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“Se precisavam de um mártir, ele está aqui.” Nem os mais próximos imaginavam aquilo que Carlos Ramalho se preparava para anunciar. Quando o presidente do Sindicato Democrático dos Enfermeiros Portugueses (Sindepor) anunciou que ia começar uma greve de fome, por tempo indeterminado, os colegas sentiram-se a bater de frente contra um muro. “Ficámos atónitos”, recorda ao Observador um dos dirigentes, José Coutinho. Soube quando toda a gente soube, nem um segundo antes. “Foi uma decisão limite que ele tomou de forma isolada, sem consultar ninguém, porque ele não estava à espera que o Governo agisse desta forma”, conta.

Antes de se instalar em frente ao Palácio de Belém, ao meio dia desta quarta-feira, Carlos Ramalho comeu uma última refeição. Eram 11h15 quando entrou num restaurante nas proximidades da residência oficial do Presidente da República. Pediu lulas recheadas. Depois, saiu, falou aos jornalistas e sentou-se num banco no Jardim Afonso de Albuquerque, do outro lado da estrada. É lá que vai permanecer durante todo o tempo que estiver em greve de fome, sem saber ao certo o que isso significa em horas, dias ou meses. Levou um sobretudo e uma mala de mão. E a força anímica. “Vou resistir até onde puder, a minha capacidade mental está inteiramente ao dispor desta luta”, dizia ao Observador minutos antes de chegar ao jardim.

"Acredito que o Presidente da República vai ficar sensível à questão dos enfermeiros", diz Carlos Ramalho JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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