1232,3kWh poupados 1232,3 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

GettyImages-2237900070
i

POOL/AFP via Getty Images

POOL/AFP via Getty Images

Em ano de intercalares, aposta de Trump na política externa pode unir EUA "à volta da bandeira" ou resultar em "desastre"

Republicanos querem focar-se na economia para evitar provável vitória democrata. Trump insiste na política externa mas tema só ganha votos em casos muito atípicos e pode contribuir para perder alguns.

    Índice

    Índice

Passaram quase 14 anos de uma eleição altamente atípica na História dos Estados Unidos. No dia 5 de novembro de 2002, milhões de eleitores norte-americanos dirigiram-se às urnas para votar nas eleições intercalares, as eleições entre dois ciclos presidenciais, em que o partido que ocupa a Casa Branca tem tendência a ser castigado e a sair derrotado. Contudo, nesse dia, o Partido Republicano de George W. Bush não só venceu as eleições, como conseguiu mesmo inverter o controlo do Senado. Em 2026, outro Presidente republicano quer repetir o feito e inverter tendências históricas.

A exceção à regra que explica os resultados de 2002 é o 11 de Setembro. Mais precisamente: “A popularidade do Presidente no rescaldo dos ataques terroristas do 11 de Setembro”, apontam dois cientistas políticos que estudaram esta tendência num artigo de 2024. Ao longo da História moderna, as surpresas nos resultados têm sido causados por eventos disruptivos. Há 14 anos, esse evento foi o atentado terrorista e a resposta firme de Bush, que gerou um efeito unificador e patriota que acabou por beneficiar os republicanos.

Agora, Donald Trump propõe-se a vencer as eleições intercalares com o mesmo tema que o mobilizou na campanha vitoriosa de 2024: o custo de vida. A bandeira foi selecionada por vários membros do Partido Republicano (e do Partido Democrata) e mencionada diretamente pelo Presidente quando, no início deste mês, se reuniu com congressistas republicanos e lhes pediu que trabalhem para uma vitória, admitindo que tem um motivo muito pessoal para querer evitar que os democratas ganhem: “Se não ganharmos as intercalares, eles vão encontrar forma de me destituir”. Na mesma ocasião, o Presidente também sugeriu cancelar as eleições, ideia que repetiu depois em entrevista à Reuters. Mas a ideia acabou desvalorizada como uma “piada” pela porta-voz da Presidência.

Apesar de selecionado o foco da economia interna, as ações do Presidente no mesmo período de tempo têm sido particularmente visíveis na área da política externa. Entre ataques na Nigéria e na Síria, a operação na Venezuela que derrubou Nicolás Maduro, a pressão sob o Irão, um interesse renovado na Gronelândia, a abordagem contínua de barcos no Mar das Caraíbas e ainda ameaças contra a Colômbia, Cuba e até o México, bem como as intervenções nas guerras do Médio Oriente e na Ucrânia, a política externa dos EUA tem tido lugar cativo na agenda política, mediática e eleitoral do país. A dissonância entre as palavras e as ações dividiram Washington e fizeram soar alertas internos sobre a possibilidade de o expansionismo poder prejudicar os resultados eleitorais do próximo mês de novembro.

GettyImages-2254061755

▲ A política externa agressiva da administração Trump dominaram as primeiras semanas do novo ano

White House via Getty Images

Porém, os alertas coexistem com uma leitura completamente oposta da situação. “Nesta altura, estas ações podem criar um efeito unificador à volta da bandeira“, aponta Geoffrey Kabaservice ao Observador. A expressão utilizada pelo diretor de estudos políticos no think tank Niskanen Center é a mesma que ajuda a explicar o sucesso atípico de Bush em 2002 — e levanta a questão: Donald Trump será capaz de o replicar?

Menos ataques no estrangeiro, mais foco em baixar preços: o alerta dos aliados a Donald Trump

“A inflação parou, os salários subiram, os preços desceram”. Foi assim que Donald Trump fez o balanço da economia norte-americana no fim do seu primeiro ano na Casa Branca. Apesar da desinformação — a inflação baixou ligeiramente, mas não “parou” —, a frase tornou-se quase um lema, que foi sendo repetido em intervenções já em 2026, em que antecipou as intercalares. “É uma eleição sobre preços altos“, assinalou esta semana, durante um discurso em Detroit, no swing state do Michigan. O foco no custo de vida vai ao encontro dos eleitores: 43% dos norte-americanos definiram preocupações com as finanças pessoais como uma das prioridades para este novo ano, segundo uma sondagem publicada no final de 2025.

Contudo, as palavras do Presidente sobre o custo de vida são muitas vezes ofuscadas, nas suas longas intervenções (a próxima deve ser a do Estado da União, a 24 de fevereiro), pela atenção que dá a uma outra matéria. A política externa tem sido uma das prioridades de Trump no segundo mandato, da tentativa de mediar o fim da guerra na Ucrânia, à assinatura de um acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza. Mas 2026 trouxe um interesse reforçado pelo palco internacional, que vai além de um desejo de pôr fim a guerras. Em pouco mais de duas semanas do novo ano, o chefe de Estado já atacou a Venezuela e disparou ameaças em muitas outras direções.

A ação presidencial terá preocupado algumas pessoas na sua administração, com destaque para a chefe de gabinete Susie Wiles e o vice-presidente JD Vance, avançou a Reuters, citando dois responsáveis da Casa Branca com conhecimento do funcionamento interno do Governo. Nas reuniões de trabalho, as intervenções de Vance, em particular, têm funcionado principalmente para tentar encarrilar as prioridades do Presidente e conduzir a sua atenção para questões como os preços da alimentação, da habitação e da saúde.

"Suspeito que as intervenções externas vão ser utilizadas [pelo Partido Democrata] para relembrar os eleitores que [Trump] não está focado nas coisas que o elegeram para fazer."
Berwood Yost, diretor do centro de pesquisa da Franklin & Marshall College, na Pensilvânia

As preocupações estendem-se da Casa Branca ao Capitólio, onde a maior parte dos congressistas republicanos começa a preparar a ida às urnas. Mesmo aqueles que não se opuseram publicamente às ações de Trump temem, em privado, que a mensagem sobre o custo de vida acabe engolida pelas ações no palco internacional, relata o Politico. “Ele precisa de se focar nas coisas de que os eleitores querem saber, não em renomear prédios ou outras coisas que não são assuntos de mesa de cozinha”, resume um estratega político que trabalha com vários destes congressistas à Reuters.

O risco é acrescido uma vez que o Partido Democrata também tem feito do custo de vida a sua bandeira — e a estratégia já deu frutos. Agora, os democratas podem também instrumentalizar o tema e a ação presidencial contra os republicanos. “Suspeito que as intervenções externas vão ser utilizadas para relembrar os eleitores que [Trump] não está focado nas coisas que o elegeram para fazer”, argumenta Berwood Yost, diretor do centro de pesquisa da Franklin & Marshall College, na Pensilvânia, ao Observador.

Política externa: área de ação do Presidente por excelência e tema para enquanto se esperam resultados da economia

“Baixar os preços e reconstruir a economia tem sido e continua a ser uma prioridade para o Presidente Trump. O Presidente tem deveres para cumprir como Commander-in-Chief e líder do mundo livre, mas o seu foco central continua a ser sempre o povo americano e o nosso país.” As declarações foram feitas pela porta-voz da Presidência, Karoline Leavitt, que assim desvalorizou as alegadas preocupações de membros da administração e congressistas do Partido.

A declaração, para além de garantir que o Presidente consegue trabalhar em duas frentes em simultâneo, também salienta o seu cargo como líder das Forças Armadas, uma das (muitas) características do sistema norte-americano que fazem da política externa uma área em que o Presidente tem mais autonomia — e onde a sua ação é particularmente visível no segundo mandato presidencial, como uma forma de consolidar um legado. Por estes motivos, o foco de Donald Trump na política externa não surpreende os analistas ouvidos pelo Observador, mesmo que a sua campanha tenha sido essencialmente sobre os problemas domésticos e na promessa de não envolver os Estados Unidos em conflitos no estrangeiro.

“Trump não é um isolacionista per se. Ele é um unilateralista. Portanto, ele não está a quebrar as suas regras ao rebentar barcos no Pacífico ou a derrubar Maduro na Venezuela, até com algumas intervenções passadas e possivelmente futuras no Irão. Ele não está a dizer que os Estados Unidos têm de entrar em guerra, de ocupar estes países, de construir nações. Ele só está a demonstrar o poder dos Estados Unidos“, elabora Geoffrey Kabaservice. Essa demonstração de força — desde que ande a par e passo com um foco no custo de vida — pode ser bem-vinda, pois reflete um Presidente ativo e capaz de tomar decisões difíceis, algo que os eleitores republicanos valorizam, destaca um especialista em sondagens do Partido Republicano.

GettyImages-2182919783

▲ Num cenário típico, o período decisivo das eleições intercalares só acontece durante o verão

Getty Images

A isto soma-se um outro fator. Apesar de o foco nas eleições intercalares começar logo no início do ano, estudos sobre sondagens mostram que a campanha só descola — e as sondagens só se tornam confiáveis — depois do Dia do Trabalhador. Ou seja, num cenário típico, as ações durante o verão são muito mais relevantes do que as ações de janeiro. Esta realidade acaba por favorecer a narrativa atual do Partido Republicano e de Donald Trump, que argumentam que os maus resultados da economia ainda são um sintoma da administração de Joe Biden, e garante algum tempo para inverter esta realidade. Caso sejam bem-sucedidos, podem entrar no período decisivo da campanha com um trunfo forte.

Por outro lado, uma ação forte e decisiva na política externa permite ocupar a mente dos eleitores e a agenda mediática até esse período. “O que é que vão dizer durante os próximos seis meses? ‘[Os resultados] vêm aí, vêm aí’? Ou fala-se sobre as coisas que também estão a ajudar o país?”, pondera Dave Carney, estratega republicano que colaborou na campanha de Donald Trump em 2024, ao The Washington Post. Mas o argumento mais forte de todos é um olhar macroeconómico que saliente as ligações entre a economia norte-americana e outros regimes. Ou seja, se uma ação no estrangeiro baixar, por exemplo, os preços dos combustíveis nos Estados Unidos, esta será mais facilmente justificada — e é precisamente esta uma de várias justificações que Washington tem utilizado para o ataque na Venezuela e que os republicanos tentam mobilizar para preparar terreno para as eleições.

Invasões, guerras e aumento de preços. Os “desastres” que podem efetivamente prejudicar Trump

Quando, em outubro de 2001, os Estados Unidos invadiram o Afeganistão, um mês depois do atentado contra o World Trade Center em Nova Iorque, 92% dos norte-americanos apoiavam a decisão. Um ano depois, o apoio mantinha-se e refletiu-se nas eleições intercalares. Mas, à medida que a guerra no Médio Oriente se foi arrastando, a opinião pública foi mudando. Passados 20 anos, quando os Estados Unidos finalmente se retiraram do Afeganistão, 62% dos norte-americanos achava que a guerra “não tinha valido a pena”.

A memória das guerras no Afeganistão e depois no Iraque marcam a sociedade norte-americana até hoje e a possibilidade de uma guerra prolongada não reúne nem perto do apoio que reunia em 2001. Isto é visível na opinião pública em relação aos ataques na Venezuela. Apesar de um terço dos norte-americanos apoiar a operação que derrubou Maduro, 72% da população teme que os Estados Unidos fiquem “demasiado envolvidos na Venezuela”. Ou seja, neste momento a política externa de Donald Trump não parece ter tido um impacto significativo na sua taxa de aprovação — a política externa é dos temas menos relevantes para os eleitores — mas, muito provavelmente, isso alterar-se-ia se os Estados Unidos prolongassem a sua ação no país.

GettyImages-2219522618

▲ O envio de tropas para o estrangeiro é apontado como um potencial "desastre" que pode prejudicar Trump

Middle East Images/AFP via Getty

Apesar de o valor ser diferente nos casos da Gronelândia ou do Irão, o sentimento por trás dos números não é muito diferente. “Se qualquer uma destas políticas ou ações resultar em desastres, então será um cenário muito diferente“, estima Geoffrey Kabaservice. Coloca-se a questão: o que é considerado um “desastre” para a administração Trump? A resposta, apontada de forma unânime pelos especialistas, é uma guerra generalizada. Outro cenário, seria a entrada em cena de tropas norte-americanas em solo estrangeiro com a existência de baixas significativas. Qualquer um dos cenários desafia a política de não intervencionismo e o lema da “America First” e, por esse mesmo motivo, parecem improváveis.

Ainda assim, qualquer cenário pode ser justificado por Donald Trump, acredita o especialista norte-americano. A leitura vai ao encontro das declarações do Presidente, durante uma longa entrevista ao New York Times, em que foi questionado sobre os limites ao seu poder no palco internacional. “Há uma coisa, a minha moral, a minha própria mente. Isso é a única coisa que me pode parar e é muito bom”, declarou, sendo de imediato confrontado com o Direito Internacional. “Eu não preciso do Direito Internacional”, retorquiu. Ora, um Presidente que se rege apenas pela sua própria moralidade, facilmente justifica qualquer resultado das suas próprias ações.

O analista do Niskanen Center argumenta ainda que existe um outro cenário desastroso. “Qualquer coisa que acelere o preço do petróleo e de outras matérias-primas. Porque, uma vez mais, o custo de vida faz parte do que Trump quer fazer”, indica. O especialista acredita que qualquer outro cenário menos bom — como transições democráticas falhadas e convulsões internas nos países visados — não afetam os Estados Unidos o suficiente para serem “um desastre”. E, por isso, é improvável que sejam considerados pelos eleitores em novembro.

“Pôr Trump no boletim”: trunfo junto dos abstencionistas ou “empecilho” em distritos roxos?

Quando milhões de eleitores norte-americanos se dirigirem às urnas em novembro deste ano, vão poder eleger 35 senadores (pouco mais de um terço do plenário), 435 representantes (o plenário completo), 39 governadores e dezenas de políticos locais. Em nenhum dos milhões de boletins que serão preenchidos estará o nome de Donald Trump. Ainda assim, o Presidente é o centro da eleição.

Uma parte da explicação prende-se com o facto de, dado o sistema presidencial, os eleitores utilizarem as eleições entre ciclos presidenciais para castigar o partido do Presidente em funções, mais do que desempenho dos congressistas — uma tendência que é quebrada pelos tais eventos históricos significativos, como o 11 de Setembro. “O partido na Casa Branca tende a sofrer só pelo facto de estar em exercício de funções“, simplifica o professor Berwood Yost. Mas, em 2026, os republicanos decidiram forçar ainda mais este foco. “Nós vamos pôr [Donald Trump] no boletim de voto, porque muitos dos eleitores de baixa propensão são eleitores de Trump”, justificou Susie Wiles numa entrevista recente.

"Trump pode tornar-se um empecilho para candidatos republicanos em grupos como independentes, hispânicos, mulheres e até entre os jovens. Há algumas provas que os jovens, especialmente os homens jovens, se estão a fartar de Donald Trump."
Geoffrey Kabaservice, diretor de estudos políticos no think tank Niskanen Center

A estratégia tem uma fragilidade: a taxa de desaprovação de Trump está nos 59%, uma das mais altas no segundo mandato, enquanto a taxa de aprovação não passa dos 40%. Para os congressistas que se candidatam em distritos ou estados “roxos” — que tanto votam democrata como republicano —, a proximidade ao Presidente pode tornar-se uma desvantagem. “Trump pode tornar-se um empecilho para candidatos republicanos em grupos como independentes, hispânicos, mulheres e até entre os jovens. Há algumas provas que os jovens, especialmente os homens jovens, se estão a fartar de Donald Trump”, destaca Geoffrey Kabaservice.

A insatisfação dos republicanos terá sido demonstrada em privado, com telefonemas e apelos diretos ao Presidente — principalmente no que toca às declarações sobre a Gronelândia, um aliado no âmbito da NATO —, mas já passou para a dimensão pública. Nas últimas semanas, vários congressistas republicanos votaram ao lado dos democratas em votações para limitar os poderes do Presidente, estender os subsídios do Obamacare por mais três anos, ou homenagear com uma placa no Capitólio os polícias que enfrentaram os manifestantes no 6 de Janeiro de 2021.

O desafio ao poder presidencial e à narrativa de Donald Trump valeu-lhes uma reprimenda pública, em que defendeu que “nunca mais deviam ser eleitos”, mas também telefonemas irados do próprio Presidente. As fraturas na grande coligação que Trump conseguiu criar dentro do Partido Republicano não põem em risco apenas as eleições de novembro. Historicamente, as intercalares marcam também o momento em que os candidatos para as presidenciais se começam a afirmar. Pondo de lado a insistência (inconstitucional) de um terceiro mandato de Trump, uma cisão dos republicanos afeta também as potenciais aspirações presidenciais de alguns dos seus aliados mais próximos, como o vice, JD Vance, ou o secretário de Estado, Marco Rubio.

“Tudo joga a favor dos democratas”, mas sistema eleitoral e pressão de Trump dificultam “onda azul”

O ênfase na política externa em vez de nas promessas eleitorais, a agressividade das suas intervenções no estrangeiro, o foco atual do Partido Democrata no custo de vida, a falta de melhorias significativas na economia norte-americana e as tendências históricas das intercalares. “Neste momento, todas estas questões jogam a favor dos democratas”, sintetiza Berwood Yost ao Observador.

Alguns analistas vão mais longe e antecipam uma “onda azul”, em que o Partido Democrata consiga inverter as margens curtas dos republicanos e recuperar o controlo das duas câmaras do Congresso, o que permitiria travar as iniciativas legislativas de Trump durante a segunda metade do seu mandato. Mas Geoffrey Kabaservice argumenta que o provável crescimento democrata pode não ser assim tão expressivo.

epa11704444 Voting results in the 2024 presidential election are reported on a television at the Union Pub in Washington, DC, USA, 05 November 2024. Voters across the country cast ballots today for President of the United States in a tightly contested race between Republican presidential candidate Donald J. Trump and Democratic presidential candidate US Vice President Kamala Harris, as well as for candidates in congressional and local races.  EPA/WILL OLIVER

▲ O gerrymandering e a polarização da política dificultam mudanças abruptas na distribuição de lugares

WILL OLIVER/EPA

Por um lado, a crescente polarização do sistema e da sociedade norte-americana e o recurso ao gerrymandering (a manipulação do desenho dos distritos eleitorais, de forma a maximizar o número de eleitores de um dado partido nesse distrito) dificultam uma mudança tão abrupta de sentido — como aconteceu em 2018, quando os democratas ganharam 40 lugares. Nesta legislatura, isso reflete-se no facto de haver menos círculos eleitorais roxos: apenas três congressistas republicanos foram eleitos em distritos onde Kamala Harris ficou à frente de Donald Trump em 2024 e apenas três estados têm senadores dos dois partidos. Há algumas décadas, quase metade dos Estados tinha um senador de cada partido, salienta o Washington Post.

Por outro lado, os Estados Unidos assistem a um número recorde de desistências: onze senadores e 47 congressistas já decidiram não se recandidatar. No caso dos republicanos, Geoffrey Kabaservice justifica os anúncios com a já descrita pressão de Trump sobre os congressistas dissidentes. “Muitas pessoas que assumiram uma postura corajosa entre os republicanos contra Donald Trump já não estão na política“, aponta, salientando o caso de Marjorie Taylor Greene que foi de nome cimeiro do movimento MAGA a persona non grata.

“Todos os incentivos são para ficarem do lado de Trump, mesmo que percam [as eleições] porque vão ter futuro na política. Se discordarem de Trump, até podem ganhar a eleição, mas o futuro político no Partido Republicano acabou porque Trump guarda ressentimentos — e os seus eleitores também”, acrescenta.

Esta forma de Donald Trump governar pode evitar um cenário de desastre total nas eleições intercalares. Contudo, também leva os seus adversários políticos a considerá-lo “um perigo”. “[Líderes] autoritários não abdicam do poder. Quando fragilizados e encurralados, eles atacam”, acusa Ezra Levin, fundador de um grupo progressista de protesto, à Associated Press. O próprio Presidente não parece particularmente disponível a aceitar uma derrota. Questionado sobre se respeitaria os resultados das intercalares em caso de vitória democrata, Donald Trump insistiu em utilizar uma adversativa: “Eu respeito sempre, mas as eleições neste país são manipuladas“.

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.