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▲Tatyana Kim

Anadolu via Getty Images

▲Tatyana Kim

Anadolu via Getty Images

A mulher mais rica da Rússia: como Tatyana Kim se tornou um alvo prioritário dos drones de Zelensky

Fundou "Amazon" russa em 2004 com o marido e tem uma fortuna de 7 mil milhões de euros. Após tiroteio que envolveu chechenos, divorciou-se e lidera a Wildberries — o novo alvo dos drones ucranianos.

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É o seu “segundo filho”. Tatyana Kim estava a gozar da licença de maternidade, quando percebeu que não havia muitas opções para comprar roupa para criança. Tinha tido a sua primeira filha e queixava-se da falta de alternativas. Assim, entre biberões e comida para bebé, teve uma ideia: criar um negócio online que se pautasse por uma abordagem flexível, entregas grátis e preços competitivos. Começou por vender apenas duas marcas alemãs. Mais de duas décadas depois, construiu um império — a Wildberries, mais conhecida como a Amazon russa — e tornou-se a mulher mais rica da Rússia com uma fortuna avaliada em 8,1 mil milhões de dólares (cerca de 7 mil milhões de euros).

Vigiada pelo Kremlin de perto, a Wildberries transformou-se no principal site de comércio a retalho online na Rússia, principalmente desde a invasão da Ucrânia, depois de as plataformas ocidentais terem abandonado o mercado russo em protesto contra a guerra. Tatyana Kim viu aí uma oportunidade para crescer, ainda que se tenha envolvido numa intensa disputa com o seu ex-marido em 2024 — e que envolveu um tiroteio em Moscovo, na sede da empresa, que até contou com a participação do líder checheno, Ramzan Kadyrov.

Principalmente após 2022, a Wildberries ganhou uma posição dominante no mercado russo, numa área profundamente competitiva. No entanto, desde o último mês, o império construído pela mulher mais rica da Rússia está a entrar em colapso. Através de drones, a Ucrânia tem atacado armazéns e centros logísticos da empresa. São alvos prioritários para o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que acusa Tatyana Kim de vender equipamentos militares e de ajudar a fortalecer a máquina de guerra russa — alegações que a bilionária refuta categoricamente.

epa13130127 Smoke rises from fires at burning warehouses of the Russian internet store Wildberries in Shushary (R) and Utkina Zavod (L) in St. Petersburg, Russia, 24 July 2026. In the night of July 24, the Ukrainian Armed Forces launched a massive drones attack on Wildberries online store warehouses in the Leningrad Region and St. Petersburg. A drone strike caused a fire at Wildberries warehouses in the village of Novosaratovka in the Vsevolozhsk District, Leningrad Region Governor Alexander Drozdenko reported. Three people were injured in moderate condition and are currently receiving medical care.  EPA/STRINGER

▲ Ataques à Wildberries em Shushary

STRINGER/EPA

Os prejuízos avolumam-se para a empresária. Embora mantendo uma postura bastante reservada e fugindo dos holofotes, Tatyana Kim quebrou o silêncio num vídeo publicado online no final de julho. Em causa estava a credibilidade da Wildberries, não apenas para os consumidores — que não viam os seus produtos chegar devido aos ataques ucranianos —, mas também para a vasta rede de parceiros. A plataforma é usada por vendedores na Rússia, na Arménia, na China, na Bielorrússia e em vários países da Ásia Central. Os pilares da empresa — os centros logísticos onde as mercadorias são armazenadas e expedidas — estavam a ser atingidos.

A Ucrânia promete não parar a ofensiva contra o gigante russo do retalho online. Ainda este domingo, levou a cabo um ataque contra um armazém localizado nos Montes Urais, a dois mil quilómetros de território ucraniano. Kiev tem vários objetivos em mente: um deles consiste em criar ainda mais disrupções à economia russa, já em tendência de queda. Mas não é o único. Bastante popular na Rússia, a Wildberries acaba por afetar a vida da população civil, que sente na pele os efeitos do conflito no país vizinho.

Tatyana Kim depara-se com uma das fases mais complicadas da sua vida profissional, gerindo uma situação de crise que não tem fim à vista. Por causa disso, a mulher mais rica na Rússia anunciou que vai descentralizar os centros logísticos da Wildberries, de maneira a mitigar o risco de novos ataques ucranianos. Ao mesmo tempo, o Kremlin tem saído em defesa da bilionária e tem tentado apoiá-la, assim como a vasta rede de vendedores, para tentar evitar uma vaga de falências de várias pequenas e médias empresas.

A professora de inglês que singrou no mundo empresarial com o beneplácito do Kremlin

Nascida em 1975 na região de Moscovo, Tatyana Kim é filha de pais de etnia coreana. Em criança, sofreu bullying por pertencer à minoria, um episódio que a marcou negativamente, como reconheceu em várias entrevistas. Formou-se em Língua Inglesa e em Alemão e iniciou a sua carreira profissional como professora, dando explicações e aulas particulares. No início dos anos 2000, conheceu o seu futuro marido, Vladislav Bakalchuk, com quem casou apenas seis semanas depois do primeiro encontro. Foi com ele que fundou a Wildberries, após o nascimento da primeira filha do casal.

Como recorda a agência de notícias russa RIA, o casal enfrentava dificuldades financeiras. Dando apenas aulas particulares, Tatyana Kim percebeu que não teria rendimentos suficientes enquanto criava a filha. Em simultâneo, tinha várias dificuldades em comprar roupa para bebé na Rússia e considerava a oferta pouco atrativa. Assim, com o apoio do marido, lançou um site que revendia produtos das marcas alemãs Otto e Quelle, aplicando uma margem de apenas 10% sobre o valor de compra original.

O negócio — desenvolvido inicialmente no apartamento do casal, com as encomendas a serem entregues à mão — cresceu rapidamente e tornou-se um sucesso. Em 2006, abriram o primeiro armazém e contrataram alguns familiares para a Wildberries, tornando-se pioneiros na Rússia ao comercializar calçado online no setor do retalho. O nome da empresa, que se traduz para português como “Frutos Silvestres”, foi escolhido para “alegrar a vida dos clientes” e conferir à marca uma “imagem única”.

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▲ Armazém da Wildberries em 2018

Bloomberg via Getty Images

A expansão da rede de internet na Rússia, assim como a consolidação de uma classe média com poder de compra, abriram as portas para que a Wildberries se destacasse. A partir de 2010, o casal optou por uma nova estratégia: atrair parceiros russos que passassem a vender os seus produtos na plataforma. A ideia era tornar as compras online simples e acessíveis, eliminando barreiras para conquistar a confiança de uma população de mais de 140 milhões de potenciais consumidores.

A competição no comércio online revelava-se feroz, quer devido às gigantes internacionais como a Amazon, quer devido às plataformas chinesas. No entanto, a Rússia está longe de ser um mercado simples: é o maior país do mundo e criar cadeias de abastecimento eficazes representa um enorme desafio. Se em Moscovo e São Petersburgo a logística é simples, o mesmo não acontece nas províncias do Extremo Oriente ou na Sibéria. Foi precisamente nesse vácuo que a Wildberries prosperou, descentralizando os seus centros logísticos por todo o território russo.

Automatizar processos e criar pontos de recolha com uma interface simples: foi assim que Tatyana Kim se tornou, nas palavras da BBC, na “rainha do retalho online” na Rússia. Em 2019, a Wildberries tornou-se a maior empresa do género no país, superando a concorrência e expandindo-se para mercados como a Bielorrússia, o Cazaquistão, a Arménia e o Quirguistão, entre outros. A fortuna da empresária também aumentou significativamente, convertendo-se na mulher mais rica da Rússia, de acordo com a Forbes.

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▲ Tatyana Kim é tida como a "rainha do retalho" russo

SOPA Images/LightRocket via Gett

O sucesso nos negócios conjugava-se com a maternidade. Tatyana Kim e Vladislav Bakalchuk são pais de sete filhos, os últimos dos quais (gémeos) nascidos em 2021. Na Rússia conservadora que o Kremlin gosta de apresentar, a história da mulher era vendida como um autêntico êxito. Como nota a RIA, é “um exemplo inspirador para muitas mulheres empreendedoras e demonstra com sucesso que a persistência, o trabalho árduo e o talento podem alcançar ótimos resultados nos negócios”.

Integrando a lista dos mais ricos da Rússia desde meados da última década, Tatyana Kim fez parte de uma nova elite empresarial russa. Num país que viu empreendedores a enriquecer massivamente nos anos 90 — sobretudo através da privatização de empresas públicas após a queda da União Soviética —, a empresária tem uma história de vida distinta, quase à imagem do sonho americano. É o exemplo de uma self-made woman que triunfou no novo sistema capitalista adotado pelo país.

Quando chegou ao poder no início dos anos 2000, Vladimir Putin forjou uma aliança com os chamados oligarcas. O negócio era simples: o novo chefe de Estado passava a deter um poder praticamente ilimitado e queria o apoio dos oligarcas ao novo regime. Em troca, o Kremlin garantia aos empresários a proteção dos seus impérios financeiros. O caso de Tatyana Kim é bastante distinto: o seu negócio surgiu e cresceu sempre com o mesmo chefe de Estado à frente da Rússia.

Tatyana Kim é "um exemplo inspirador para muitas mulheres empreendedoras e demonstra com sucesso que a persistência, o trabalho árduo e o talento podem alcançar ótimos resultados nos negócios".
Perfil da agência de notícias RIA, controlada pelo Kremlin

A Rússia é atualmente um sistema capitalista, mas a herança comunista nunca desapareceu: o Estado continua a desempenhar um papel determinante, sobretudo junto dos empresários de topo. Num regime autocrático em que Vladimir Putin deseja manter-se no poder, o Presidente russo vigia de perto aqueles que passam a deter um grande poder económico — um capital que facilmente poderia ser canalizado para a política, onde o chefe de Estado não tolera qualquer interferência.

Tatyana Kim surgiu e cresceu neste ambiente e parece ter sabido jogar sempre pelas regras do jogo. É discreta, reservada (não tem redes sociais) e praticamente não faz comentários sobre política. Talvez por isso a agência RIA — controlada pelo Kremlin — lhe tenha feito vários elogios num perfil dedicado à empresária: “Graças a uma estratégia singular, Tatyana Kim tornou-se numa das líderes empresariais mais influentes da Rússia. O seu sucesso deriva não apenas da sua elevada competência profissional, mas também da sua capacidade de antecipar e de se adaptar rapidamente às mudanças no setor do retalho online“.

O polémico negócio de 2024 — e o tiroteio em que Kadyrov esteve envolvido

A guerra na Ucrânia teve impactos positivos nos negócios da Wildberries. Vários rivais ocidentais abandonaram o mercado russo. Lojas populares como a Zara, a Adidas e a H&M deixaram a Rússia. A oferta e a competição diminuíram significativamente e a empresa aproveitou para consolidar a sua expansão. Em paralelo, Vladimir Putin fechou ainda mais o país, num clima político em que nenhuma crítica (sobretudo à guerra ou ao seu poder) era tolerada.

epa10252410 Customers walk in front of a closed Pull&Bear shop at a Mega mall in Moscow, Russia, 19 October 2022. The Spanish multinational clothing company Inditex group, owner of several fashion retailers including Zara, Pull&Bear, Bershka, Oysho and Massimo Dutti suspended business in Russia on 2022.  EPA/MAXIM SHIPENKOV

▲ Várias lojas internacionais fecharam na Rússia após a invasão da Ucrânia

MAXIM SHIPENKOV/EPA

A Wildberries era vista pelo regime como uma forma de manter o comércio online praticamente inalterado, apesar da guerra. Os russos continuavam a poder comprar roupa pelo computador ou pelo smartphone, que rapidamente chegava às suas casas. A população de classe média dos grandes centros urbanos mantinha o mesmo estilo de vida, mesmo com a debandada de empresas ocidentais. Mas esse domínio do retalho, especialmente numa altura de menor concorrência, atraiu as atenções do Kremlin.

Neste contexto, em 2024, Tatyana Kim liderou o processo de fusão da Wildberries com uma empresa de publicidade associada a homens fortes do Kremlin. Esse negócio foi altamente contestado pelo marido. Vladislav Bakalchuk denunciava que o poder político e corporativo estava a tentar assumir as rédeas da gigante do comércio online. A empresária ignorou as acusações e avançou com o processo, justificando que a parceria permitiria criar uma plataforma digital global e um novo sistema de pagamentos em rublos que contornaria as sanções ocidentais.

A separação não se limitou ao mundo dos negócios. A rutura entre o casal foi total: a fusão com o Russ Group levou mesmo a que se divorciassem. Tratou-se de um divórcio litigioso que fez manchetes na imprensa russa. Tatyana Kim acabou por ficar com a totalidade das ações do ex-marido, assegurando o controlo de 65% da joint venture criada entre a Wildberries e o Grupo Russ.

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▲ A Wildberries foi reestruturada em 2024 — e Tatyana Kim liderou esse processo contra a vontade do marido

SOPA Images/LightRocket via Gett

Porém, o divórcio teve implicações ainda mais significativas. Em setembro de 2024, a sede da Wildberries em Moscovo foi palco de um tiroteio que fez duas vítimas mortais. Vladislav Bakalchuk tentou entrar no edifício acompanhado por homens armados de origem chechena — entre os quais lutadores de artes marciais —, após ter obtido o apoio público do líder da Chechénia, Ramzan Kadyrov, para travar a fusão da empresa com o Russ Group.

Esta aliança parecia ser contranatura. Ramzan Kadyrov é um aliado de Vladimir Putin, num negócio que contava com o apoio tácito do Kremlin. Contudo, Vladislav Bakalchuk soube premir os botões corretos para garantir o apoio do líder checheno. O empresário argumentou que o mundo corporativo estava a tentar destruir uma empresa familiar tradicional.

Surpreendentemente, o líder da Chechénia saiu em defesa de Vladislav Bakalchuk. Prometeu que ia estar ao lado dele “até ao fim”, defendendo publicamente que Tatyana Kim “devia regressar a casa” e deixar a gestão do negócio para o marido, fazendo jus às suas ideias de conservadorismo social. Entre vídeos nas redes sociais e intervenções policiais, as equipas de segurança do edifício em Moscovo entraram em confronto armado com os chechenos, o que resultou em duas vítimas mortais.

Russian President Vladimir Putin Receives King Salman Of Saudi Arabia At The Kremlin

▲ Ramzan Kadyrov saiu em defesa do marido de Tatyana Kim e foi contra a fusão

Getty Images

Embora Ramzan Kadyrov se tenha oposto ao negócio, o plano de reestruturação de Tatyana Kim foi avante. A empresária venceu a contenda, contando com o apoio discreto — mas determinante — do Kremlin. Após esta crise de relações públicas que atingiu o domínio familiar, a Wildberries manteve a trajetória de sucesso: alcançou cerca de 95 mil pontos de recolha espalhados por todo o território russo, com mais de metade da população a fazer compras na plataforma pelo menos uma vez por mês.

A estratégia da Ucrânia: desestabilizar a economia russa e a elite

Na Rússia, alguns empresários começaram a expressar alguma irritação com o rumo do conflito, que parece não ter fim à vista. A Ucrânia tem atacado várias refinarias e, mais recentemente, centros logísticos como os da Wildberries — prova de que nem o setor privado está a salvo. Já estrangulada por uma economia de guerra onde o consumo está a diminuir, parte da elite económica estará a tentar sensibilizar o Presidente russo para a necessidade de se sentar à mesa das negociações.

No entanto, o Presidente russo continua sem os ouvir. Mais: sempre que vê a contestação aumentar, aperta a malha e avança com nacionalizações ou reestruturações forçadas. Ainda que exista um setor privado na Rússia, está longe de estar livre das manobras de poder do Kremlin. Como lembra a especialista Natalya Kovaleva num artigo publicado no think tank Chatham House, a elite sabe que Vladimir Putin não vai deixar que ninguém pise o risco.

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▲ Centro Financeiro em Moscovo

Anadolu via Getty Images

“Com menos níveis para influenciar as decisões políticas, as elites estão cada vez mais vulneráveis e dependentes do Kremlin”, frisa Natalya Kovaleva. Exemplo disso foi a detenção de Ilya Traber, um oligarca que mantinha boas relações com Vladimir Putin desde os anos 90 — e que até já chegou a ser visto em festas de aniversário do Presidente. A justificação assentou no facto de ter sido detetado que o empresário esteve envolvido na morte de um rival no mundo dos negócios de São Petersburgo — mas o caso serviu sobretudo de lembrete à comunidade empresarial de quais são as eventuais consequências para quem desafiar o poder político.

Perante a dependência face ao Kremlin, a Ucrânia entende que não serão os oligarcas a sensibilizar Vladimir Putin para se sentar à mesa das negociações e para acabar com a guerra. Empresários como Tatyana Kim, apesar de serem bilionários, não vão fazer nada para terminar o conflito. Assim, ao atacar a “Amazon” russa, os ucranianos pretendem que a população e as elites sintam na pele os custos reais do conflito. Seja na peça de roupa que um morador de Moscovo encomendou e que nunca chegou, seja em prejuízos milionários para os mais ricos.

A Wildberries é um ponto de pressão perfeito na perspetiva ucraniana, porque serve como um exemplo claro para as elites. Ao angariar pequenos vendedores e milhões de consumidores, os ataques à gigante do retalho geram impactos diretos no quotidiano da população russa. “Nem as pequenas empresas, nem as elites com ligações políticas podem contar com o Estado para proporcionar um ambiente empresarial estável — seja para as proteger dos drones ucranianos, seja das crescentes perdas económicas, seja das próprias intervenções estatais. A proximidade ao poder já não garante segurança”, expõe Natalya Kovaleva.

"Nem as pequenas empresas, nem as elites com ligações políticas podem contar com o Estado para proporcionar um ambiente empresarial estável — seja para as proteger dos drones ucranianos, seja das crescentes perdas económicas, seja das próprias intervenções estatais. A proximidade ao poder já não garante segurança."
Especialista Natalya Kovaleva, num artigo publicado no think tank Chatham House

No caso da gigante do retalho, a Ucrânia tem destacado ainda que serve como uma facilitadora da cadeia de abastecimento militar russa. “São instalações logísticas russas, especificamente armazéns utilizados para fornecer material de guerra: equipamento de navegação, componentes para a produção de drones e outros mantimentos para o exército russo”, acusou o Presidente ucraniano.

Em resposta a estes ataques e acusações, Tatyana Kim gravou um vídeo para abordar os “ataques terroristas” ucranianos. “O inimigo declarou publicamente que os ataques à Wildberries são direcionados a cidadãos comuns. O seu único objetivo é exercer pressão, desestabilizar e causar pânico e choque entre a população”, atirou a empresária, que lançou ainda uma mensagem à “comunidade empresarial russa”: “Manter a cabeça fria, ter um plano para nos reorganizarmos a curto prazo, adaptarmo-nos e transformarmo-nos”.

É um “período difícil“, admitiu a mulher mais rica da Rússia, que nunca escondeu a proximidade com o Kremlin. Aliás, a presidência russa tem interesse em manter a Wildberries a funcionar: é controlada por alguém que se mostrou pelo menos conivente com o regime. Por causa disso, foram já ativados vários planos para apoiar a empresa. Grandes bancos russos — como o Sberbank ou o VTB — investiram na gigante do retalho nos últimos anos.

O Banco Central Russo foi acionado, esta segunda-feira, para ajudar as pequenas e médias empresas que foram afetadas pelas quebras da Wildberries. Na mesma linha, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou, no final de julho, que já estão a ser discutidas formas de “apoiar a empresa” e que o Governo está a “monitorizar” os impactos dos ataques ucranianos. Mas ainda não foi tomada nenhuma medida concreta.

A professora de inglês que começou a vender roupa de duas marcas alemãs durante a licença de maternidade transformou-se numa das empresárias mais bem-sucedidas da Rússia. Tatyana Kim juntou-se à elite financeira russa. Para isso, teve de tolerar a influência do Kremlin e subjugar-se às vontades da presidência russa. Isso manteve-a à frente dos negócios e aumentou a sua fortuna, mas também transformou o “seu segundo filho” — a Wildberries — num alvo apetecível para a Ucrânia.

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