955 — Lançados em 2017 com os smartphones Galaxy S8. Preço atual: entre de 10 a 20 euros.

O teste foi simples. Com três auriculares de preços distintos em cima de uma mesa — começando pelos da Sony e incluído até uns com fios mais antigos –, a maestrina escolheu três músicas e, numa hora, pô-los no ouvido e tirou-os várias vezes, ouviu e criticou. No final, ficou surpreendida com a qualidade de todos, mas deixou críticas e até uma recomendação para a saúde auditiva.

A especialista. “Evito usar auriculares wireless

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Rita Castro Blanco é maestrina principal da Huddersfield Philarmonic Orquestra e trabalhado entre Portugal e o Reino Unido. Formou-se com distinção na Royal Northern College of Music. Já trabalhou com maestros da BBC Philharmonic, tendo já dirigido com a Orquestra Gulbenkian. O repertório é longo e é considerada “uma das eminentes jovens maestrinas portuguesas”.

Ao chegar à redação do Observador, a maestrina assumiu que nunca tinha experimentado uns auriculares “in-ear” (os que se põem dentro do ouvido) sem fios porque evita “usar auscultadores wireless“. Por coincidência — este facto não tinha sido referido até ao momento em que chegou à redação — revelou que o dispositivo que comprou para ouvir música em casa são uns Sony WH-1000XM4. O nome não é estranho: são os auscultadores “over-ear” — e não “in-ear” — que ficam à volta das orelhas equivalentes da mesma marca.

Apesar de terem função bluetooth — ou seja, funcionam sem ser preciso um fio –, e serem também conhecidos pela qualidade e cancelamento de ruído (também conhecido como noise canceling”), Rita Castro Blanco diz que os usa “sempre com cabo”. “Às vezes pode haver falhas” e, como os utiliza “a maior parte das vezes para trabalho e para estudar”, escolhe essa fiabilidade em detrimento de não ter fios a incomodar. “É mais fidedigno o som”, disse também antes de usar pela primeira vez as duas versões sem fios que estavam em cima da mesa.

O som desaparece mesmo por completo? Testámos três auriculares sem fios com cancelamento de ruído

Antes do teste, a maestrina fez questão de frisar um ponto: “Há também uma questão importante que é a saúde auditiva”. “Com os auriculares in-ear é preciso ter cuidado com o volume”, alerta. Também por isso, privilegia sempre “ouvir ao vivo” ou sem auscultadores. “Quando estou a ouvir música tenho uma sensação muito física e próxima”, explica. E adianta: “Nunca vou conseguir obter isto [nem sequer] com uma coluna”.

A análise: uns auriculares topo de gama, uns wireless e uns tradicionais sentam-se à mesa com uma maestrina

5 fotos

Antes da análise, Rita Castro Blanco sabia que ia ter de responder a três perguntas:

  • “Que música/músicas podem ser boas para perceber a qualidade de uns auriculares (pode ser clássica ou outra)?”;
  • “A qualidade de som é boa em todos os modelos?”;
  • “Quais as principais diferenças entre os aparelhos?”

Para a primeira questão ainda tentámos pedir alguma canção conhecida de Rui Veloso ou a banda sonora do musical “Hamilton”. Porém, a maestrina acabou por escolher apenas músicas clássicas — “é a melhor forma de perceber os tons”. Para começar, o primeiro andamento da 1ª sinfonia de Gustav Mahler, porque “começa com uma parte calma, muito tímbrica” e permite “perceber se os timbres estão certos”. A segunda música foi a introdução da suite “O Pássaro de Fogo”, de Igor Stravinsky. Por fim, a terceira selecionada foi o quinto andamento da 5ª sinfonia de Dmitri Shostakovich (nas hiperligações pode ouvir as versões que utilizámos). Com isto, a primeira pergunta ficou respondida.

Com as músicas escolhidas, começou o teste. Em cima da mesa — numa sala relativamente silenciosa — estavam os Sony WF-1000xm4 (que vamos passar a chamar apenas de “Sony)”, uns Galaxy Buds+ (que vamos apelidar simplesmente de “Buds+”) e uns auriculares sem fios Samsung Earphones Tuned by AKG EO-IG955 (que vamos chamar só de “AKG”).

[Quer acompanhar o resto do artigo com melodia? Abaixo, se estiver a utilizar um navegador de internet, pode ouvir uma das músicas utilizadas para o teste enquanto mantém o artigo aberto]

Não se deixem iludir pelo nome grande dos últimos auriculares — são uns phones com fios relativamente acessíveis. Abrindo completamente o jogo: nem sabíamos bem o nome do modelo até à análise, apenas que funcionavam e tinham fios, um pormenor que sabíamos que podia ser elogiado. Além disso, os AKG não têm cancelamento de ruído nem nenhuma destas funcionalidades modernas. São simplesmente auriculares.

Já o Buds+ foram escolhidos por serem um modelo sem fios menos recente e terem um preço bem mais acessível do que os Sony, que, apesar de serem dos mais elogiados, são também dos mais caros do mercado. Apesar de os Buds+ terem cancelamento de ruído — um dos pontos principais de venda dos da Sony –, sabíamos que esta funcionalidade é menos eficaz neste modelo. Mesmo assim, cumprem o objetivo a que se propõem: reproduzir música.

Os Sony, é quase escusado justificar: foram o mote para esta análise. Apesar de serem muito bons, deixamos já a nota: nem todos os elogios que se encontra nas principais análises são totalmente justificados.

Com o Spotify ligado para termos acesso às músicas — “tenho de ouvir gravações que conheço”, frisou a maestrina — começou o teste. Com cada auricular, Rita Castro Blanco ouviu o necessário das três canções para o veredicto. Por vezes, como aconteceu com o quarto andamento da sinfonia número cinco de Shostakovich, pediu para voltar aos da Sony ou para ouvir com o Buds+ alguma melodia. Com a nossa ajuda para ligar e desligar o bluetooth ou pôr o cabo e desligar todos os aparelhos, o teste foi feito sem percalços. No final, as três perguntas foram respondidas.

A resposta às duas perguntas em falta: por vezes, uns simples auriculares com fios cumprem o objetivo

Os três auriculares utilizados para pôr os Sony à prova

TIAGO COUTO/OBSERVADOR

Como explicámos, esta foi a primeira vez que a maestrina utilizou auriculares sem fios deste tipo. No final, e um pouco como seria de esperar, ouvir música ao vivo continua a ser aquilo que privilegia. Mesmo assim, assumiu que os modelos sem fios a surpreenderam, a começar pelos Sony WF-1000xm4. A acabar de ouvir os excertos, respondeu às duas últimas perguntas que lhe fizemos.

“Nos dois primeiros excertos (Mahler e Stravinsky) não senti uma diferença abismal”, refere a maestrina. Já no último excerto, sentiu “uma clareza tímbrica enorme” com os Sony. A principal crítica? O som parecia “estreito”, disse Rita — que salientou que o termo “estreito” foi a melhor palavra que pôde utilizar sem cometer um erro técnico. Em pontos simples, e tendo a maestrina salientado que ficou surpreendida com a experiência ao explicar o que ouviu, Rita Castro Blanco explicou que, devido ao cancelamento de ruído, não ouviu um som tão nítido como o que se consegue com auscultadores (os que são over-ear).

"Nos dois primeiros excertos (Mahler e Stravinsky) não senti uma diferença abismal", refere a maestrina.

Passamos aos Buds+, em que “o timbre não é tão especial, mas o som é mais aberto”. “Isto pode ter a ver com o cancelamento de ruído, que nos Sony é bastante melhor”, explica. Além disso, a maestrina salientou que esta funcionalidade nem sempre é adequada para uma boa reprodução sonora — apesar de, na maioria dos casos, ajudar. Por outras palavras, Rita Castro Blanco afirmou que nem sempre foi possível perceber a diferença de qualidade de som. Contudo, nos momentos em que há uma “dinâmica muito forte” — “com a orquestra toda a tocar”, por exemplo — notou que a qualidade era diferente.

Por fim, chegamos aos AKG. “Nos dois primeiros excertos houve uma “diferença enorme”. Neste caso, a ausência do cancelamento de ruído não ajudou. “De repente, é muito menos claro o que se ouve”, explicou, adiantando que houve também alturas em que “não se sabe o que é ruído da gravação e o que é ruído exterior”. Mesmo assim, disse que o som é “muito parecido com os Buds+”.

Veredicto final: “Não sinto que preciso do topo de gama para ser feliz, de todo”

Uma hora depois, o veredicto: “Não sinto que preciso dos topo de gama para ser feliz, de todo”. Mas atenção, isto não quer dizer que os outros ganharam, pelo contrário. Não olhando para o valor — que considerou avultado –, a maestrina considerou que “se não tivesse nenhuns com noise cancelling, escolhia os Sony pela questão da versatilidade e qualidade tímbrica”, apesar de salientar que os Buds+ foram “mais confortáveis”.

No final, Rita Castro Blanco diz que, mesmo tendo ficado surpreendida, continua a preferir auscultadores, privilegiando a existência de um cabo para se ligar a um aparelho. “Acho que vou continuar a preferir estes com fios [apontando para os mais baratos], tenho a certeza de que não haverá falhas nem terei de os carregar”, diz entre risos.

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