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M.M., 39 anos e com uma filha de 7, já sabe que, em setembro, não terá o contrato de trabalho renovado, num call center em Lisboa. “Naquelas reuniões de feedback que temos ao fim de um tempo na empresa, disseram-me que estava tudo bem em relação ao meu trabalho. Como tive a minha filha doente, falámos das faltas, mas principalmente dos atrasos, porque muitas vezes não conseguia chegar a horas“, conta ao Observador. Como não cumpria o horário de entrada, as chamadas dos clientes não eram atendidas. “E isso é um prejuízo para a empresa.”

O turno de M.M., que mora na Moita, deveria começar às 9 horas. Só que as sucessivas supressões, “que se intensificaram nos últimos meses”, nos barcos da Soflusa — o transporte que, a par do metro, usa para chegar ao Marquês de Pombal — dificultam a tarefa de entrar a horas. “Houve duas semanas em maio em que as supressões foram constantes. Cheguei vários dias atrasada. Agora em julho foram três dias de greve dos mestres.”

Nesses dias acabou por chegar sempre 15 minutos depois da hora de entrada. “Somados, são 45 minutos… 45 minutos que não posso recuperar e que me são descontados do ordenado“. Em três dias, entre boleias que pagou para a estação de comboios, porque não tinha barcos, e os descontos no salário, M.M. estima ter perdido “mais dinheiro do que os 60 euros que eles [os mestres] reivindicam”.

O caso de M.M. não é único. Nas redes sociais, o Observador encontrou testemunhos de vários trabalhadores, que garantem terem sido informados pelos recrutadores de que o facto de residirem na Margem Sul seria tido como um problema, ou que não viram o contrato de trabalho renovado devido aos atrasos frequentes, motivados por constrangimentos nos transportes.

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