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O cirurgião vagueava pelos corredores dos vários hospitais onde trabalhava, na zona de Bretanha, no oeste de França, “munido de um caderno preto no qual estava sempre a anotar coisas”. O comportamento intrigava os enfermeiros e colegas médicos, mas nunca passou do plano da especulação na cabeça dos vários profissionais de saúde que se cruzaram com Joël Le Scouarnec. Ou pelo menos esta é a versão que defendem em tribunal: que não tinham como saber o que se passava.
Nem aqueles que se espantavam com o interesse do médico, especialista em cirurgia digestiva e visceral, em participar em cirurgias pediátricas — que, nesta área, praticamente se circunscreviam a remoções do apêndice, tidas como pouco desafiantes para a maioria dos profissionais — chegaram à conclusão sombria do que se estava a passar dentro das quatro paredes não de um, mas de vários hospitais.
Em 2017, os cadernos em que muitos repararam foram descobertos pela polícia francesa debaixo de vigas do chão de madeira da casa do médico, na altura com 65 anos, juntamente com 300 mil imagens de abuso de crianças e bonecas sexuais… do tamanho de crianças. Nas milhares de páginas encontradas, muitas replicadas em formato digital, estavam detalhados meticulosamente os abusos sexuais e violações que cometeu contra 299 pacientes menores, entre 1989 e 2014.
Foram 25 anos de impunidade, em que muitos suspeitaram do interesse de Le Scouarnec em tratar crianças, assim como das interações peculiares que tinha com menores em meio social e que fizeram até com que vários pais o quisessem manter afastado dos filhos.
A gota que fez transbordar as suspeições e que motivou as buscas domiciliárias realizadas pela polícia francesa só chegou com a denúncia de violação por parte de uma menina de 6 anos, vizinha do médico. Fora dos corredores hospitalares, o médico francês abusou de quatro meninas, incluindo de duas sobrinhas. Já foi julgado pelos crimes cometidos contra essas vítimas, mas começa na segunda-feira o novo julgamento, pelos crimes cometidos contra dezenas de pacientes menores, que vai deixar França a braços com maior caso de pedofilia de sempre.
[António Raminhos, Luís Filipe Borges e Marco Horácio são três “Homens de Uma Certa Idade” a discutir a vida “de forma sincera”. Ouça aqui o novo episódio, que também está disponível na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]
As marcas estavam lá, mas muitas vítimas só souberam agora que foram abusadas. Médico aproveitava anestesias para atacar
Foi sem olhar para as quatro vítimas que se abraçavam com grande emoção na sala de audiências do tribunal de Saintes, no oeste francês que, em 2020, Joël Le Scouarnec recebeu a sua primeira sentença: foi condenado a 15 anos de prisão pelos crimes de violação e abuso sexual das duas sobrinhas, a vizinha e outra menina com quem contactou em meio hospitalar, ainda antes de se ter reformado.
Este primeiro julgamento é descrito pelo jornais franceses como a primeira parte da condenação pública e judicial do médico. Só na segunda-feira arranca a segunda parte, aquela que abrange os crimes cometidos contra a grande maioria das suas vítimas, quase três centenas que foram abusadas nos hospitais onde trabalhava. O número de vítimas faz deste o maior julgamento por crime de pedofilia da história jurídica francesa (e provavelmente do mundo) — e o segundo caso brutal a abalar a França em poucos meses, depois do caso Pelicot.
Dentro dos vários hospitais públicos e privados em que abusou de crianças, as vítimas de Le Scouarnec eram quase sempre crianças que estavam anestesiadas e que, ou tinham acabado de ser ou ainda seriam submetidas a cirurgias. Devido ao seu estado de submissão química no momento dos abusos, muitas não perceberam o que se tinha passado com elas, até que a polícia as informou dos abusos que tinham sofrido, muitos anos mais tarde, já depois de adultas.
Ex-cirurgião francês acusado de violar quase 300 jovens inconscientes vai a julgamento
Entre os 299 pacientes que abusou, contam-se 158 do sexo masculino e 141 do sexo feminino. A grande maioria, 256, tinham menos de 15 anos, e a idade média das vítimas conhecidas é de 11 anos. A polícia conseguiu identificar grande parte das então crianças através dos registos que o médico mantinha nos cadernos, mas estima-se que existam mais. A par com a descrição dos abusos, o agressor apontava datas e referia-se às suas vítimas com as iniciais do primeiro e segundo nome. As autoridades cruzaram esta informação com os arquivos hospitalares e chegaram assim aos nomes das quase três centenas de crianças e jovens.
Francesca Satta, a advogada que representa dez das vítimas, incluindo as famílias de dois homens que se suicidaram depois de saberem o que lhes tinha acontecido quando eram crianças, considera que o julgamento que está prestes a arrancar é “extraordinário”. “Até onde sei, nunca houve um julgamento de abuso infantil com tantas vítimas em nenhum lugar do mundo“, afirmou, recordando que “foi devastador para muitas das supostas vítimas, agora na faixa dos 30 e 40 anos, ouvir excertos dos diários de Le Scouarnec que supostamente dizem respeito ao que lhes aconteceu quando eram crianças”.
Muitas das vítimas dizem que só tiveram explicações para sintomas até então inexplicáveis de traumas, quando souberam a verdade em relação a estes abusos, dos quais não tinham memória, mas que ainda assim tinham deixado marcas profundas no seu subconsciente e que afetaram em larga medida o seu desenvolvimento, quer ao nível de relacionamentos, quer sexual.
Uma das vítimas, Marie, assim identificada pela estação de rádio France Bleu, descreveu como foi receber a notícia de que, afinal, não estava tudo na sua cabeça. A mulher, agora com cerca de 30 anos, consultou especialistas em saúde mental durante anos devido a disfunções sexuais e problemas que tinha com homens. Vários profissionais lhe perguntaram se tinha sofrido abusos em criança, porque tudo apontava para tal, mas, por não se lembrar do que lhe tinha acontecido, vivia a acreditar que não havia uma explicação lógica para o que sentia.
A polícia identificou-a através de uma entrada num dos diários do cirurgião. Tinha estado internada numa data que batia certo com um dos relatos, bem como as suas iniciais correspondiam às que o agressor usou para descrever os abusos que cometeu contra si. “Eles leram o que ele tinha escrito sobre mim e eu queria ler de novo, mas era impossível”, recordou ao meio de comunicação social francês.
@Coll_Nemesis no X. Fotografia de Joël Le Scouarnec
Marie descreve o que se passou depois de a polícia a confrontar com as evidências do abuso que tinha sido cometido contra si. “A revelação da polícia trouxe tudo à tona, imagens, sensações, memórias voltaram a mim dia após dia“, disse, garantindo que atualmente sente o abuso “como se ele tivesse acabado de acontecer” e que o seu cérebro desbloqueou até a memória do “olhar gelado” do seu agressor.
Satta participou no julgamento de 2020, que foi realizado à porta fechada para proteção das vítimas, e recorda que as audiências revelaram um homem “manipulador, sem empatia ou compreensão de outras pessoas, que ele considerava objetos sexuais”. A advogada não tem dúvidas de que Le Scouarnec “vivia numa bolha de abuso infantil”, e que os abusos poderiam ter continuado sem consequências durante anos e anos a fio.
As denúncias que ficaram por fazer e que permitiram 25 anos de abusos continuados a centenas de crianças
O aviso mais concreto surgiu na forma de uma denúncia feita pelo FBI às autoridades francesas. O cirurgião foi sinalizado em 2004, enquanto consumidor de pornografia e imagens de abuso infantil na dark web. O caso chegou à Justiça francesa e Joël Le Scouarnec foi condenado a uma pena de prisão suspensa de quatro anos, em 2005. Não foi indicado para receber tratamento médico ou psicológico.
Durante o período da investigação, o médico nunca foi impedido de trabalhar com crianças e chegou, aliás, a ocupar novas posições, e de maior poder, em hospitais públicos e privados, sem que o seu cadastro fosse impedimento para o que quer que seja. A sua condenação referia-se à visualização de pornografia de menores e não foi mais além porque nas buscas que foram feitas à sua casa da altura não foram encontradas provas da posse de pornografia infantil. Nessa altura, mantinha os diários com os relatos dos abusos de que era autor no seu consultório, local que não foi incluído nas buscas da polícia.
No primeiro julgamento, que decorreu em 2020, ficou provado que vários membros da família de Le Scouarnec estavam cientes, pelo menos desde meados da década de 1980, de seu comportamento perturbador em relação a crianças, mas nada fizeram para intervir, segundo cita a BBC.
A sua ex-mulher, com quem o médico teve três filhos, negou em tribunal ter tido conhecimento de comportamentos pedófilos do então marido. Alega que só soube do que se passava no momento em que ele foi preso, em 2017, mas por essa altura os dois já se tinham divorciado há vários anos.
Já nos hospitais, onde exercia medicina e onde fez grande parte das vítimas, Le Scouarnec movimentava-se com uma impunidade ágil. Todos os que suspeitaram de que havia algo de errado com ele não agiram de acordo com os indícios que tinham à sua frente, mesmo quando foi o próprio a revelar o cadastro. No julgamento de 2020, o médico garantiu que tinha informado a direção do hospital de Quimperlé, um dos hospitais públicos em que trabalhou nos anos em que cometeu os abusos, sobre os seus antecedentes criminais, nomeadamente da sua condenação em 2005. Segundo o próprio não lhe foi aplicada qualquer “medida específica”.
A procuradoria francesa investigou e chegou à conclusão que “apenas um pequeno número de pessoas foi informado” da condenação, mas que uma das pessoas que teve conhecimento dela foi a então diretora do centro hospitalar de Jonzac. Admitiu às autoridades judiciais que tinha sabido pelo próprio cirurgião de que este tinha “sido alvo de um processo judicial” por consultar sites de pornografia infantil.
Decidiu, no entanto, que o podia contratar, para uma função que implicava a prestação de cuidados médicos a crianças, sem consultar o conselho médico do hospital. Também não tomou qualquer tipo de “medida especial” para prevenir situações de abusos a menores, porque, pelo que sabia o médico nunca tinha agido com impulsos pedófilos e apenas visualizado conteúdo — como a justiça francesa não tinha atuado para o impedir de praticar medicina, também não considerou que fosse o seu papel intervir.
Em 2006, quando um colega do cirurgião leu sobre as acusações que pendiam sobre ele num artigo de jornal da imprensa local, pediu à associação médica regional que tomasse medidas. Todos, exceto um médico que se absteve, votaram que Le Scouarnec não tinha violado o código de ética médica. “Temos provas de que todos esses colegas sabiam, e nenhum deles fez nada”, disse Frederic Benoist, que representa o grupo de defesa da proteção infantil La Voix de L’Enfant (A Voz da Criança), que tem insistindo em destacar o que chama de “erros institucionais e judiciais cruciais” que deram origem ao rol de crianças abusadas pelo médico.
“Houve muitas circunstâncias que indicam que ele poderia ter sido parado, mas ele não foi, e as consequências são trágicas”, garante.
“Um monstro que fez do local de trabalho o seu campo de caça” e que colecionava memórias dos abusos que cometia
Quando foi confrontado pela polícia com as descobertas feitas em sua casa, Le Scouarnec começou por negar as agressões sexuais que levou a cabo contra os seus pacientes ao longo de 25 anos. Baseou-se na versão que até então vigorava dentro do seu círculo pessoal e profissional — o transtorno psiquiátrico pedófilo estava lá, mas não tinha agido, não havia transgressão.
Rejeitou ter agredido ou violado crianças, argumentando que os seus diários apenas descreviam as suas “fantasias” mais sombrias. Mais tarde, no julgamento de 2020, acabou por admitir algumas acusações, mas não todas.
A procuradoria francesa, citada pelo Le Monde, descreve na acusação que, segundo os relatos de algumas das suas antigas pacientes — atualmente já todas em idade adulta — o médico lhes tocava sexualmente sob o pretexto de realizar exames médicos e de as observar no pós-operatório quando estas estavam conscientes ou ainda sob o efeito leve de sedação. Chegou mesmo a fazê-lo quando outros profissionais de saúde estavam na sala, ou até em momentos em que os próprios pais estavam presentes.
X Var-matin
Dissimulava os seus atos para não ser apanhado, mas segundo os juízes que emitiram a primeira sentença, Le Scouarnec atuava enquanto uma figura “omnipotente” e parecia gostar da sensação de “flertar com o perigo” através de “transgressões calculadas”.
Nas entradas do diário que manteve durante 25 anos, citadas pela estação de rádio France Info, Joël não só admitia a culpa pelos crimes cometidos, como fazia questão de mostrar orgulho. No dia 10 de abril de 2004, escreveu que era “um grande pervertido”. “Sou ao mesmo tempo exibicionista, voyeur, sádico, masoquista, escatológico, fetichista e pedófilo”, assumia, mostrando-se “feliz com isso”.
Nos primeiros anos, descrevia os abusos em formato de cartas, dirigindo-se às vítimas que tratava por “meu querido(a) pequeno(a)”, contando de seguida, com pormenores doentios, de que forma tinha conseguido tocar nelas e o que lhes tinha feito em concreto. Como se estivesse a reviver o momento e a retirar satisfação em voltar a lembrar o que tinha feito.
Os investigadores do caso destacam o perfil de “colecionador” deste abusador em série, que manteve rituais macabros de registo durante mais de duas décadas. Colecionava bonecas de brincar e, por exemplo, em todos os seus aniversários durante este período, sem exceção, escrevia em letras garrafais nos cadernos a sua idade acompanhada da frase: “Eu sou um pedófilo.”
Francesca Satta, a advogada que representa dez das vítimas, descreve o médico como um “monstro que fez do seu local de trabalho o seu campo de caça”. Entende que o segundo julgamento, prestes a começar, vai abrir as portas a um “verdadeiro exame judicial do abuso infantil em França e como ele deve ser tratado, em termos de sentença e de prevenção” daqui em diante, bem como ao reconhecimento dos erros que foram cometidos no passado.
As semelhanças com o caso Pelicot e o que esperar do julgamento
A imunidade de que este cirurgião gozou durante anos a fio não é só resultado das circunstâncias concretas deste caso, como de uma cadeia de infelizes coincidências. “Na época, em França, havia um tipo de respeito pelas chamadas pessoas notáveis na sociedade, advogados, médicos e cirurgiões. Essas pessoas eram confiáveis e não eram vistas como pessoas que cometessem crimes”, recorda Satta, traçando assim o retrato de uma sociedade francesa que, nos anos 90 e início dos anos 2000, fechava os olhos a comportamentos alarmantes de dezenas, senão centenas de homens.
Joël Le Scouarnec era um profissional médico e amante de ópera e literatura, com origens numa família de classe média que lhe conseguiu pagar os estudos na Faculdade de Medicina de Nantes, para que pudesse singrar na carreira médica. Ainda jovem, era tido como um exemplo de superação e prestígio na pequena cidade de Loches, na região francesa de Touraine, para onde se mudou com a mulher, quando ainda era um jovem cirurgião.
Em grande parte da sua vida adulta, quando cometeu a grande maioria dos atos de pedofilia de que é acusado, estava completamente integrado na comunidade das várias cidades francesa onde viveu e trabalhou — Vannes, Lorient, Quimperlé e Jonzac. Foi distinguindo várias vezes profissionalmente, teve uma ascensão considerável no mundo da medicina e foi durante muito tempo o orgulho da sua família de classe média.
Só mais tarde, já depois de divorciado, próximo da reforma e de estar a viver sozinho é que adotou um estilo de vida ermita e de um autêntico acumulador. Só nessa altura é que foi finalmente apanhado e alvo de buscas numa casa insalubre e repleta de provas dos abusos que cometeu durante toda a vida. A máscara de filho prodígio, pai exemplar e cirurgião de excelência deixou-o fora dos radares por bastante tempo.
Este perfil de insuspeição, pelo menos aos olhos das comunidades de pequenas cidades francesas, tem muitas semelhanças e cruza-se em vários pontos com o de Dominique Pelicot — o homem condenado a 20 anos de prisão por ter drogado, violado e deixado dezenas de homens violar a sua mulher, Gisèle Pelicot, ao longo de dez anos em Mazan.
Os dois homens têm quase a mesma idade — Joël tem hoje 75 anos e Dominique 71 anos — e conseguiram durante vários anos equilibrar duas vidas paralelas: a de homens exemplares aos olhos da comunidade e família e a de agressores sexuais. Os perfis dos dois casos cruzam-se em mais dois pontos. Recorreram à submissão química para controlar as suas vítimas. O cirurgião aproveitava os períodos em que as crianças ainda estavam anestesiadas para cometer grande parte dos abusos e o agente imobiliário reformado de Mazan conseguiu criar uma fórmula com calmantes que deixava a sua mulher inconsciente durante uma noite inteira.
Além disso, tanto um como outro colecionavam provas dos seus abusos. Dominique filmava homens a violar a sua mulher e partilhava estas imagens em fóruns online, tanto por exibicionismo como para recrutar mais agressores que se deslocavam até à casa de reforma do casal. Joël mantinha um acervo de pornografia infantil, com imagens da sua autoria, e relatava por escrito detalhadamente os abusos que infligia, mas sempre atuou sozinho.
O julgamento do caso Pelicot chegou ao fim em dezembro, mas o de Le Scouarnec em relação à maioria das vítimas só começa esta segunda-feira, 24 de fevereiro, prevendo-se que termine em junho deste ano. A cidade de Vannes, que vai acolher o julgamento — por ter sido nela que aconteceram muitos dos abusos — disponibilizou três salas de aula de um antigo prédio universitário da Faculdade de Direito, a poucos metros do tribunal, para acomodar as centenas de vítimas, os seus representantes legais (ao todo 63 advogados), famílias, público que queira assistir ao julgamento e ainda comunicação social nacional e internacional.
As salas estarão preparadas para permitir que o público e a imprensa em particular acompanhem o julgamento através de televisores. Segundo a France Bleu, no total, estão previstos 75 dias de audiências, com 45 testemunhas e dez especialistas convocados para comparecer em tribunal. Existem dúvidas sobre o nível de abertura ao público do julgamento, sendo que várias audiências foram agendadas à porta fechada, para proteção de vítimas.
Muitos advogados, em declarações a diversos jornais franceses, acreditam que este julgamento vai marcar a história judicial em França, servindo também para apurar responsabilidades contra as pessoas, instituições e cadeias de poder que não tomaram medidas contra Le Scouarnec e permitiram que dezenas de crianças fossem abusadas.
Também é esperado que várias vítimas testemunhem e contem o que passaram às mãos do médico e que peçam justiça pelo trauma que carregam. O cirurgião pode enfrentar uma pena de prisão de até 20 anos, sendo que já se encontra a cumprir uma pena de 15 anos.
Mais do que efeito útil no tempo de detenção do homem, que por ter 75 anos já é quase certo que passará o resto da vida privado de liberdade, a sentença será reflexo do ajuste de contas que a justiça francesa quer fazer com os erros do passado.