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A primeira reunião que tiveram durou 7 minutos. Gouveia e Melo acabava de se tornar coordenador do plano de vacinação — missão que terminou esta terça-feira — e o bastonário da Ordem dos Médicos pediu-lhe uma reunião urgente. No dia seguinte ao pedido feito, o encontro aconteceu. O vice-almirante sabia na ponta da língua as principais exigências que os dois médicos presentes, Miguel Guimarães e Filipe Froes, lhe levavam. E até concordava com elas. Sem necessidade de enumerar o que todos sabiam de cor, rapidamente ficou resolvida a maior dor de cabeça do bastonário daquela altura: a vacinação prioritária dos médicos da rede privada.

Prático é um dos adjetivos que o bastonário Miguel Guimarães escolhe para descrever o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, “um militar típico, de respostas diretas, sim e não, que não perde tempo com floreados”. Aplaude-lhe o ter criado boas pontes com os parceiros institucionais, elogia-lhe a simpatia e garante ser “a pessoa certa no lugar certo” para garantir ordem no processo de vacinação, algo que ameaçava falhar nas primeiras semanas.

Ser a pessoa certa (ou não) depende do ponto de vista de cada um e não é esse, certamente, o dos negacionistas da Covid-19. A 15 de agosto, Gouveia e Melo foi insultado e apelidado de assassino por dezenas de manifestantes anti-vacinação no Pavilhão Multiusos de Odivelas, onde eram vacinados jovens de 16 e 17 anos. A sua resposta foi curta: “O obscurantismo no século XXI continua.” Desde então, mesmo que contra a sua vontade, o vice-almirante tem proteção 24 horas por dia de elementos de elite da PSP.

Ser militar típico não é sinónimo de manter distância nas relações. Pelo contrário. “Quem lhe escreve tem resposta no próprio dia ou no dia seguinte”, diz o bastonário dos Médicos que deu esse conselho a uma jovem que o procurou. Tinha pouco mais de 20 anos, ia seguir para uma missão humanitária num país africano de língua portuguesa e gostava de ser vacinada antes da viagem, embora não fizesse parte de nenhum grupo prioritário. Seguiu o conselho de Miguel Guimarães, expôs a sua situação à equipa do vice-almirante e seguiu para África já vacinada.

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