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Por um lado, apoio todos os pretextos para celebrar a tão desdenhada cultura em Portugal. Particularmente numa altura em que nem a um ministério exclusivo tem direito, quanto mais um orçamento de 1% que seja. Por outro lado, galas em direto por cá são sempre matéria-prima da boa. Sociologicamente falando, claro. E é claro que não perco uma noite dos Globos de Ouro da SIC, nem que seja para confirmar que todos os anos é a mesmíssima coisa. A palavra glamour repetida ad nauseum; a Clara de Sousa que vai bonita, tem uma boa voz e uma bela dicção, mas que pouco acrescenta; uma maioria alargada de nomeados e consequentes vencedores vindos do canal anfitrião; discursos mais ou menos emocionados e mais ou menos políticos; leitores de teleponto para o fraquinho e a Iva Lamarão a repetir o 761 e tal e tal. Resumidamente, entretenimento do bom. Ainda para mais, o vento assobia lá fora, a lasanha de cogumelos está pronta a ir para o forno e eu tenho um pijama novo da Primark. Vamos lá. Encham-me de glamour, bitches!

Preto, preto e mais preto. Branco, branco e mais branco: os looks da passadeira vermelha dos Globos de Ouro

Antes de ir ao prato principal, partilho um tesourinho da passadeira vermelha, em jeito de amouse bouche. Sim, a passadeira dos Globos também marcha, comigo ou é ou não é. A protagonista é Cláudia Borges, uma das apresentadoras convocadas para o enchimento de chouriço em direto, trabalho tortuoso que merece todo o respeito, #forçaguerreira. Em conversa com o casal Paula Lobo Antunes e Jorge Corrula, Cláudia nota que ambos usam um brinco com uma melancia, ao que Corrula responde que tem um significado importante que as pessoas vão entender e pisca o olho. A partir daqui é um loop de constrangimento em que a apresentadora vai lançando hipóteses “Mas é uma música, conta lá, o que é que quer dizer…” e Jorge vai dizendo que é um símbolo sem dizer a palavra Palestina. Eis que, claramente, alguém faz sinal à Claudita para ela matar o tema e ela corta a conversa de forma muito subtil: “Psst, psst, vamos parar. Paula, o teu look?”. Um mimo.

Abertura

A SIC prometia uma abertura memorável com Callum Scott. Acho simpático que tenham fugido ao número estilo festa de Natal de empresa, com caras da estação a fazer um espectáculo de variedades. Tudo certo. O moço canta bem, sim senhor, e até descobri que  foi o primeiro cantor solo de Hull a ter um single no top 40 desde Ronnie Hilton, na década de 1960. Sim, fui à Wikipedia, que eu pelo nome não ia lá. Mas, sinceramente, diria que quando chegar ao fim da noite, já me esqueci.

Cinema

MELHOR ATRIZ: Crista Alfaiate, “Grand Tour”; Joana Santos, “On Falling”; Rita Durão, “Mãos no Fogo” e “O Teu Rosto Será o Último”; Sandra Faleiro, “Estamos no ar”; Sara Barros Leitão, “O Melhor dos Mundos”

Os apresentadores do primeiro prémio da noite foram Cláudia Vieira, que é uma grande querida, e o Afonso Pimentel, que é um grande ator. Fizeram o que se propuseram, não envergonharam ninguém e, olha, já gozas. Joana Santos, que apreciei bastante ver em Dancin’ Days, ganhou. Só para verem que eu não sou um snob e também vejo novelas. Trouxe discurso no iPhone, revelou que a mãe a chamava Joana Filipa. Coragem. Falou de Gaza e não a calaram. Primeira da noite e acredito que não seja a última.

MELHOR ATOR: Edgar e Rafael Morais, “Um Café e um Par de Sapatos Novos”; Gonçalo Waddington, “Grand Tour”; João Pedro Vaz, “Os Papéis do Inglês”; Miguel Borges, “Os Papéis do Inglês”; Miguel Loureiro, “UBU”

E agora Diana Chaves, outra grande querida, e Ricardo Pereira, que também vai muito bem no instagram. O João Pedro Vaz, que não vi neste filme, mas de quem gosto muito (vejam Restos do Vento na RTP Play), levou uma filha chorosa e amorosa a palco, que no final do discurso emocionado do pai pediu para falar e agradeceu às amigas, com direito a nome completo de cada uma delas e tudo. Momento extremamente fofo, check.

MELHOR FILME: Banzo, Margarida Cardoso; “Grand Tour”, Miguel Gomes; “O Teu Rosto Será o Último”, Luís Filipe Rocha; “On Falling”, Laura Carreira; “Os Papéis do Inglês”, Sérgio Graciano

Eu sei que por muito que os guionistas da gala queiram escrever coisas mesmo engraçadas para os apresentadores dos prémios, é uma tarefa árdua. Às vezes, porque os intérpretes não dão para mais. Muitas vezes, porque aquelas piadas que eram mesmo boas não passam no lápis azul do canal, o que resulta naquele silêncio estranho ao invés do desejável riso do público. Foi o que aconteceu com o José Mata e a Mariana Monteiro, mas não desanimem, melhores dias virão. Por sorte, Cirila Bossuet e Sara Carinhas, duas atrizes de Banzo, o filme vencedor, subiram ao palco em representação da realizadora que não pôde estar, e foram direitas ao púlpito dos apresentadores ao invés do que lhes dizia respeito, o que proporcionou o alívio cómico necessário. Bem dispôs.

Trovante

Ora cá vai o belo do medley, que assenta bem em qualquer cerimónia. Represas puxou pelo público e até fez uma graçola, o João Gil estava a curtir e bem e o público entoou Perdidamente, 125 Azul e Saudade, como em qualquer outra festa organizada por betos. E, diga-se de passagem, os Trovante tiveram direito a um belo momento de publicidade, com direito a Clara de Sousa a dizer as salas e as datas dos concertos. Diz a verdade, quantos bilhetes é que orientaste ao Balsemão, Represas?

Humor

PERSONALIDADE DO ANO: Bruno Nogueira; Diogo Batáguas; Herman José; Joana Marques; Ricardo Araújo Pereira

Manzarra aproveitou para fazer uma declaração de amor, trouxe-nos um pouco de humor de desconforto, mas a Júlia Palha foi a pessoa adulta na sala e sobrevivemos sãos e salvos. Obrigada, Júlia. Mas a questão que não quer calar é… É desta? Será que é desta? Finalmente, é desta? Rufo de tambores… Foda-se. Não, não foi desta. O RAP ganhou outra vez, como seria de esperar. Joana Marques (que vai para aí com 3 Globos em atraso) e Manuel Cardoso sobem ao palco e têm graça, como seria de esperar. Não é que O Ricardo não seja um portento, o maior, o grande. Mas até ele percebeu. Alguém da Impresa que leia a sala.

Laura Pausini

Eu sei que já disse um palavrão no parágrafo anterior, por isso vou-me coibir um pouco. Mas apre, Laura Pausini? Parece-me uma querida, mas chiça! A Laura Pausini estava a bater quando eu estava no 9.º ano. E tive um namorado que disse que a nossa música devia ser “a solitudine” e eu acabei com ele três dias depois.

Ficção

MELHOR ATRIZ: Joana Ribeiro, “Promessa”; Laura Dutra, “A Herança”; Margarida Vila Nova, “Irreversível”; Patrícia Tavares, “A Herança”; Victória Guerra, “A Promessa”

Fátima Lopes e Virgílio Castelo impecáveis. A nostalgia de ver a apresentadora do Perdoa-me ao lado do apresentador do Isto só vídeo é tudo para esta velha raposa. Quanto ao prémio, vão dizer que lá estou eu e o meu mau feitio, mas temos quatro atrizes nomeadas por novelas da SIC e Margarida Vila-Nova com uma série da RTP. Digamos que as odds estão a favor da casa. Mas parabéns à Patrícia Tavares.

MELHOR ATOR: Gonçalo Waddington, “A Travessia”; João Catarré, “A Promessa”; João Estima, “O Americano”; Ricardo Pereira, “A Herança”; Rui Pedro Silva, “A Herança”

Ter o Gonçalo Waddington numa categoria de melhor ator e dar o prémio ao Ricardo Pereira é como estar no Ramiro com uma mariscada à frente e ir à bomba comer uma sandes de triângulo.

MELHOR PROJETO: ”A Herança”; “A Travessia”; “Irreversível”; “O Americano”; “Salto de Fé”

Ana Marques apresenta este prémio e sublinha a demonstração de fairplay, porque apenas um dos projetos é da SIC. E o Globo de Cara de Pau vai para… Mas Irreversível ganhou e acredito que bem, já estava na minha lista e foi um bom lembrete. E obrigada ao Rafael Morais, que faz parte do elenco, não disse nada, mas pôs-se de manga à cava em palco. Tinha-me ido muito abaixo com a Pausini, estava precisada.

Momento de Humor: Vasco Pereira Coutinho e “Tia Bli”

Durante a emissão da passadeira vermelha, um oráculo anunciava que “O humor vai invadir o Coliseu”. Mas duas intervenções de 3 ou 4 minutos não é propriamente uma invasão. Fiquei surpreendida com a escolha, mas acho a maior das graças ao Vasco Pereira Coutinho, à sua personagem, a Tia Bli, e acho que encaixa bem na cerimónia. Amei a imitação da Laura Pausini, mais do que da própria da Laura. Via os “Globos de Ouro Lindamente” na boa. Se fosse ao Vasco Palmeirim, mudava a bio do Instagram para Labubu do Markl e concordo que Kelly Baley é nome de goma. Adorava ter ido ao enterro da tia Ameixa e acredito que muito boa gente identificou com o “isto tresanda a poliéster.”. Mas queria mais.

Silence 4

Se a italiana me trouxe memórias que me deram arrepios na nuca, não dos bons, a banda de Leiria trouxe uma nostalgia boa. Foi na Virgin dos Restauradores, onde vi pela primeira vez postos de escuta com uns belos fones e dava para ouvir CDs à borla, um sonho para esta estudante tesa, que ouvi Silence 4 pela primeira vez. E pela segunda… Talvez as primeiras dez, até ter juntado dinheiro para comprar o CD. Chamem-me parola, já me chamaram coisas piores. Ainda ontem numa caixa de comentários aqui ao lado. Apreciei, cantei, animei.

REVELAÇÃO: Diana Ginja; Evandro Gomes; Laura Carreira; Miss Universo; Napa

O único prémio escolhido pela votação do público foi entregue pelo casal sensação do Tik Tok, o Bernardo e a Teresinha da novela A Herança, respetivamente Rui  Pedro Silva e Laura Dutra. O grupo de nomeados era composto por Diana Ginja, uma criança atriz da SIC; Evandro Gomes, um ator com quem muitas gostariam de fazer crianças; Laura Carreira, uma realizadora premiada nacional e internacionalmente; Miss Universo, uma banda de Antena 3 com um ótimo nome; e os Napa, os madeirenses vencedores do Festival da Canção. Ganhou Diana Ginja, uma pequena muito querida, que disse que confiava no Daniel Oliveira para a ajudar. Tão querida, tão fresca, um amor.

Calum Scott e “Whitney Houston”

Durante a passadeira vermelha, alguém “levantou o véu” (os nervinhos que esta expressão me dá) e falou deste dueto de Callum Scott com a Whitney Houston. Sim, leram bem, não estou bêbada, mas preferia. Posso ser eu, mas acho isto de uma parolice inenarrável e de um gosto  altamente duvidoso. Estou sozinha nisto? É só a mim que faz confusão uma atuação ao vivo com alguém que está morto? Pronto, ficamos assim.

Teatro

MELHOR ATRIZ: Andreia Bento, “A Love Supreme”; Carla Galvão, “Maria”; Custódia Gallego, “A Médica”; Margarida Vila-Nova, “À Primeira Vista”; Maria João Luís, “Mãe Coragem”

Não conheço o trabalho da Andreia Bento, mas vou fazer por isso. Acho a Carla Galvão um estrondo, a Maria João Luís é incrível e a Margarida Vila-Nova é das minhas atrizes favoritas, mas a Custódia Gallego é uma diva, que nunca vi falhar, além de ter uma pinta dos diabos. “Quero dar beijinhos aos meus maravilhosos netos que ganharam um brinquedo novo.” Icónica.

MELHOR ATOR: Cristóvão Campos, “Monóculo, Retrato de S. von Harden”; David Esteves, “Class Enemy”; Graciano Dias, “Festa de Aniversário”; Vicente Wallenstein, “Leões”; Virgílio Castelo, “Heisenberg — O Princípio da Incerteza”

Que me caia um piano na cabeça se, enquanto Bárbara Branco e Dânia Neto entravam em palco, eu não estava a pensar: “Ainda ninguém meteu os pés pelas mãos a ler o teleponto, o Guedes Carvalho deve estar desiludido”. E não é que elas meteram os pés pelas mãos a ler o teleponto? Acontece, minhas queridas. Perpetuaram uma tradição, também é uma coisa bonita. O Cristóvão Campos ganhou, gosto. Vi o Cristóvão Campos no concerto de Jesus Quisto a vestir um soutien que lhe atiraram para o palco. Não sei se seria o momento que ele gostaria de ver associado a este Globos de Ouro, mas é para ser diferente.

MELHOR ESPETÁCULO: “A Colónia”, Marco Martins; “A Love Supreme”, Andreia Bento e Nuno Gonçalo Rodrigues; “Class Enemy”, Teresa Sobral; “Mãe Coragem”, António Pires; “Um Elétrico Chamado Desejo”, Bruno Bravo

Sofia Ribeiro e João Moleira decidiram cantar um pouco da Cinderela de Carlos Paião de improviso, passaram para o teleponto de forma subtil e fizeram bonito. É para quem pode, não é para quem quer. Quanto ao vencedor, não vi A Colónia de Marco Martins, mas nunca vi nada do Marco Martins que não gostasse, seja série, cinema, teatro ou anúncios da NOS. Marco passou a palavra a filhas de presos políticos do Estado Novo. Apesar de terem levado com a orquestra a ver se as calava, nós estávamos a ouvir. Obrigada.

Laura Pausini

A italiana volta a palco para cantar uma tema da Ana Carolina, Quem de nós dois, e … Desculpem, fui-me abaixo outra vez. Acho que descobri que a Laura Pausini é a minha kriptonite, Vou ali beber uma bica e já venho.

Moda

PERSONALIDADE DO ANO: Constança Entrudo; Inês Amorim e Reid Baker; Joana Duarte; Marta Marques e Paulo Almeida; Valentim Quaresma

Jorge Corrula acabou o que começou na passadeira, fez o seu statement e colocou o keffiyeh, o lenço palestiniano, antes de entregar o prémio. Acho que ouvi a Cláudia Borges no meio do Coliseu a dizer “Aaaahh!”, mas pode ter sido só impressão. Quanto ao prémio, não conheço ninguém, não percebo nadinha do tema, por isso, parabéns à vencedora, a designer Constança Entrudo.

In Memoriam

No momento de homenagem aos que partiram, Milhanas, que canta nas horas, interpretou um dos temas mais bonitos da história do Festival da Canção: Silêncio e tanta gente, de Maria Guinot. Bonito, com bom gosto, tudo certo.

Entretenimento

PERSONALIDADE DO ANO: César Mourão; Diana Chaves; João Baião; Manuel Luís Goucha; Vasco Palmeirim

José Figueiras, que apresentou o prémio ao lado de Carolina Loureiro, disse olhando para o leque de nomeados “Ui, tanta personalidade junta!” e aposto que pensou com os seus botões “Uns com tanto, outros com tão pouco…”. Desculpem, isto é injusto, já é a birra do sono a falar. Zé, brincandeirinha, Muita Lôco forever! Estava a apostar no Labubu do Markl este ano, mas foi mais um para o César Mourão. Depois o discurso em menos de nada, que tem de ir arranjar espaço na prateleira ao lado dos outros.

PERSONALIDADE DO ANO – DIGITAL: Ana Garcia Martins; Guilherme Geirinhas; Joana Marques; Manuel Cardoso; Pedro Teixeira da Mota

Joana Marques volta a ganhar para espanto de zero pessoas, expressão que ela odeia e só por isso estou a usar. Aproveitou para fazer um hilário roast ao Anjos e a ser a primeira vencedora de Globo a agradecer à psicóloga. Sei que já devo ter dito isto e se não foi isto exatamente, deve estar lá perto. Acho que a SIC criou esta coisa do digital para premiar o escalão júnior do prémio do humor, porque há lugares marcados na categoria do humor propriamente dito. Mas eu sei como é que isto se vai resolver: o Ricardo Araújo Pereira um dia destes vai para a RTP ou para a TVI e vão ver se ele não deixa o Coliseu de mãos a abanar. Vai daí a Joana Marques recebe finalmente o Globo do Humor. E a Ana Garcia Martins é capaz de finalmente levar esta taça. Pipoca, ainda há esperança.

Homenagem a Herman José

A SIC decidiu homenagear o nosso senador do humor nacional e Maria Rueff, Ana Bola, Joaquim Monchique e Joana Pais de Brito subiram a palco para o celebrar. FF cantou Podia acabar o Mundo (Broadway, se me estiverem a ouvir, ponham os olhos neste talento), Áurea cantou a canção do beijinho e roubou um beijo ao homenageado, mas foi João Baião que deixou Herman de queixo no chão a cantar Serafim Saudade. O Herman subiu a palco e isso é sempre uma honra, um prazer e um privilégio. Foi bonita esta parte da festa, pá! A minha vénia ao primeiro homem que me fez rir, a seguir ao meu pai.

Música

MELHOR CANÇÃO: “2000 A.D.”, Samuel Úria; “Deslocado”, NAPA; “Diga 33”, A Garota Não; “E Depois do Adeus”, Gisela João; “Essa Mulher”, Nuno Ribeiro

O Samy ganhou! Peço desculpa pelo histerismo, mas há muito que declarei a minha devoção à voz, à caneta e às patilhas do trovador tondelense Samuel Úria. Estou-me a sentir profundamente validada. Discurso perfeito, smoking perfeito, patilhas perfeitas. Dia 11 de outubro, no Coliseu de Recreios, encontram-me na primeira fila. Viva o Samuel!

MELHOR INTÉRPRETE: David Bruno; Gisela João; Lena d’Água; Plutónio; Samuel Úria

Aquela categoria que é o chamado venha o diabo e escolha, gosto de todos, mas por mim era a dobradinha, como deu para perceber no parágrafo anterior. Dito isto, Lena D’Água ganhou e é património nacional. Viva a Lena!

MELHOR ATUAÇÃO: Ana Moura, Meo Kalorama; MARO, Teatro Tivoli BBVA; Plutónio, Meo Arena; Sara Correia, Coliseu Porto Ageas; Slow J, Vodafone Paredes de Coura

Não estive em nenhum deles, iria tranquilamente e com gosto a todos, mas não se proporcionou. Foi o mesmo que aconteceu ao Plutónio, vencedor do Globo, que não pôs os cotos no Coliseu. E vai-se a ver também não teve oportunidade de mandar ninguém para levantar a encomenda, o que deu lugar a um tragicómico número de revista entre as apresentadoras Conceição Lino e Liliana Campos sobre o que fazer ao Globo, que me encarquilhou a alma com o constrangimento.

Prémio Mérito e Excelência: Júlio Isidro

O último globo de Ouro é entregue por Francisco Pedro Balsemão. Se já me doem as cruzes e já estou a pontos de enfiar palitos nos olhos, só cá faltava o segmento “Hora do CEO” para me levantar o ânimo. O silverlining? O prémio ter ido para o Júlio Isidro. Sim, eu sou assim tão velha. Ele é uma figura do meu imaginário desde sempre, obcecada que sou pela televisão, desde que me lembro. Viva o Júlio… Sei que estou a ficar repetitiva, mas estou desde as 18:30 nisto e se não me armar em cheerleader, não chego à meta. O Tio Julião subiu a palco e fez os agradecimentos em modo stand-up, com graça, sabedoria e emoção. Dos melhores momentos da noite.

Só mais uma: viva! Acabou! Está feito! Momentos prazerosos, outros que me dão vontade de enfiar um garfo no olho e chego ao fim a sentir-me ainda pior pessoa, tal a descarga de bílis. No fundo, mais do mesmo. Está encerrada a vigésima nona gala dos Globos de Ouro. Para o ano são 30 anos. Espera… Ó pá, agora é que eu percebi. Este ano foi tudo igual, mas para o ano é que é, caraças! É um número redondo, uma efeméride daquelas. É desta que  eles nos vão surpreender. Mal posso esperar. Até para o ano!