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▲"O que aconteceu em Galați é a consequência direta da guerra de agressão desencadeada pela Rússia contra a Ucrânia", diz Presidente romeno

AFP via Getty Images

▲"O que aconteceu em Galați é a consequência direta da guerra de agressão desencadeada pela Rússia contra a Ucrânia", diz Presidente romeno

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Drone russo atinge prédio na Roménia. Putin sacode culpas, mas Europa e NATO dizem que a Rússia "cruzou mais uma linha"

UE acusa Rússia de ter "cruzado uma nova linha", NATO fala em "imprudência" e Moscovo nega qualquer responsabilidade. Sete pontos sobre o drone russo que fez dois feridos na cidade romena de Galaţi.

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90 quilómetros adentro da fronteira romena. Um rasto de três metros no relvado depois de ter batido e incendiado o décimo piso de um prédio residencial em Galaţi. Dois feridos. Cerca de 70 pessoas retiradas de casa. Galaţi é na Roménia, não longe das linhas que separam aquele país da Moldávia e da Ucrânia. O responsável por estes estragos é, já oficialmente confirmado, um drone russo, dos 43 com que ontem os russos atacaram — outra vez — os ucranianos. E as consequências só não foram piores porque o drone, o Geran-2, não transportava qualquer engenho explosivo. O detalhe ainda assim mais importante: a Roménia é um membro da NATO.

Por isso as reações foram imediatas. O Presidente romeno, Nicușor Dan, foi o primeiro, afirmando que tinha avisado a NATO e todas as entidades europeias. Os aliados de Zelensky condenaram violentamente a ação. A NATO prometeu o reforço da capacidade de defesa e disse estar pronta para socorrer qualquer país da organização. Já o Kremlin garantiu que todas as acusações eram “infundadas” e Putin voltou à velha tática de sugerir mesmo que o drone poderia ser ucraniano (depois de ficar provado que era russo).

As Forças Armadas romenas não intercetaram o aparelho por razões de “segurança”. Segundo o Kyiv Independent, o drone estava a ser usado durante um ataque aéreo à Ucrânia. O Ministério da Defesa romeno emitiu, entretanto, um comunicado no qual confirma que o drone entrou no espaço aéreo do país. “A Federação Russa retomou os ataques com drones contra alvos civis e infraestruturas na Ucrânia, nas proximidades da fronteira fluvial com a Roménia. Este drone entrou no espaço aéreo romeno, tendo sido detetado pelo radar na zona sul da cidade de Galaţi, e despenhou-se no telhado de um bloco de apartamentos, tendo o impacto sido seguido de um incêndio”, pode ler-se.

Mas como é que o Governo romeno reagiu? Qual a razão para o drone não ter sido intercetado pelas Forças Armadas? O que a União Europeia e a NATO disseram? E a Rússia? Explicamos em seis pontos.

Como reagiu a Roménia?

Nicusor Dan, Presidente da Roménia, afirmou que o país irá usar “medidas proporcionais em relação à Rússia”, condenando aquele que “é o incidente mais grave” no país desde o início da invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022.

“O carácter sem precedentes do evento exige uma resposta firme, coordenada e à altura — a nível nacional, aliado e internacional”, escreveu o chefe de Estado na rede social X. O Presidente marcou logo uma reunião do Conselho Supremo de Defesa Nacional para esta sexta-feira, às 11h00 locais (9h00 em Lisboa).

“Declaro, com toda a firmeza, que a responsabilidade integral por este incidente cabe à Federação Russa“, sublinhou o Presidente romeno. “O que aconteceu em Galați é a consequência direta da guerra de agressão desencadeada pela Rússia contra a Ucrânia, do modo irresponsável e indiscriminado em que Moscovo opera esses sistemas de armamento na vizinhança imediata das fronteiras da NATO, bem como do desprezo sistemático pelo direito internacional. Não há nenhuma ambiguidade quanto ao autor e à causa desta agressão”.

O chefe de Estado frisou que a Roménia “é um Estado-membro da NATO e não aceitará, de forma alguma, que a guerra de agressão travada pela Rússia contra a Ucrânia seja transferida para os cidadãos romenos”.

O apoio da Roménia à Ucrânia, a nível “político, humanitário, militar e no caminho da integração europeia, permanece inabalável“, disse ainda o Presidente romeno. “Quanto mais a Rússia continuar esta guerra, mais clara se torna a necessidade de que ela seja encerrada por uma paz justa e duradoura, que respeite a soberania, a independência e a integridade territorial da Ucrânia”.

Nicusor Dan anunciou, ainda, que o cônsul-geral russo é persona non grata. Segundo a agência romena Agerpres, o cônsul-geral deverá sair imediatamente do país e o consulado em Constanta deverá encerrar.

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▲ Drone atingiu o décimo andar de um prédio residencial

AFP via Getty Images

Ilie Bolojan, o primeiro-ministro da Roménia, afirmou, depois, que a incursão de um drone russo em espaço aéreo romeno “é inaceitável”.

“Condeno veementemente estas ações graves e apelo à Rússia para que pare de imediato”, reforçou o chefe do Governo romeno, citado pelo Digi24. Bolojan sublinhou que este incidente “é mais uma prova da importância” de reforçar a defesa romena.

O primeiro-ministro está de visita à Moldávia e não esteve presente na reunião do Conselho Supremo da Defesa Nacional, que teve lugar logo na manhã desta sexta-feira. A visita à Moldávia foi encurtada, com Bolojan a regressar à Roménia. “Estarei presente nas duas próximas reuniões”, confirmou.

Oana Toiu, ministra dos Negócios Estrangeiros da Roménia, revelou, também, que o país chamou o embaixador da Rússia ao ministério após o incidente com o drone russo. “A segurança da Roménia é a nossa prioridade absoluta”, explicou no X. “Tivemos a confirmação do Ministério da Defesa Nacional de que o drone que caiu num edifício residencial em Galaţi tinha origem russa”, contextualizou.

A decisão de convocar o embaixador russo na Roménia “foi tomada após este incidente extremamente sério” e “serão comunicadas oficialmente as consequências desta falta de responsabilidade da Federação Russa para as relações diplomáticas” entre os dois países.

Forças Armadas romenas detetaram o drone. Qual a razão para não ser intercetado?

Nicusor Dan explicou que as Forças Armadas da Roménia, que acompanharam o drone, decidiram não interagir com o alvo “porque não existiam condições para que fosse destruído sem comprometer a segurança da população“.

Após ter sido detetado o drone em espaço aéreo romeno, apenas dois caças F-16 e um helicóptero militar foram acionados. As autoridades decidiram não abrir fogo. A explicação foi dada pelo brigadeiro-general Gheorghe Maxim, que sublinhou um cenário em que a decisão ficou condicionada por vários fatores.

Segundo o militar, o principal entrave foi jurídico, uma vez que as Forças Armadas romenas “não podem abrir fogo de forma a colocar em risco o espaço aéreo de um país vizinho”. “Além disso, atacar um alvo aéreo requer um certo tempo, que envolve deteção, identificação e envolvimento. Os quatro minutos que tínhamos à nossa disposição foram um período extremamente curto“, disse, citado pelo Ukrainska Pravda.

O responsável explicou também que os sistemas de defesa aérea da Roménia foram feitos antes de 2023, numa altura em que ainda não existia uma guerra de drones tão intensa como a atual. O país está agora a tentar modernizar estes sistemas.”A Roménia solicitou aos aliados que enviassem mais capacidades antidrones para o país”, notou esta sexta-feira o Presidente romeno, com o intuito de fortalecer a defesa do país.

"Declaro, com toda a firmeza, que a responsabilidade integral por este incidente cabe à Federação Russa."
Nicușor Dan, Presidente da Roménia

Sobre a não utilização dos sistemas antiaéreos Gepard, o brigadeiro-general explicou que estes equipamentos também estão sujeitos a restrições em tempo de paz, incluindo a necessidade de autorização para a sua instalação em determinados locais. “Temos de ter consentimento dos proprietários e entidades comerciais para a implantação destes sistemas, que têm um alcance entre 1,5 e 6 quilómetros. Como a propriedade privada é protegida por lei, onde temos autorização instalamos, onde não temos não o fazemos”, afirmou.

Já o porta-voz do Ministério da Defesa, Cristian Popovici, em declarações à Digi24, reforçou a ideia de que a atuação militar é condicionada por regras rigorosas, sublinhando que a Roménia “não pode correr o risco de criar mais ameaças do que aquelas que consegue prevenir”, ainda que as Forças Armadas operem sob limitações significativas.

Qual foi a reação da União Europeia?

Ursula von der Leyen condenou a forma como “a guerra de agressão da Rússia cruzou mais uma linha”, após “uma incursão de um drone numa área densamente povoada da Roménia, ferindo civis” em território da União Europeia. A presidente da Comissão Europeia prometeu, numa mensagem publicada no X, que o bloco vai “continuar a aumentar a pressão à Rússia”.

“Estamos completamente solidários com a Roménia e com o seu povo”, disse, revelando que a União Europeia “está a preparar o 21.º pacote de sanções” à Rússia.

Já Kaja Kallas, a responsável pela diplomacia europeia, considerou que o drone russo que atingiu um prédio em Galaţi, na Roménia, representa “uma violação flagrante e grave da soberania da Roménia e do espaço aéreo europeu“.

Kallas falou com a ministra dos Negócios Estrangeiros romena durante a manhã desta sexta-feira, “para apresentar a total solidariedade da União Europeia com a Roménia”. “A Rússia deixou há muito de respeitar fronteiras. Não se pode permitir que Moscovo viole impunemente o espaço aéreo europeu”, disse na rede social X.

Kallas explicou que os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE “acordaram ontem [quinta-feira] aumentar a pressão sobre a Rússia, reforçar o apoio à Ucrânia e investir na preparação das defesas da Europa”.

Como reagiu a NATO?

A porta-voz da NATO emitiu, logo na manhã desta sexta-feira, uma reação após o incidente com o drone russo na Roménia, país que pertence à organização transatlântica. “Esta manhã, um prédio na Roménia foi atingido por um drone enquanto a Rússia atacava infraestruturas ucranianas perto da fronteira”, disse Allison Hart numa publicação no X.

A porta-voz revelou, ainda, que Mark Rutte, o secretário-geral da organização, “está em contacto com as autoridades romenas”. “Condenamos a imprudência da Rússia e a NATO irá continuar a fortalecer as nossas defesas contra todas as ameaças, incluindo drones”, acrescentou.

Rutte falou, entretanto, com o Presidente da Roménia. “Garanti-lhe a solidariedade absoluta da NATO com a Roménia”, escreveu o secretário-geral nas redes sociais. “Vamos continuar a reforçar a nossa prontidão para dissuadir e defender contra qualquer ameaça, incluindo as provenientes de drones”, sublinhou.

Rutte considerou que “o comportamento imprudente da Rússia é um perigo para todos nós”. “Continuam a ter como alvo civis e infraestruturas civis na Ucrânia. E a noite passada mostra mais uma vez as implicações da sua guerra ilegal de agressão, que não para na fronteira”, disse.

O secretário-geral da NATO defendeu, ainda, que a guerra da Rússia contra a Ucrânia “tem de terminar, assim como a indiferença da Rússia em relação à segurança dos civis”. “Pela nossa parte, continuaremos a reforçar a nossa capacidade de dissuasão e defesa no nosso território e a apoiar a Ucrânia na sua luta contra a agressão da Rússia”, explicou.

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▲ Duas pessoas ficaram feridas e cerca de 70 foram retiradas do edifício

AFP via Getty Images

O Artigo 4º da NATO não foi, porém, ativado. Este artigo do tratado fundador da organização prevê que “as partes poderão consultar-se sempre que, na opinião de qualquer delas, estiver ameaçada a integridade territorial, a independência política ou a segurança de uma das partes”.

Nos termos do tratado, qualquer membro pode invocar unilateralmente este artigo, que permite que os aliados registem as suas preocupações. Não chega a ser um pedido formal de ajuda e os outros membros também não são obrigados a tomar qualquer medida, mas é aberto um mecanismo de consulta. Ou seja, são tidas conversações e tomadas medidas no sentido de uma futura ação da NATO, que não acontecerá de forma obrigatória.

Contudo, a ministra dos Negócios Estrangeiros romena, Oana Țoiu, esclareceu publicamente que o ataque se enquadra na categoria de ameaças à segurança cobertas pelo Artigo 4º, sublinhando que a ativação requer uma decisão coletiva interna e faz parte das “opções em cima da mesa“.

Vários países manifestam solidariedade com Roménia e condenam ação russa

O Ministério dos Negócios Estrangeiros português condenou a incursão de um drone russo na Roménia. “Portugal condena fortemente o ataque russo em que um drone atingiu a cidade romena de Galaţi, provocando dois feridos”, lê-se numa publicação no X. “Toda a nossa solidariedade para com a Roménia e para com a Ucrânia”, acrescentou o Ministério tutelado por Paulo Rangel.

O ministério português convocou, ainda, o embaixador russo em Lisboa para pedir explicações sobre o drone que atingiu o edifício. Segundo o gabinete de Rangel, “na sequência da condenação desta manhã do grave ataque russo que atingiu a Roménia, o embaixador da Federação Russa foi convocado para explicações“.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, manifestou também a sua solidariedade ao Governo de Bucareste. “Perante a queda de um drone russo num prédio residencial de Galati, expresso a nossa total solidariedade para com a Roménia e condeno fortemente este ataque e qualquer tentativa de escalada. Portugal está e estará sempre ao lado dos seus aliados”, escreveu o social-democrata na sua conta na rede social X.

Andrii Sybiha, ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, considerou que o drone russo que atingiu um prédio na Roménia “prova mais uma vez que a agressão russa representa uma ameaça real para a região do Mar Negro e para toda a Europa”.

“Fortalecer o apoio à Ucrânia para aumentar a pressão ao agressor, incluindo através de sanções mais fortes, continua a ser crucial”, afirmou o ministro nas redes sociais, reforçando que permitirá “restaurar a paz e a segurança na região”.

A Ucrânia disse que “está firmemente ao lado da Roménia” e que está pronta “para trabalhar de forma próxima para reforçar a proteção contra ameaças deste género”.

“É, de facto, necessário intensificar a pressão sobre a Rússia para que esta guerra não se prolongue. Estamos prontos para apoiar a Roménia da maneira que for necessária nestas circunstâncias. Contamos com as novas medidas de sanções da União Europeia contra a Rússia”, afirmou, também, o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, nas redes sociais.

Péter Magyar, o primeiro-ministro da Hungria, destacou que o ataque de drone russo “sublinha mais uma vez que a união da Europa e da NATO é mais importante hoje do que nunca”. Numa publicação no X, afirmou que a “Hungria condena fortemente qualquer ataque que possa pôr em risco civis e que viole o território e espaço aéreo de um país soberano da União Europeia e um Estado que é membro da NATO”.

Também Robert Fico, o primeiro-ministro da Eslováquia, se mostrou solidário com o Governo romeno, mas apelou à “moderação ao fazer-se afirmações inflamadas” sobre o que aconteceu.

Fico recordou que há alguns dias disse que, “na ausência de diálogo entre a União Europeia e a Federação Russa, qualquer drone perdido poderia levar a uma escalada de tensões que podemos não ser capazes de gerir”. Assim, o primeiro-ministro eslovaco apelou “mais uma vez ao início imediato de diálogo entre a União Europeia e a Federação Russa“.

Johann Wadephul, ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, também condenou o incidente. “O comportamento imprudente da Rússia continua a ameaçar a nossa segurança coletiva”, disse o ministro nas redes sociais. “A nossa resposta é a união. Estamos com a Roménia“, afirma, deixando uma mensagem solidária aos feridos durante a queda do drone.

“Continuaremos a reforçar a Ucrânia e a defesa europeia da NATO”, destacou.

Já Jean-Noël Barrot, ministro dos Negócios Estrangeiros de França, chamou o embaixador russo no país para prestar explicações sobre o drone que atingiu um prédio em Galaţi, na Roménia. O chefe da diplomacia francesa condenou em comunicado o “ato irresponsável” da Rússia, noticia o Le Figaro.

Inga Ruginiené, primeira-ministra da Lituânia, afirmou que o país está solidário com a Roménia, criticando “mais uma incursão de drones russos” em país da NATO. “Isto não se pode tornar uma nova realidade a que simplesmente nos habituamos”, disse a governante, que demonstrou “solidariedade total com a Roménia e o seu povo”.

A líder lituana acrescentou, ainda, que o incidente com o drone russo “sublinha a necessidade urgente de pressão máxima à Rússia para pôr fim a esta guerra brutal e criminosa, de prestar um apoio mais forte à Ucrânia e de adotar passos decisivos para fortalecer o flanco leste da NATO”.

É a primeira vez que um drone russo entra no espaço aéreo de um país da UE e da NATO?

Esta não é a primeira vez que um drone russo (ou de origem russa) entra no espaço aéreo de um país membro da União Europeia e da NATO. Em setembro de 2025, a Polónia sofreu uma incursão massiva de 19 drones russos que cruzaram a sua fronteira ao longo de várias horas, forçando o acionamento de caças da NATO e resultando no abate de várias dessas aeronaves.

Na altura, o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, em coordenação com a presidência do país, submeteu um pedido formal à NATO para acionar o Artigo 4º, tendo os embaixadores dos países da NATO reunido em Bruxelas para avaliar a ameaça e coordenar uma resposta diplomática e militar coletiva.

O Artigo 4.º, um conflito aberto “mais perto” e a Rússia a negar. 5 respostas sobre os drones na Polónia que fizeram a NATO intervir

No entanto não era a primeira vez que a Polónia registava incidentes relacionados com ações militares russas. Em fevereiro do mesmo ano, um avião militar de Moscovo entrou brevemente no espaço aéreo polaco, alegadamente por erro de navegação. Em agosto de 2024, foi detetado um possível drone após ataques russos à Ucrânia, mas nunca foram encontrados destroços. Já em março de 2024, um míssil russo atravessou temporariamente o espaço aéreo polaco antes de seguir para a Ucrânia, levando a NATO a mobilizar caças.

Também a Roménia, Lituânia, Letónia e Moldávia já registaram invasões momentâneas do seu espaço aéreo por drones ou mísseis que se suspeitou serem russos ou estarem relacionados com a guerra na Ucrânia. A 8 de setembro de 2025, um drone russo já tinha violado o espaço aéreo romeno durante ataques noturnos na Ucrânia, o que obrigou as forças armadas nacionais a enviar aviões de combate F-16 para monitorizar o espaço aéreo do país.

“Atos irresponsáveis e perigosos.” Drones russos violam espaço aéreo da Letónia e Roménia, dois países da NATO

Em setembro de 2025, foram detetados drones perto de cinco aeroportos dinamarqueses: Copenhaga, Aalborg, Billund, Esbjerg e Sonderborg, no que as autoridades dizem ter sido um “ataque coordenado”. Já na Noruega, de acordo com a agência Reuters, o espaço aéreo em torno do aeroporto de Oslo foi encerrado durante cerca de três horas no dia 23 de setembro do ano passado, devido ao avistamento de drones.

Em França, drones não identificados sobrevoaram a base militar de Mourmelon-le-Grand durante a noite de 22 de setembro de 2025. Os aparelhos que foram avistados não eram “drones pilotados por militares”, afirmou na altura a delegação militar do departamento ao jornal francês L’Union.

Três dias depois, o estado de Schleswig-Holstein, no norte da Alemanha, que faz fronteira com a Dinamarca, detetou vários drones. “A polícia estatal está a intensificar significativamente as suas medidas de defesa contra drones, também em coordenação com outros estados do norte da Alemanha”, referiu Sabine Sütterlin-Waack, ministra do Interior daquele estado.

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▲ A cidade de Galati, no sul da Roménia, fica junto à fronteira ucraniana

Anadolu via Getty Images

Rússia responde: “Acusações sobre drones em países da UE são todas infundadas”

Maria Zakharova, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, reagiu ao anúncio de que a Roménia declarou o cônsul-geral persona non grata e ordenou o encerramento do Consulado Geral na Roménia. “Medidas retaliatórias em relação à declaração do cônsul-geral russo como persona non grata e ao encerramento do consulado-geral não tardarão a chegar”, disse à agência TASS.

Além disso, a porta-voz da diplomacia russa considerou que as afirmações sobre drones em países da União Europeia “são todas infundadas”. “Todas as acusações que ouvimos, em particular as relativas a drones algures nos países da União Europeia, são todas infundadas. Não foi apresentado um único facto, elemento ou prova concreta”, citou o The Guardian.

Em declarações aos jornalistas, na tarde desta sexta-feira, Vladimir Putin afirmou que “apenas ouviu falar sobre o incidente” e rejeitou as críticas internacionais, afirmando que o equipamento deveria ser entregue a Moscovo para que o país possa conduzir a sua própria investigação.

Putin sugeriu, ainda, que o drone poderia ser ucraniano, ao referir que aparelhos ucranianos voaram pelo espaço aéreo da Polónia e países do Báltico no passado. “Acho que temos a mesma situação aqui”, sublinhou.

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