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O Bloco abriu a manhã com uma iniciativa de João Teixeira Lopes para a qualidade de vida e espaços verdes na Cooperativa de Nevogilde. Rui Moreira intensificou a campanha com três ações, uma delas uma ida ao Campo 24 de Agosto. O socialista Manuel Pizarro foi ao antigo Parque de Campismo da Quinta da Prelada com o social-democrata António Tavares, provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto — que é o mandatário de Álvaro Almeida, o candidato do PSD. Por sua vez, Álvaro Almeida só teve uma ação marcada para o Bairro do Lagarteiro. Ilda Figueiredo, da CDU, encontrou-se com a Associação de Moradores de Massarelos e faz “contactos com a população”.

Rui Moreira: “Nunca desconsiderei Rui Rio”

A frase: “Sou uma pessoa diferente de Rui Rio. A minha lealdade fundamental é para com os eleitores.”

A (outra) frase: “Tenho a perfeita noção que nunca desconsiderei Rui Rio. Antes pelo contrário”

A promessa: A abertura do Museu da Cidade até junho de 2018 e a construção de 20 mil metros quadrados de habitação social e privada.

É a primeira reação de Rui Moreira às acusações de ingratidão para com Rui Rio. Ou melhor, a segunda. Na segunda-feira, durante o debate organizado pela Antena 1 com os candidatos à Câmara Municipal do Porto, Álvaro Almeida acusou o autarca portuense de ser ingrato com aqueles que o ajudaram a chegar onde chegou: o CDS, o PS e, claro, Rui Rio. No mesmo dia, à tarde, Rui Moreira recusou-se a responder a “esse senhor”. Esta quarta-feira, no entanto, o candidato independente fez questão de deixar claro que “nunca desconsiderou” o seu antecessor.

“Pareceu-me estranho ontem um comentário que foi feito no debate, que nem percebi muito bem, a dizer que era ingrato. A maior gratidão ou reconhecimento relativamente ao executivo anterior foi dar continuidade aquilo que era a obra emblemática desse executivo — as boas contas”, começou por dizer Rui Moreira, ao Observador.

O autarca iria ainda mais longe nas explicações. “Há quatro anos dissemos ao que vínhamos, identificámos a cultura como a questão fundamental. Agora, sou uma pessoa diferente de Rui Rio. Propus à cidade opções diferentes e foi com base nessas promessas que fui eleito. O meu programa é diferente e a minha lealdade fundamental é para com os eleitores”, reforçou o presidente da Câmara do Porto.

Terá sido o comentário de Álvaro Almeida um reflexo do que pensa verdadeiramente Rui Rio? Afinal, o ex-autarca portuense é um dos principais patrocinadores políticas da candidatura do economista. “Não sei, duvido que seja…”, interrompe Rui Moreira. Ainda assim, insiste o Observador, os dois são inegavelmente próximos. Pensará Rui Rio o que verbalizou Álvaro Almeida?

“Tem de lhe perguntar”, sublinhou Rui Moreira, antes de acrescentar: “Espero que não. Tenho a perfeita noção que nunca desconsiderei Rui Rio. Antes pelo contrário: atribuí-lhe a Medalha de Honra da Cidade logo no ano em que ele saiu e não me canso de louvar aquilo que ele fez de muito bom na cidade, onde ele é muito considerado”, insistiu o autarca. Resta saber o que pensará, de facto, Rui Rio.

Quando questionado sobre o porquê de agora apoiar Álvaro Almeida quando, em 2013, apoiou de forma tácita Rui Moreira contra o social-democrata Luís Filipe Menezes, o ex-presidente da Câmara do Porto limitou-se a dizer: “Há quatro anos não me identificava com o programa e não podia apoiar aquilo em que não acreditava. Agora, apoio aquilo em que acredito”.

Quanto à disponibilidade de Manuel Pizarro para governar com o PSD caso vença as eleições — reforçada e reassumida esta terça-feira — poucas palavras de Rui Moreira: primeiro, alguma incredulidade; depois, a resposta politicamente correta. “Manuel Pizarro com o PSD? (silêncio) Não ouvi. Não tenho nenhum comentário a fazer. É uma questão de Manuel Pizarro e do PSD, não é minha”. Nem mais uma palavra.

Rui Moreira falava com Observador à margem de uma visita à Associação de Moradores do Bairro Social da Pasteleira, onde esteve à conversa com uma das responsáveis, e ao espaço onde vai nascer o futuro Museu da Cidade, erguido no mesmo local onde antes existia um antigo depósito de águas e que estava literalmente coberto de terra desde que o depósito de águas deixou aquele lugar.

No futuro, o novo Museu da Cidade, que implicou um investimento “na ordem dos dois milhões de euros“, terá ligação ao parque que o rodeia, à semelhança do que acontece já com o Parque de Serralves. “Deverá abrir em março, abril, no limite em junho”, assegurou Rui Moreira.

Autarca promete cerca de 20 mil metros quadrados para habitação social e privada

Antes, ao início da tarde Rui Moreira, explicou em que consiste o projeto pensado para a zona do Bonfim, onde está prevista a construção de cerca de 20 mil metros quadrados para habitação social e privada.

Aos jornalistas, o presidente da Câmara do Porto mostrou terrenos anexos ao Hospital Joaquim Urbano, onde quer fazer nascer, além de uma nova rua, “habitação social e privada, feita pelos proprietários, e também um pavilhão”, disse.

E justificou o projeto para o novo mandato, caso seja reeleito a 01 de outubro, por considerar “que esta é, provavelmente, a zona do Porto mais mal servida de equipamentos desportivos”.

Pedro Baganha, quinto da lista candidata, complementou a informação avançada pelo cabeça de lista, informando que houve o aproveitamento da “circunstância feliz de uma parceria com os proprietários privados”.

“Eles abordaram-nos e fizemos algo que é raro e do qual não nos lembramos de ter acontecido nos últimos 15 anos: que é o de fazer um emparcelamento entre terrenos da câmara com particulares”, explicou o candidato. E acrescentou: “Misturou-se oportunidade com a falta de vontade de construir no terreno em Fernão de Magalhães, como estava inicialmente previsto, mas que iria cortar a cidade”. Ao todo, referiu, “serão 10 mil metros quadrados para habitação social e quase outro tanto para privada”.

* Com Agência Lusa

A campanha no Porto ontem foi assim:

Diário do Porto. Pizarro: “Azeredo Lopes é um grande ministro da Defesa”

PS. Manuel Pizarro não nega a possibilidade de coligação com o PSD

A frase: “Fui sempre uma pessoa com facilidade de diálogo à direita e à esquerda”

A (outra) frase: “Se há coisa negativa na política é a incapacidade de ouvir o que os adversários propõem”, disse Pizarro, em resposta a Rui Moreira.

O que correu mal: As moscas. Não só porque pousavam em cima de narizes, microfones, mãos e tudo que estivesse a descoberto, mas também porque foram basicamente a única nota de reportagem possível. A ação de campanha de Manuel Pizarro teve pouco mais do que árvores e espaço verde para contemplar.

A gafe: “Este projeto vai permitir a recuperação patrimonial de um jardim que foi desenhado por Nicolau Nasoni e que tem todas as características de um jardim romântico italiano”. O arquiteto italiano é um dos nomes mais importantes, não do romântico, mas do estilo barroco que influenciou o Porto no século XVIII.

Continua o concurso das respostas esfíngicas na corrida eleitoral à Câmara do Porto. Numa altura em que as mais recentes sondagens continuam a sugerir alguma indefinição nas intenções de votos dos portuenses, os candidatos continuam sem se comprometer com futuras alianças. Com duas honrosas exceções: Rui Moreira já garantiu que nunca se coligaria com o PSD de Álvaro Almeida e João Teixeira Lopes já assegurou que nunca apoiará o atual presidente da câmara.

Quanto ao resto, tudo na mesma. Esta terça-feira, durante uma visita ao antigo Parque de Campismo da Quinta da Prelada, encerrado desde 2006, desafiado a esclarecer se estaria ou não disposto a coligar-se com Álvaro Almeida se fosse eleito presidente da Câmara, Manuel Pizarro deu a resposta da praxe: “Não nego à partida nenhuma possibilidade“. A seu lado tinha António Tavares, o provedor da Misericórdia do Porto, que por acaso é o mandatário do candidato do PSD, Álvaro Almeida.

A questão fora colocada na sequência de uma aparente proximidade de propostas em determinadas áreas de governação entre Manuel Pizarro e Álvaro Almeida. Isso significa que o socialista terá mais facilidade de dialogar à direita? Mais uma resposta chapa cinco do candidato do PS: “Fui sempre uma pessoa com facilidade de diálogo à direita e à esquerda“.

Não foi por falta de insistência, ainda assim. Quando confrontado com as declarações de Ilda Figueiredo, candidata da CDU ao Porto, que não descartou, antes admitiu, um eventual acordo com Rui Moreira, Manuel Pizarro atirou ao lado. “Se for presidente da câmara tenho a certeza que criarei condições de estabilidade governativa na câmara. Não me perturba nada o que a CDU e outros partidos desejam fazer. Devo dizer que nem sequer seria inédito no primeiro mandato de Rui Rio a Câmara foi viabilizada pela CDU. Não seria uma novidade histórica”, rematou o socialista.

Quem não ficou sem resposta foi Rui Moreira. Durante o debate organizado pela Antena 1, o presidente da Câmara do Porto questionou o facto de Manuel Pizarro apoiar a proposta de Álvaro Almeida em relação aos parquímetros — uma margem de 15 minutos isentos de pagamento — e lembrou que o socialista assinou de cruz o atual caderno de encargos definido com a empresa. O socialista defendeu-se: “Se há coisa negativa na política é a incapacidade de ouvir o que os adversários propõem e sugerem. Não tenho preconceitos em apoiar uma proposta por ser de um adversário político”.

Quanto ao Parque da Prelada, motivo da visita, o socialista prometeu transformar aquele espaço de “8 hectares” num “espaço de usufruto público”, com áreas dedicadas “ao lazer, à prática de atividade desportiva e até para hortas biológicas”, através de “um investimento relativamente pequeno”, na ordem dos “2 milhões de euros“.

Além disso, continuou o candidato socialista, o projeto vai permitir a “recuperação patrimonial de um jardim que foi desenhado por desenhado por Nicolau Nasoni e que tem todas as características de um jardim romântico italiano”. Tudo natural, não fosse o arquiteto italiano um dos nomes do estilo barroco que influenciou a cidade do Porto no século XVIII. Foi ele quem projeto a Igreja e a Torre dos Clérigos, a título de exemplo.

Confrontado com o facto de nada ter sido feito pela Quinta da Prelada nos últimos quatro anos, Pizarro ensaiou a fuga em frente. “Isso talvez tenha de ser perguntado ao senhor provedor da Santa Casa da Misericórdia”, começou por dizer o socialista, com António Tavares ao seu lado. Acabaria por mudar a agulha. “Durante estes quatro anos, talvez tenham notado, eu ainda não era presidente da Câmara. Não podia tomar conta de todos os assuntos. Se nós fizemos o que fizemos não sendo a liderança da Câmara, imaginem o que faremos se for eu o próximo presidente da Câmara”, desculpou-se o socialista.

António Tavares, que tem a particularidade de ser mandatário da candidatura de Álvaro Almeida, acabaria por concretizar: “Este espaço necessita de um investimento avultado. Não é uma coisa fácil de se fazer e necessita de muita atenção. Houve contactos, houve compromissos, de certeza absoluta que não houve foi tempo para tomar [essa medida]. A partir de dia 1 de outubro vai ter de haver tempo“, avisou o responsável. O recado está dado.

PSD. Álvaro Almeida acusa Moreira de se ter esquecido de Campanhã

A frase: “O Porto autêntico não é só a Baixa, mas toda a cidade e Campanhã tem sido uma zona abandonada”.

A queixa: Rui Moreira e o PS “esqueceram” e “ignoraram” a zona de Campanhã.

A promessa: Acelerar o investimento na reabilitação, “começando pelos casos mais prioritários”, desde logo no Bairro do Cerco, onde o estado de “degradação é enorme”.

O candidato do PSD à Câmara do Porto Álvaro Almeida aproveitou a visita ao Bairro do Lagarteiro para denunciar que a freguesia de “Campanhã é, provavelmente, a área mais esquecida” pelo executivo liderado por Rui Moreira.

Em declarações no final da visita ao segundo maior bairro municipal do Porto, o candidato do “Porto Autêntico” acusou o executivo e o PS de, nos últimos quatro anos, terem “ignorado” esta parte da cidade, apesar de o programa eleitoral conter muitas promessas para Campanhã.

Fazendo uma curta lista das promessas não cumpridas que referiu, Álvaro Almeida mencionou o “polo logístico do matadouro, o interface rodoviário e o centro de industrialização” como exemplos do “que não existe” apesar de constar do programa do atual executivo.

“Nós queremos desenvolver o Porto todo, o Porto autêntico não é só a Baixa, mas toda a cidade e Campanhã tem sido uma zona abandonada e, por isso, viemos mais uma vez aqui ao Bairro do Lagarteiro porque estamos numa zona onde, a Norte, gostaríamos de instalar o centro empresarial oriental do Porto”, lembrou o candidato.

Considerando que este “seria o grande projeto para a cidade”, o candidato deixou elogios à reabilitação externa dos prédios do bairro, mas criticou o abrandamento dessas obras, argumentando que, no anterior mandato, entre 2014 e 2016, foram “investidos 19 milhões de euros contra 44 milhões de euros, no mesmo período, na gestão de Rui Rio”.

Álvaro Almeida prometeu “retomar o ritmo que vinha do passado”, acelerando a reabilitação, “começando pelos casos mais prioritários”, ao mesmo tempo que anunciou que será pelo Bairro do Cerco, onde o estado de “degradação é enorme”, que começarão a reabilitação caso seja eleito presidente.

Questionado como pretende obter o financiamento, Álvaro Almeida lembrou que o “Governo tem responsabilidades nessa área”, mas que se este não o assumir “não será por isso que a câmara deixará os munícipes nessas condições”.

* Com Agência Lusa

CDU. Ilda Figueiredo: “Câmara não apoia o movimento associativo”

A frase: “A Câmara do Porto tem de ter um papel diferente no apoio ao movimento associativo”.

A cabeça de lista da CDU à Camara do Porto, Ilda Figueiredo, pressionou a autarquia a assumir “um papel diferente no apoio ao movimento associativo”, acusando o atual executivo de “falta de diálogo” com as instituições locais.

“Não se pode aceitar que a Câmara Municipal não apoie o movimento associativo. É uma das enormes carências e um dos grandes problemas da cidade é que o atual executivo está de costas voltadas para as associações culturais, sociais, desportivas, recreativas, etc. São instituições que desempenham um papel fulcral para melhorar um bocadinho as condições destas populações”, disse Ilda Figueiredo.

A candidata da CDU insistiu na criação do pelouro do Associativismo de forma a “dar um outro valor às associações existentes”, as quais quer que tenham por parte da Câmara apoio financeiro, mas também técnico e humano.

A comunista falava aos jornalistas depois de reunir com os responsáveis da Associação de Moradores de Massarelos, uma instituição que atualmente acolhe 31 crianças, tem acordos para receber 40 idosos e é proprietária de um bairro, no qual vivem 66 famílias.

Durante a visita foram transmitidas pelos responsáveis da associação quer sobre o espaço da sede, necessidade de obras e faltas de apoio, quer sobre o facto de estarem confrontados com a necessidade de pagar 9.000 euros até sexta-feira para regularizar a taxa de IMI.

“Daqui fazemos o apelo ao secretário de Estado dos Assuntos Fiscais para que esclareça os Serviços de Finanças do Porto de que não devem obrigar as associações de moradores a pagar o adicional do IMI porque estas instituições estão sem condições financeiras para o fazer e não vale exigir [a verba] agora mesmo que depois digam que o devolvem”, disse Ilda Figueiredo.

A candidata da CDU recorreu ao Despacho n.º 52/2017 para atestar que “deve ser adiada a notificação e o pagamento” às associações, tendo apontado o dedo também à Câmara do Porto, sugerindo-lhe que “saiba ajudar, esclarecer e intervir juntos das associações”.

“A Câmara do Porto tem de ter um papel diferente no apoio ao movimento associativo. Encontramos aqui mais um exemplo da falta de diálogo da Câmara do Porto com as associações da cidade”, concluiu a candidata.

* Com Agência Lusa