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TOMÁS SILVA/OBSERVADOR

TOMÁS SILVA/OBSERVADOR

"Luís Montenegro está a ocultar as causas do apagão"

André Ventura considera que Montenegro e Sánchez estão a esconder as causas do apagão aos cidadãos. Em entrevista, líder do Chega defende remigração, incluindo de imigrantes legais.

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André Ventura acredita que Luís Montenegro está a esconder dos portugueses as causas do apagão de dia 28 de Abril. Num Sob Escuta especial Legislativas, o líder do Chega defendeu também a “remigração” ao admitir expulsar de imigrantes, mesmo que sejam legais, se “colocarem em causa a cultura portuguesa”. André Ventura diz mesmo de forma direta que o país não deve receber “mais pessoas do Afeganistão e do Paquistão”.

O líder do Chega elogia ainda a eficácia da polícia na carga policial que deu em elementos de grupos da extrema-direita no dia 25 de Abril, mas volta a criticar Carlos Moedas por não ter permitido a manifestação noutros moldes.

André Ventura admite ainda viabilizar um programa de Governo de Montenegro, pois embora considere que não tem “condições para ser primeiro-ministro nestas circunstâncias (…) às vezes o povo toma decisões diferentes”. Isso a juntar a uma garantia: “Não vamos ser um fator de instabilidade”.

[Veja aqui a entrevista a André Ventura na íntegra]

Deputada do Chega julgada: “Faremos uma avaliação se Cristina Rodrigues for condenada”

A deputada Cristina Rodrigues é novamente candidata nestas eleições apesar de ter sido acusada pelo Ministério Público da “prática de um crime de dano relativo a programas ou outros dados informáticos”, que terá sido cometido na altura em que estava de saída do PAN. Uma pessoa que foi acusada pelo Ministério Público e que está a ser julgada pode ser candidata a deputada do Chega?
Este processo da Cristina Rodrigues é um processo político.

O Ministério Público está a fazer uma acusação política?
Não, não, sobretudo quem fez a acusação primária, que foi o PAN. A Cristina Rodrigues era secretária-geral, tinha funções de coordenação e de gestão de informação, e houve uma questão no PAN que levou à cisão. A Cristina Rodrigues tinha acesso àqueles e-mails, não entrou ilegitimamente porque era ela que geria esses e-mails.

Mas apagou-os ilegitimamente, segundo o Ministério Público.
Alguns guardava em pastas, outros apagou. Isto é uma vingança do PAN por ter visto uma deputada, provavelmente a deputada com mais valor, sair e vir para o Chega. Ver o PAN tornar-se um projeto praticamente irrelevante, passar para um deputado e praticamente estar à beira do desaparecimento, e [a Cristina Rodrigues] estar num partido vencedor. Não podemos confundir isto com andar a roubar ou com andar a desviar dinheiro. Estamos a falar de um litígio entre um partido e uma pessoa em que toda a gente percebe que estamos a falar de uma líder que não suporta a outra deputada e que está atrás dela e a persegui-la ilegitimamente.

Segundo o Ministério Público, “a ilicitude da conduta é muito elevada”.
Vamos aguardar. Quando fui julgado na Covid a ilicitude da conduta também era muito elevada e fui absolvido. Tive três anos em que disse claramente que o que tinha feito era absolutamente legítimo, estava a fazer campanha presidencial.

Mas qual é o critério de exclusão do Chega quando escolhe candidatos?
É o respeito pelos contribuintes e pelo erário público e o respeito por não se cometer crimes que atentem ao erário público. Já fui acusado por ter dito que os ciganos tinham de trabalhar. Não podia ser candidato?

Quando é que alguém pode ou não ser candidato pelo Chega? É só quando há uma acusação num crime contra o erário público?
É quando o crime mete em causa a idoneidade do trabalho político e público, que não creio que seja o caso. Acho que isto é uma pura perseguição do PAN à Cristina Rodrigues. Diria o mesmo de outro deputado qualquer que estivesse envolvido numa questão em que um antigo partido acusa uma antiga deputada. Parece-me uma pura perseguição. No Chega temos visto isso, pessoas que saem e dizem as coisas mais aviltantes. Eu próprio também já fui acusado, até pela Mariana Mortágua, criminalmente. Então, não poderia ser deputado? A Mariana Mortágua acusou-me de a difamar, fui até à fase da instrução. A Associação SOS Racismo acusou-me de difamar os ciganos e as minorias. Não podia ser candidato?

Aqui não é difamação.
Mas é um crime também.

Então, o critério de exclusão é o que o André Ventura entender
É a seriedade.

É o que o André Ventura entender — é caso a caso.
Não, não é o que o André Ventura entender.

Se entender que é um crime grave, é excluído; se não entender não é.
É o que todos os eleitores compreendem: o que é uma perseguição política e não é. É evidente que a gente compreende que se a Inês Sousa Real e o André Silva confiavam na Cristina Rodrigues para gerir os e-mails e agora a estão a acusar de ter apagado e-mails, é porque a querem perseguir. Foram eles que a nomearam para aquela posição, eles é que a colocaram lá.

Porque, segundo eles e segundo o Ministério Público, ela entretanto cometeu um crime.
Vamos ver.

E se ela for condenada?
Faremos nessa altura uma avaliação e cá estarei outra vez para explicar. Estou convencido de que vai ser absolvida porque isto é uma pura perseguição do PAN à Cristina Rodrigues.

[Espanha fez tudo o que devia para evitar o apagão? No podcast “A História do Dia“, só precisa de 15 minutos para ficar bem informado. Conversamos com os jornalistas da redação do Observador e com especialistas para lhe explicar tudo sobre a história mais importante do dia. E ainda lhe damos um resumo rápido das notícias que tem mesmo de saber. Pode ouvir aqui, na Apple Podcasts, no Spotify ou no Youtube Music]

Spinumviva: “Entrou dinheiro na esfera familiar de Luís Montenegro enquanto estava em funções”

Tem defendido que o primeiro-ministro deve revelar todos os clientes da Spinumviva. André Ventura trabalhou para a FinPartner, uma empresa de consultoria, contabilidade e fiscalidade, e nos primeiros nove meses até acumulou essa atividade com a função de deputado. Está disponível para revelar os seus clientes?
Há uma grande diferença: a empresa não é minha. Eu era o colaborador e não estava em exclusividade de funções, o primeiro-ministro está. Não podemos equiparar o que não é equiparável.

Os clientes da Spinumviva também são anteriores a ser primeiro-ministro.
Mas ele é dono da empresa, o dinheiro é dele, entrou-lhe diretamente. Isso não tem nada a ver com ser colaborador, evidentemente. Entrou-lhe na esfera familiar dinheiro enquanto estava em funções. Eu fui comentador de televisão, fui consultor, fui professor, isso são funções que nunca usei de maquilhagem, como Luís Montenegro fez, para ter rendimentos. Aí é que está o erro disto tudo.

Mas não viu nos os clientes da FinPartner nenhuma potencial incompatibilidade?
Nunca trabalhei com nenhum cliente da FinPartner especificamente, acompanhava a própria empresa naquilo que me era pedido e não clientes. Portanto, até estou completamente à vontade com isso.

Não havia nenhuma situação de incompatibilidade com as funções de deputado?
Tanto que eu declarava que não estava em exclusividade. Essa foi a diferença. Luís Montenegro esteve em exclusividade como primeiro-ministro, numa situação de recebimento que nós não conhecíamos.

TOMÁS SILVA/OBSERVADOR

Imigração: “Entre o original e a cópia, as pessoas escolhem sempre o original”

O Governo anunciou que 18 mil imigrantes que estão ilegais vão ser notificados para deixar o país nas próximas semanas. Está de acordo com a visibilidade que está a ser dada a estas ações?
Luís Montenegro e o ministro Leitão Amaro notificaram para sair 4.500 imigrantes, dizem que pode chegar a um determinado valor e confrontei o primeiro-ministro com isto: foram notificadas mais pessoas pelo Governo PS do que pelo Governo PSD. Ou seja, o Governo da AD não está a fazer nada de diferente em matéria de imigração.

Mas o Governo disse que ainda vão ser mais.
Mas estamos há um ano nisto. O Chega disse que a imigração é um problema, estamos a atingir um número insustentável de imigrantes. O que é que o Governo disse? Exagerado. O que é que muitos comentadores disseram? Exagerado. Hoje toda a gente nos dá razão. Era preciso controlar a imigração. No debate comigo, Luís Montenegro disse: “Eu vou controlar a imigração, vamos passar a ter uma imigração regulada”. Passou um ano, estamos com quase 2 milhões de pessoas no país — 1,6 ou 1,7 milhões —, o próprio primeiro-ministro disse ontem que não sabe onde é que estão muitas destas pessoas e vem dizer que notificou 4.500. Em 2017 foram notificadas 5.700.

Mas fez bem em publicitar isso?
É-me indiferente que publicite ou não.

É capaz de perder alguns votos com isso.
Não, não. Tenho encontrado muita gente que me diz “não me vou deixar enganar, sei bem quem quer controlar a imigração e quem não quer”. O PSD está a fazer este tipo de jogo publicamente. O Chega apresenta propostas de mudança da lei na nacionalidade, votam contra; apresenta propostas para quotas na imigração, votam contra; apresenta propostas para conter a imigração em vários aspectos e no acesso a vários serviços, votam contra. Depois vêm anunciar coisas que nós próprios já tínhamos dito. Vou deixar aqui uma mensagem a Luís Montenegro, que devia conhecer esta expressão portuguesa que as pessoas todas conhecem: quando se tem de escolher entre o original e a cópia, as pessoas escolhem sempre o original. Sempre. Nunca vão escolher a cópia. Luís Montenegro quer fazer uma cópia de André Ventura a 10 dias ou 12 dias das eleições — fica mal. Ainda por cima, toda a gente percebe. Temos cerca de 1 milhão e 600 mil imigrantes, muitos deles não sabemos onde estão. Por dados oficiais, 302 mil estão a descontar. Então, e os outros 1 milhão e 300 mil, o que é que estão a fazer? Estão a pagar a quem e a descontar para quem?

"A remigração [é a solução] em situações em que a presença massiva de pessoas de outras culturas mete em causa a nossa cultura. Deixe-me dar um exemplo: não é o mesmo recebermos uma pessoa de Espanha ou do Afeganistão ou do Paquistão. Não é o mesmo do ponto de vista civilizacional, não é o mesmo do ponto de vista cultural. Tem um impacto e um sentido de gravidade no sistema muito grande. Não podemos ter cá pessoas que acham que as mulheres são objetos ou que acham que as mulheres não podem ser livres ou que acham que os animais são para comer vivos. E portanto, aí sim, remigração. Temos de dizer a estas pessoas que não têm espaço na Europa."

Já percebemos que quer que os imigrantes ilegais sejam expulsos. Os legais também?
Não. Nós não podemos tratar os imigrantes legais e ilegais da mesma forma.

Se os 1,6 milhões fossem todos legais, não havia problema nenhum?
O erro teria estado no início, em dar-lhes a todos a legalização.

Mas se fossem todos pessoas cumpridoras, trabalhadoras, com contrato de trabalho, não havia problema?
Temos um país com 11 milhões de pessoas, não podemos receber, de forma descontrolada, fluxos massivos de pessoas. Não podemos.

Mas se fossem 1,6 milhões legais, o facto de ser uma percentagem significativa da população faria confusão ao Chega?
Não é confusão: está em causa o tecido social.

Mas quer colocar um limite no número de imigrantes que devem habitar em Portugal?
Para isso é que as quotas serviriam.

Mas estes já cá estão. Até pode colocar quotas para o futuro, mas e os que já cá estão?
Mas se foi cometido um erro a jusante não o vamos manter para sempre.

Então expulsa-se quem está a cumprir a lei para atingir esse limite?
Primeiro, temos de ver quem está legal e quem não está legal — quem não estiver legal tem que ser expulso e ser devolvido ao seu país de origem. Dois: quem comete crimes também deve ser expulso. E depois temos os que estão por regularizar e devemos fazer uma avaliação, que não fizemos até agora, nomeadamente do cadastro e verificar se tiveram antecedentes criminais. Três: os que estão legais e já estão a trabalhar e a descontar. Aí temos de ver situação a situação. Aqueles que já legalizámos e que a lei já não permite sequer mandá-los embora e aqueles que estão em condições de ter um período de autorização de residência enquanto têm um contrato de trabalho. E, no fim do contrato de trabalho, então podem ser enviados ou devolvidos ao seu país. O que não podemos é, obviamente, a meio de um contrato de trabalho, pegar nas pessoas que estão legais, com autorização, com trabalho, e dizer “olha, boa noite e até amanhã”.

Mas qual é critério utilizado?
É o critério de estar a descontar, é o critério de trabalhar num país que não pode receber toda a gente.

Está a dizer que as pessoas acabam o contrato de trabalho e são expulsas do país?
Se o país não conseguir aguentar mais pessoas para cá estarem porque não têm acesso à habitação, não têm acesso à saúde, não têm acesso à segurança social…

Mas defende um prazo para arranjarem um novo emprego?
O prazo está na lei. O que acontece é que o país recebeu das maiores percentagens de novos imigrantes em termos europeus. Neste momento, em termos de percentual comparativo com a Europa, estamos ao nível de outros países cuja situação de imigração é há muito tempo muito grave, como é o caso da Bélgica e da Suécia. E agora temos de ter um critério e tomar decisões. Acho que o melhor caminho para tomar decisões é este: quem está ilegal, sai; quem comete crimes, sai; quem está a trabalhar, está a descontar e está integrado, obviamente ficará enquanto estiver nesta situação.

A deputada Rita Matias escreveu no Twitter que “a remigração é a solução”. Concorda?
Acho que é uma solução nalgumas situações. A remigração está hoje muito em voga por ser um conceito devolutivo, é um conceito que choca mais as pessoas. Porém, em países até mais desenvolvidos que nós, como na Alemanha, na Suécia, é um conceito que começa a ganhar muito espaço político.

Na AfD?
A AfD teve 20% dos votos. Não estamos a falar de um país qualquer. É o maior país da Europa e mesmo na CDU há quem o defenda. Tanto que fizeram acordos com a AfD em matéria de imigração.

Mas no fundo é expulsar imigrantes que estão legais.
Em determinadas circunstâncias. Devemos começar por expulsar os ilegais — e já temos muitos, tanto que o primeiro-ministro disse que nem sabia onde é que eles estavam.

Disse que o mais provável era já nem estarem em Portugal.
O mais provável não é a resposta que passaram.

No seu conceito de remigração, expulsaria quem?
É expulsar aqueles que, estando cá, deixam de preencher condições contributivas. Temos defendido que as pessoas que cá estão têm de ter cinco anos de contribuições para poder ter acesso a benefícios sociais. Se não o cumprirem ou não adquirirem esse esforço contributivo devem sair também, porque estão a beneficiar de serviços públicos sem os pagar e os portugueses estão a ficar sem esses serviços públicos. Segundo: a remigração em situações em que a presença massiva de pessoas de outras culturas mete em causa a nossa cultura. Deixe-me dar um exemplo: não é o mesmo recebermos uma pessoa de Espanha ou do Afeganistão ou do Paquistão. Não é o mesmo do ponto de vista civilizacional, não é o mesmo do ponto de vista cultural. Tem um impacto e um sentido de gravidade no sistema muito grande.
Não podemos ter cá pessoas que acham que as mulheres são objetos ou que acham que as mulheres não podem ser livres ou que acham que os animais são para comer vivos. E portanto, aí sim, remigração. Temos de dizer a estas pessoas que não têm espaço na Europa.

Ou seja: imigrantes legais de países cuja cultura o Chega entende que não se adequa. Se forem muçulmanos têm de se ir embora?
Não é se forem muçulmanos têm de se ir embora. Se estiverem cá e não respeitarem os direitos das mulheres têm de se ir embora. Se estiverem cá e não respeitarem os direitos dos animais têm de se ir embora. Se estiverem cá e não respeitarem a nossa cultura cristã e quiserem tirar as cruzes das escolas têm de se ir embora. Se quiserem impor refeições específicas em escolas ou em instituições têm de se ir embora.

Mas se violarem a lei?
Se forem estruturalmente contra aquilo que é a nossa cultura. Porque um país com 11 milhões de pessoas que a médio prazo pode ter um milhão ou um milhão e meio fora da sua cultura é um país em risco. É um país em risco cultural, civilizacional e identitário. Nesses casos, a remigração é a solução.

Ou seja, seriam imigrantes legais que não violaram a lei mas que, por virem de uma cultura que o Chega entende que é mais dificilmente assimilável seriam expulsos. É isto, não é?
Não é por o Chega entender, é porque é, objetivamente. Alguém que acha que a mulher é um objeto não é o Chega que entende…

Haverá seguramente partidos políticos com visões diferentes.
Com certeza, mas não concebo que possam estar em Portugal pessoas que acham que agredir a mulher é normal.

Mas se está a falar de uma agressão a uma mulher, isso é um crime e já entra no lote dos imigrantes que o Chega quer expulsar porque cometeram um crime. A questão é quem não cometeu o crime e só tem de ser expulso por aquilo em que acredita.
Por acreditar que a mulher é um objeto. Isso não é compatível com a nossa cultura.

"É preciso, de facto, pessoas para trabalhar, mas não podemos deixar que aquela, entre aspas, "escumalha" criminosa que já invadiu o Brasil venha tomar conta agora de Portugal."

Essa remigração seria para já?
Está no âmbito do esforço que a direita europeia está a fazer, de não permitir que Portugal fique aculturado e perca a sua identidade. Não podemos permitir isso. O resultado da AfD na Alemanha tem uma razão: o descontrolo da imigração que Angela Merkel permitiu, no sul do país sobretudo. Se formos ao sul da Alemanha percebemos porque é que aquela vaga de sírios, afegãos e paquistaneses levou as pessoas a revoltarem-se. Alguém acha que os alemães são fascistas, racistas e xenófobos? Os alemães estão a reagir contra uma nova aculturação. Quando se diz que a remigração é a solução, em parte é a solução. Temos outras soluções para trabalhar no imediato que podem obviar esse tipo de soluções: garantir que a expulsão de quem comete crimes é já uma realidade. Não compreendo uma decisão que o Supremo Tribunal de Justiça teve sobre um cabo-verdiano que veio para Portugal, violou várias mulheres em Coimbra, foi condenado pelo tribunal de primeira instância a uma pena de prisão, penso que uma pena ridícula de seis anos, e ia ser expulso do país. O Supremo Tribunal permitiu-lhe ficar no país e quando acabar a sua pena ridícula vai ficar cá, alguém que violou três ou quatro mulheres. Isto não cabe na cabeça de ninguém. Para estas pessoas é expulsão imediata.

Na cultura muçulmana, a partir de determinada idade as mulheres têm de usar hijab ou burca. Quem praticar esse tipo de cultura devia ser remigrado?
Se me perguntar assim, diretamente, acho que não devemos receber, exceto em casos dramáticos, mais pessoas do Afeganistão e do Paquistão. Acho que não devemos e acho que é um risco a médio prazo. E há vários países que têm listas também de países que aceitam, os EUA, recentemente, e são países desenvolvidos.

Na lei dever-se-ia colocar-se uma alínea que diria quais os países…
… devíamos ter especial controlo sobre determinados países.

Mas isso não é especial controlo, é não entrar de todo.
Vou dar-lhe um exemplo: se alguém lá vivesse e estivesse a fugir da perseguição às mulheres pelos talibãs, se calhar deveria poder entrar em Portugal. Agora, quem vem e teve 20 anos a trabalhar na guerrilha talibã, se calhar não deve poder. Devemos ter especial controlo e cuidado em países…

Se é um talibã e se cometeu crimes lá não vai entrar.
Aquele outro que matou pessoas ali no Centro Ismaili tinha ligações aos talibãs, foi noticiado pelo Jornal Sol e pelo jornal I. Mas vamos ser francos: quem é que não está cá? Quem é que não entra aqui de qualquer maneira? O outro que matou o Manu em Braga estava a receber 900 euros da segurança social.

Nesse caso era um brasileiro.
É-me indiferente, é um membro de um gangue.

Mas o Brasil não estaria nessa lista de países de que o André Ventura falou.
Provavelmente sou o político que mais votos tem no Brasil e de brasileiros cá. Defendemos e dissemos ao PSD que para haver a tal mudança na lei de estrangeiros, o que devia acontecer era haver uma alteração nos vistos de curta duração da CPLP para impedir que as pessoas entrem de qualquer maneira. Isso aplica-se também aos brasileiros. Portanto, estou à vontade para dizer isso. É inconcebível que alguém, que pertence a um gangue brasileiro ou a um grupo criminoso brasileiro venha para Portugal e cá esteja a viver.

TOMÁS SILVA/OBSERVADOR

O ministro Leitão Amaro disse que o governo propôs ao Parlamento que a competência da execução das ordens de expulsão fosse da PSP e não da AIMA e que os prazos fossem acelerados, mas o Chega votou contra. Porque é que chumbou a criação da Unidade de Estrangeiros e Fronteiras da PSP?
Quando surgiu essa questão, o Chega começou por voltar à origem do debate político. Qual era? O retorno do SEF. O Chega defendeu que não se devia acabar com o SEF, que devíamos ter uma polícia de fronteiras. O PSD resistiu a voltar à reintrodução do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Portanto, quem não quis uma polícia de estrangeiros e fronteiras foi o PSD. Depois, o PSD ainda quis fazer outra coisa: pegar na PSP, pôr-lhes mais competências ou seja, estas competências que agora estavam na AIMA por força do PS, e dizer-lhes “sem mais dinheiro, sem mais homens, os senhores têm de fazer este trabalho”. No fundo é: vocês já existem, façam lá isto que a AIMA deixou por fazer. Terceiro, e mais importante: o PSD falhou ao país inteiro quando, perante a questão de aprovar esta lei, o Chega disse que só a aprovaria nestas condições: as polícias que forem receber este controlo recebem os meios e as atribuições de que precisam e acabamos com os vistos de curta duração que estão agora em vigor na CPLP. Porque isto é a causa da maior imigração que estamos a ter e o PSD não aceitou isso.

Nas propostas que o Chega levou ao Parlamento, o PSD absteve-se…
O PSD absteve-se nessa, votou contra a Lei da Nacionalidade…

A minha questão é se estas alterações eram suficientemente importantes para inviabilizar a criação desta unidade?
Nós não podemos dar às pessoas a aparência de que estamos a fazer e deixar tudo igual. O que essa proposta ia fazer era deixar tudo igual. Nós precisamos de ter uma polícia de fronteiras. Por isso é que tínhamos o SEF — e não devíamos ter acabado com ele. O Chega a propôs isso.

Mesmo tendo em conta isso, é preferível não haver uma Unidade de Estrangeiros e Fronteiras na PSP?
É preferível que se faça as coisas bem. E é preferível que se crie uma polícia de fronteiras com meios e não apenas de nome. Porque se criamos uma coisa só de nome, sem meios, sem forma, o que vai acontecer é que estamos a enganar as pessoas. E nós não devemos enganar as pessoas. O último aspecto que é importante: não vale de nada criarmos nomes às instituições — controlo daqui, controlo dali, controlo de fronteira — se depois estamos a permitir, por lei, que toda a gente entre sem qualquer controlo. Os vistos de curta duração são uma vergonha. A pessoa pode entrar, diz que vem cá à procura de uma coisa qualquer, fica cá e legaliza-se ao fim de uns meses. Isto num país, por exemplo, como o Brasil, com duzentos e tantos milhões de pessoas, é um absurdo. É estar a permitir que todo o tipo de criminosos venham para cá — do Brasil, de Angola, de Moçambique e de outros — quando devíamos estar a ter um país controlado. Muitos brasileiros encontram-me e dizem-me: “Olhe, eu sou imigrante brasileiro e concordo com o que você diz”. Porque é preciso, de facto, pessoas para trabalhar, mas não podemos deixar que aquela, entre aspas, “escumalha” criminosa que já invadiu o Brasil venha tomar conta agora de Portugal.

Considera que a polícia agiu bem na carga policial sobre manifestantes da extrema-direita no Martim Moniz no dia 25 de Abril?
O erro de origem esteve em Carlos Moedas. Sabia-se que ia haver duas manifestações e o Presidente da Câmara de Lisboa optou por proibir uma em detrimento de outra. É verdade que houve um parecer negativo da PSP. Mas a PSP, muitas vezes, até já aconteceu em manifestações nossas, diz: neste aspecto concreto, isto deve ser feito de forma diferente. E o que é que nós fazemos? Nós, e os promotores de outras manifestações, ajustamos. Já aconteceu em várias manifestações nossas. Neste caso, a Câmara optou por dizer só: não se pode, não façam, é proibido — no dia da liberdade. E, portanto, a câmara esteve errada.

Mas partiu da PSP. A PSP fez mal em dar essa recomendação inicial?
A PSP disse que, nestas circunstâncias, as condições de segurança não estão salvaguardadas, não é aconselhável. O que era aconselhável era que os promotores das várias manifestações — uma vez que vivemos num país em que há direito à manifestação para todos, não é só para a esquerda, a direita também tem direito — se encontrassem e dissessem: bom, vocês fazem até aqui, nós fazemos até aqui, vamos criar um espaço. Já aconteceu imensas vezes connosco. E nós sempre nos articulámos com a polícia, respeitámos a decisão da polícia e lá estivemos. Portanto, isso era o que devia ter acontecido. Carlos Moedas quis fazer o figurino à imprensa e à esquerda, dizendo simplesmente: não podem. No dia da liberdade. Eu pergunto-me: se eu marcar uma manifestação de hoje a um ano, para o 25 de Abril, para a Avenida da Liberdade, do Chega, eu pergunto-me se a Câmara de Lisboa vai autorizar a outra manifestação. E quero ver a Câmara de Lisboa com coragem de proibir o desfile do 25 de Abril na Avenida da Liberdade. Em Portugal nós criámos esta ideia de dar tudo à esquerda e nada aos outros.

Aí está em causa o que foi feito antes ou o que não foi feito antes. O que lhe perguntávamos era se a polícia agiu bem ao ter realizado aquela carga policial perante aqueles manifestantes.
Há um momento em que a polícia tem de agir porque a ordem está a ser posta em causa, mas isso quer à esquerda, quer à direita.

Então, agiu bem?
A polícia agiu como devia ter agido, agiu com eficácia. O que não devia ter acontecido era a proibição da manifestação, que se sabia que ia levar a situações violentas. Mas a polícia agiu bem, tem de repor a ordem.

"Acho que o primeiro-ministro está numa situação de alguma dificuldade de afirmação, de idoneidade e de credibilidade. Mas é o líder do PSD. Eu não vou mudar isso e o país também não neste momento."

Tarifas: “Quero que os produtos chineses compitam em condições de igualdade com os europeus”

Disse que nos deixamos “invadir por produtos baratos de outros países”, e até deu o exemplo da China, disse que a China nos “invadiu com um vestuário barato, têxtil barato, calçado barato e carros baratos”. É contra isto?
Os dados são muito claros. Aço, alumínio, têxteis, produção de metais, produção de produtos eletrónicos altamente sofisticados, navios de marinha mercante — todos os itens perigosos para uma economia estão aí. A China duplica, triplica, quadruplica a produção em relação à Europa e aos Estados Unidos e invade os seus mercados consecutivamente com estes produtos, fragilizando a produção europeia e norte-americana. Essa é a verdade. E estamos a deixar que exista um défice brutal comercial face à China.

O que estava a tentar perceber é se quer que os portugueses passem a ter acesso apenas a roupa mais cara, sapatos mais caros e carros mais caros.
Não, quero que os produtos chineses compitam em condições de igualdade com os produtos europeus.

Ou seja, quer produtos mais caros em Portugal.
Quero que compitam em pé de igualdade.

Portanto, quer que sejam mais caros.
Podem não ser. Porque, se o mercado funcionar melhor, até podem ser mais baratos.

Mas, se os tarifar, vão ficar mais caros.
Como dizia o Adam Smith, se tivermos um mercado de concorrência boa, plena, justa, teremos preços mais acessíveis para todos. Não é preciso ser especialista em economia. Mas se deixarmos países que pagam salários indecentemente, que exploram mão de obra, que não têm direitos humanos, competirem em pé de igualdade com os produtores portugueses, espanhóis, franceses, na agricultura, nos têxteis, nos carros, no aço, no alumínio, nos produtos elétricos, em breve estamos inundados. E já não basta estarmos inundados de imigrantes, vamos estar inundados de produtos chineses, tailandeses, etc.

Baratos.
Baratos.

Quer que fiquem mais caros.
Não. Quero que, em condições de igualdade, os produtores alemães, espanhóis, franceses, possam produzir também eles mais barato — e farão isso se não estiverem sujeitos à concorrência selvagem de quem não cumpre regras. Quem é que não cumpre regras? A economia chinesa não cumpre porque é patrocinada pelo Estado diretamente, na sua grande maioria — aliás, por isso é que vários Estados estão a criar limitações ao investimento chinês.

Mas se os produtos chineses ficarem mais caros, porque é que os produtores portugueses e europeus vão construir mais barato?
Estamos a matá-los. Se não fizermos nada, estamos a matá-los.

O ponto não é esse. De que forma é que o aumento de preços que vêm de fora da União Europeia vai tornar os nossos produtos mais baratos?
Estimulará uma produção europeia mais equilibrada e até ambientalmente mais sustentável. Porque permitirá aos produtores europeus estarem protegidos da interferência externa. Quando os produtores se sentem ou protegidos ou em condições de plena igualdade…

Mas se não têm concorrência porque é que vão baixar os preços?
Têm concorrência, mas dos que estão em igualdade com eles. E não da Índia e da China, que não estão. Os produtores europeus e portugueses, neste momento, estão a lutar contra uma desestruturação absoluta no mercado mundial. E Donald Trump viu isso também. Então, mas nós estamos aqui a pagar salários, direitos sindicais, direitos de férias, suplementos…

Mas os preços nos Estados Unidos subiram…
…e há um país a competir connosco que está a invadir-nos produtos baratos e sem direitos humanos. Isto não é correto. Agora vamos à segunda parte: como é que podemos fazer isto evitando uma escalada de preços, uma inflação? E eu só vejo uma forma. É garantindo que os produtos que entram no mercado europeu são regulados para que entrem em condições de maior igualdade possível com os outros. E estimulando o produtor europeu a alcançar níveis de produção e produtividade mais elevados para poder competir com a quantidade que era introduzida pelos mercados externos em condições de desigualdade.

Mas como? Subsidiando? Vai subsidiar os produtores europeus?
Não necessariamente. Isso já acontece nos automóveis, na energia…

Mas quer subsidiar mais?
Não, não é preciso subsidiar mais.

Fica à espera que, magicamente, o mercado leve os preços a baixar?
Não é magicamente. É permitir que o produtor português na agricultura, no vestuário, no têxtil, no vinho, não concorra em condições de desigualdade com os outros. Por isso é que eu sou tão crítico do Mercosul. Por causa de países como o Brasil, como o Uruguai, como a Argentina, para sermos fixes perante o resto do mundo, vamos deixar os nossos agricultores e produtores praticamente na miséria. E eu acho que isso não é correto. Poderá dizer assim: e isso não pode levar a um aumento de preços a médio prazo? Espero que não. E se os produtores europeus tiverem os apoios certos, os apoios que não têm tido, para avançarem para uma economia estável e para uma produção estável, acho que conseguimos resolver o problema.

TOMÁS SILVA/OBSERVADOR

É inevitável que leve a esse aumento de preços, não é? Aliás, estamos a ver isso nos Estados Unidos.
Não vou entrar numa discussão técnica. Estou convencido de que a Europa tem capacidade de fazer isso nestas indústrias centrais, perante um novo cenário económico que nós não escolhemos — porque nós não escolhemos quem manda na China, na Índia, no Paquistão e nos Estados Unidos, não escolhemos.

Isso não seria uma política portuguesa, teria que ser a nível europeu?
Não lhe vou dizer que concordo que tenha de ser a nível europeu, mas neste momento não temos outra hipótese.

Aliança com o PSD: “Devemos governar e não permitir que o PS governe”

No debate da rádio disse que não ia votar contra um programa de um governo de direita. Mesmo que o Luís Montenegro seja o protagonista desse governo?
Temos de esperar por esse programa. O que eu quis dizer foi que nós não vamos ser um fator de instabilidade. Em segundo lugar, como já disse, acho que Luís Montenegro não tem condições para ser o primeiro-ministro nestas circunstâncias. Mas às vezes o povo toma decisões diferentes…

Concorda com Pedro Nuno Santos quando diz que Luís Montenegro não tem idoneidade?
Acho que o primeiro-ministro está numa situação de alguma dificuldade de afirmação, de idoneidade e de credibilidade. Mas é o líder do PSD. Eu não vou mudar isso e o país também não neste momento. Temos um cenário agora muito curto eleitoralmente: eleições no dia 18, presidenciais em janeiro. E, portanto, podemos ter aqui um tempo de alguma impossibilidade de novos ciclos. Acho que ninguém quer mais eleições, isso também é evidente. E teremos que ter alguma forma de maioria. O que eu espero é que o Chega seja o partido mais votado à direita para sermos nós a liderar essa maioria. Qual seria essa vantagem? Luís Montenegro ia-se embora e abandonava a liderança do PSD e o Chega poderia construir essa maioria de direita. Se não acontecer, se o Chega não conseguir vencer a AD e a AD ficar em primeiro. Aí, vamos ver qual é o programa que a AD vai apresentar, se é para cumprir mesmo ou se não é, porque este último não foi para cumprir. Depois, vamos ver quem são os protagonistas desse programa. E, finalmente, vamos ver quais são as circunstâncias políticas. Agora, eu queria deixar aqui a garantia de que seremos fator de estabilidade e não de instabilidade.

Já falou com alguma das forças vivas do PSD desta vez para formar uma geringonça de direita com Pedro Passos Coelho, caso Luís Montenegro perca as eleições e haja uma maioria de direita, mesmo com o PS em primeiro lugar?
Aí nem serão precisa as forças vivas porque haverá uma mudança dentro do PSD. Mas também lhe vou dizer o que acho sobre isso. No cenário que me coloca, só não governamos se não quisermos.

E aceitaria, por exemplo, que Pedro Passos Coelho fosse primeiro-ministro, sem ir a votos, já que os votos seriam de Luís Montenegro?
É uma questão difícil: não sou eu que tenho que aceitar ou não. Se houver uma maioria à direita e o PSD mudar de liderança, vamos ter que fazer novas eleições para legitimar essa liderança? Ou vamos confiar que as pessoas votaram no partido e não na pessoa?

André Ventura já disse várias vezes que um primeiro-ministro deve ir a votos.
Mas é que não podemos ir porque temos eleições presidenciais. Vamos ter um governo minoritário, sem condições de aprovar nada?

Portanto, nesta circunstância específica, se fosse o Passos Coelho, deveria…
Eu já sei que isto vai ser mal interpretado. Passos Coelho ou outro qualquer— outro qualquer, enfim, se fosse eleito Isaltino de Morais, isso não aconteceria.

Diga outro, diga outro…
… outro líder qualquer. Pedro Passos Coelho, ou outro líder.

Não lhe ocorre nenhum outro?
Agora não me ocorre nenhum.

Podemos ir aos atuais ministros de Estado: Paulo Rangel, Miranda Sarmento…
Acho que isso era mau. Há momentos que a minha memória não me ajuda muito. Respondendo para que não restem dúvidas: nesse caso, só não governamos se não quisermos. Acho que devemos governar e não permitir que o PS governe.

Disse que estaria completamente louco se viabilizasse um governo do PS. Mas era capaz de votar contra um orçamento do PS que garantisse o aumento das pensões e salários, descida do IRS, e eliminação total das portagens?
Era. Acho que o Chega não deve viabilizar orçamentos do PS, nem governos do PS. Porque o PS tem uma linha, que para nós é vermelha, que é esta: cobrar cada vez mais impostos às empresas e a quem trabalha e distribuir por nichos eleitorais e por quem lhe dá votos. Isso é estruturalmente errado. Se me disser: imagine que aquele orçamento aumentava polícias, auxiliares de educação, militares, enfermeiros, professores. Ia-me custar, porque eu acho que o país precisa mesmo de salários melhores, mas viabilizar um governo ou uma proposta de orçamento do Partido Socialista era dar um sinal estruturalmente errado. A solução dos próximos anos em Portugal passa por estes dois partidos: Chega e PSD.

Apagão: “O governo ainda não quis dar toda a informação às pessoas”

O Vox, que é o partido irmão do Chega em Espanha, afirmou que o governo de Pedro Sánchez já sabe quais foram as causas do apagão, mas está a escondê-la dos eleitores. Parece-lhe possível?
Parece-me possível, sim. Acho extraordinário, ao fim de quatro dias, nós não sabermos ainda as causas totais deste apagão. Não creio que os primeiros-ministros não saibam. E acho que estão a ocultar informação.

Luís Montenegro também?
Acho que os dois.

Acha que Luís Montenegro sabe quais são as causas e está a esconder?
Se o primeiro-ministro espanhol sabe, como a imprensa espanhola afirma, e pelo menos como parte das forças políticas espanholas afirmam… Li uma coisa curiosa há uns dias. O primeiro-ministro espanhol falou com o primeiro-ministro português, mas não falou com o líder do PP espanhol. E, portanto, o primeiro-ministro português esteve melhor informado do que os próprios políticos espanhóis nessa matéria. E acho extraordinário que não se saiba ainda o que aconteceu na plenitude. Nem vocês, nem nós. E nós devemos escrutinar o que aconteceu.

Mas porque é que Luís Montenegro estaria a esconder essa informação dos portugueses?
Porque provavelmente, as falhas e a inação que ocorreram são da responsabilidade dos dois governos. No debate das rádios ficou claro o desconforto. Aliás, deve ter sido a única vez que o primeiro-ministro respondeu, de forma telegráfica, “não”. Quando lhe perguntam se foi ele que deu ordem para não se enviar aquela mensagem da Proteção Civil. Portanto, não só houve ocultação da informação, como houve incompetência e desorientação.

Mas, neste momento, Luís Montenegro sabe o que causou o apagão e está a esconder?
Acho que o governo ainda não quis dar toda a informação às pessoas sobre o apagão, sinceramente.

Também disse no debate da rádio que Espanha recuperou melhor do apagão do que Portugal. O Vox discorda. Falou com Santiago Abascal sobre o apagão?
Não, não falei. Mas há uma coisa que nós sabemos das notícias, não é preciso falar com ninguém, é que nove das quinze regiões espanholas já estavam a recuperar a eletricidade quando nós ainda estávamos em apagão total. Ouvir o primeiro-ministro dizer que nós recuperámos muito melhor é, pelo menos, brincar com as pessoas. Só se os espanhóis tivessem estado em apagão total durante dois dias. É evidente que o Governo português reagiu mal e ficou evidente que Luís Montenegro não é um líder à altura de circunstâncias difíceis.

"Tanto quanto sei, a casa de Luís Montenegro tem 830m². Imagine a quantidade de gente que podia viver em 830m²."

Presidenciais: “Não tomei uma decisão definitiva”

É verdade que teve dois almoços com Gouveia e Melo que correram mal?
Não, é falso. É falso.

Sabe de onde veio esta informação? Foi Nuno Afonso, que foi militante muito próximo de si no Chega. Nunca almoçou com Gouveia e Melo?
Não é que me importasse, mas nunca almocei mesmo. Vamos lá ver. Eu fui um dos primeiros a dizer que o Almirante Gouveia e Melo tem características que aprecio pessoalmente. Se isso tivesse acontecido, para mim não era nenhum fator para esconder.

Mas admite ainda vir a apoiá-lo?
Neste momento eu estou focado em legislativas. Teremos outra entrevista, se me convidarem, para falar sobre presidenciais, tenho todo gosto.

Porquê? Vai ser candidato? Entretanto, nunca mais disse nada depois de falar sobre a hipótese de retirar a candidatura.
Veremos o que acontece. Preferia não tocar nesse tema agora.

Está a deixar passar o tempo para ir a uma nova eleição, em Janeiro?
Nós não sabíamos que estas eleições iam existir. Estou absolutamente focado nestas eleições. A seguir às eleições, aqui estarei para falarmos sobre presidenciais se me convidarem.

Portanto, não tomou uma decisão definitiva sobre a candidatura presidencial.
Não tomei

A casa de 74m²: “Eu quis mostrar que o Bloco tem uma hipocrisia estrutural nesta matéria”

No debate com Mariana Mortágua, houve aquele caso em que se enganou no tamanho da casa. O seu objtivo era mostrar, penso eu, que é um português normal. Entretanto, soube-se que a casa onde vive é um condomínio com piscina, jardim, segurança.
Há uma grande diferença: a casa não é minha.

Eu sei, eu sei, é da sua mulher e foi comprada antes de se casarem. Mas o André Ventura é que trouxe isso…
Não, eu assumi logo no dia a seguir.

Não, nem estamos a falar dos 30m² ou 74m².
Mas era importante falar, porque as pessoas também se enganam e o mesmo me acontece a mim. O que eu quis mostrar é que o Bloco tem uma hipocrisia estrutural nesta matéria, que é andar a dizer aqui devia viver gente, aqui podia-se ocupar casas… Mas eles, como o PCP, são proprietários imobiliários, em alguns casos de palacetes. Porque é que não metem lá gente a viver? Outro exemplo: o IMI. O Paulo Raimundo e a Mariana Mortágua fartam-se de dizer que são contra a descida do IMI. Então, porque é que os partidos não pagam IMI? Esta é a hipocrisia estrutural que tem de ser desmontada. Aí não correu bem. Há momentos na vida em que as coisas correm melhor do que outras. Mas tive a oportunidade de dizer, quer à Mariana Mortágua, quer ao Paulo Raimundo, que, em termos de habitação, a esquerda é estruturalmente hipócrita. E se querem fazer ocupações de casas, comecem pelas casas dele e comecem pelas sedes dele.

Mas não correu bem porque se enganou no tamanho da casa?
Porque me enganei.

Qual era a ideia? Era transmitir a ideia de que é um português normal? Um português normal vive numa casa com piscina ou com segurança?
Bom, um português normal se calhar é proprietário. Eu não sou. Mas há uma coisa que sei. É que aqueles palacetes de 800m² e 900m², aí é que se calhar podia viver gente. E aí é que eles deviam deixar que vivessem.

É a sede, não é?
Bom, em alguns casos é a casa mesmo. E algumas construídas de forma, aliás, um pouco…

Qual? A de Luís Montenegro em Espinho?
Tanto quanto sei, tem 830m². Imagine a quantidade de gente que podia viver em 830m².

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