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O transporte da droga, os subornos, os luxos milionários e o sexo com menores. O que o "julgamento do século" desvendou sobre El Chapo /premium

Chegou a transportar droga em latas de malaguetas. Comprou a ajuda de autoridades e políticos gastando milhões todos os meses. Tinha sexo com menores que considerava "vitaminas".

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Texto publicado inicialmente a 05 de janeiro e atualizado após ser conhecida a condenação de El Chapo, considerado culpado dos 10 crimes de que estava acusado.

A sala principal do Tribunal Federal de Brooklyn foi o palco daquele que é considerado “o julgamento do século”. Desde o dia 5 de novembro do ano passado, durante quatro dias por semana, que Nova Iorque foi-se habituando a um aparato de segurança fora do normal. Foram os dias em que Joaquín Archivaldo Guzmán Loera saía da prisão para a sala de julgamento e ia ouvindo várias testemunhas, juntamente com o juiz e os membros do júri, revelar sucessivamente as estratégias, os caminhos e os segredos do negócio do tráfico de droga entre o México e os Estados Unidos que liderou durante anos. Ao sexto dia de deliberações, e passados mais de três meses, ‘El Chapo’, o traficante de droga mais poderoso do mundo desde a morte de Pablo Escobar em 1993, foi acusado esta terça-feira de ter traficado para os EUA cerca de 200 toneladas de cocaína e outras drogas ao longo de três décadas. Arrisca-se a uma pena de prisão perpétua.

Em 2016, depois de duas fugas de prisões mexicanas, o governo do México conseguiu capturá-lo de novo e assegurou a extradição do barão da droga para os EUA, onde ‘El Chapo’ seria julgado. Depois de uma pausa para férias de Natal, o julgamento foi retomado esta quinta-feira. Mais do que simples audiências, as idas a tribunal abriram o livro de toda a vida de Guzmán contada pelas testemunhas. Desde o tempo em que o menino de Sinaloa vivia na pobreza até conseguir tornar-se num dos homens mais ricos do mundo graças ao tráfico de droga e a tudo o que esse negócio implicou. E esse tudo é muito. Das criativas técnicas de transporte da droga, às extravagâncias com o dinheiro que chegava do cartel de Sinaloa, houve subornos de milhões e violência brutal com quem não cumpria as suas ordens.

Os primeiros tempos do negócio: a plantação em casa e o boom da cocaína

‘El Chapo’ vivia na pobreza. Nos seus dias de adolescente, ajudava a vender laranjas e pães produzidos pela mãe, mas o dinheiro acabava por não ser suficiente para tudo. “Ele era muito pobre e não tinha nada para comer. E essa foi a razão para ter começado no tráfico de droga”, revelou em tribunal Miguel Ángel Martínez, conhecido como “El Gordo”, braço direito de Guzmán no cartel de Sinaloa entre 1987 e 1993. Martínez não deixou nada por contar: explicou como o barão da droga cresceu e descreveu os primeiros dias da sua ‘carreira’ de traficante.

Guzmán começou por cultivar marijuana perto de sua casa, em Sinaloa, e a produzir heroína ao raspar “aos poucos, todas as manhãs”, a resina das papoilas que tinha plantado. Quando o cartel de Sinaloa foi formado, em meados dos anos 80, existiam apenas 25 funcionários. Mas, com o tempo, chegariam aos 200. Martínez tinha a missão de agendar e rastrear os aviões que transportavam a droga desde a Colômbia até aos Estados Unidos.

O julgamento de 'El Chapo' está a decorrer no Tribunal Federal de Brooklyn, em Nova Iorque, desde o dia 5 de novembro

Lusa

No início, o cartel tinha o tráfico de marijuana como o principal foco do seu negócio, mas Martínez sempre insistiu para que ‘El Chapo’ se dedicasse mais à produção e transporte de cocaína, que dava mais dinheiro e era mais fácil de ser transportada. “Vendíamos um quilo de marijuana por 2 mil dólares. O quilo de cocaína era 15 mil dólares e não ocupava metade do espaço”, explicou El Gordo durante o julgamento.

Os anos 90 vieram trazer um crescimento no tráfico da cocaína e ‘El Chapo’mudou de ‘produto’. Resultou. Enviava os seus aviões a Tijuana para recolher o dinheiro arrecadado com as vendas. Cada um voltava com cerca de dez milhões de dólares. “Era a melhor coisa do mundo”, referiu Martínez.

Aviões, barcos e até submarinos: como era transportada a droga 

Com o apertar do cerco das autoridades ao tráfico de droga, ‘El Chapo’ foi obrigado a melhorar a forma como o transporte da mercadoria era feito do México para os Estados Unidos. E houve muita imaginação, revelou também Martínez noutra sessão do julgamento. Através de um túnel secreto em Água Prieta, na fronteira americana, o cartel de Sinaloa transportou, entre 1985 e 1990, entre 25 a 30 toneladas de cocaína por ano. Porquê este local? A resposta é simples: a zona estava “controlada”, ou seja, a polícia que lá estava era subornada para manter silêncio e fechar os olhos. Foi assim que o negócio teve caminho livre para se desenvolver.

"Eu faço o serviço muito mais rápido. Experimenta e vais ver. Os teus aviões, a tua cocaína e os teus pilotos vão estar muito mais seguros porque eu tenho boas ligações", assegurava Guzmán a Juan Carlos Abadía, líder de um cartel colombiano.

Por esta altura ‘El Chapo’ começava a ser conhecido entre os cartéis colombianos como “El Rápido”, devido “à rapidez com que entregava a droga do México a Los Angeles”, explicou o antigo nº.2 de Gúzman. No entanto, houve uma altura em que as autoridades conseguiram descobrir o túnel e o barão da droga teve de procurar outras formas para transportar a mercadoria. Para isso, usou até latas de jalapeños, as conhecidas malaguetas mexicanas, para armazenar a coca. No interior da embalagem seguia também areia, de forma a alcançar o mesmo peso que o rótulo marcava. Cada camião, com duplo fundo, conseguia transportar mais de 2.000 quilos e todo este negócio levou a um lucro entre 400 e 500 milhões de dólares.

Martínez explicou também que havia compartimentos secretos em carros, tanques de gasolina e até em sistemas hidráulicos colocados debaixo da cama, um deles localizado na residência de ‘El Chapo’, para encobrir o acesso a uma sala secreta onde a droga e o dinheiro eram guardados.

Já Juan Carlos Ramirez Abadía, um colombiano que liderou um cartel que se aliou ao de Sinaloa, testemunhou em tribunal como ficou surpreendido com a eficiência com que Guzmán fechava os negócios. Nos anos em que liderou o cartel do Vale do Norte, na Colômbia, a cocaína era levada para o México, sendo a partir daí que o cartel de ‘El Chapo’ entrava em ação: ficava responsável por tornar possível a droga atravessar a fronteira. “Eu faço o serviço muito mais rápido. Experimenta e vais ver. Os teus aviões, a tua cocaína e os teus pilotos vão estar muito mais seguros porque eu tenho boas ligações”, assegurava Guzmán a Abadía.

'El Chapo', que está preso há dois anos, enfrenta prisão perpétua, caso venha a ser condenado por 11 crimes de tráfico de droga, posse de armas e lavagem de dinheiro

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Estas ligações, contou o colombiano, passavam pelos subornos às autoridades. “Quando os aviões chegavam às pistas clandestinas no México, eram protegidos por polícias federais. Recebiam os aviões e a minha cocaína e faziam eles próprios o descarregamento, o transporte e a escolta”, disse Abadía no julgamento, acrescentando que as pistas, além de estarem bem protegidas, tinham boa iluminação, asfalto sempre novo, boas instalações para reabastecimento dos aviões e até comida estava preparada para oferecer aos pilotos.

Uma vez chegados aos Estados Unidos, os homens do cartel colombiano levavam 60% da droga para vender e, como pagamento pelos serviços, ‘El Chapo’ ficava com 40% do produto. “Eles eram de facato muito mais rápidos. Lembro-me de que faziam o serviço numa semana. Foi a primeira vez que um traficante mexicano entregou a droga tão rapidamente”, relatou em tribunal. O período normal de entrega praticado pelos restantes traficantes era de um mês.

Noutra sessão em tribunal, Ramirez revelou outras formas de transporte da droga. Uma delas a partir do mar, quando os cartéis decidiram alterar a rota e o transporte utilizado perante o crescente controlo aéreo na fronteira. Tudo começava com pequenos barcos de pesca que transportavam a droga do México até águas norte-americanas, ancorando em alto mar, a cerca de 20 quilómetros da costa. De seguida, a carga era colocada em lanchas que levavam a droga para terra. Mas o controlo e vigia da costa também aumentou e o cartel de Sinaloa viu-se obrigado a transportar o “produto” cada vez mais afastado do litoral, revelou Ramirez. Em tribunal, Pedro Flores, que ajuda a traduzir as revelações dos traficantes, esclareceu: “Quanto mais longe estivessem da fronteira, mais alto o preço da cocaína era. Quanto maior o risco, maior a recompensa”.

O negócio parecia estar a ir de vento em popa, com milhões de dólares a chegarem às mãos de ‘El Chapo’. No entanto, nem sempre as viagens da mercadoria eram um mar de rosas. Um dos episódios que Ramirez recordou em tribunal foi o momento em que um dos barcos que transportava 20 mil quilos de cocaína foi afundado. Tudo porque o capitão da embarcação começou a consumir as drogas que estavam no barco, começou a ter alucinações, imaginando que a Guarda Costeira norte-americana se estava a aproximar da embarcação e o ia apanhar. Com medo, decidiu afundar o barco e despejar toda a mercadoria no oceano.

“Ele [o capitão] começou a ver fantasmas e a Guarda Costeira em todo o lado”, revelou Ramirez, citado pelo Daily Mail, confessando como se sentiu quando soube da história. “Quando vi todo aquele mar, fiquei muito triste”. Depois de o barco ter afundado, o capitão foi levado de helicóptero com a ajuda da polícia federal mexicana. Os membros do cartel ainda tentaram enviar mergulhadores para encontrar a cocaína perdida, mas esta apenas foi descoberta um ano depois no Oceano Pacífico. Mesmo assim, parte dela foi entretanto recuperada para ser vendida.

Vicente Zambada Garcia, filho de Ismael Zambada Garcia, o atual líder do cartel antes comandado por ‘El Chapo’, revelou também que muitas vezes o transporte da droga era feito em submarinos e, por vezes, em comboios.

Fotografia recreada de 'El Chapo' durante o julgamento no Tribunal Federal de Brooklyn, em Nova Iorque

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Os subornos de milhões às autoridades e a governantes

Um milhão de dólares por mês. Seria este o valor que muitas vezes era entregue a autoridades e governantes para conseguir o silêncio sobre os negócios da droga e limpar o caminho para o seu transporte pela fronteira. Quem o revelou foi também Vicente Zambada Garcia, que se baseou na sua própria experiência e na do seu pai dentro do cartel. Entre as pessoas que terão sido pagas está um general do exército que fazia parte do departamento de defesa do México e que recebia mensalmente 50 mil dólares do cartel. Em troca, fornecia ajuda e silêncio. Havia também, segundo o testemunho, um oficial militar que chegou a ser segurança do antigo presidente mexicano Vicent Fox.

Mas haverá também governantes na lista de subornados. No primeiro dia do julgamento, os advogados de ‘El Chapo’ tinham uma estratégia de defesa definida. O alvo? Ismael Zambada, que está em fuga e lidera o cartel de Sinaloa depois da prisão de Gúzman, segundo a confissão do próprio filho. Argumentaram que tudo não passava de uma conspiração organizada por ele, o “verdadeiro líder” do cartel. E revelaram que os subornos por ele feitos chegaram aos antigos presidentes do México Enrique Peña Nieto e Filipe Calderón. Os dois, disseram, terão aceitado subornos de centenas de milhões de dólares que eram transferidos por Zambada em nome do cartel da droga.

O porta-voz do governo mexicano, Eduardo Sánchez, rapidamente veio negar tudo e afirmou que “o governo de Henrique Peña Nieto perseguiu, capturou e extraditou o criminoso Joaquín Guzmán Loera”, garantindo que “as afirmações atribuídas ao seu advogado são completamente falsas e difamatórias”. Felipe Calderón seguiu o mesmo caminho e falou em acusações “absolutamente falsas e temerárias”. “Nem ele, nem o cartel de Sinaloa nem nenhum outro fez pagamentos à minha pessoa”, escreveu no Twitter o antigo líder mexicano.

Mas os subornos de ‘El Chapo’ terão passado por Guillermo González Calderoni, que tinha a seu cargo o escritório, em Guadalajara, da direção geral de segurança da Procuradoria-Geral. Segundo o testemunho de Miguel Ángel Martínez em tribunal, Calderoni era tratado como “amigo” e terá trabalhado com o barão da droga entre 1987 e 1992. Terá sido ele quem avisou o narcotraficante de que o Governo estaria a tentar intercetar os aviões que vinham com droga e lhe dava informações sobre como evitar ser apanhado, revelou o El Mundo.

Genaro García Luna, ex-secretário da Segurança Pública do México, também foi apontado em tribunal como outro governante subornado para proteger o cartel. Em troca, terá recebido por duas vezes uma mala com pelo menos três milhões de dólares. O primeiro pagamento foi em 2005, quando estava a cargo da Agência Federal de Investigação mexicana — equivalente ao FBI dos Estados Unidos –, e o segundo quando foi apontado para secretário da Segurança Pública.

Jardim zoológico privado, carros de luxo como presente e 10 milhões em cada avião

Se a história inicial de ‘El Chapo’ contada em tribunal associava-o à pobreza, não demorou muito tempo até serem revelados os luxos que o mexicano conseguia comprar com o dinheiro do negócio em crescimento do tráfico de droga. “Ele tinha casas em todas as praias e ranchos em todos os Estados do México”, revelou também Miguel Ángel Martínez. A acrescentar à lista estavam a frota de quatro aviões privados que transportavam quantias até 10 milhões de dólares obtidos com a venda da mercadoria. Guzmán ficava com 45% do valor. O resto era distribuído pelos funcionários colombianos.

'El Chapo' na capa dos jornais mexicanos quando estava a ser procurado pelas autoridades

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À medida que a riqueza aumentava, ‘El Chapo’ gastava cada vez mais. Ao todo, chegaram a sair do seu bolso 12 milhões de dólares por mês em vários gastos pessoais. Entre eles muitas viagens: “Estivemos no Brasil, Argentina, Europa, Japão, Hong Kong e uma vez ele foi à Suíça para fazer um tratamento de rejuvenescimento”, contou Martínez. Em Guadalajara, no México, Guzmán criou até o seu próprio jardim zoológico com tigres, leões, panteras e veados. Quem por lá passava e queria ver os animais, “percorria o zoo num pequeno comboio”. Já em Acapulco, o mexicano tinha uma casa que comprou por 10 milhões de dólares. E porque dinheiro não faltava, Guzmán não quis perder a oportunidade de ter o seu próprio iate: chamava-se “El Chapito”.

‘El Chapo’ também pegava nos milhões para investir no amor, tendo “quatro ou cinco mulheres diferentes”. Entre elas estará a famosa actriz que mediou a famosa entrevista que deu ao actor Sean Penn. E sustentava-as a todas, além dos “funcionários a quem tinha de pagar” para as servir. Elas ajudavam-no quando precisava de se esconder ou andava em fuga. A acrescentar a isto tudo, presenteava os amigos frequentemente. Prova disso foi quando deu ordens a Martínez para “comprar 50 carros de luxo” para oferecer às pessoas que o protegiam. “Eles podiam escolher entre três modelos: Ford Thunderbird, Mercury Cougar ou Buick”, revelou o antigo funcionário.

Os milhões transportados através dos aviões privados eram, de seguida, colocados numa conta bancária ou trocado por pesos mexicanos no banco e quase nunca se faziam perguntas. “Se eles me perguntassem, eu dizia que era por causa de um negócio de exportação de tomate”, disse Martínez, revelando que recebia cerca de um milhão de dólares todos os meses de dezembro.

Em 2004, Rodolfo Carillo Fuentes, um narcotraficante, foi assassinado juntamente com a sua esposa e dois filhos em frente a um cinema em Sinaloa. Desse ataque, apenas um dos filhos do casal sobreviveu. Durante o julgamento, Jesús Zambada García revelou que o responsável por este ataque foi 'El Chapo'. Não gostou que o adversário ignorasse o seu cumprimento e o deixasse de mão estendida. 

As ameaças e os assassinatos: “Tudo que recebi dele foram quatro atentados contra mim”

Em 2004, Rodolfo Carillo Fuentes, um narcotraficante, foi assassinado juntamente com a sua mulher e dois filhos em frente a um cinema em Sinaloa. Desse ataque, apenas um dos filhos do casal sobreviveu. Durante o julgamento, Jesús Zambada García, irmão de Ismael Zambada, revelou que o responsável por este ataque foi ‘El Chapo’. Segundo esse testemunho, Guzmán não terá gostado do facto de Rodolfo Fuentes não o ter cumprimentado durante uma reunião, deixando-o de mão estendida.

Este foi um de vários episódios de violência e ameaças contados em tribunal e que revelam como ‘El Chapo’ se vingava de quem não seguisse as suas ordens ou fosse contra as suas decisões. Outra situação foi contada por Miguel Ángel Martínez, que revelou que quando foi preso pela primeira vez, em 1998, foi “empurrado para um canto da cela” e esfaqueado 15 vezes por outros prisioneiros. Foi transportado para o hospital e quando teve alta voltou para a mesma cela com os mesmos colegas. “À noite ouvia-os a afiarem as suas facas”, contou numa das sessões do julgamento.

Martínez foi então transferido para outra cadeia. E foi esfaqueado uma segunda vez, quando fazia uma chamada. Para ficar em segurança, teve de ser colocado na solitária. El Gordo diz não esquecer o momento em que os reclusos “começaram a gritar” para ele e a perguntar “qual o tamanho que calçava”. Os prisioneiros queriam os seus sapatos (um bem muito disputado nas cadeias) porque acreditavam que Martínez ia acabar por ser morto. Quem o conseguisse matar iria conseguir o dinheiro oferecido pelo cartel de Sinaloa. “Quando estava a lutar contra a minha extradição nunca mencionei o senhor Guzmán, nunca o deixei, nunca o roubei, nunca o traí. Cuidava de toda a sua família e tudo que recebi dele foram quatro atentados contra mim”, contou o ex-número 2 de ‘El Chapo’.

Os tempos de fartura de ‘El Chapo’ acabaram numa disputa sangrenta entre o cartel de Guzmán e o cartel rival de Tijuana, que terminou num tiroteio numa discoteca e com o assassinato do cardeal Juan Jesús Posadas Ocampo. O conflito gerou indignação no México e “todos ficaram famosos entre a imprensa e os políticos”, tornando-se muito difícil continuar o negócio normalmente, uma vez que as suas fotografias estavam em todo o lado. Guzmán foi preso (pela terceira vez, depois de anteriormente ter escapado da prisão por duas vezes) antes de conseguir executar o plano de fuga para El Salvador, alegadamente para produzir um filme sobre a sua vida.

As relações sexuais com menores, a que chamava de “vitaminas”

A “comadre Maria” servia de intermediária de ‘El Chapo’ e enviava ao narcotraficante fotografias de adolescentes. Depois disso, Guzmán escolhia as crianças e ele próprio ou os seus colaboradores tinham relações sexuais com menores a troco de cinco mil dólares (cerca de 4,4 mil euros). Foi este o relato de uma das testemunhas numa das polémicas mais recentes reveladas no julgamento, onde ‘El Chapo’ foi acusado de manter relações sexuais com menores. A mesma testemunha que contou esta história acusou ainda o secretário do traficante, o colombiano Alex Cifuentes, de também ter tido sexo em “três ou quatro ocasiões” com menores de 15 anos.

Cifuentes terá ajudado ‘El Chapo’ a drogar as menores, “colocando uma substância em pó nas suas bebidas”, referiu a testemunha. Estas menores, acrescentou, eram consideradas por Guzmán “vitaminas” que “lhe davam vida”.

Depois de ouvir as acusações, a defesa de ‘El Chapo’ não tardou em agir: o advogado Eduardo Balarezo “nega as acusações, que carecem de qualquer comprovação e foram consideradas muito prejudiciais e pouco fiáveis ​​para serem admitidas no julgamento”, acrescentando que fazer estas revelações mesmo antes de os juízes começarem a deliberar era propositado.

Extraditado para os EUA, ‘El Chapo’ foi esta terça-feira considerado culpado pelos 10 crimes de tráfico de droga, posse de armas e lavagem de dinheiro. Caso seja condenado, enfrenta a possibilidade de prisão perpétua.

editado por Filomena Martins

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