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Octavio Passos/Observador

Octavio Passos/Observador

No NorteShopping houve filas, mas menos confusão do que no primeiro desconfinamento. 7 relatos na primeira pessoa /premium

Longe da enchente no primeiro desconfinamento, na reabertura do NorteShopping houve filas à porta de lojas, mais seguranças e mais funcionários da limpeza. Sete relatos na primeira pessoa.

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Passavam poucos minutos das 10h, hora marcada para a reabertura da maioria das lojas do NorteShopping, em Matosinhos, e a entrada principal estava praticamente deserta. A céu aberto, saltavam à vista apenas os elementos da equipa de segurança, as fitas pretas que indicam o caminho correto da fila e os avisos amarelos que ordenam o uso de máscara e o distanciamento social. No interior do centro comercial, várias escadas rolantes circulavam ainda sem pessoas, o corredor das lojas infantis estava especialmente silencioso e das colunas soava música portuguesa, frequentemente interrompida com mensagens a relembrar as regras que já todos sabem de cor.

À porta de lojas como a Lefties, a SportZone ou a Tous, várias pessoas aguardavam a autorização de um funcionário para poder entrar, mas era junto à Primark que se verificava o maior número de clientes. A fila começava no parque de estacionamento subterrâneo e dois elementos da equipa de segurança controlavam a subida pelas escadas rolantes e tentavam garantir o distanciamento recomendado.

Uns aproveitavam o tempo de espera para tomar um café no quiosque mais próximo, outros tentavam a todo o custo entreter as crianças no carrinho, cujo choro impaciente se fazia ouvir, muitos seguravam sacos no braço com produtos para trocar ou devolver. Apesar de existir uma fila prioritária para grávidas, acompanhantes de crianças e pessoas com mobilidade reduzida, o tempo de espera aumentava com o passar das horas.

Das montras viam-se autocolantes que indicavam o número máximo de clientes que cada espaço pode ter, mas também cartazes com percentagens de saldos, sugestões para o Dia da Mãe e manequins com uma mistura de roupa de outono e de verão. Os cinemas estavam prestes a acender as luzes e na zona da restauração os funcionários da limpeza empurravam carrinhos com sacos de plástico e no caminho cruzavam-se com os estafetas da UberEats e da Glovo, que percorrem o centro apressados.

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O ambiente desta manhã esteve longe da enchente do primeiro desconfinamento, em junho, cujo número limite de 4.200 pessoas no centro foi atingido, obrigando a um controlo reforçado nas entradas. Desta vez, a máscara não foi esquecida e a confusão não reinou nos corredores. Ouvimos sete relatos, de clientes e funcionários, sobre este regresso.

Apesar das filas à porta de algumas lojas, o ambiente do shopping era calmo e organizado

Octavio Passos/Observador

Susana Matos, responsável pela farmácia Ferreira da Silva

“As pessoas vêm diferentes, mais confiantes porque muitas delas já foram vacinadas”

A farmacêutica nunca parou de trabalhar durante o confinamento e hoje nota que os clientes chegam com mais confiança

Octavio Passos/Observador

“Um centro comercial é um lugar de conveniência e, a partir do momento em que tem quase todas as lojas encerradas, as pessoas deixam, naturalmente, de vir. Durante o período de confinamento, estivemos sempre abertos, incluindo aos fins de semana, e sentimos uma quebra significativa de 40%. Na farmácia conhecemos bem os clientes que frequentam o centro diariamente, alguns diziam-nos que ficavam tristes por verem o espaço despido, até se sentiam deprimidos. Hoje já sentimos um maior fluxo. Abrimos às 9h, como é habitual, mas, ao contrário do primeiro desconfinamento, as pessoas vêm diferentes, mais confiantes, porque muitas delas já foram vacinadas e isso faz toda a diferença. Em junho, quando o centro reabriu na totalidade, os clientes sentiam-se condicionados, achavam que talvez não estivessem a fazer a coisa certa, mas hoje nota-se que já conhecem melhor a doença, sabem como se proteger, sabem que existe uma vacina e isso faz com que se sintam mais desculpabilizados e mais relaxados. Já ninguém se esquece da máscara no carro, penso que todos já se habituaram às regras, já não as questionam, e os seguranças são muito rigorosos na avaliação de comportamentos que podem não ser os mais adequados ao momento que estamos a viver. No geral, as pessoas estão contentes por poderem retomar as suas rotinas e sentem-se completamente seguras cá dentro. Na minha opinião, os centros comerciais já deviam ter reaberto, tinham condições para reabrir antes mesmo das esplanadas, pois numa esplanada tiramos a máscara para comer e beber e se calhar não a voltamos a colocar. Isso, sim, são comportamentos de risco, aqui está sempre toda a gente, o tempo todo, com ela no rosto. Por falar em rosto, noto que os hábitos de consumo também mudaram um pouco, há mais procura de produtos de beleza, para cuidado de rosto e corpo, e de suplementos para melhorar o sono ou reforçar a imunidade. As pessoas estão preocupadas com a sua aparência, isso é evidente.”

Michel Vilela, lojista

“Tenho a expectativa de vender 100 peças hoje, mas acho que não será possível”

Michel abriu a loja Dakar esta segunda-feira e acredita que o poder de compra dos portuenses continua o mesmo depois do confinamento

Octavio Passos/Observador

“Sou responsável por quatro lojas no shopping, uma delas abre hoje pela primeira vez. É complicado abrir uma loja nova nesta fase, mas acreditamos no projeto e temos de começar por algum lado. O momento não é, de facto, o ideal, mas foi quando surgiu a oportunidade e queremos aproveitar, até porque este centro tem muita afluência. Estava ansioso por esta reabertura, apesar de todas as limitações que temos relativamente ao espaço e ao atendimento. É muito mau aos fins de semana sermos obrigados a encerrar às 13h, limita não só a nossa faturação, mas também os próprios clientes, que precisam de tempo para vir às compras e, quando têm efetivamente esse tempo, as lojas fecham as portas. Hoje tenho a expectativa de vender 100 peças no novo espaço, mas penso que não será possível, quem vem ao shopping vai diretamente às lojas que já conhece, também não fizemos grande publicidade, mas acredito que o poder de compra se mantém. Pela experiência que tive nas outras três lojas, o primeiro desconfinamento foi mais difícil, as regras não estavam tão interiorizadas, havia mais resistência à mudança e a procura foi muito maior, as pessoas estavam mais ansiosas para virem às compras e a esta hora já havia uma enchente que até agora não se verificou. Atualmente os clientes já aceitam melhor as medidas impostas, cumprem o distanciamento necessário, estão com menos receio e já se mentalizaram que, para frequentar este tipo de espaço, não podem vacilar. No nosso caso, por exemplo, melhorámos a loja online, onde notámos um grande crescimento, e na loja o cliente pode experimentar toda a roupa e calçado, mas depois as peças têm de ficar numa espécie de quarentena durante 48 horas, são desinfetadas e mais tarde regressam às prateleiras.”

Nuno Aguiar, diretor do NOS Cinemas

“Para já não vamos ter pipocas nem bebidas, mas, comparando com os restaurantes, temos condições iguais ou melhores”

O responsável pelos cinemas lamenta o horário reduzido aos fim de semana e garante que o cartaz é variado e surpreendente

Octavio Passos/Observador

“Estamos com uma grande vontade de receber o nosso público, temos quase tudo preparado para abrir às 13h com um cartaz muito forte, como já não tínhamos há um ano. Há vários filmes candidatos aos óscares e outros pensados para toda a família, é uma oferta variada que será renovada nas próximas semanas. As regras de segurança e limpeza mantém-se relativamente ao primeiro desconfinamento, o nível de exigência será exatamente o mesmo, a vantagem é que agora já temos alguma prática e tudo será mais mecanizado. Nas nove salas que temos disponíveis, a lotação diminuiu cerca de 60%, por isso o distanciamento social está garantido. Não há intervalos, renovamos o ar seis vezes por hora e estabelecemos horários de filmes faseados para que não exista cruzamento nas zonas de entrada e saída. Penso que os cinemas estão preparados, o cartaz é convidativo, espero que as pessoas adiram ao cinema, as nossas expetativas são boas, pois nada substitui a experiência de uma sala com tela e um bom sistema de som. Durante o confinamento tivemos pipocas disponíveis para delivery, mas as vendas não foram significativas. Para já, a venda de pipocas e bebidas não é permitida, mas estamos a fazer um esforço grande para que isso se altere o mais rapidamente possível. Se nos compararmos com os restaurantes, penso que temos condições iguais ou melhores. Aos fins de semana teremos apenas uma sessão por dia, das 10h às 13h, mas espero que daqui a 15 dias possamos alargar esse horário, seria bom sinal.”

Cátia Maia, supervisora da equipa limpeza

“A zona da restauração é a mais problemática, é onde temos de ter mais cuidados”

A responsável pela limpeza do centro admite que a zona da restauração é a que exige mais cuidado e atenção

Octavio Passos/Observador

“A pandemia veio alterar muito o nosso trabalho, na primeira fase foram logo implementados os equipamentos de proteção individual, com máscara, luvas, touca e aventais descartáveis, que são depositados no lixo no fim de cada turno, e a equipa de limpeza, composta por 30 funcionários, foi reforçada em todo o centro com 10 pessoas no primeiro desconfinamento e agora com mais 15. Há uma clara aposta na limpeza, é uma função fundamental para que as pessoas se sintam bem aqui dentro, no entanto, a zona da restauração continua a ser a mais problemática, é a que exige mais cuidados da nossa parte, pois as pessoas sentam-se e tiram automaticamente a máscara. Quando são chamadas à atenção, respeitam a regra e pedem desculpa. Sempre que um cliente sai de uma mesa, temos de a desinfetar imediatamente e no resto do espaço somos responsáveis pela higienização do chão, caixas multibanco, puxadores das portas, varandins, corrimões das escadas rolantes e sofás. Durante os meses de confinamento, nunca parámos de trabalhar e até aproveitámos para fazer limpezas mais profundas, que normalmente só podemos fazer durante a noite, como limpar as clarabóias com grua, paredes, colunas, parques infantis e parques de estacionamento, que também são muito importantes. Já tínhamos saudades de ver o centro com mais gente e movimento, assim parece que o tempo até passa mais rápido.”

Carla Salgueiro, cliente

“Parecia um shopping abandonado, um Apocalipse, hoje é a loucura”

Carla aproveitou a manhã livre para devolver compras online e espreitar as novidades da estação

Octavio Passos/Observador

“Tinha umas coisas que comprei online e queria devolver, aproveitei hoje que tive a manhã livre do trabalho para as vir devolver. Podia fazê-lo por correio, mas assim também consegui ver as montas e as novidades da estação. Devolvi tudo e só comprei umas coisas para a casa e um colar, mas não vi quase nada em saldo. Já tinha muitas saudades de vir às compras, vivo aqui perto e visitava o centro durante o confinamento, para ir ao banco e à Fnac, mas era estranho, parecia abandonado, um Apocalipse, tudo fechado, meio às escuras, hoje é a loucura. Está mais gente do que estava à espera, cheguei mesmo às 10h e não tinha noção de que tanta gente teria disponibilidade para estar aqui a essa hora, até porque as universidades também reabriram hoje. Não havia fila à porta do shopping, só encontrei fila na Zara, mas depois apercebi-me de que nem era necessário estar à espera. As pessoas podiam ter entrado todas ao mesmo tempo, mas muitas têm medo e julgam que têm de estar à porta, entrei pela secção de homem e ninguém me disse nada. Até agora, ainda não vi ninguém sem máscara, o que é bom, há lojas que não têm funcionários a controlar as entradas e as pessoas estão um bocado a monte, mas a maioria tem esse cuidado e esse controlo. Sinto-me segura, mas não sei qual é o verdadeiro impacto de as lojas estarem abertas na pandemia, não tenho essa informação técnica, não sei se estar aqui é perigoso ou não, mas estou confiante por mim, porque cumpro todas as regras.”

Alaison Almeida, cliente

“Achava que ia estar mais gente, penso que isto poderia ter reaberto mais cedo”

O casal brasileiro visitou o shopping para comprar roupas para o bebé que vem a caminho

Octavio Passos/Observador

“Acabei de chegar, só tive tempo para ir à casa da banho. Vim com a minha mulher, que está grávida e precisa de comprar coisas para o bebé e para ela. Nem sempre é fácil comprar este tipo de coisas online e aqui encontramos uma grande variedade de lojas. Somos brasileiros, vivemos no Porto há três anos e somos clientes assíduos deste shopping. Não adotámos cuidados especiais para vir aqui, mantemos a máscara no rosto e o álcool gel na carteira, nunca tive receio de vir às compras quando é necessário. Sinceramente, achávamos que íamos encontrar mais gente neste dia, está tudo muito tranquilo, exceto na entrada de algumas lojas de roupa, o que é normal. Penso que os centros comerciais poderiam ter reaberto mais cedo, o espaço cumpre todas as medidas de higiene e segurança, só não as segue quem não quer. Claro que nem toda a gente tem consciência, mas, se cada um fizer a sua parte, conseguiremos que nada volte a encerrar depois do verão. Se o ambiente se mantiver assim, acho que ainda vamos almoçar por aqui.”

Cristina Vasconcelos, cliente

“Ouvi o segurança a pedir várias vezes para as pessoas se afastarem na fila”

Cristina saiu da Primark com quatro sacos cheios de roupa, por estar acompanhada pelo filho não esperou muito tempo na fila

Octavio Passos/Observador

“Vim buscar uns óculos para o meu filho à Well’s, que é uma das lojas que sempre esteve aberta, mas como só chegaram hoje tinha mesmo de passar por aqui, então aproveitei para fazer mais umas compras. Quando entrei, por volta das 11h, estava tudo mais ou menos pacato, mas agora já me sinto a sufocar. Na fila da Primark não esperei muito, porque, como vinha com o carrinho do meu filho, tive prioridade, mas lá dentro na caixa já estava muita gente, era necessário esperar uns 10 a 15 minutos para sermos atendidos. Confesso que já tinha algumas saudades de vir às compras, não sou muito fã de compras online, preciso de retificar tamanhos e tocar nas peças antes de as comprar. Vi muita coisa em saldo e entusiasmei-me com isso, há coisas comprei mesmo por impulso. Senti-me completamente segura, acho que o centro estava bem preparado para nos receber, aliás, ouvi o segurança a pedir várias vezes para as pessoas se afastarem na fila e, no geral, elas cumprem e não reclamam. Provavelmente ainda vou ter de voltar aqui esta semana com a minha filha, que vai querer fazer uma verdadeira tarde de shopping. Não sei se esta é a altura ideal para reabrirem as lojas, tudo vai depender do comportamento das pessoas, se houver prudência as medidas ficam como estão, caso contrário, as coisas vão descarrilar e vamos todos sofrer com isso.”

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