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▲"Nashama", que em português significa "bravos cavaleiros", é a alcunha da seleção jordana

AFP via Getty Images

▲"Nashama", que em português significa "bravos cavaleiros", é a alcunha da seleção jordana

AFP via Getty Images

Jordânia (grupo J). O sonho comanda a vida de quem nasceu entre guerras e tem fogo para ir além

Depois de várias tentativas, a melhor geração de sempre da Jordânia fez história num país que continua marcado por tudo menos o que é futebol. Príncipe e Nelo Vingada fazem parte do crescimento.

À décima foi de vez. Para qualquer outra seleção, o inédito apuramento para o Campeonato do Mundo, ao cabo de dez tentativas na fase de qualificação, seria destaque pela quantidade de vezes que o país bateu na trave. No caso da Jordânia não é bem assim. O feito alcançado pela seleção jordana é bem maior do que uma simples qualificação para a maior competição do mundo. Num país marcado pela instabilidade e pelos conflitos vizinhos, que o transformaram num dos refúgios para as populações deslocadas, o futebol acabou por ser a salvação de um povo que se uniu como nunca em torno do desporto-rei. Foi num Médio Oriente marcado pela instabilidade e pelas guerras em Gaza e no Irão que os nashama se superaram, tornando-se num símbolo de afirmação de um país que deixou de lutar pela sobrevivência, ainda que seja apenas no futebol.

Em campo, porém, o apuramento não foi conseguido como obra do acaso. Nas últimas décadas, a estratégia de algumas seleções árabes, do Médio Oriente e da Ásia passou pelo “recrutamento” de jogadores com formação europeia ou com ligações ao país. Nesse leque incluem-se jogadores de todas as nacionalidades, incluindo portugueses e, apesar de o caso ter sido mais marcado noutras modalidades – como no futsal, o que levou a FIFA a tomar medidas –, o futebol não foi exceção. Ainda assim, a Jordânia acabou por não seguir essa estratégia e optou por crescer com base no talento local e na diáspora jordana, algo que ainda se reflete na seleção atual. Se olharmos aos 30 jogadores pré-convocados por Jamal Sellami para o Mundial-2026, apenas 14 não jogam no Campeonato da Jordânia e, desse leque, somente cinco não atuam no Médio Oriente ou no norte de África.

Segundo os críticos, foi com a melhor geração do país que a Jordânia se conseguiu apurar para a América do Norte, já depois de ter chegado, de forma inédita, à final da Taça da Ásia em 2024. A profissionalização dos jogadores jordanos no estrangeiro faz igualmente parte do crescimento do futebol no país, juntando-se ao investimento do príncipe Ali bin Al Hussein, que é o terceiro filho do rei, tendo a seu cargo a presidência da federação e a vice-presidência da FIFA para o futebol asiático. Com o marroquino Jamal Sellami, que se destacou no futebol local, a Jordânia ganhou uma dimensão internacional que nunca teve, com Musa Al-Taamari e Ali Olwan a alavancarem o país nesse aspeto. Contudo, a estreia dos jordanos promete ser tudo menos fácil, já que a equipa vai defrontar os atuais campeões do mundo e projetos consolidados na Europa e em África.

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▲ A Jordânia está pela primeira vez na fase final de um Mundial

NurPhoto via Getty Images

BI

  • Ranking FIFA atual: 63.º (a 1 de abril de 2026)
  • Melhor ranking FIFA: 37.º (agosto a setembro de 2004)
  • Patrocinador: Kelme (desde 2024)
  • Alcunha: Os Bravos Cavaleiros
  • Presenças em fases finais: estreia
  • Última participação: –
  • Melhor resultado: –
  • Qualificação: 1.º lugar no grupo G da 2.ª ronda AFC (13 pontos em 6 jogos com Arábia Saudita, Tajiquistão e Paquistão) e 2.º lugar no grupo B da 3.ª ronda AFC (22 pontos em 10 jogos com Coreia do Sul, Iraque, Omã, Palestina e Kuwait)
  • O que seria um bom resultado? Pontuar

Jogos desde junho de 2025

  • Jogo particular, 7/6: Colômbia (neutro)
  • Jogo particular, 31/5: Suíça (fora), 1-4 (D)
  • Jogo particular, 31/3: Nigéria (neutro), 2-2 (E)
  • Jogo particular, 27/3: Costa Rica (neutro), 2-2 (E)
  • Taça Árabe, 18/12: Marrocos (neutro), 2-3 a.p. (D)
  • Taça Árabe, 15/12: Árabia Saudita (neutro), 1-0 (V)
  • Taça Árabe, 12/12: Iraque (neutro), 1-0 (V)
  • Taça Árabe, 9/12: Egito (neutro), 3-0 (V)
  • Taça Árabe, 6/12: Kuwait (neutro), 3-1 (V)
  • Taça Árabe, 3/12: EAU (neutro), 2-1 (V)
  • Jogo particular, 18/11: Mali (neutro), 0-0 (E)
  • Jogo particular, 14/11: Tunísia (neutro), 2-3 (D)
  • Jogo particular, 14/10: Albânia (fora), 2-4 (D)
  • Jogo particular, 10/10: Bolívia (neutro), 0-1 (D)
  • Jogo particular, 9/9: Rep. Dominicana (casa), 3-0 (E)
  • Jogo particular, 4/9: Rússia (neutro), 0-0 (E)
  • Qualificação AFC, 10/6: Iraque (casa), 0-1 (D)
  • Qualificação AFC, 5/6: Omã (fora), 3-0 (V)

O onze

  • 3x4x3: Yazeed Abulaila; Abdallah Nasib, Yazan Al-Arab, Saed Al-Rosan; Adham Al-Quraishi, Noor Al-Rawabdeh, Nizar Al-Rashdan, Mohammad Taha; Musa Al-Taamari, Yazan Al-Naimat e Ali Olwan

O treinador

  • Jamal Sellami (marroquino, 55 anos, desde agosto de 2024)
  • Outros clubes: Hassania Agadir, DHJ El Jadida, Marrocos Sub-17, Raja Cablanca e FUS Rabat
  • Títulos (3): 1 Taça da União das Associações de Futebol Árabe, 1 Taça da Confederação Africana e 1 Liga marroquina
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▲ Jamal Sellami orienta a seleção da Jordânia desde 2024

Getty Images

O craque

  • Musa Al-Taamari (28 anos, avançado dos franceses do Rennes)
  • Outros clubes: Shabab Al Ordon, Al Jazeera, APOEL Nicósia, Leuven e Montpellier

A revelação

  • Ali Olwan (26 anos, avançado dos qataris do Al Sailiya)
  • Outros clubes: Al Jazeera, Al Shamal e Selangor

O mais internacional e o maior goleador

  • Amer Shafi (171 internacionalizações) e Hamza Al-Dardour (33 golos)
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▲ Musa Al-Tamari é um dos poucos jogadores da Jordânia que atua na Europa

Getty Images

Os 26 convocados

  • Guarda-redes (3): Yazeed Abulaila (Al-Hussein, Jordânia), Abdallah Al-Fakhouri (Al Wehdat, Jordânia) e Nour Bani Attiah (Al Faisaly, Jordânia)
  • Defesas (9): Ihsan Haddad (Al-Hussein, Jordânia), Yazan Al-Arab (FC Seoul, Coreia do Sul), Abdallah Nasib (Al Zawraa, Iraque), Saed Al-Rosan (Al-Hussein, Jordânia), Husam Abu Dahab (Al Faisaly, Jordânia), Mo Abualnadi (Selangor, Malásia), Salim Obaid (Al-Hussein, Jordânia), Mohammad Abu Hashish (Al-Karma, Jordânia) e Anas Badawi (Al Faisaly, Jordânia)
  • Médios (7): Amer Jamous (Al-Zawraa, Iraque), Noor Al-Rawabdeh (Selangor, Malásia), Rajaei Ayed (Al-Hussein, Jordânia), Ibrahim Sadeh (Al-Karma, Iraque), Mohannad Abu Taha (Al-Quwa Al-Jawiya, Iraque), Nizar Al-Rashdan (Qatar SC, Qatar) e Mohammad Al-Dawoud (Al-Wehdat, Jordânia)
  • Avançados (7): Mohammad Abu Zrayq (Raja Casablanca, Marrocos), Ali Olwan (Al-Sailiya, Qatar), Musa Al-Taamari (Rennes, França), Odeh Al-Fakhouri (Pyramids, Egito), Mahmoud Al-Mardi (Al-Hussein, Jordânia), Ibrahim Sabra (Lokomotiv Zagreb, Croácia) e Ali Azaizeh (Al-Shabab, Arábia Saudita)

O local do estágio

  • The Nines Hotel, em Portland (treinos: University of Portland, em Portland)

A antevisão

"Senti alívio e muita felicidade pelo apuramento, porque este é o meu trabalho: motivar os outros a sentirem orgulho, a sentirem-se felizes e a concretizarem os seus sonhos. Como treinador, naturalmente, fizemos parte dessa conquista, contribuímos para este feito histórico e para este sonho que o futebol jordano concretizou. É muito importante garantir que o grupo esteja em forma e pronto para representar o futebol jordano no Mundial. Uma das nossas principais preocupações são as lesões recorrentes dos jogadores."
Jamal Sellami, selecionador jordano

A ligação a Portugal

  • Nelo Vingada é o principal elo da ligação entre a Jordânia e Portugal, depois de ter treinado a seleção asiática entre 2007 e 2009, numa altura em que a federação local procurava um líder para a qualificação para o Campeonato do Mundo de 2010. O treinador foi o escolhido e acabou por ficar ligado à etapa de crescimento da Jordânia. Com Vingada, os jordanos chegaram à final do Campeonato da Ásia Ocidental de 2008, mostrando capacidade de competir a nível regional. Fora dos relvados, os dois países têm em vigor diversos acordos bilaterais desde a década de 70 do século passado, incluindo no desporto, ainda que o futebol não seja destacado.

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