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Alexandre Abreu foi candidato a Cascais pelo Bloco e é subscritor da moção A, que apoia José Manuel Pureza à liderança do partido
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▲Alexandre Abreu foi candidato a Cascais pelo Bloco e é subscritor da moção A, que apoia José Manuel Pureza à liderança do partido

▲Alexandre Abreu foi candidato a Cascais pelo Bloco e é subscritor da moção A, que apoia José Manuel Pureza à liderança do partido

"No Bloco, temos tido dificuldades. Não podemos culpar o povo"

Em entrevista ao Observador, Alexandre Abreu, do BE, reconhece que o partido tem responsabilidades na crise de resultados e que tem de falar para todos os eleitores — incluindo os que votam no Chega.

A dois dias da convenção que encerrará a liderança de Mariana Mortágua, o dirigente bloquista Alexandre Abreu — que foi candidato à Câmara Municipal de Cascais e faz parte da moção A, de José Manuel Pureza — reflete sobre os problemas que o Bloco de Esquerda enfrenta, e pelos quais não pode culpar “o povo” ou apenas dinâmicas externas. O Bloco, explica, tem estado “na defensiva” perante um crescimento da extrema-direita e a sua influência na agenda política — e precisa de “recalibrar”, desde logo, a sua comunicação.

A melhor pessoa para liderar estes esforços, explica nesta entrevista no programa Vichyssoise, será José Manuel Pureza, pela facilidade em fazer pontes, em comunicar e o seu “fino sentido de humor”, reconhecido até noutros partidos. Nesta nova etapa, alerta Alexandre Abreu, o Bloco terá de falar ao eleitorado descontente — o que se refugia na abstenção e até mesmo o que tem votado Chega — e seduzir quem já esteve próximo do partido e se sente desencantado.

Quanto às eleições presidenciais, o bloquista lamenta que o PCP não tenha mostrado abertura para encontrar um candidato comum à esquerda. E duvida mesmo de que António José Seguro seja de esquerda, defendendo que Catarina Martins deve levar a sua candidatura até ao fim.

“Mariana Mortágua foi objeto de um ataque avassalador

Mariana Mortágua assumiu que o objetivo de “encontrar outros caminhos” após a queda do Governo de maioria absoluta do PS e do aumento da direita “não foi cumprido”. O que é que falhou?
É uma longa reflexão que nos vai continuar a ocupar nesta convenção, mas também daqui para a frente. Um dos objetivos que temos é pensarmos mais fundo, com melhores ideias e soluções para ultrapassar o que, inquestionavelmente, tem sido um período difícil para o Bloco. Temos tido dificuldades em responder às circunstâncias. É claro que as circunstâncias são difíceis; o problema não é unicamente do Bloco, nem é sequer unicamente português. A esquerda tem estado em recuo e a sofrer, mas há duas coisas importantes que nós, enquanto partido político à esquerda, nunca podemos fazer. A primeira é que não podemos imputar exclusivamente responsabilidades às dinâmicas externas e ao que não está ao nosso alcance, porque senão mais vale irmos para casa e desistirmos. E a segunda, e talvez ainda mais importante, é culpar o povo. Nunca podemos achar que a culpa é do povo, porque está enganado, porque está a escolher mal, isso é completamente contrário ao que deve ser uma postura de esquerda. Agora, temos tido algumas hesitações…

Em que sentido? 
Por exemplo, perante um crescimento rápido e avassalador da extrema-direita, o Bloco tem-se encontrado numa situação de alguma ambiguidade e que tem dificultado a passagem da mensagem para o eleitorado. Em particular porque, por um lado, nos coloca numa posição muito defensiva O Bloco é um partido que não pode e não deve ser defensivo, mas temos sido colocados muito na defensiva por via de uma certa reconfiguração da agenda política central nos últimos anos, em grande medida em resultado da subida da extrema-direita. E não temos conseguido responder a isso da melhor maneira e espero que consigamos fazê-lo melhor.

Mas isenta Mariana Mortágua dessa responsabilidade?
Essas responsabilidades são fundamentalmente coletivas. Não é de mais dizer que a Mariana Mortágua tem imensa capacidade enquanto líder, tem capacidade oratória, uma coragem extraordinária, tem enfrentado ataques de uma violência e de uma baixeza incríveis. Nesse sentido, na moção A, o único motivo pelo qual não propomos novamente a Mariana Mortágua como o nosso primeiro nome para a Comissão Política é porque a própria Mariana considerou não ter condições políticas neste momento para dar o melhor contributo ao Bloco e apoiamos agora outra solução, na qual nos revemos completamente, que é o José Manuel Pureza.

Mas acha que Mariana Mortágua tinha condições políticas para se manter nessas funções?
Reconheço que a Mariana tem sido objeto de um ataque de tal maneira avassalador que dificulta a passagem da mensagem e cria tanto ruído em torno dela. E têm sido tantos os ataques, muitas vezes torpes e falsos relativamente àquilo que a Mariana é ou a Mariana faz, que dificulta centrar a mensagem política do Bloco na própria proposta e não tanto na defesa relativamente aos vários ataques.

Tornou-se um ativo um bocadinho tóxico?
De maneira nenhuma, recuso absolutamente essa formulação. Até recuso a ideia de que, por via do ataque ter sido tão avassalador à figura da Mariana, que isso nos obrigue a trocar de líder ou a desistir de termos alguém tão capaz e tão competente a liderar o Bloco. Isso seria admitir que podemos deixar que os ataques da direita e da extrema-direita a definir as opções do Bloco. Mas a verdade é que são tantos os ataques, é tanta a dificuldade para fazer passar a mensagem, que foi preciso relançar os termos da comunicação pública do Bloco através de novas pessoas. Queremos relançar a nossa maneira de pensar a política, de nos relacionarmos com a sociedade e de trabalharmos internamente em termos de democracia interna, de recusa do sectarismo, de abertura para o diálogo franco mas fraterno.

"O Bloco tem-se encontrado numa situação de alguma ambiguidade e que tem dificultado a passagem da mensagem. Temos sido colocados muito na defensiva por via de uma certa reconfiguração da agenda política central nos últimos anos, em grande medida em resultado da subida da extrema-direita"

“Pureza tem capacidade de comunicar, de fazer pontes, e sentido de humor”

Pedro Soares, que tem sido o rosto da oposição interna no Bloco, disse aqui na Vichyssoise que o José Manuel Pureza faz parte do núcleo central e da entourage de Mariana Mortágua e que é escolhido para manter a mesma linha. Faz sentido repetir essa mesma fórmula se querem resultados diferentes?
Não entendo exatamente o que é que essa crítica quer dizer e não me revejo nela. É um facto que o José Manuel Pureza tem estado presente naquilo que é a história mais recente e menos recente do Bloco, há muitos anos.

E tem estado, pelo que sabemos, de acordo com a linha política que o Bloco tem seguido.
Tem acompanhado de uma forma geral aquela que tem sido a moção A, a linha dominante, e tem estado presente nos seus órgãos dirigentes de diferentes formas e também publicamente e em termos de responsabilidades no país; enquanto deputado, na própria mesa da Assembleia da República, e isso para nós é também importante, na medida em que conhece bem o jogo político, conhece bem o país, conhece bem os parâmetros em que a ação política se desenvolve. É um facto que não é um coelho tirado da cartola, que ninguém conhece ou que não tem nenhuma relação com aquilo que vem de trás. Mas também não queremos enjeitar e renegar o nosso passado, a nossa matriz ideológica.

Então o que é que o José Manuel Pureza traz de novo? É uma questão de perfil, por ter menos anticorpos do que Mortágua? 
Qualquer pessoa que está na vida política durante algum tempo, enfrentando tantos interesses de forma tão corajosa como faz a Mariana Mortágua, e que tem sido objeto de um ataque de estimação por parte da extrema-direita, naturalmente terá anticorpos. Mas são inúmeras as pessoas que se reveem na coragem e na competência, na abnegação da Mariana Mortágua. O único motivo pelo qual não é ela a nossa proposta para a coordenadora é o facto de ela se ter mostrado indisponível. Nesse sentido, não há uma decisão deliberada de troca de líderes. Agora, reconheço que novas pessoas poderão trazer novas ideias, novas formas de comunicar, novas formas de agir. Nesse contexto, José Manuel Pureza tem características especialmente apropriadas, porque é uma pessoa que tem uma grande capacidade de comunicar, de fazer pontes, tem um sentido de humor muito fino – até os adversários reconhecem isso –, será uma boa pessoa para ajudar a passar a mensagem numa altura em que sentimos esta necessidade de, com grande humildade, para com o exterior do próprio partido, para dentro também, falarmos com os vários setores da sociedade que já estiveram mais próximos do Bloco e que se afastaram. Acho que José Manuel Pureza tem mais facilidade em fazer esses pontes.

"Pureza tem uma grande capacidade de comunicar, de fazer pontes, tem um sentido de humor muito fino – até os adversários reconhecem isso –, será uma boa pessoa para ajudar a passar a mensagem numa altura em que sentimos necessidade de, com grande humildade, falarmos com os vários setores da sociedade que já estiveram mais próximos do Bloco"

“Temos de falar para abstencionistas e população descontente que aderiu à extrema-direita”

O PS escolheu José Luís Carneiro para líder, o José Manuel Pureza será o candidato à liderança do Bloco, ambos são considerados mais moderados dentro de cada um dos seus partidos. Perante uma viragem do país à direita, a esquerda deve passar alguma ideia de moderação? 
Não, pelo contrário. Deve ter ousadia, coragem, alegria, mas sobretudo não ficar defensiva, presa numa resposta a uma definição da agenda política que oscila entre um polo liberal e um polo neofascista, de extrema direita, extremamente agressivo, que põe em causa alguns dos direitos fundamentais. Deve ter a ousadia de propor horizontes de transformação que respondam às necessidades da grande maioria das pessoas, das pessoas que trabalham, das pessoas que estão em situação de pobreza, que cuidam, que confiam no SNS, na educação pública. Todas estas imensas maiorias sociais precisam de respostas. Acreditamos que as respostas liberais e as respostas de extrema-direita não são boas respostas, geram desigualdade e exclusão. Continua a haver toda a margem para que haja uma proposta socialista convicta e, embora seja necessário repensar as nossas formas de comunicação, ter uma grande humildade para escutar as pessoas, porque é que muitas delas ou algumas delas já não se reveem nas nossas propostas ou sentem que não estamos a canalizar as suas inspirações da forma que fazia com que tivessem mais confiança em nós. Embora deva haver essa humildade e essa recalibração da comunicação, o que não deve haver é uma desistência daquilo que é a nossa matriz ideológica.

Mas encontra alguma explicação para a falta de adesão do eleitorado ao Bloco? Ao contrário, por exemplo, o Livre tem feito um caminho oposto, o próprio PCP tem conseguido crescer entre o eleitorado mais jovem. Considera que esse crescimento pode ser o responsável pelo esvaziar do Bloco? 
A análise é complexa, a transferência de votos é uma análise difícil, é difícil termos dados sobre estas questões. Temos as nossas análises, mais ou menos impressionistas. A primeira questão é que não estamos tão preocupados com a questão da concorrência à esquerda. O PS tem alguns laivos ocasionais, umas pinceladas ocasionais de esquerda, mas tem uma grande ambiguidade de política e posicionamento. Quanto aos partidos verdadeiramente de esquerda, à esquerda do PS, tomara nós que esse polo tivesse o peso e a significância e a representação eleitoral e na sociedade que tinha ainda há dez anos. Este polo chegou a valer facilmente 20% e hoje em dia está muitíssimo reduzido, embora haja alguma reconfiguração e distribuição dos votos entre diferentes partidos dentro deste polo, o grande problema tem sido a redução do polo de esquerda como um todo. Muitas vezes esse voto até tem uma natureza sociológica distinta: sabemos que o voto típico do PCP tem uma determinada matriz sociológica, idem para o Livre, que é um voto tipicamente mais liberal, de uma esquerda mais liberal, que muitas vezes não se assume necessariamente como socialista ou anticapitalista… há distinções, é positivo que assim seja, isso não impede que trabalhemos em conjunto. Aliás, referiu a minha campanha em Cascais, foi feita em coligação com o Livre e com o PAN e foi uma ótima experiência e achamos que estas experiências devem repetir-se em diferentes planos, em diferentes eleições.

Mas o Bloco acaba por estar condenado a esse movimento alargado de esquerda? Daniel Oliveira chegou a dizer que “o Bloco por si só dificilmente tem futuro”. Concorda? 
Seguramente não concordo, acho que esse epitáfio é precipitado. Há um espaço de aspiração e de representação que o Bloco representa em termos de visão de sociedade e de grupos na sociedade que têm aspirações legítimas e maioritárias, em muitos casos que não estão a ser bem representadas, que cada vez mais vão sentir as suas aspirações coartadas por aquilo que é esta deriva liberal por parte do atual Governo, com o respaldo na direita mais liberal e na extrema-direita. É fundamental que haja uma resposta que seja simultaneamente socialista, democrática, anticapitalista, também anticonservadora. Esse pólo tem um espaço e encontra condições no Bloco que não encontra em outros partidos. Não é tanto relativamente aos outros partidos de esquerda que deve ser a preocupação do Bloco andar a disputar votos; deve ser sobretudo ir disputar os votos de uma população descontente que está ou na abstenção ou que, de forma muito equivocada, tem vindo a aderir de forma crescente à extrema-direita. A extrema-direita é que não lhe vai dar as respostas que legitimamente aspira e anseia e que o Bloco tem todas as condições para dar. É sobretudo para aí que devemos direcionar a nossa comunicação e a nossa proposta política. Não se trata apenas de falar para estas pessoas, trata-se de falar com estas pessoas, de trabalhar com estas pessoas e lhes dar voz.

"Não é tanto relativamente aos outros partidos de esquerda que deve ser a preocupação do Bloco andar a disputar votos; deve disputar votos de uma população descontente que está ou na abstenção ou que, de forma muito equivocada, tem vindo a aderir de forma crescente à extrema-direita"

“Tenho muitas dúvidas de que Seguro seja de esquerda”

A esquerda não tem ninguém no Palácio de Belém há praticamente 20 anos e o Parlamento está com maioria à direita. Não tinha feito sentido apostar numa candidatura de união para Belém? 
Tinha, acho que sim. Teria sido positivo haver uma candidatura unitária à Presidência da República. Faz cada vez mais sentido trabalho unitário em diferentes esferas, nas candidaturas autárquicas, em termos de articulação para o trabalho parlamentar, em termos de convergências políticas. É conhecido que houve algum trabalho com vista a possibilitar uma solução de convergência unitária em torno de Sampaio da Nova, infelizmente não foi bem sucedida, possivelmente não foi muito bem conduzida, mas também não estou exatamente por dentro dos detalhes do processo.

Portanto, o problema para a inexistência dessa candidatura unitária está em António José Seguro, não é um candidato que conseguisse unir as várias esquerdas? 
O problema fundamental é que António José Seguro não tem sequer vontade de se assumir como um candidato de esquerda, e nem sequer se trata apenas uma questão da mensagem que está a passar nestas eleições, em que teve aquele momento em que recusou a ideia de ser um candidato de esquerda; depois lá aceitou muito a medo e com muitas cautelas ficar levemente encostado ao centro-esquerda. Nem sequer é disso que estou aqui a falar, mas em todo o percurso e caraterísticas do ponto de vista ideológico e de posicionamento, nomeadamente no período em torno da troika, na forma como lidou com o governo PSD e CDS no momento da troika, dos programas de ajustamento económico ao financeiro e todas as agressões e regressões que isso representou para os trabalhadores em Portugal. Em muitos desses aspetos achamos que  António José Seguro está longe de representar a visão social de esquerda democrática. Será com certeza um democrata, faço-lhe essa justiça, mas tenho muitas dúvidas que seja de esquerda, seguramente não é de esquerda como a esquerda que nós aspiramos, enquanto outros candidatos o serão. A questão é que a forma como o processo decorreu, infelizmente, não permitiu uma articulação suficientemente plena, houve quem quisesse avançar sem ter disponibilidade para conversar, e quando isso acontece fica difícil…

Está a falar do PCP? 
Em particular do PCP, o que eu lamento, sim.

No Bloco, e não só, há quem que diga que o PCP entrou aqui numa deriva de autossobrevivência, de algum sectarismo, concorda com essa visão?
Registo como um facto que o PCP decidiu apresentar um candidato à Presidência da República alguém extremamente respeitável, por quem tem muito apreço político, que é o António Filipe, mas decidiu apresentá-lo sem qualquer preocupação ou vontade de convergência, da mesma forma que também nas autárquicas foi essa a postura do PCP, e nem sequer vou falar especificamente do caso de Lisboa, porque na verdade foi a estratégia e a opção para o conjunto do país. O PCP, pelas suas opções e motivos que serão respeitáveis em termos de decisão interna, decidiu que iria sozinho e que não estava disponível para conversar, nem para procurar articulações, inclusive em casos em que havia disponibilidade para serem os candidatos da CDU a liderarem eventuais coligações. Eu registo e lamento, acho que seria positivo que pudéssemos ter uma maior articulação, não se trata de uma fusão, temos identidades distintas, o Bloco e o PCP, temos posicionamentos distintos em relação a algumas coisas, apesar de convergirmos na maioria, mas seria importante poder haver mais convergências e lamento que não o seja. A partir do momento em que isso não foi possível, da nossa parte, houve uma disponibilidade pessoal da Catarina Martins para avançar e  acho que é uma candidata fantástica.

E deve ir até o fim ou as sondagens podem indicar alguma necessidade de pragmatismo e de um apoio de última hora, por exemplo, em António José Seguro, mesmo que tenha que tapar a carinha no boletim de voto? 
Não, não vejo que isso faça sentido. Em primeiro lugar, as sondagens são relativamente animadoras, face àquilo que eventualmente alguns poderiam prognosticar olhando aos resultados mais recentes do Bloco: claramente é uma candidatura que vai muito além da representação eleitoral do Bloco nos tempos recentes, o que mostra bem que a Catarina Martins é reconhecida pelas pessoas como alguém que tem capacidades pessoais notáveis e que merecem confiança. Conhece muito bem o país, tem feito um trabalho notável a dar a conhecer o país, as pessoas que trabalham, as pessoas que cuidam, as suas necessidades, o que deveria ser feito para melhorar a sua condição e, nesse sentido, não só é fundamental que esteja presente para trazer para a campanha toda esta mensagem e toda esta visão, que sem ela não estaria representada, como é importante que vá até ao voto. Depois logo veremos, dentro deste contexto, se consegue passar à segunda volta. Se não for o caso, na segunda volta, pode-se falar em tapar boletins de voto.

“Contra Gouveia e Melo, votaria em António José Seguro”

Vamos avançar para o segundo segmento do nosso programa, o bloco Carne ou Peixe, em que só pode escolher uma de duas opções. Em quem votaria numa segunda volta das presidenciais entre Gouveia Melo e António José Seguro?
Esperando que não tenha que fazer essa escolha por causa da minha candidata passar à segunda volta, mas se fosse essa a circunstância, entre esses dois candidatos de centro, eu votaria provavelmente no António José Seguro.

E com quem é que preferia partilhar um camarote no Estádio da Luz: José Luís Carneiro ou Luís Montenegro?
Apesar de tudo o que disse, é inquestionável que a minha proximidade política será relativamente maior para o José Luís Carneiro, mas apesar disso teria mais interesse em partilhar o camarote com o José Luís Carneiro, que pelo meio das jogadas do Benfica sempre aproveitaria para trocar impressões sobre a política e fazer algumas críticas à sua governança.

Quem é que iria apoiar na reta final de uma maratona: Pedro Soares ou Rui Tavares? 
São ambas pessoas com quem tenho uma excelente relação pessoal, curiosamente e conheço há muitos anos. Apesar das diferenças políticas, o Pedro Soares é um camarada. O Pedro Soares partilha partido comigo e há divergências conhecidas face à moção A, mas pessoalmente tenho uma ótima relação. Com o Rui Tavares também tenho uma excelente relação. Teve a generosidade de vir por duas vezes a Cascais na última campanha. Gosto sempre muito de estar com ele e falar com ele sobre as mais diversas coisas. É difícil dizer. Só porque não vejo o Pedro Soares há mais tempo, escolho o Pedro Soares.

Com quem é que iria comer um gelado à Santini em Cascais: José Manuel Pureza ou Mariana Mortágua? 
Vou com os dois. São camaradas e amigos e tenho o maior gosto de ir com ambos. Com o José Manuel Pureza vou estar de forma mais próxima no trabalho direto neste fim de semana, se bem que obviamente a Mariana [Mortágua] também lá estará e é muito importante que esteja. Depois a seguir preciso de combinar algumas coisas com a Mariana Mortágua em torno de trabalho académico que temos para fazer em comum, por isso neste caso combino o gelado com ela.

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