Poupar o subsídio de Natal? Saiba quanto acumula em aplicações de baixo risco

24 Novembro 2016

O salário adicional é uma oportunidade para fazer um pé-de-meia. Saiba exatamente quantos euros e cêntimos pode ganhar com os melhores depósitos a prazo e com os Certificados do Tesouro Poupança Mais.

Se a lista de presentes não estoura o seu subsídio de Natal, que fazer ao resto do dinheiro? É natural que queira guardar uma fatia do vencimento adicional para preparar o futuro: umas merecidas férias em 2017, a troca do automóvel dentro de cinco anos ou a formação de um pé-de-meia para servir de entrada na compra de uma casa na próxima década, por exemplo.

Não é um momento fácil para poupar. As taxas de juro propostas pelos bancos nunca estiveram tão baixas. Em setembro passado, da última vez que o Banco de Portugal compilou a estatísticas de depósitos a prazo, a taxa anual estava, em média, em 0,33% em aplicações até um ano.

1.130,37€

É o ganho médio mensal em Portugal continental. Os homens recebem, em média, mais do que as mulheres (1.245,79 euros vs. 989 euros)

Fonte: Instituto Nacional de Estatística. Outubro de 2016

Em 2015, seis em cada dez portugueses que conseguiram poupar fizeram-no deixando o dinheiro na conta à ordem. Apesar das reduzidas taxas de juro do sistema bancário, ainda há alguns bancos que pagam taxas perto de 2% ou, mesmo, superiores. Com um péculio de 1.000 euros (perto do vencimento médio português), o Observador correu as soluções de baixo risco para encontrar as que mais geram riqueza para os seus leitores.

Todos os cálculos assumem uma taxa de tributação sobre os rendimentos e as mais-valias de 28%, que é válida para os residentes em Portugal continental e no arquipélago da Madeira. Para os residentes nos Açores, a taxa é de 22,4%, o que quer dizer que os açorianos devem esperar juros líquidos mais elevados do que os indicados em baixo.

Ainda há depósitos a prazo generosos

O depósito a prazo mais rentável tem agora uma taxa anual nominal bruta (TANB) de 2,55%. O que é que isso quer dizer? Se levar 1.000 euros ao Banco Atântico Europa para constituir o Depósito a Prazo Boas Vindas, receberá 4,69 euros após 92 dias, além da devolução do seu capital. O prazo de três meses e a tributação não permitem um rendimento mais elevado.

Se tiver mais tempo para deixar o dinheiro crescer, os juros líquidos são mais interessantes. No Banco BNI Europa, um depósito de 1.000 euros durante cinco anos gera um rendimento de 91,30 euros.

Quanto rendem os melhores depósitos de 1.000 euros?
Estes são os melhores depósitos para os prazos de três e seis meses e um, dois, três, quatro e cinco anos. O montante mínimo do depósito no Atlântico Europa é de 500 euros e no BNI Europa é de 1.000 euros.
Banco Depósitos Prazo Taxa anual nominal bruta Juro no fim do prazo
(depósito de 1.000€)
Atlântico Europa DP Boas Vindas 92 dias 2,55% 4,69€
BNI Europa BNI Europa 183 dias 183 dias 1,85% 6,77€
BNI Europa BNI Europa 366 dias 366 dias 1,85% 13,54€
BNI Europa BNI Europa 24 meses 24 meses 1,90% 27,74€
BNI Europa BNI Europa 36 meses 36 meses 2,10% 45,99€
BNI Europa BNI Europa 4 anos 4 anos 2,30% 67,21€
BNI Europa BNI Europa 5 anos 5 anos 2,50% 91,30€
Fonte: bancos. Cálculos: Observador. 23 de novembro de 2016

Como pode confirmar no quadro anterior, o Atlântico Europa e o BNI Europa – dois pequenos bancos de capitais angolanos – são os que mais pagam aos depositantes. Estes bancos não cobram comissões de manutenção da conta à ordem. Se abrir conta apenas para constituir depósitos a prazo, dispensando qualquer outro produto ou serviço (como cartões bancários), a única comissão que poderá pagar é na altura de transferir o capital para outra instituição financeira. Paga, no mínimo, um euro no Atlântico Europa. No BNI Europa, as transferências eletrónicas são gratuitas.

Não planeia aplicar exatamente 1.000 euros nesta época natalícia? Está a ponderar um depósito noutro banco com uma taxa de juro mais reduzida? Use a nossa calculadora para saber quanto receberá no final do depósito a prazo.

Calcule quanto rende o seu depósito a prazo
Escolha o montante, a taxa de juro e o prazo para descobrir quanto receberá no final do prazo num depósito simples, depois de descontar os impostos. Assume uma tributação a 28%.

Montante a aplicar (em euros):
Taxa anual nominal bruta (em %):
Prazo (em dias):
Juro líquido no final do prazo (em euros):

Eleger o banco mais generoso pode fazer uma grande diferença no rendimento recebido. Os melhores depósitos a prazo a um ano nos seis maiores bancos – Banco BPI, Caixa Geral de Depósitos, Millennium bcp, Montepio, Novo Banco e Santander Totta –, fornecem, em média, uma taxa anual bruta de 0,25%, segundo os seus preçários. A essa taxa, um depósito a prazo de 1.000 euros rende 1,83 euros ao fim de um ano, menos de um sétimo dos juros do melhor depósito a um ano.

Tal como os maiores bancos, os depósitos no Atlântico Europa e no BNI Europa estão protegidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos. Este sistema garante o reembolso de até 100 mil euros por depositante sempre que ocorra a indisponibilidade dos depósitos por razões diretamente relacionadas com a situação financeira da instituição.

Vá aos Correios para ter uma alternativa a cinco anos

Os Certificados do Tesouro Poupança Mais (CTPM) são uma alternativa ao depósito a cinco anos do BNI Europa. Em vez de receber 91,30 euros no final do quinquénio num depósito de 1.000 euros, os CTPM rendem, no mínimo, 81 euros distribuídos de forma crescente pelos cinco anos.

Os CTPM são instrumentos de dívida pública da República Portuguesa que podem ser subscritos e resgatados em algumas estações dos Correios e através do serviço AforroNet. Os juros anuais líquidos são creditados automaticamente na conta à ordem associada à conta de aforro do investidor. O mínimo de subscrição é de 1.000 euros. Só é possível resgatar após um ano da subscrição.

Calcule quanto rendem os Certificados do Tesouro Poupança Mais
Escolha o montante a aplicar (mínimo de mil euros e máximo de um milhão de euros) para saber quanto receberá anualmente após uma subscrição neste mês de novembro. Assume uma tributação a 28%.

Montante a aplicar em novembro de 2016 (em euros):
Juro líquido em novembro de 2017 (em euros):
Juro líquido em novembro de 2018 (em euros):
Juro líquido em novembro de 2019 (em euros):
Juro líquido em novembro de 2020* (em euros):
Juro líquido em novembro de 2021* (em euros):
*Os valores de novembro de 2020 e 2021 são os juros líquidos mínimos. No quarto e no quinto ano, os juros mínimos podem ser acrescidos de prémios, em função do crescimento médio real do produto interno bruto.

Quem subscrever CTPM neste mês de novembro, sabe à partida que as taxas de juro são de 1,25% no primeiro ano, 1,75% no segundo, 2,25% no terceiro, 2,75% no quarto ano e 3,25% no quinto ano. Estes fluxos financeiros traduzem-se numa rentabilidade anual líquida de 1,61% no quinquénio. Todavia, caso a economia portuguesa apresente um crescimento real no quarto e no quinto ano após a subscrição, é acrescentado um prémio aos juros desses períodos.

A evolução da economia é uma incógnita. Porém, se as previsões de crescimento para 2020 do Ministério das Finanças e do Fundo Monetário Internacional forem bons indicadores, os aforradores podem esperar uma rentabilidade anual líquida próxima de 2% investindo em CTPM nos próximos cinco anos.

Obrigações do Tesouro só se comissões forem baixas

A escolha de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos da América – que decorreu da votação do passado dia 8 de novembro – teve um efeito uniforme nos mercados de dívida pública: o preço das obrigações caiu, conduzindo a uma subida da rentabilidade potencial dos títulos públicos. Portugal não escapou da tendência, o que é uma boa notícia para quem quer investir durante mais de cinco anos com garantia de rendimento periódico.

Teoricamente, o risco de investir em Obrigações do Tesouro é idêntico ao de subscrever Certificados do Tesouro Poupança Mais, porque são dois tipos de instrumentos garantidos pelo Estado português. Há muitos outros investimentos de capital garantido na bolsa, mas os aforradores mais conservadores devem preferir as Obrigações do Tesouro porque:

  1. Quase todas as Obrigações do Tesouro são transacionadas na Euronext Lisbon (mas não exclusivamente), a praça mais acessível e económica para os pequenos investidores. É preciso, no entanto, cautela, porque alguns títulos são negociados com pouca frequência
  2. São poucos os intermediários financeiros que permitem a negociação bolsista de obrigações que não sejam do Tesouro português.
  3. Quando é possível negociar outros títulos de dívida, as comissões de bolsa tendem a ser mais elevadas do que na transação de Obrigações do Tesouro.
  4. Aos preços atuais, as Obrigações do Tesouro português são dos títulos de dívida pública da zona euro mais rentáveis até à maturidade, apenas atrás dos gregos.
  5. Há uma vantagem fiscal na aquisição de obrigações portuguesas: o juro corrido que o comprador tem de pagar ao vendedor é líquido de IRS e não bruto, como nos títulos estrangeiros, o que representa uma poupança.

Atualmente, a rentabilidade anual líquida das Obrigações do Tesouro com maturidades entre cinco e trinta anos varia entre 1,86% e 3,33%. Este retorno é garantido para os investidores que comprem e mantenham os títulos até ao vencimento, desde que o Estado português não falhe nos pagamentos anuais de juros e na devolução do valor nominal das obrigações.

Dívida pública para aforradores de longo prazo
Nem todas estas Obrigações do Tesouro são transacionadas com frequência. As que se vencem em 2025, 2026 e 2030 são as mais populares na bolsa de Lisboa. O ISIN é um código de identificação único de instrumentos financeiros.
ISIN Maturidade Prazo Taxa bruta de cupão Preço Taxa anual líquida até à maturidade
PTOTESOE0013 17/10/2022 5 anos e 11 meses 2,20% 96,93% 2,01%
PTOTEAOE0021 25/10/2023 6 anos e 11 meses 4,95% 110,98% 1,86%
PTOTEQOE0015 15/02/2024 7 anos e 3 meses 5,65% 113,95% 1,97%
PTOTEKOE0011 15/10/2025 8 anos e 11 meses 2,875% 94,96% 2,57%
PTOTETOE0012 21/07/2026 9 anos e 8 meses 2,875% 93,45% 2,70%
PTOTEROE0014 15/02/2030 13 anos e 3 meses 3,875% 97,27% 3,03%
PTOTE5OE0007 15/04/2037 20 anos e 5 meses 4,10% 96,85% 3,15%
PTOTEBOE0020 15/02/2045 28 anos e 3 meses 4,10% 92,50% 3,33%
Fonte: Bloomberg. Cálculos: Observador. Taxa anual líquida de 28% por conta de IRS. 23 de novembro de 2016.

Investir em Obrigações do Tesouro é muito mais complexo do que contratar um depósito a prazo ou subscrever Certificados do Tesouro Poupança Mais. Um investimento de 1.000 euros nos títulos que se vencem em julho 2026 – que se reparte entre o preço das obrigações e os juros corridos que o comprador tem de pagar ao vendedor – gera um rendimento anual líquido de 21,98 euros, recebido em julho de cada ano até à maturidade. O investidor que mantenha os papéis até ao vencimento recebe o seu valor nominal de 1.062 euros nessa data. Estes fluxos refletem-se numa rentabilidade anual líquida de 2,70%.

Embora possa parecer um retorno interessante, não é o ganho efetivo dos investidores, porque é preciso contabilizar as comissões cobradas pelo intermediário financeiro. Regra geral, estas comissões retiram qualquer potencial que as obrigações tenham, em particular se o aforrador for investir um montante em torno do milhar de euros.

Através do Banco Carregosa, que é o maior intermediário de dívida pública em Portugal, segundo as últimas estatísticas da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, a rentabilidade anual efetiva obtida ao aplicar 1.000 euros nas Obrigações do Tesouro que se vencem em 2026 reduzir-se-ia para -0,54%, assumindo as comissões previstas no preçário mais recente do banco. A maioria dos outros bancos, o resultado é semelhante – ou pior.

É por isso que a maioria das pessoas deve descartar as Obrigações do Tesouro do rol de produtos de baixo risco para investir o seu subsídio de Natal. Tal como já dissemos na análise às Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável, “gastaria mais em comissões e impostos do que receberia em juros”.

David Almas é analista financeiro independente registado na CMVM com o número oito. O autor trabalha subordinado ao Código Deontológico dos Jornalistas.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Poupança

O capital liberta

André Abrantes Amaral
221

É do ataque constante ao capital que advêm as empresas descapitalizadas, as famílias endividadas e um Estado sujeito a três resgates internacionais.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)