Os protestos em Portugal, as detenções em Londres e as ligações ao BE. Quem são os ativistas que interromperam o discurso de António Costa? /premium

23 Abril 2019280

Em Portugal, atacaram no PS, CMTV e EDP. Em Londres, bloquearam estradas e pontes. Recusam ligações a partidos, mas têm os vídeos no jornal do BE e pessoas em comum. Dizem que querem salvar o planeta.

António Costa ainda estava a fazer as saudações típicas de início de discurso, depois de subir ao palco em ambiente de festa. Entre os que agitavam as bandeiras do Partido Socialista na assistência, havia, porém, quem estivesse pronto para levantar cartazes, atirar aviões de papel e agitar raquetes de pingue-pongue.

Era o jantar-comício de aniversário do PS e ninguém esperava que o secretário geral e primeiro-ministro fosse interrompido — mesmo que o ministro do Ambiente já o tivesse sido numa cimeira sobre o clima, na semana anterior e pelo mesmo grupo. Logo nos primeiros minutos, quatro jovens aproximaram-se do palco. Um deles subiu e começou a disputar o microfone com António Costa, que ia insistindo em continuar o discurso. O primeiro-ministro ainda lhe atirou um “desculpe, com licença, posso?”, tentou prosseguir para “saudar os nossos antigos secretários-gerais”, mas o manifestante desviou-lhe o microfone de novo e tentou falar. Acabou por ser retirado pelos seguranças, enquanto dizia: “Lamentamos incomodar a vossa festa…”.

O motivo deste episódio? Um protesto contra os planos de construção de um novo aeroporto no Montijo. O mote dos manifestantes? “Mais aviões? Só a brincar! Precisamos dum plano B, não há planeta B”.

[Veja no vídeo como um grupo de ativistas invadiu a festa do PS]

Foi mais uma iniciativa da divisão portuguesa do grupo Extinction Rebellion, que, só na última semana, interrompeu também um discurso do ministro do Ambiente, invadiu a CMTV e a EDP e bloqueou a entrada da refinaria da Galp em Matosinhos — entre outras ações. Poucos minutos após o protesto no jantar do PS, ainda ofegante, um dos participantes explicou-o por telefone ao Observador: “Entrámos pacificamente e com respeito por toda a gente que lá estava. O que fizemos foi no contexto da rebelião internacional Extinction Rebellion. Tem havido ações, em vários pontos do mundo, todos os dias desde a semana passada, em defesa do planeta Terra e da nossa existência e da existência de outros no planeta”.

Na invasão do evento socialista estiveram envolvidos perto de uma dezena e meia de pessoas. A iniciativa foi a décima ação de desobediência civil em Portugal contra aquilo que dizem ser a deterioração ambiental do planeta, em pouco mais de uma semana. O grupo chama-se Extinction Rebellion Portugal (XR Portugal), reclama que é preciso combater uma “emergência ambiental” em curso e é uma espécie de divisão portuguesa do movimento internacional Extinction Rebellion, presente em mais de 30 países, como Austrália, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Alemanha, França, Noruega, Espanha, Suíça e Estados Unidos da América.

Em Inglaterra, país no qual o movimento Extinction Rebellion (XR) mostrou maior poder de mobilização, os ativistas conseguiram mesmo bloquear o trânsito em estradas, praças centrais, pontes e outros pontos movimentados da cidade, como a Oxford Street, a Waterloo Bridge e a Parliament Square. Nos protestos — que tiveram a presença de figuras públicas como Emma Thompson e a banda Massive Attack — viram-se manifestantes a subir para um comboio colando-se a ele e ativistas a colarem-se uns aos outros, não arredando pé perante as intimações da polícia. Só esta segunda-feira foi possível retirar os últimos manifestantes da Waterloo Bridge, após uma semana de manifestações. Os números das ações de protesto do XR no Reino Unido impressionam: ao início da tarde desta segunda-feira, registavam-se já mais de mil detenções (mais especificamente, 1065) de pessoas dos 19 aos 77 anos — e 53 acusações relativas a “variadas ofensas” como “obstrução de uma auto-estrada e obstrução à polícia”.

As detenções fazem, aliás, parte da estratégia e o movimento tem até uma espécie de guia para explicar aos participantes como o devem fazer. A ideia é “pôr a polícia perante um dilema”, forçando assim, mesmo que de forma pacífica, as detenções — que “trazem atenção”, diz o grupo.

Em Portugal, o movimento não teve índices próximos de mobilização nem foram registadas quaisquer detenções. Porém, um dos porta-vozes da Extinction Rebellion Portugal, Sinan Eden — nascido em Istambul, residente em Portugal, doutorado em matemática pelo Instituto Superior Técnico e autor de vários textos publicados no jornal Público — afirma ao Observador que o balanço de uma semana de protestos é positivo: “Foi a primeira vez que tivemos em Portugal uma semana de iniciativas diretas não violentas de ação climática. Acho que foi um sucesso trazer o assunto à agenda pública e política”.

Os protestos podem partir da iniciativa de qualquer grupo que se queira juntar ao movimento. Um deles tem sido o Climáximo, um grupo português mais antigo de desobediência civil e defesa do meio ambiente, responsável, por exemplo, pela tentativa de invasão da EDP e da CMTV. A ligação não é, porém, apenas ideológica. A página da XR Portugal na Internet, por exemplo, está alojada num domínio do Climáximo.

Com uma divisão no Porto e outra em Lisboa, este movimento específico assume-se como apartidário — “mas tendencialmente anticapitalista”, diz um dos antigos elementos —, ainda que partilhe algumas ligações com o Bloco de Esquerda. Um dos dirigentes do partido liderado por Catarina Martins, João Camargo, é um dos participantes nas iniciativas de protesto e há ainda “duas ou três pessoas” ligadas ao Bloco, explica ao Observador. Além disso, algumas das iniciativas de desobediência civil da última semana — nomeadamente a interrupção do discurso de António Costa — têm sido partilhadas no Esquerda.net, um “órgão de informação” que é “mantido pelo Bloco de Esquerda”, lê-se na própria página.

Isso mesmo é confirmado pelo próprio partido que, ainda assim, garante que o site limitou-se a dar “a mesma notícia que toda a imprensa deu”. Em resposta ao Observador, questionado sobre se a publicação das iniciativas de desobediência civil significava a concordância com aquele tipo de ações, o BE recusou comentar os “métodos de intervenção” do “movimento por justiça climática”. Distancia-se, porém, do protesto que interrompeu António Costa, dizendo que o Bloco é “favorável à construção de um novo aeroporto” e sublinhando que “nunca participou em ações que perturbassem reuniões públicas ou internas de outros partidos”.

Os dez protestos em Portugal com 165 manifestantes: “Estamos surpreendidos com tanta adesão”

Consideram-se “um movimento sociopolítico internacional” que atua “através de ações de desobediência civil não violentas para a reversão da emergência climática e ecológica global”. Reivindicam o estatuto de “Rebeldes pela Vida” e exigem “que a verdade deixe de ser escamoteada, que a crise climática e ecológica seja tratada como tal e que uma transição [energética] justa seja aplicada desde já, com sentido de urgência!”

As exigências de base deste grupo internacional são três e são extensíveis às as divisões das mais de 300 cidades onde o movimento está presente. Os manifestantes exigem que “os Governos digam a verdade sobre a crise ecológica” — em Portugal acusam mesmo o Ministério do Ambiente de ignorar a gravidade da situação climática —, que se faça uma “redução drástica das emissões de gases de efeito de estufa através de uma mobilização massiva de emergência climática e uma transição justa” e reclamam a implementação de um sistema de “democracia participativa”.

Em sete dias, de 15 a 21 de abril, o grupo português Extinction Rebellion assumiu a autoria de nove iniciativas de protesto — a que juntou já esta semana a interrupção do discurso de António Costa no jantar-comício do PS. As ações, apresentadas como “atos”, começaram com a denúncia da “poluição produzida pela maior empresa de comida e bebida do mundo: a Nestlé”. Acusando a empresa de ser “uma das maiores responsáveis da poluição por plástico a nível mundial” — a par, por exemplo, da Coca-Cola e da Pepsi — e de contribuir “para o agravamento das alterações climáticas, a destruição dos ecossistemas, a perda da biodiversidade e o deterioramento da saúde pública”, perto de uma dezena de ativistas juntaram-se à entrada da sede nacional da marca com cartazes, sacos e recipientes prejudiciais ao meio ambiente. Via-se ainda uma tarja com a inscrição: “Nestlé, O Que Fazer Com Todo o Teu Plástico?”.

O segundo ato de protesto aconteceu no mesmo dia, 15 de abril, com a ida de um grupo à “European Climate Summit”, que decorreu no Hotel Ritz Four Seasons, em Lisboa. O protesto na cimeira teve “três elementos diferentes de ação”, revelou ao Observador o porta-voz da XR Portugal, Sinan Eden. O primeiro ato resumiu-se a uma “concentração, como habitualmente a conhecemos”, à entrada do local da cimeira. Viram-se cartazes alertando para “o sangue das nossas crianças”  provocado pela destruição do meio ambiente. Alguns manifestantes, deitados no chão e pintados de vermelho, fizeram uma performance simulando estar mortos, “representando o sangue das gerações futuras que está nas mãos dos decisores de hoje”, detalha Sinan Eden. Num terceiro momento, manifestantes presentes já no interior do Ritz Four Seasons interromperam o discurso do ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, acusando os governos e o executivo português de “não medirem as alterações climáticas”.

Depois de um longo “Oooh”, perante a interrupção insistente de uma jovem e enquanto tentava continuar o discurso, o ministro acabaria por apelidá-la de “daughter of a preacher man” (em português: “A filha de um pregador”), recorrendo à canção de Dusty Springfield, “The Son of a preacher man”.

[Veja no vídeo o momento em que o ministro do Ambiente reage às interrupções.]

A explicação para o protesto é dada pelo porta-voz da Extinction Rebellion Portugal, Sinan Eden, ao Observador: “A cimeira foi organizada pela IETA, uma associação empresarial que trata de comércio de emissões dos gases poluentes a nível internacional e que tem membros como a Shell e a BP. Entendemos o propósito da cimeira, essas entidades querem controlar a transição energética justa em curso, mas o que está o ministério a fazer ali? Estava o ministro e estava o secretário de Estado da Energia. O que concluímos é que querem legitimar este tipo de cimeiras que limpam imagens das empresas mais responsáveis pela crise climática — e que há colaboração política com empresas petrolíferas”.

Ao Observador, fonte do Ministério do Ambiente recusou fazer comentários oficiais às críticas do grupo, afirmando desconhecer “quem são” os seus membros e revelando não ter sido contactado para audições ou discussão dos temas em causa. O grupo diz, por sua vez, que as suas reivindicações “são claras” e que, “se os responsáveis políticos estão interessados em implementá-los e tratar uma crise como uma crise”, estão “dispostos a ouvir”. Até agora, porém, o que dizem ter visto é que “todos os compromissos de todos os governos garantem um caos climático irreversível”.

O terceiro protesto foi a invasão de um estúdio da CMTV. “Houve uma entrada [nos estúdios] e fizemos um ‘Alerta Clima’, em vez de um ‘Alerta CM’ [slogan da estação televisiva quando dá notícias importantes de última hora]”, explica Sinan Eden, acrescentando: “Achamos que o mediatismo que a CMTV, mas também outros meios de comunicação social, atribuem a situações de crime ou escândalo deve ser dado ao caos climático e à inação dos governos perante ele. Temos pouco tempo para resolver o problema, temos dez anos para cortar as emissões a 50% a nível mundial e Portugal pode ser muito mais rápido do que países em desenvolvimento”.

Os ativistas “entraram em direto” no programa “Manhã CM”. Uma das manifestantes começou a ler um texto, de audição difícil para os telespectadores e até para quem estava em estúdio. O texto lido, contudo, foi divulgado nas contas oficiais do grupo, acusando “grande parte da imprensa em Portugal e no mundo” de “silêncio cúmplice e conivência em relação à emergência climática em que vivemos” e de “esconder o maior crime que alguma vez existiu e a maior injustiça da História”. A apresentadora, Maya, interveio: “Eu não faço ideia do que seja isto, mas, olhem, vamos para intervalo”. A interrupção abrupta impediu a transmissão total do protesto. Os manifestantes explicam o que tentaram fazer: “Tínhamos de cortar a emissão para noticiar uma crise que está a acontecer neste momento. Não se fazem interrupções quando há notícias urgentes? Não se entra em direto nesses momentos? O crime climático merece esse tipo de ação”.

No mesmo dia da invasão da CMTV, 16 de abril, um grupo invadiu a loja da H&M no Chiado, também em Lisboa. O alvo deste “ato 4” não era a H&M em específico, mas “toda a indústria” da chamada fast fashion. Para o grupo, “a indústria bilionária da moda” e “os seus impactos negativos para o ambiente e para a sociedade” justificaram o protesto, dado que “a fast fashion é um modelo de negócio que consiste na produção, consumo e descarte de roupa rápidos, ou seja, [em] roupa de pouca qualidade produzida e comprada a baixo preço que é rapidamente descartada para o lixo pelo consumidor”.

A quinta iniciativa de protesto passou pela vandalização de um cartaz do Partido Socialista, que apelava ao voto nas eleições europeias, instalado na Praça de Espanha, em Lisboa. O cartaz ficou adulterado: Pedro Marques, cabeça de lista do partido, passou a surgir com os olhos manipulados e propondo um slogan alternativo: “Mais aviões, mais poluição e mortes certas”.

A ação resultou do combate do grupo Extinction Rebellion Portugal à anunciada construção de um novo aeroporto no Montijo, à profusão de viagens aéreas que poluem o meio ambiente e à ação de Pedro Marques como ministro do Planeamento e das Infra-Estruturas do governo de António Costa, agora candidato a eurodeputado. “O político não tem escondido quanto deseja mais aviões a voar sobre as cabeças da população de Lisboa e da Margem Sul e sobre o estuário do Tejo. Era ministro (…) quando assinou com a multinacional Vinci um acordo catastrófico para a população, o meio ambiente e as gerações futuras. (…) Pretende-se não só aumentar o aeroporto da Portela, como construir um novo no Montijo, em plena reserva natural do Tejo. Isto permitiria quase duplicar a média de movimentos aéreos por hora na cidade — de 38 para 72 — e abrir as portas de Lisboa a ainda mais milhões de turistas todos os anos”, acusa o texto, difundido na página oficial do XR Portugal.

Posted by Sambacção – Ritmos de Resistência Lisboa on Thursday, April 18, 2019

Na sexta ação de protestos, ativistas do XR Portugal deslocaram-se ao edifício do Ministério da Agricultura, também em Lisboa, para protestar contra os acordos comerciais de Portugal com a China. Imitando o titular da pasta ministerial, Luís Capoulas Santos, mas também envergando uma máscara simulando o focinho de um porco, os manifestantes insurgiram-se contra “a agricultura intensiva”, que “não é sustentável e causa enorme impacto nas alterações climáticas”. O Ministério da Agricultura foi ainda acusado de subjugar o bem-estar do planeta — que o grupo entende caminhar para a “extinção não só de inúmeras espécies animais e vegetais como da nossa própria espécie” — a interesses económicos e financeiros.

Fotografia do protesto junto ao Ministério da Agricultura, divulgada no site oficial do grupo

A sétima iniciativa do XR Portugal passou pelo que um dos manifestantes chamou de “bloqueio” à refinaria da Galp em Matosinhos, que assinala, em 2019, 50 anos de existência. Com cartazes, máscaras, tambores e adereços, um grupo de manifestantes pediu “a reforma” da refinaria para que esta “dê lugar às energias limpas” — isto é, às energias renováveis. Em comunicado, o grupo colocou a refinaria da Galp no “6.º lugar nas dez principais instalações em Portugal responsáveis pela emissão de gases de efeito de estufa” e lembrou que “a indústria de extração de combustíveis fósseis é das indústrias que mais emite gases de efeito de estufa no mundo”. “As energias renováveis estão cá para festejar este aniversário”, lê-se ainda no texto.

Lembrando que “Portugal tem de cortar nas emissões entre 60% a 70% em 15 anos para cumprir o Acordo de Paris”, os ativistas que se deslocaram à refinaria em Matosinhos revelaram as suas imposições: “Temos de avançar urgentemente para uma transição energética justa e promover as energias de fontes renováveis com mais potencial em Portugal, que são a Eólica, a Solar e a Marítima”. O mote era este: “Parabéns Petrogal! Mas chegou a hora de te reformares”.

O passo seguinte? Uma invasão à EDP. No dia 18 de abril, numa iniciativa organizada pelo grupo de desobediência civil e defesa do meio ambiente Climáximo — que apoia os protestos deste novo movimento ecológico –, alguns manifestantes tentaram forçar a entrada na sede da energética, em Lisboa, para “tentar falar com o verdadeiro ministro da Energia: António Mexia”, presidente da empresa. No vídeo que mostra a ação de protesto é possível ver uma troca de palavras mais acesa com os seguranças do edifício, que forçavam a saída de manifestantes para o exterior.

Durante o protesto, ouviram-se gritos pedindo o encerramento das centrais a carvão de Sines e Aboño. Em comunicado, o XR Portugal chama-lhes “as maiores emissoras de gases com efeito de estufa de Portugal e de Espanha” e exige que a empresa treine “os trabalhadores destas centrais para a transição para uma economia só com energias renováveis”. Este grupo de desobediência civil acusa ainda a EDP de controlar “há décadas todas as políticas públicas”, de “dominar todo o sistema elétrico com o favor ininterrupto de todos os governos”, de ditar “as leis que governam o país” e de “manobrar as rendas para viver à conta do dinheiro de todos”.

Já no sábado, 18 de abril, o protesto foi feito no Porto, em frente ao centro comercial Via Catarina. Ali, um grupo de ativistas simulou a sua própria morte atirando-se para o chão. O objetivo era “sensibilizar as pessoas para a necessidade da declaração de emergência climática, para a necessidade da regeneração da nossa cultura de business as usual, do consumo excessivo e impacto das nossas escolhas diárias, do colapso civilizacional em que nos encontramos e a urgência de ação por parte dos governos!”.

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Questionado pelo Observador sobre a adesão aos protestos da semana passada, um dos porta-vozes do grupo ecológico, Sinan Eden, afirma “ainda não ter os números” exatos mas revela alguns dados. Na concentração em frente ao hotel Four Seasons, que culminou na interrupção de um discurso do ministro do Ambiente, terão estado presentes “mais de 60 pessoas”. As outras oito ações terão tido “entre dez a 30 pessoas”. Uma “aproximação válida” de cálculo é de 20 manifestantes por cada ação, em média. “Ao todo, perto de 150 pessoas terão estado envolvidas nestas ações”, refere Sinan Eden, congratulando-se ainda pela mobilização: “Estamos surpreendidos positivamente com tanta adesão e tantas contribuições sobre temas [de protesto] que propusemos, mas também sobre a visibilidade públicas das ações”.

A ação mais recente aconteceu já esta semana, com um protesto no jantar-comício do 46.º aniversário do Partido Socialista. Nesta ação, estiveram envolvidos perto de uma dezena e meia de ativistas, embora tenham sido apenas quatro a aproximar-se do palco. Ao Observador, um dos participantes no protesto garantiu que o objetivo era apelar ao primeiro-ministro “para dizer a verdade às pessoas sobre o impacto do acordo que ele próprio assinou com a multinacional Vinci para a construção de um novo aeroporto em Lisboa e para a ampliação da aeroporto da Portela”, vincando que o “aeroporto do Montijo vai ser construído no Estuário do Tejo, em plena reserva natural” e acusou o governo de o fazer “antes mesmo de haver estudo de impacto ambiental sério”.

Já depois do protesto, em comunicado, os manifestantes voltaram a insurgir-se, divulgando o que parece ser o texto que acabaram por não conseguir ler em palco: “Lamentamos estragar a vossa festa, mas o rio Tejo, aqui ao lado, a nossa cidade e as gerações futuras não têm nada para celebrar”. Lembrando que “o aumento do tráfego aéreo é um dos grandes responsáveis pelo aumento de emissões” e que “não há meio de transporte tão poluente como este”, os ativistas desafiaram o governo: “Senhor primeiro ministro, chegou a hora de dizer a verdade sobre o custo real deste acordo. A temperatura global está a subir e os fenómenos climáticos extremos a aumentar. Para os nossos filhos poderem viver neste planeta, temos de reduzir drasticamente as emissões nos próximos dez anos. O governo assumiu o compromisso de Portugal ser neutro em carbono em 2050. Acha este roteiro realista perante a catástrofe em curso? E atrair mais movimentos aéreos é compatível com esforços de descarbonização?”

Em Portugal, quem organiza os protestos? “Não é fácil”

O funcionamento do grupo português que integra o movimento Extinction Rebellion não é fácil de perceber. Formado “exclusivamente” por voluntários — garante o porta-voz ao Observador –, tem um “núcleo de coordenação” que não organiza os protestos. Em vez disso, “agrega” as manifestações que lhe chegam e que se enquadram no posicionamento (ecológico e pacífico, mas de desobediência civil) e reivindicações do XR Portugal. São perto de dez pessoas.

No fundo, os protestos organizados por ativistas são enviados para a coordenação do XR Portugal, que decide se os difunde como seus. “Recebemos comunicados e fotos [das ações] e temos os nossos princípios escritos no nosso site, mas também no site internacional [do movimento]. As pessoas olham para essas coisas”, refere Sinan Eden, que reconhece que a ação do movimento não é tão “centralizada” como a da unidade londrina, mas, ainda assim, “segue os mesmos princípios”.

O porta-voz do grupo refere que “não houve casos muito complexos de decidir”, já que, nos protestos que lhes chegaram, não se registaram “situações violentas ou complicadas, as ações foram bastante pacíficas” e, por isso, não tiveram dúvidas em difundi-las. No entanto, admite que possam ter sido cometidos “alguns erros” em algumas manifestações: “Quando bloqueamos alguma coisa, seja uma entrada numa refinaria, seja um canal de televisão, há uma interação com quem trabalha lá, com quem ganha a vida e depende do seu horário de trabalho. Há uma confrontação e as pessoas podem ter cometido alguns erros no cuidado de não dizer nada de errado a essas pessoas. Mas as ações foram pacíficas”.

Posted by Extinction Rebellion Portugal on Monday, April 15, 2019

É pelo facto de o modus operandi da XR Portugal depender tanto de iniciativas individuais ou de pequenos grupos pelo país que Sinan Eden responde assim à questão sobre quem faz parte do movimento em Portugal: “É uma pergunta difícil, não é fácil responder, principalmente porque desconheço quem organiza as ações”. O núcleo de coordenação, de que este ativista faz parte, é responsável apenas por “ajudar na comunicação dos princípios e objetivos do grupo”, não estando encarregue de “preparar ou organizar as ações”. Os atos são, em suma, “organizados por outras pessoas, a coordenação divulga as ações que se enquadram nas nossas posições”.

As ligações ao Climáximo e a promoção das manifestações no site do BE

Das dez ações de protestos feitas na última semana em Portugal, contudo, é possível saber quem organizou três. O grupo Climáximo, também de ativismo ecológico e também de desobediência civil — mas mais antigo –, foi responsável por planear e executar a invasão à CMTV, a invasão à EDP e o bloqueio da refinaria da Galp em Matosinhos. Com mais de 7.000 seguidores na sua página oficial de Facebook, o grupo descreve-se como um conjunto de ativistas “movidos pela urgência do combate às alterações climáticas e os seus graves efeitos”. “Sabemos que estão ligadas aos direitos humanos e à distribuição de riqueza e poder no mundo, por isso lutamos por ideias novas e sustentáveis de bem-estar, por justiça social e climática, e resistimos às falsas soluções de capitalismo verde“, pode ler-se. Defensor do “consenso científico”, o Climáximo advoga que “a sociedade tem de substituir urgentemente os combustíveis fósseis por fontes de energia sustentáveis e todos os novos projetos de exploração e extração têm de ser parados!”

Um antigo elemento do Climáximo explicou ao Observador o funcionamento do grupo. Garantindo que este é “apartidário, embora seja tendencialmente anti-capitalista” — gosta inclusivamente de se “distanciar de ações partidárias” –, este refere que o Climáximo chegou a reunir-se com vários partidos para debater uma proposta de criação de 100 mil postos de trabalho no setor das energias renováveis, nos próximos anos.

A mesma garantia de antipartidarismo é dada por João Camargo, dirigente do Bloco de Esquerda, que faz parte do Climáximo. Ao Observador, explica que o grupo conta com “duas ou três pessoas” ligadas ao BE, entre “dezenas” de membros, mas que não existe “nenhuma ligação direta” entre estes movimentos e o Bloco, além da adesão de alguns, poucos, militantes e dirigentes. Apesar disso, o site do Bloco de Esquerda — “Esquerda Net” — tem vindo a divulgar ações de protesto de desobediência civil do Climáximo e do XR Portugal, como a invasão à EDP (aqui), as ações no Ministério da Agricultura e na refinaria da Galp em Matosinhos (aqui) e a invasão à CMTV (aqui). O “Esquerda Net” divulgou ainda a posição oficial do grupo sobre a Cimeira Europeia do Clima, em que decorreu um dos protestos do XR Portugal que resultou numa interrupção de manifestantes ao discurso do ministro do Ambiente, Matos Fernandes, e a invasão do jantar do PS, esta segunda-feira.

A história do protesto no jantar de aniversário do PS foi contada pelo Esquerda.net, na secção de “Breves”

Questionado sobre confluências de posições entre o Extinction Rebellion Portugal e o partido liderado por Catarina Martins, o dirigente bloquista sublinha que as posições deste novo movimento ecológico têm como base principal “as posições do XR internacional” — e não as de um partido português. Porém, assume, “é normal que, à escala local, os temas reflitam os problemas nacionais e/ou locais, pelo que vários grupos e partidos coincidem em diagnósticos e propostas”.

Fonte oficial do partido faz a mesma distinção. Em resposta às perguntas do Observador, o BE explica que o Esquerda.net “é um diário online mantido pelo Bloco de Esquerda, que noticia iniciativas de outras organizações e movimentos sociais”. Questionado sobre se se revê nas ações da última semana, com a interrupção de eventos ou tentativas de invasão, diz que o “movimento por justiça climática” é um dos que o partido “acompanha”, mas “não se pronuncia sobre os seus métodos de intervenção”.

"O Bloco acompanha o movimento por justiça climática e não se pronuncia sobre os seus métodos de intervenção. O Bloco é favorável à construção de um novo aeroporto, defendendo que a escolha do local deve considerar o estudo de impacto ambiental. O Bloco nunca participou em ações que perturbassem reuniões públicas ou internas de outros partidos."
Resposta do Bloco de Esquerda ao Observador sobre as ligações às ações da última semana

A resposta desvaloriza, aliás, o facto de o site ter publicado a história do protesto no jantar de aniversário do PS: “Sobre este assunto deu a mesma notícia que toda a imprensa deu, citando o jornal Expresso”, diz, sublinhando que, ao contrário do que defendem os manifestantes, “o Bloco é favorável à construção de um novo aeroporto, defendendo que a escolha do local deve considerar o estudo de impacto ambiental”.

Mais que isso, o BE insiste que “nunca participou em ações que perturbassem reuniões públicas ou internas de outros partidos” — ficando por perceber se isso quer dizer que, afinal, condena o que aconteceu esta segunda-feira e como reage ao facto de, pelo menos, um dos seus dirigentes fazer parte do grupo que apoia este tipo de ações e participou noutras.

Com uma divisão em Lisboa e outra no Porto — mas com intenções de abrir novas divisões em outros pontos do país, apurou o Observador –, o Climáximo apoia vários grupos, movimentos e ações de ativismo ecológico. Na sua página de Facebook, por exemplo, tem promovido ações como uma “Greve Climática Global” — agendada para o dia 24 de maio –, para a iniciativa exclusivamente nacional Camp-in-Gás — que irá decorrer de 17 a 21 de julho — e para o movimento europeu “By 2020 We Rise Up”.

Em Lisboa, as reuniões decorrem às terças-feiras, na sede do CIDAC (Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral), em Picoas. Um aspeto curioso do funcionamento do Climáximo passa pelas tomadas de decisões: são sempre coletivas e expressas de forma aberta pelos seus membros (em reunião) através de sinais gestuais: abanar a mão no ar significa que se concorda com as propostas, colocar a mão à altura da cintura significa que se tem ainda algumas reticências e colocar a mão abaixo da cintura significa que se discorda das ações sugeridas.

Posted by Climáximo on Friday, March 15, 2019

Além de ter organizado três ações de protestos no âmbito do movimento nacional Extinction Rebellion, o Climáximo — que terá crescido e atraído mais jovens após a greve estudantil em defesa do clima — tem promovido o movimento nas suas contas oficiais. No caso da invasão do jantar do PS, esta segunda-feira, o Climáximo também partilhou fotografias e notícias da iniciativa, além de um comunicado enviado à redações, que replica o comunicado emitido pela XR Portugal.

Há ainda uma ligação mais prática ao movimento: o site da XR Portugal está alojado num domínio do Climáximo.

"Temos contacto direto a nível internacional com o grupo que lançou o movimento no Reino Unido, partilhamos o que estamos a fazer e eles também, mas não existe um grupo de decisão internacional."
Sinan Eden, porta-voz do Extinction Rebellion (XR) Portugal

Sendo uma das divisões do movimento internacional “Extinction Rebellion”, o XR Portugal tem uma base organizacional “completamente descentralizada e autónoma”, diz o porta-voz Sinan Eden. “Todos os grupos que aceitam os objetivos e os princípios [internacionais] podem formar os seus grupos de trabalho. Temos contacto direto a nível internacional com o grupo que lançou o movimento no Reino Unido, partilhamos o que estamos a fazer e eles também, mas não existe um grupo de decisão internacional. Fazemos em Portugal como outros grupos fazem: coordenamos e agregamos as ações que se enquadram no nosso âmbito”, acrescenta o porta-voz do grupo.

Usam as detenções como estratégia — incluindo a de um vencedor dos Jogos Olímpicos

“Junta-te à Rebelião”: é este o slogan que o grupo ecologista de desobediência civil Extinction Rebellion apresenta a quem visita o seu site internacional e é este o slogan que tem convencido milhares de britânicos a aderir aos protestos contra a poluição do planeta. Aberto a todos, o movimento tem um formulário no seu site que pede apenas o primeiro e último nome e o e-mail do aderente. Quem se inscrever, dá o seu consentimento ao XR para “usar a informação” que providencia para enviar “notícias, atualização e rebelião”.

No Reino Unido, onde o movimento foi lançado e cresceu como em nenhum outro território, o número de detenções já registado — um milhar e quase uma centena — resulta de uma estratégia de alerta e sensibilização mediática dos próprios ativistas. O grupo difundiu aliás um vídeo com uma espécie de “estratégia para detenções”. No vídeo, apesar de se insistir que não se pretende “que as pessoas vão para a prisão”, o XR recorda que “o sacrifício é poderoso” e que “as detenções trazem atenção”. Citam mesmo “exemplos históricos” disso: os Freedom Riders; as marchas de Selma, Alabama para Montgomery em 1965; as marchas de Ghandi; e o movimento das sufragistas.

A comissária da Polícia Metropolitana de Londres, Cressida Dick, já veio dizer que nos seus 36 anos de carreira não trabalhou em nenhuma outra operação policial única que tenha resultado em tantas detenções. Entre os detidos há uma personalidade de renome: o canoísta inglês — vencedor de uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2012 — Etienne Stott foi detido na Waterloo Bridge enquanto gritava sobre a “crise ecológica”.

Uma manifestante citada pela CNN, Nuala Gathercole Lam, afirmou: “Conseguimos pôr a polícia perante um dilema. Se tiverem milhares de pessoas que recusam sair de onde estão, ou as deixam estar, o que economicamente é altamente disruptivo, ou têm de te prender”. Também de acordo com a CNN, que cita informação do grupo ativista, quase 10.000 pessoas em todo o mundo inscreveram-se no movimento assumindo estarem dispostas a ser detidas. Cerca de 3000 vivem no Reino Unido. Em Portugal, não há registo de detenções na sequência dos protestos do XR.

O canoísta olímpico detido nos protestos em Londres (@ David Davies – WPA Pool/Getty Images)

O discurso de uma ativista “popstar” de 16 anos

Os protestos no Reino Unido — com grande incidência em Londres — entraram numa fase de “pausa” no passado domingo, 21 de abril. Além de retirar os últimos ativistas da Waterloo Bridge, que se tinham colado à ponte e a si mesmos, as autoridades encaminharam os manifestantes para uma zona de protesto circunscrita e preparada para receber manifestantes, em Marble Arch. Já esta segunda-feira, 22, uma centena de ativistas encenaram em simultâneo uma morte súbita no Museu de História Natural de Londres, para alertar para as consequências potencialmente devastadoras do momento atual.

A última pessoa a ser retirada da Waterloo Bridge foi uma mulher de 70 anos, que preferiu manter a identidade sob anonimato mas afirmou à agência de notícias Associated Press — citada pelo The Guardian — que se sentia envergonhada por ser a última e que estava a tentar “parecer digna” enquanto resistia às intimações da polícia. Questionada sobre porque é que se juntou ao movimento, afirmou: “Fui enfermeira e cuidadora de crianças durante a maior parte da minha vida. O mundo que estamos a deixar aos nossos filhos e aos nossos netos será horrendo e estamos a deixar isso acontecer. Já aconteceu por baixo dos nossos narizes. Portanto, temos de nos levantar e lutar ou de nos deitar e lutar”.

Quem também esteve nas manifestações do Extinction Rebellion em Londres foi Greta Thunberg, adolescente sueca e ativista ambiental de 16 anos que se tornou um dos rostos da luta contra as alterações climáticas quando organizou um protesto em Estocolmo, no último ano. A jovem, que iniciou um movimento que insta os jovens a faltarem à escola todas as sextas-feiras para protestarem contra o aquecimento global e a deterioração do planeta, deslocou-se ao Reino Unido para dizer: “Nunca vamos parar de lutar por este planeta, por nós, pelos nossos futuros e pelos futuros dos nossos filhos e avós. Durante demasiado tempo, os políticos e as pessoas com cargos de poder safaram-se sem fazer nada, mas vamos garantir que não se vão continuar a safar durante mais tempo”.

Greta Thunberg a discursar em Londres (@ Tolga Akmen/AFP/Getty Images)

Greta Thunberg aproveitou para dizer que os problemas de políticas ambientais no Reino Unido também existem “na Suécia” e, aliás, “em todo o mundo”. “Nada está a ser feito para parar uma crise ecológica, apesar de todas as palavras e promessas bonitas. Enfrentamos uma crise existencial: a crise climática e a crise ecológica nunca foram tratadas como tais, foram ignoradas durante décadas”, apontou, acrescentando: “Somos nós que estamos a fazer a diferença — nós, pessoas do Extinction Rebellion e as crianças e estudantes que fazem greve pelo clima. Não deveria ser assim, mas já que mais ninguém faz nada, temos de o fazer”.

A ativista de 16 anos tem encontro marcado no Reino Unido com Caroline Lucas, do Partido Verde, com Jeremy Corbyn, líder dos Trabalhistas, e com o responsável britânico pela pasta do Ambiente, Comida e Assuntos Rurais, Michael Gove.  Thunberg está numa espécie de digressão pela Europa, a sensibilizar os líderes políticos para a importância de se enfrentar os problemas ambientais e climáticos com seriedade e profundidade. Também esteve, por exemplo, no Parlamento Europeu — e no passado já discursou na sede da ONU.

De apartidários a “força política organizada”

No Reino Unido, a fase de protestos está a dar lugar à fase de negociação política. O movimento quer tornar-se “uma força política organizada, que subsista no longo prazo e que seja devidamente considerada”, segundo afirmou um dos elementos do núcleo de coordenação do grupo, Farhana Yamin. A transição será de um período de ações que causaram “disrupção em massa” para “uma nova fase de rebelião focada nas negociações, em que o foco mudará para as nossas verdadeiras exigências políticas”.

O XR britânico prepara-se para montar uma taskforce política para liderar negociações públicas com o governo britânico. A ameaça quanto ao que pode acontecer futuramente, contudo, mantém-se: o grupo está preparado para aumentar a escala das suas manifestações dependendo do progresso de negociações para as quais o Governo ainda não acedeu, aponta o site noticioso norte-americano HuffPost.

Em Marble Arch, continuam acampados ativistas deste movimento de desobediência civil pelo clima (@ Tolga Akmen/AFP/Getty Images)

Em Portugal, o núcleo de coordenação do XR ainda não tomou uma decisão quanto ao que acontecerá a seguir. “Vamos continuar a divulgar ações” de protesto, anunciou Sinan Eden, acrescentando no entanto que ainda será feita “uma avaliação mais profunda do que devem ser os próximos passos”. Por agora, a coordenação do movimento “não tem nenhuma decisão tomada”.

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Clima

As crianças que lutam por um mundo pior /premium

Alberto Gonçalves
1.296

Na idade da menina Alice e do menino Gil, fiz diversas greves à escola a pretexto do clima: mal o sol aquecia, trocava as aulas pela praia. Faltou-me ser entrevistado pelos “media”.

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