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Amélia Lageiro

Amélia Lageiro

Os 7 mitos de Cavaco Silva

Não lia jornais, raramente tem dúvidas, não gostava de política, chegou à liderança do PSD à boleia de um Citroen. Quem é, afinal, Cavaco Silva?

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Economista, professor catedrático, ex-ministro das Finanças de Francisco Sá Carneiro – tudo menos homo politicus. Líder social-democrata graças a um conjunto “de circunstâncias imponderáveis”, cozinhadas ao volante de um Citroën BX. À boleia do célebre Congresso da Figueira da Foz, esteve, de uma forma ou de outra, 30 anos à frente dos destinos do país, gastando não mais do que dez minutos por dia a ler jornais. Pelo caminho, ia provocando o crash da bolsa em 1987, mesmo que dissesse nunca se enganar e raramente ter dúvidas. Esta é a história de Aníbal Cavaco Silva e dos mitos que se colaram à figura.

O homem que chegou a líder do PSD por acaso à boleia de um Citroen

Cavaco Silva jura que não. Jura que quando saiu de Boliqueime em direção à Figueira da Foz para o congresso social-democrata não tinha “qualquer intenção de ser eleito líder do PSD”. A ideia era fazer a rodagem do Citroën BX, acabadinho de comprar, mas tudo se precipitou.

Enredado numa “teia” de acontecimentos que não conseguiu controlar, levado em ombros pelos críticos da corrente balsemista, suportado por assinaturas forjadas por Alberto João Jardim, zás, Cavaco Silva era eleito presidente de um partido que ainda se refazia da morte recente de Mota Pinto.

Foi o início de um “fado” que já estava traçado, chegaria a dizer o homem que foi ministro das Finanças, primeiro-ministro e Presidente da República. O alinhamento perfeito (e completamente inesperado) dos astros, insiste. Existe, no entanto, quem conte outra versão dos acontecimentos.

Luís Marques Mendes, por exemplo, chamar-lhe-ia “mito urbano” – um mito urbano alimentado pelo próprio Cavaco Silva na sua autobiografia política, mas desmentido por quem esteve por dentro do processo. Primeiro, foi trabalhada a imagem do futuro líder.

Ao Expresso, a atriz Glória de Matos chegaria mesmo a revelar que tinha ajudado Cavaco Silva a superar alguns problemas de dicção bem antes do célebre congresso. Com uma “queixada saliente, dentes desencontrados, língua pouco trabalhada“, um “problema de dicção e de silabação”, o ex-ministro das Finanças “era péssimo nas consoantes” e “problemático nos erres”, recordava a especialista em técnicas de dicção.

“Um murro” no estômago (literalmente) e os “exercícios de relaxação, deitado num cobertor que púnhamos no chão na sede do partido” acabariam por ajudar Cavaco Silva a articular o discurso. A imagem começava a montar-se – faltava a mensagem.

Cavaco Silva

Cavaco no congresso já rodeado daqueles que iriam ser os homens fortes do cavaquismo: Fernando Nogueira à esquerda, Eurico de Melo à direita

E a mensagem foi sendo ensaiada, ainda durante o reinado de Francisco Pinto Balsemão. Desse período, destacam-se as cartas abertas às bases do partido, coassinadas com Eurico de Melo, o “vice-rei do norte” e “mestre da ascensão” de Cavaco Silva, como escrevia o semanário em 2012, ano em que Melo morreu. Nessas cartas, Cavaco apelava ao levantamento das bases. “Se existe indiferença e resignação ao nível das cúpulas, compete às bases reafirmar que o partido está vivo e que a coragem não morreu”, escrevia em 1982.

Um ano depois, as críticas agudizavam-se. “Como professor de economia tenho muita dificuldade em dizer qual foi a política económica de Pinto Balsemão“. Em 1985, a meses do congresso da Figueira, as trincheiras já estavam bem delineadas: numa Conferência na Sociedade Portuguesa de Ciências Veterinárias, Cavaco arrasava abertamente o Governo do Bloco Central, lembrava o mesmo Expresso. “Algumas das medidas que têm sido tomadas são claramente erradas e muitas outras que eram cruciais continuam incompreensivelmente adiadas”. A imagem e a mensagem estavam prontas. Faltavam as tropas.

Mota Pinto, que com Mário Soares construíra o Bloco Central, demitiu-se do cargo de vice-primeiro-ministro em fevereiro de 1985 e afastou-se da liderança do partido. Rui Machete assumia funções interinamente, mas faltava-lhe a vaga de fundo para se lançar ao congresso da Figueira. João Salgueiro, ex-ministro das Finanças de Balsemão, era o nome óbvio da continuidade. A ala da Nova Esperança, de Marcelo, Durão Barroso, Santana Lopes, Luís Fontoura e José Miguel Júdice, e o aparelho social-democrata, de Eurico de Melo, Fernando Nogueira e de Dias Loureiro, foram ajudando a construir a “solução Cavaco Silva”.

"[Não tinha] qualquer intenção de ser eleito líder do PSD”, garante Aníbal Cavaco Silva, a propósito do Congresso da Figueira da Foz, em 1985. Acabaria por sair coroado desse congresso, contra João Salgueiro e perante as hesitações de Rui Machete e Marcelo Rebelo de Sousa

Marcelo Rebelo de Sousa ainda foi pressionado a avançar – a Nova Esperança suspirava por ele. Na biografia do sucessor de Cavaco Silva na Presidência da República, assinada por Vítor Matos, Santana Lopes conta o quase ultimato que fez ao fundador do PSD.

“Marcelo, Marcelo, desculpe, o partido está em tal estado que, se você não quer avançar, então que seja o Cavaco. Agora não vamos eleger o João Salgueiro, que é mais do mesmo… Foi o Machete, agora o Salgueiro, nem pensar. Portanto, se você não quer ir, vamos apoiar o Cavaco. É o país que está em causa”. Marcelo não avançou e Cavaco Silva tornou-se líder do partido.

No filme desse congresso, aqui contado ao detalhe pelo Observador, ficava a conclusão: “A rodagem do Citroën seria o que ficaria para a história, como se Cavaco Silva tivesse ido apenas passear à praia da Figueira fazendo roncar o motor do novo carro, mas a verdade é que a carburação já tinha começado bem antes”. Caía, assim, um mito.

O homem que não gosta de política

O congresso da Figueira da Foz acabaria por ficar intrinsecamente ligado a um outro mito: Cavaco Silva sempre se assumiu como não fazendo parte de uma classe que, em certa medida, desprezava. Era economista e professor catedrático. Nunca homo politicus. É isso que mesmo que escreve na sua autobiografia.

“Quiseram as circunstâncias que fosse um ano ministro das Finanças e do Plano e 10 anos primeiro-ministro sem nunca ter ocupado o lugar de deputado, o que me valeu muitas críticas da parte da oposição. Para mim trata-se apenas de mais um indicador de que fui, de certo modo, um ‘não político’ no poder“.

Mais uma vez, quem o acompanhou ao longo dos 30 anos em que esteve na cena política – mesmo com o intervalo de dez anos, mas já lá vamos – desmente esta versão. Ao Observador, Marcelo Rebelo de Sousa foi perentório: Cavaco Silva foi e é político – um dos mais completos, de resto.

“[Cavaco] foi o primeiro político que soube gerir o ciclo económico, que sabia de economia. Até ele [aparecer] eram políticos puros. Mário Soares era um político puro. Sá Carneiro era político puro. Álvaro Cunhal político puro. Freitas político puro. O primeiro político economista a saber utilizar a economia para a política e a domá-la foi Cavaco Silva. E, por outro lado, o primeiro a saber lidar com a televisão. Nesse sentido, foi, à sua maneira, o primeiro populista contido. Racionalizado”.

Cavaco Silva e Maria

Cavaco Silva e Maria Cavaco Silva na corrida às legislativas

Marcelo, aliás, não é o único a pensar assim. “[Cavaco] escolheu como é que queria que os portugueses o vissem e gostou sempre de cultivar a imagem do anti-político. Mas foi o político mais profissional que eu conheci“, sublinhava Marques Mendes, secretário de Estado, ministro e porta-voz ao longo de três Governos cavaquistas.

Essa tese é “uma treta”, reiterava Dias Loureiro, ministro e homem de confiança de Cavaco. “[Era um homem disposto] a valorizar, a cada momento, a sua imagem”, completava Fernando Lima, assessor do então primeiro-ministro. Os três falaram ao Expresso, por altura do trigésimo aniversário do congresso da Figueira. E chegavam à mesma conclusão: Cavaco Silva era, de facto, um ser político.

Fechado o ciclo em São Bento, Aníbal Cavaco Silva alimentaria um tabu que o creditava, mais uma vez, como animal político. Saía da corrida às legislativas de 1995 e assumia-se como candidato a Presidente da República?

"Fui, de certo modo, um 'não político' no poder". Assim se descreve Cavaco Silva na autobiografia. "É uma treta", acabaria por dizer Dias Loureiro, um dos seus homens de confiança

A primeira parte da premissa correu sem sobressaltos: Cavaco Silva afastara-se da liderança do partido, deixando caminho aberto a Fernando Nogueira, que assumia as rédeas do PSD e lançava-se contra António Guterres. Não sem ter um trunfo na manga: apresentar o antecessor como candidato às eleições presidenciais de 1996.

Cavaco, no entanto, não desfez o tabu antes das legislativas, marcadas para dia 1 de outubro. Nogueira nunca o terá perdoado. Cavaco Silva anuncia a candidatura às presidenciais 20 dias depois da derrota do seu sucessor.

É certo que Cavaco Silva perdeu essa corrida para Jorge Sampaio, mas tinha marcado espaço. Os dez anos que se seguiram foram tudo menos uma travessia no deserto – foram dez anos a limpar a imagem de um líder que saíra amolgado pelo fim do cavaquismo.

Entre 1996 e 2006, ano em que avançou finalmente para Belém, Cavaco Silva desdobra-se em entrevistas e ganha fôlego. Em 2000, chegaria a autobiografia – a sua versão da história. Quatro anos depois, uma crónica em que dissertava sobre a “má moeda” e atentava para “a tendência” de “degradação da qualidade dos agentes políticos” precipitaria o fim de Santana Lopes. Nunca deixou o espaço político e colheu os frutos disso mesmo. O não político chegava a Presidente da República, depois de dez anos a trabalhar para esse objetivo.

O homem que nunca se engana e raramente tem dúvidas

O mito do homem que nunca se engana e raramente tem dúvidas nasceu ainda Cavaco Silva era ministro das Finanças de Francisco Sá Carneiro. E essa imagem não mais o largou.

Em 1985, pouco depois do congresso da Figueira da Foz, as mesmíssimas palavras alimentavam um perfil de Cavaco Silva, traçado na edição da revista do Expresso. Até onde foi possível apurar esta é a primeira vez que a expressão surge documentada. No entanto, Cavaco nunca terá dito aquelas palavras, como garantiria mais tarde.

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O perfil de Cavaco Silva, publicado na edição da revista do Expresso, do sábado seguinte ao congresso

Anos mais tarde, seria o próprio a brincar com a frase que lhe fora atribuída. Em 2005, e desafiado a comentar a sua possível candidatura a Belém, o social-democrata respondia assim aos jornalistas: “Neste momento ainda não sei. Não sei se me estimula voltar à política ativa. Como sabem eu tenho evitado responder a essa questão, o que sugere que eu às vezes também tenho dúvidas”.

Afundou a Bolsa de Lisboa em 1987

Em 1987, Cavaco Silva, então primeiro-ministro, disse, em entrevista à RTP na noite de 13 de outubro, que estava preocupado com as cotações registadas por algumas empresas na Bolsa de Lisboa e que podia haver quem estivesse “a comprar gato por lebre”. Segundo reza a lenda, o pânico instalou-se na Bolsa de Lisboa nos dias seguintes e levou a uma queda acentuada nos preços, sobrevalorizados, dos títulos que se transacionavam no mercado.

No dia a seguir a Cavaco Silva ter proferido estas considerações, a Bolsa portuguesa começou a afundar-se, mas, embora a frase do primeiro-ministro tivesse potencial para pôr os mercados em pânico, já que partiu do chefe do Governo que teria acesso a informação privilegiada, dando a entender que os investidores estariam a ser manipulados pela especulação financeira, uma série de acontecimentos convergiram para que essa semana fosse uma das mais negras de sempre nos mercados mundiais.

A 14 de outubro daquele ano, a Bolsa de Nova Iorque caiu perto de 4%, no início de uma sucessão de dias em perda que prenunciaram um dos acontecimentos mais graves na História dos mercados financeiros.

Em Lisboa, novas regras estavam a entrar em vigor em outubro de 1987. No mesmo dia em que Cavaco Silva fez as declarações à RTP, a Bolsa de Lisboa acabou com a regra dos 20% – uma norma que indicava que o papel de uma empresa não podia ser transacionado quando a oferta não cobrisse pelo menos 20% das ordens de compra – que tinha ajudado a que os preços na Bolsa subissem significativamente, mesmo quando não havia transações. No dia em que a regra foi eliminada, em pleno final de um período de euforia no mercado de capitais que tinha arrancado em, 1986, os funcionários da Bolsa apenas encerrarem a jornada de trabalho às 22 horas, seis horas mais tarde do que era habitual.

Também nesta altura, tanto a Bolsa de Lisboa como a Bolsa do Porto viviam o “transe” das ofertas públicas de venda (OPV), segundo relatou o Diário de Lisboa. As OPV são vendas públicas de ações por parte das empresas e podem acontecer quando as empresas decidem entrar em bolsa e dispersar uma parte do capital social pelos investidores que estejam na disposição de aplicar dinheiro nos títulos em oferta.

Algumas empresas na Bolsa de Lisboa estavam “a comprar gato por lebre”. A frase de Cavaco terá, alegadamente, provocado o pânico nos investidores. Nascia a lenda de que Cavaco Silva afundara a bolsa.

A juntar a estas dinâmicas nas praças nacionais, a 19 de outubro aconteceu um crash mundial conhecido como a Black Monday. Este dia detém ainda o recorde da maior queda do índice Dow Jones (22,62%) num só dia e provocou ondas negativas em todas as bolsas mundiais – na Austrália e na Nova Zelândia este dia é conhecido como Black Tuesday, por ter chegado a estes países no dia seguinte devido às diferenças de horário. Sobrevalorização de títulos e falta de liquidez foram algumas das principais causas desta crise nos mercados financeiros.

Assim, apesar de as declarações de Cavaco Silva terem efetivamente afetado a Bolsa de Lisboa no dia a seguir às suas declarações, as dificuldades da recuperação do mercado português foram largamente influenciados pela economia mundial.

O homem que não lê jornais

A relação de Cavaco Silva com a comunicação social não foi a mais amigável. Para a história conjunta de ambos, ficam as bombas semanalmente lançadas pelo extinto jornal Independente, que, não tendo derrubado o cavaquismo, expôs os seus vícios ou excessos. Publicamente, Cavaco Silva ignorava os golpes e respondia como podia: não dou muita importância à comunicação social. Quem conta um conto acrescenta um conto e, assim, nascia um novo mito: a lenda do professor que era primeiro-ministro mas não lia jornais.

Na verdade, e mais uma vez, foi uma questão de extrapolação. É preciso recuar até 1994 para perceber como cresceu esse mito. Em janeiro desse ano, durante a inauguração da Escola Superior de Comunicação Social, Cavaco Silva teve uma afirmação no mínimo curiosa – sobretudo, atendendo ao espaço que acabar de inaugurar. “Dedico cinco minutos de manhã e cinco minutos à tarde a ler os jornais, porque tenho muito que trabalhar“.

A bola de neve cresceu e Cavaco tornar-se-ia, para todos, o político que nunca lia jornais. Desta vez, no entanto, a fama era, em parte, alimentada por declarações do próprio. Em 2011, durante a corrida presidencial de 2011, o já Presidente da República reagia mal às perguntas dos jornalistas e, alegada, falta de cobertura adequada da comunicação social.

“Eu não sei se as imagens desta maré humana que me tem acompanhado chegam a casa dos portugueses através da comunicação social, ou se estão ou não a ser escondidas. É qualquer coisa que eu não sei, porque não acompanho hoje o dia a dia da comunicação social”, dizia Cavaco Silva, durante um jantar-comício com militantes.

À saída desse evento, os jornalistas tentaram que Cavaco Silva concretizasse, mas o Presidente driblava: “Eu agora vou descansar para o Porto”. Nova insistência e o Presidente disparava. “Eu não vejo televisão e não leio jornais, quase, há muito tempo“, terá dito Cavaco Silva, como contava contava a TVI. E o mito ganhava mais força.

"Dedico cinco minutos de manhã e cinco minutos à tarde a ler os jornais, porque tenho muito que trabalhar"
Cavaco Silva na inauguração de Escola Superior de Comunicação de Lisboa

O homem do leme

É certo que Cavaco Silva diria, em pleno debate com Defensor Moura, que, “para serem mais honestos” do que ele, tinham “que nascer duas vezes”. Corria o ano de 2010, o escândalo do BPN dominava todas as atenções e o professor catedrático concorria para um segundo mandato em Belém. Para a história, no entanto, há outros autoelogios.

O primeiro Governo minoritário caíra e Cavaco enfrentava novamente eleições – as tais que lhe dariam a primeira maioria absoluta. Durante a campanha para as legislativas, o então líder social-democrata descrevia-se como alguém capaz de “segurar no leme” do país e conduzir o país.

“Um governo que seja um todo, que saiba aquilo que quer. Que não seja uma federação de ministros e de secretários de Estado, que não seja um barco sem remos e sem vela. Que seja um barco que tem um leme, alguém a segurar no leme e apontando o caminho“, diria Cavaco Silva.

O cavaquismo nunca existiu

Este mito foi lançado pelo próprio Cavaco Silva. É o próprio antigo primeiro-ministro que, no fim do segundo volume da sua autobiografia, afirma que no fim do seu último mandato em S. Bento foi questionado em várias entrevistas sobre “o que foi o cavaquismo”, referindo sempre que “isso não existia”. No entanto, aproveita este livro para dizer que afinal acha que introduziu em Portugal “um novo estilo de liderança”.

“O exercício do poder tinha ganho regras mais exigentes no cumprimento das promessas feitas, na prioridade atribuída à resolução dos problemas concertos, na demonstração efetiva de tomar e fazer executar decisões”, enumera o antigo primeiro-ministro sobre as suas características como chefe do executivo.

Estas considerações mostram que, mesmo sem admitir, até o próprio Cavaco Silva considera que o cavaquismo existiu e teve características muito próprias.

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