Este artigo é da responsabilidade da Pinto Lopes Viagens
A poucas horas de Portugal há um país tão diverso quanto fascinante, uma sucessão permanente de cenários, sabores e contrastes. Numa só viagem, é possível perder-se no labirinto de uma cidade imperial, atravessar montanhas cobertas de neve, adormecer sob o céu estrelado do Saara, caminhar por fortalezas onde a presença portuguesa continua inscrita na pedra ou deixar-se surpreender por cenários que parecem saídos de outro planeta. Poucos destinos conseguem reunir tantas paisagens, culturas e emoções numa única viagem.
Com uma identidade cultural inconfundível e uma crescente aposta no turismo de qualidade, não admira que Marrocos seja o país mais visitado de África. É um destino de eleição tanto para quem privilegia o património como para quem sonha com paisagens inesquecíveis ou experiências autênticas. Mais do que um lugar para conhecer, é um país para viver — devagar, intensamente e com a curiosidade de quem sabe que, a cada esquina, se esconde uma surpresa.
A magia das cidades imperiais
Marraquexe confunde-se com Marrocos (o nome do país deriva de Marrakech em árabe Marrākuš). Vibrante, intensa e cheia de contrastes, a “Cidade Vermelha” é o coração turístico de Marrocos e um dos destinos mais fascinantes do Norte de África.
Ao entrar na medina, o visitante é imediatamente envolvido pelo ritmo da Praça Jemaa el-Fna. Durante o dia, artistas de rua, músicos, vendedores ambulantes e bancas de sumo de laranja dão vida ao espaço. Mas é ao entardecer, quando a luz cintila em tonalidades cobre, que a Jemaa el-Fna atinge o auge do seu magnetismo e se transforma no maior restaurante ao ar livre do mundo.
▲ Praça Jemaa el-Fna
O cheiro a kefta grelhada mistura-se com o das especiarias e do pão acabado de cozer, a música Gnawa funde-se com o burburinho constante das conversas, criando uma atmosfera irrepetível. Assistir a este espetáculo a partir de um dos terraços da praça, com vista sobre o minarete iluminado da Cutubia, é uma experiência que fica gravada muito para lá da fotografia perfeita.
Explorar os souks faz parte da aventura. Entre ruas estreitas e lojas coloridas, surgem tapetes tecidos à mão, lanternas trabalhadas em metal, especiarias, cerâmicas, joias em prata e peças de couro produzidas por artesãos que mantêm vivas técnicas ancestrais. Regatear faz parte da tradição e transforma cada compra numa experiência tão divertida quanto memorável.
Saindo da medina, encontramos a Ville Nouvelle (a cidade moderna) e é aí que percebemos que Marraquexe não parou no tempo. O Jardim Majorelle, criado pelo pintor francês Jacques Majorelle e adquirido por Yves Saint Laurent, é um oásis de bambus gigantes, catos, buganvílias e palmeiras em torno de uma villa pintada em tons cobalto tão intensos que ganharam nome próprio — o “azul Majorelle”.
Se Marraquexe é o coração pulsante de Marrocos, Fez é a alma intelectual. A sua medina, a Fez el-Bali, é o maior espaço urbano sem carros do mundo. Célebre pelas mais de nove mil ruelas — muitas tão estreitas que permitem apenas a passagem de dois burros lado a lado —, este labirinto é uma fascinante aula de história viva. Em que tudo parece manter-se fiel às tradições.
▲ Fez
É por aqui que encontramos a Mesquita de al-Qarawiyyin (ou Al Karaouine), a universidade mais antiga em funcionamento contínuo no mundo. Foi fundada por uma mulher e tornou-se rapidamente num dos principais centros espirituais e académicos do Islão. Mais do que apenas uma escola de teologia, por lá estudava-se matemática, astronomia, retórica e filosofia.
Para os mais corajosos, que não se deixam impressionar por cheiros intensíssimos, Fez reserva ainda outra aventura sensorial irrepetível – os curtumes de Chouara. Do alto das antigas varandas, avistam-se centenas de cubas de pedra repletas de corantes de todas as cores imaginárias, enquanto artesãos descalços tingem as peles com as mesmas técnicas de há mil anos. É uma das imagens mais icónicas de Marrocos.
Fez pode parecer uma janela para o passado, mas, na verdade, é uma visão única de uma cidade que conseguiu preservar a identidade ao longo do tempo. A prova de que nem tudo precisa de mudar para continuar relevante.
A extravagância de Meknes e a modernidade de Rabat
A menos de uma hora está outra das cidades imperiais. Por vezes esquecida, Meknes recompensa quem decide sair das rotas mais turísticas. Conhecida como “Versailles de Marrocos”, foi fundada por Moulay Ismail, o poderoso sultão que mandou construir um gigantesco e extravagante complexo de palácios, muralhas e monumentos, inspirado diretamente na corte de Luís XIV. O objetivo era que a nova capital rivalizasse com as majestosas cortes da Europa.
▲ Meknes
Um pormenor a não perder na sala dos túmulos reais: os quatro grandes relógios de pêndulo oferecidos pelo “Rei-Sol”, alegadamente para se desculpar por ter recusado casar a sua filha com o soberano alauita.
Depois da intensidade de Marraquexe, da autenticidade de Fez e da monumentalidade de Meknes, Rabat encerra o percurso pelas cidades imperiais, revelando-se simultaneamente uma cidade histórica e uma metrópole contemporânea. Apesar de honrar o património de três milénios, Marrocos não vive só do passado. E Rabat é o rosto da modernidade.
Na capital do reino, a tradicional medina muralhada convive com avenidas de arrojadas construções futuristas. É o caso da Torre Maomé VI, em forma de foguetão, o edifício mais alto do país. Ou do Museu de Arte Moderna e Contemporânea Maomé VI e do teatro de vanguarda projetado por Zaha Hadid, que refletem a ambição de um país em plena transformação.
A poucos quilómetros de Meknes, vale a pena prolongar a viagem até Volúbilis, o mais bem preservado complexo romano do Norte de África. Num país que adora alcunhas sonantes, não espanta que Volúbilis seja a “Roma Africana”. Quase ao lado, encontramos a cidade mais sagrada de Marrocos, sede do túmulo de Moulay Idriss I, o fundador do primeiro estado islâmico marroquino. Erguida sobre dois cumes rochosos, oferece aos visitantes imagens panorâmicas de tirar o fôlego.
Dunas, montanhas, cascatas e desfiladeiros
Saindo das medinas e das grandes cidades, a natureza passa a dominar os sentidos. Das dunas douradas do Saara às montanhas do Alto Atlas, passando pelas cascatas escondidas do Rif, o país surpreende pelo contraste das paisagens.
Quando o sol começa a descer sobre Erg Chebbi, junto a Merzouga, as dunas transformam-se num oceano ondulante de tons dourados, ocres e laranja. O silêncio instala-se lentamente. É como se aterrássemos noutro planeta, noutro tempo.
O deserto do Saara é muito mais do que um “postal” obrigatório de Marrocos. É uma experiência sensorial para viver em pleno – um tranquilo passeio de dromedário ao pôr do sol até um acampamento berbere, uma desafiante descida de sandboard nos lençóis de areias, uma pernoita em tenda tradicional sob um céu inacreditavelmente estrelado ou o inimitável nascer do dia entre as dunas.
A cidade-oásis Ouarzazate e o ksar fortificado de Ait-Benhaddou revelam outra faceta de Marrocos. A arquitetura em adobe, que quase se confunde com a paisagem, tornou esta região um dos maiores cenários naturais de grandes produções de Hollywood.
▲ Ouarzazate
Muito diferente do imaginário do deserto, mas igualmente assombroso, é o Alto Atlas, a espinha dorsal de Marrocos cujo pináculo é Jbel Toubkal (4167 metros). A cadeia montanhosa combina picos cobertos de neve, planícies áridas e vales verdes aveludados. E é um dos melhores cenários para apreciar o quotidiano pausado das aldeias berberes.
Quem associa Marrocos apenas ao deserto dificilmente imagina vislumbrar cascatas, rios de água cristalina e piscinas naturais. Mas é isso mesmo que encontra no Parque Nacional de Talassemtane. Lá está guardado um tesouro ainda pouco explorado: as piscinas naturais de Akchour, de água esmeraldina onde se pode nadar entre falésias de dez metros. O trilhos que atravessam florestas, pontes suspensas e desfiladeiros até à Grande Cascata de Akchour, com as suas épicas quedas de água, são considerados dos mais belos do país.
A escassos 30 quilómetros, chegamos a uma das cidades mais instagramáveis do Norte de África. Chefchaouen é uma aguarela em tons de azul — índigo profundo, turquesa suave, azul-bebé, azul-céu. Quem quer tempo para contemplar, fotografar e sentir a tranquilidade dos pequenos cafés, das lojas de artesanato e das praças floridas, encontra na “Pérola Azul” o destino perfeito. É uma cidade que se visita sem olhar para o relógio e que permanece na memória muito depois de terminada a viagem.
▲ Chefchaouen
A marca portuguesa que ainda perdura
Marrocos é país onde se encontra quase tudo, até uma parte importante da História de Portugal. A conquista de Ceuta, em 1415, marcou o início da expansão marítima e as cidades-fortaleza que resistem até hoje ao longo da costa atlântica são testemunho da nossa aventura em África.
Em Al Jadida, a Cidade Portuguesa de Mazagão, a influência lusa ainda é bem visível, nomeadamente nos edifícios de traça manuelina. Mas o seu ex-líbris permanece escondido no subsolo. A cisterna gótica — iluminada por um único óculo que projeta uma coluna de luz sobre a água — foi escavada pelos portugueses debaixo da praça-forte e ficou imortalizada em “Othello”, de Orson Welles
Banhada pelo Atlântico e constantemente acariciada pelo vento, Essaouira, a Antiga Mogador, cresceu a partir do Castelo Real de Mogador, mandado construir por ordem de D. Manuel I. A medina de Essaouira é das mais autênticas de Marrocos: mais compacta do que a de Marraquexe, mais arejada que a de Fez, com uma escala humana que convida a uma deambulação pelas rotas expansionistas das cinco quinas.
▲ Essaouira
Em Arzila, as muralhas construídas durante a ocupação lusa continuam a abraçar a medina azul e branca, criando um contraste harmonioso entre a arquitetura militar europeia e a delicadeza das construções muçulmanas. Atualmente, esta estância balnear é um centro cultural vibrante conhecido pelos seus festivais de arte e coloridos murais.
Também Safim, a capital da cerâmica do reino mais setentrional de África, encerra duas das joias do tempo da ocupação portuguesa: o Castelo do Mar e as ruínas da Catedral Gótica.
Ancestral e moderno, espiritual e mundano, sofisticado e popular, calmo e vertiginoso – talvez o sortilégio de Marrocos resida neste jogo de contrastes sem rutura. Por isso, quando a viagem termina, fica a impressão de que o país não se esgotou, apenas começou a revelar-se. E que é obrigatório voltar. Uma e outra vez.
Descobrir Marrocos com a Pinto Lopes Viagens
Com programas cuidadosamente planeados, a Pinto Lopes Viagens convida-o a conhecer Marrocos através de diferentes circuitos, adaptados a cada perfil de viajante. Sempre em grupo e com experientes guias que permitem explorar o país em profundidade, segurança e sem perda de tempo.
Marrocos Completo
Um roteiro para descobrir o país de lés a lés. Além do exotismo das cidades imperiais, poderá testemunhar vestígios da influência português, descobrir as mesquitas e kasbahs em locais que nos remetem para o passado e desfrutar da magia do nascer do sol entre as imponentes dunas do Saara.
Marrocos — Cidades Imperiais e Antigas Possessões Portuguesas
Focado nas capitais imperiais e nas cidades de forte influência lusa, este circuito permite descobrir a mística de alguns dos pontos mais importantes do país. O exotismo das cores e cheiros dos mercados locais transportam para um mundo à parte, onde o tempo parece ter parado. Na costa marroquina, o legado da passagem portuguesa está bem presente, em construções e vilas surpreendentemente bem preservadas.
Marrocos — Circuito dos Mil Kasbahs
Uma viagem pelas cidadelas e fortalezas militares. No meio do árido deserto, há surpresas constantes: pomares, campos, palmeirais, roseirais e mágicas cidadelas de terra. Destaque para a passagem por Ait-Benhaddou, onde cenários únicos inspiraram clássicos cinematográficos como “Lawrence da Arábia” ou “Gladiador”. Dunas épicas, pores do sol mágicos e paisagens feitas de contrastes são algumas das memórias que, certamente, trará no coração.
▲ Ait-Benhaddou
Norte de Marrocos e Ceuta
Um circuito para descobrir Tânger, antiga colónia portuguesa e a sua vizinha Ceuta, enclave espanhol que foi a porta de entrada para a expansão marítima portuguesa. Destaque para a “Cidade Azul”, Chefchaouen, e Arzila, com o escudo das armas portuguesas nas suas muralhas.
▲ Chefchaouen
Contrastes de Marrocos — do Deserto às Cidades Imperiais
Para quem quer explorar a diversidade de Marrocos, do deserto às montanhas, do legado cultural à modernidade. Deixe-se maravilhar por cidades como Marraquexe e Casablanca. Desfrute de paisagens deslumbrantes ao atravessar as montanhas do Alto Atlas até à lendária Ait Benhaddou. Fez, Meknes e Rabat completam este circuito repleto de contrastes.
▲ Ait-Benhaddou
Marraquexe: uma Inesquecível Experiência Sensorial e Cultural
A capital turística de Marrocos não é apenas uma cidade, é uma pérola polida pela História. Mais do que uma mistura de sons, cheiros e sabores únicos, que nos transportam para as mil e uma noites, Marraquexe é inesquecível pelas suas gentes, tradições, hospitalidade e pelo incontornável frenesim que desperta os sentidos.
Programas de Fim de Ano
Para celebrar a mudança de ano, nada melhor do partir à descoberta do país dos oásis, das mesquitas, das fortalezas e dos mercados repletos de gente, odores e cores hipnotizantes. Passe o réveillon no ambiente místico e exótico das cidades como Rabat, Casablanca ou Marraquexe, que já serviram de inspiração para tantas narrativas e lendas.
Saiba mais em: https://www.pintolopesviagens.com/viagens-a-marrocos/.
SABIA QUE...?
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Marrocos é o país mais visitado de África
O reino recebeu quase 20 milhões de turistas no ano passado, consolidando-se como um dos destinos turísticos mais procurados do continente africano.
Há nove locais classificados como Património Mundial da UNESCO
Entre eles estão as medinas de Fez, Marraquexe, Meknes, Tetuão, o sítio arqueológico romano de Volúbilis e as antigas possessões portuguesas El Jadida, a Cidade Portuguesa de Mazagão, e Essaouira, a Antiga Mogador.
Yves Saint Laurent está sepultado num jardim em Marraquexe
O Jardim Majorelle, em Marraquexe, nasceu da paleta do pintor francês Jacques Majorelle em 1937. Décadas depois, o espaço foi resgatado da ruína por Yves Saint Laurent, que se apaixonou pelo jardim e o comprou em 1980. Após a sua morte, em 2008, as cinzas do estilista foram espalhadas no roseiral da propriedade, onde um memorial simbólico celebra hoje a sua ligação eterna a Marrocos.
Os curtumes são tratados com técnicas milenares
A palavra “marroquinaria” deriva do francês “marroquim”, que designa peças de couro, geralmente peles de cabra e bode curtidas e tingidas de cores vibrantes. Nos curtumes tradicionais, como o de Fez, o couro ainda é tratado com técnicas artesanais de há mil anos, com recurso a pigmentos naturais como açafrão, papoila, índigo ou hortelã.
A universidade mais antiga do mundo foi criada por uma mulher
A Mesquita de al-Qarawiyyin, em Fez, criada em 859, por uma mulher, Fatima al-Fihri, é considerada pelo Guinness World Records a universidade em funcionamento contínuo mais antiga do mundo.
Rabat é a Capital Mundial do Livro
Fundada no século XII num promontório rochoso com vista para o Atlântico e capital do reino desde 1912, Rabat tem vindo a ganhar um protagonismo crescente, merecendo destaque na imprensa internacional como destino emergente para 2026. A paixão da cidade pelos livros valeu-lhe o título de Capital Mundial do Livro da UNESCO para 2026.
O maior deserto quente do planeta começa aqui
É nas dunas douradas de Erg Chebbi, junto a Merzouga, que o Saara se revela em toda a sua magnitude: um mar de areia que se estende por mais de nove milhões de quilómetros quadrados através de onze países africanos.
Marrocos foi cenário de muitos filmes de Hollywood
Produções como “Gladiador”, “Lawrence da Arábia”, “A Múmia”, “Missão: Impossível – Não secreta”, “O homem que sabia demais” e episódios da série “Guerra de Tronos” foram filmados em diferentes regiões do país.
A expansão marítima começou em Ceuta
A conquista de Ceuta, em agosto de 1415, por D. João I e pelos seus filhos (a Ínclita Geração) foi o primeiro ensaio do projeto expansionista ultramarino europeu, antecipando em décadas a circum-navegação africana e a chegada à Índia e ao Brasil. Entre 1415 e 1769, a Coroa portuguesa estabeleceu uma cadeia de fortificações ao longo da costa atlântica marroquina, alternando estratégias de conquista militar, tratados de suserania e retiradas forçadas.
O chá de menta é um símbolo de hospitalidade, não recuse
Conhecido como “whisky marroquino” (mas sem ponta de álcool), é servido praticamente em todo o país e recusar um copo pode ser entendido como um gesto pouco cordial.