O campo militar de Santa Margarida está em silêncio até começar a contagem decrescente. “10, 9, 8…”, ouve-se da torre de controlo a cerca de 750 metros da plataforma de lançamento. O foguete com seis metros de altura, construído por um grupo de estudantes da Technical University of Munich, está instalado e pronto para ser lançado. À sua volta, dezenas de outros jovens engenheiros de diferentes nacionalidades observam, nervosos. Quando termina a contagem, o foguete é disparado para o ar deixando um jato de chamas no ar. Foi um sucesso: o projeto do grupo WARR chegou a perto de três quilómetros de altitude e aterrou com o sistema de paraquedas incorporado, exatamente como previsto. “A probabilidade de isto acontecer é uma num milhão“, confessa um espectador.
É a sexta edição do European Rocketry Challenge (EuRoC), uma competição organizada todos os anos pela Agência Espacial Portuguesa que convida 28 equipas ligadas a 16 universidades europeias para exibir e lançar os foguetes construídos de raiz nas suas instituições. Algumas tentam fazê-lo pela primeira vez, outras já têm anos de experiência neste tipo de lançamentos.
“Viemos pela primeira vez em 2022, mas não conseguimos lançar. O nosso motor explodiu na semana anterior e, por isso, não havia nada que conseguíssemos fazer para o lançar”, conta Nuno Quitério, que vestia o colete de “Team Leader” dos Fénix, a equipa formada por estudantes de Engenharia Aeronáutica da Universidade da Beira Interior e da Universidade de Coimbra.
Há três anos, os Fénix estiveram na competição para “mostrar e adquirir conhecimento”, com o objetivo de regressar no futuro e com a ambição de conseguirem replicar os lançamentos observados. Agora, com o potencial primeiro lançamento da equipa apontado para a última janela do último dia da competição, Nuno Quitério admite que os 17 elementos estão confiantes, mas que vai ser “mesmo muito apertado” ter o foguete pronto a tempo.
Chegaram ao paddock no Pavilhão Municipal de Constância na passada sexta-feira e, desde então, têm estado com as mãos na massa “todos os dias, de manhã à noite”. “Ninguém vem para o EuRoC com o foguete 100% pronto“, brinca o estudante enquanto uma equipa polaca se prepara para lançar. Ainda assim, na noite anterior, os Fénix conseguiram passar o Flight Readiness Review (FRR), a última barreira antes de serem transportados para Santa Margarida e terem oficialmente a possibilidade de colocar em execução o projeto que têm vindo a construir há quase um ano.
O protocolo militar, os (poucos) lançamentos com sucesso e a oportunidade para recrutamento
É preciso atravessar três cancelas diferentes e toda a base do Exército em Santa Margarida para se chegar ao local de lançamento. “É capaz de ser o único sítio da Europa com a capacidade para receber um evento destes” pela sua dimensão e por estar num espaço aéreo (militar) restrito, diz ao Observador um elemento da organização. Num dos lados foram montadas mais de uma dezena de tendas, onde as várias equipas que antecipam lançar o seu foguete juntam as peças finais para garantir que o conseguem fazer dentro das quatro janelas de lançamento diárias projetadas pelos “oficiais” da competição.
Do outro lado os participantes têm a possibilidade de descontrair nas cadeiras colocadas estrategicamente por debaixo da grande bancada, para estarem abrigados do sol intenso neste descampado no centro do país. Comida e bebida é assegurada por algumas bancas, o que garante que todos os presentes não precisam de abandonar o local de acesso “muito restrito”.
Quando soa o alarme ensurdecedor que muito se parece com um aviso de ataque nuclear iminente, todos os presentes têm de se deslocar para a parte dianteira da tribuna. Está na hora de mais um lançamento. Naquela faixa de cerca de 50 metros de comprimento, as equipas — cada uma com a sua própria t-shirt identificadora — juntam-se para observar. Das 28 inscritas, 25 passaram o “teste” necessário para poderem vir a ter a oportunidade de lançar os seus foguetes. Destas, pouco mais de uma dezena conseguiram ter o seu rocket a sair da plataforma de lançamento.
Relativamente às edições anteriores, a taxa de sucesso de lançamento dos foguetes “não tem sido tão boa”, revela a gestora do EuRoC e de todos os projetos educativos da Agência Espacial Portuguesa. Ao Observador, Marta Gonçalves admite que ao haver cada vez mais equipas que já concorreram em múltiplas edições da competição, muitas estão “mais ambiciosas” e, por esse motivo, “fazem projetos mais complexos”, o que “inerentemente não é tão seguro, porque arriscam mais”.
Ainda assim, garante que apesar destes aparecerem de forma mais reduzida que nos anos anteriores, os lançamentos com sucesso revelam um grande crescimento da grande maioria das equipas, dando o exemplo da equipa que venceu a última edição. “Os Skyward [de Itália] lançaram, mas tiveram um problema técnico. A propulsão parou mas, por outro lado, o sistema de recuperação funcionou bem e permitiu que o foguete se mantivesse intacto”, conta a responsável da Agência. “Já fora da competição, para perceberem se o foguete funcionava bem, voltaram a tentar lançar e foi muito bem sucedido. Têm um pequeno paraquedas guiado que conseguiu fazer com que aterrassem no ponto determinado previamente. Foram os únicos a conseguir pôr este mecanismo a funcionar”, sublinha Marta Gonçalves.
Outro fator que a responsável quer que seja melhorado para as próximas edições — e que já nota progressos este ano — é “a questão da preparação“. Agora olhando para a equipa húngara BME Suborbitals, Marta Gonçalves aponta para o que poderá ter sido “um dos melhores lançamentos” da competição, não só porque saíram da plataforma “sem dificuldades” e pela própria performance do foguete — que conseguiram recuperar “corretamente”, mas também porque “estavam preparados a tempo”. “É uma coisa que nós queremos imputar muito às equipas. Temos algumas que estão aqui há quatro dias e que ainda não conseguiram lançar”, acrescenta.
Existem dois tipos de projetos aprovados pelo painel de seleção: os foguetes que se propõem a ir até aos três mil metros, ou até aos nove mil metros. Independentemente da altura que querem alcançar, os rockets distinguem-se pelo tipo de propulsão e, nesta categoria, existem três tipos diferentes: sólida, híbrida ou líquida. “Os sólidos são os únicos que têm hipótese de comprar um motor”, explica Marta Gonçalves, referindo que esta opção acaba por ser a escolhida pelas equipas numa fase mais inicial da sua atividade, uma vez que as outras opções exigem o desenvolvimento de um combustível de raiz. Em termos de resultados não há diferenças suficientemente vincadas, mas para a atribuição dos prémios finais, todos os fatores são considerados.
No total, foram atribuídos sete prémios. O principal, o “EuRoC Award” foi dado à Aerospace Team Graz (Áustria), que conquistou também o prémio de melhor voo na categoria de motor híbrido com apogeu de 9 mil metros. Foi premiada também a equipa que conseguiu o melhor design, os italianos da Skyward, bem como aqueles que exibiram o “melhor trabalho em equipa”, que foi para a BME Subortbitals.
Mas mais importante que um troféu, sublinha a organizadora, é mesmo a experiência que se adquire durante a competição. “Acho que diz alguma coisa sobre um aluno que se proponha afazer um foguete e a participar num projeto. Estes são estudantes que se desafiam. Isto implica não só muito trabalho de equipa, que é um dos pontos mais importantes que depois se reflete num ambiente profissional, mas também trabalhar com a própria infraestrutura, fazer a interface entre todos os sistemas e subsistemas”, afirma Marta Gonçalves, explicando que no decorrer do evento, várias empresas no setor aeroespacial fazem rondas pelo paddock para falar com os participantes. Alguns chegaram a receber propostas de emprego para quando acabarem o respetivo ciclo de estudos, conta.
“Para além disso é preciso gerir toda uma equipa, arranjar patrocínios e organizar a logística toda” associada à competição, que envolve ter de percorrer milhares de quilómetros com equipamentos sensíveis. E, para isso, as diferentes equipas têm soluções — e capacidades — distintas. “Cada vez mais temos interesse das empresas a vir cá e falar com os estudantes e apoiar a competição”, admite, dizendo que a Atlantic Spaceport Consortium, a empresa que recebeu a luz verde para construir o porto espacial na ilha de Santa Maria, nos Açores, disponibilizou uma plataforma de lançamento ao evento.
“Temos de fazer mais com menos”. Portugal é o país mais representado no EuRoC, mas as equipas portuguesas são as que têm menos recursos
João David está na equipa da Universidade de Bristol. O jovem mudou-se para o Reino Unido quando saiu do Ensino Secundário por considerar que o programa de Engenharia Aeroespacial era “muito melhor lá” do que a oferta disponível em Portugal. Assim embarcou, sozinho, para um novo desafio, mas encontrou rapidamente uma forma de juntar a sua paixão pelo setor e o seu país de origem. No seu primeiro ano em Bristol, envolveu-se numa “sociedade” dedicada a este tipo de competições. O primeiro contacto foi numa outra área — os rovers, os pequenos dispositivos de exploração utilizados nas superfícies planetárias — mas que acabou por não durar muito tempo. Começou, no entanto, o seu segundo ano de licenciatura como vice-presidente da “sociedade” e, aí, apareceu a equipa que agora participou no EuRoC.
Na sua estreia na competição, há três anos, a equipa de Bristol apareceu com seis pessoas e um foguetão de motor sólido. Num espaço de nove meses, passaram a ter mais de trinta elementos, mais patrocinadores e algo que é considerado “borderline abusivo” na indústria: passaram de motor sólido para líquido em tão pouco tempo. Esta “coisa louca” foi impulsionado por necessidade e não tanto ambição. No Reino Unido, explica o estudante português, “não se pode fazer motores sólidos nem híbridos de raiz, porque temos de ter licenças comerciais e a regulação é muito mais restrita“. Uma vez que não têm instalações próprias para testar, têm que fazer o teste “a nível comercial para garantir a segurança e a integridade de todas as pessoas”. Se isto não acontecesse, “a universidade já teria cancelado o projeto”, como “já esteve muito perto de fazer”.
Com o aumento das dimensões da equipa e da crescente qualidade dos resultados que têm vindo a obter, o foco de cada ciclo de desenvolvimento tem sido o regresso a Santa Margarida. Ainda assim, apesar de ter uma grande lista de patrocinadores nas costas da t-shirt vermelha que vestia, João David admite que a questão logística tem sido “uma batalha” para chegar à edição deste ano da competição. “Não pudemos alugar uma carrinha no Reino Unido para trazer para cá o nosso foguetão. Ficava a cerca de 3.500 ou 4.000 euros e, também, por causa do Brexit, precisaríamos de uma autorização que iria demorar cerca de três meses a ser emitida. E nós não temos esse tempo para esperar por uma resposta”, confessa o estudante ao Observador.
Por isso, conta que vieram de carro. “Apanhámos um ferry até Santander e viemos a conduzir até cá. Foram 50 e tal horas de viagem”, continua, contando que enquanto alguns elementos vieram neste carro com as peças desmontadas do foguetão, os restantes vieram de avião. “Queremos fazer muita coisa, mas às vezes também falham os apoios monetários. Parece que temos muito dinheiro, mas não temos”, acrescenta o jovem, ao mesmo tempo que sublinha o crescimento ao longo dos últimos três anos. “Quando viemos pela primeira vez, fizemos o nosso foguetão com 1.500 euros. O do ano passado já rondava os 11 mil”, explica.
Sobre esta disparidade de acessos monetários, a responsável da Agência Espacial Portuguesa pelo evento confirma esta perceção. Olhando em redor, menciona uma equipa alemã que trouxe “pessoas que só vêm fazer fotografia, vídeo e redes sociais”, outras que “só tratam da comida”. Este fator não só é percetível através dos patrocínios que têm no verso das camisolas ou no número de elementos que integram cada plantel universitário, mas também nos próprios foguetes — referindo os custos associados ao desenvolvimento de determinadas peças que não podem ser adquiridas comercialmente.
“De facto, as equipas estrangeiras têm orçamentos muito mais altos“, reforça Marta Gonçalves, remetendo para o “ecossistema” dos respetivos países e que, por norma, as equipas vindas de países com uma maior indústria espacial ou que já tenham um investimento consistente há largos anos conseguem vir a angariar mais fundos para investir no seu trabalho. Contudo, reforça que nem tudo é dinheiro. “Acho que é importante também sublinhar que embora as equipas portuguesas tenham orçamentos muito mais reduzidos, a verdade é que têm feito um excelente trabalho para chegar até aqui”.
Na edição de 2025, quatro equipas portuguesas foram selecionadas: os Fénix, os RED (Rocket Experiment Division), a Porto Space Team e a NorthSpace. Marta Gonçalves admite que estes grupos têm uma “pequena vantagem” face à competição. “Não é tudo, mas a competição acontece perto deles”, diz a responsável, mencionando a maior facilidade com temas logísticos, mas sobretudo o facto de terem a possibilidade de visitar e falar com as outras equipas, mesmo não estando a participar. O mesmo se aplica para interações com empresas e possíveis financiadores.
“Nem tudo é dinheiro, mas apesar de tudo, as equipas portuguesas têm oportunidade de se aproximar das empresas, pedir apoios financeiros e não só. Acabam também por ter um maior acesso a nível de infraestrutura ou as empresas dão alguns materiais ou até mesmo aconselhamento técnico sobre os projetos. Tudo tem um preço, mas nem sempre é medido financeiramente“.
Este é o caso da NorthSpace, uma das equipas portuguesas que conseguiu levantar voo esta semana. “Apoio monetário, em Portugal, é mais complicado. Acho que grande parte das empresas preferem fornecer ajuda”, explica Tomás Raposo, um dos elementos da equipa que reúne estudantes da Universidade do Porto e do Instituto Superior de Engenharia do Porto. “Em termos de fornecer dinheiro, não costumamos ter muito”, admite o jovem que estuda na Universidade de Delft, nos Países Baixos, mas que integra a equipa.
“Notam-se muito essas desvantagens nestes eventos e quando se olha para as outras equipas“, desabafa, referindo que com esta carência monetária, são obrigados a inovar e a “fazer muito com pouco”. “O que se nota, também, é que mesmo tendo muito menos dinheiro que estas outras equipas, conseguimos fazer tão bom ou melhor, às vezes”, continua. Para Tomás Raposo e o resto da equipa, “ter pouco dinheiro também é uma vantagem“, uma vez que os “obriga a inventar e descobrir coisas novas” — “aquilo que avança a engenharia”.
O principal apoio da NorthSpace é a Gislotica, uma empresa sediada em Matosinhos que fornece materiais aos estudantes e, por isso, consideram ser um “amigo” e “senior advisor” de toda a campanha até e durante o EuRoC.
O stress final, a “família” aeroespacial e o último lançamento do dia
Os RED, a equipa criada por alunos do Instituto Superior Técnico, e as duas equipas do Norte são uma “grande inspiração” para os mais jovens do concurso, os Fénix Rocket Team. Tanto os RED como a Porto Space Team não chegaram sequer a levar o seu foguete para o campo de Santa Margarida por terem chumbado o Flight Readiness Review. Os NorthSpace, até ao início do último dia de lançamentos, tinham sido os únicos portugueses a colocar um rocket na plataforma, mesmo que o resultado não tenha sido o desejado.
“Saiu do rail e depois explodiu no ar”, conta Marta Gonçalves. “Um problema no motor é sempre catastrófico, mas faz parte, são coisas muito complicadas e não conseguimos controlar tudo”, admitem os membros da equipa ao Observador. Sem um foguete na competição e já a pensar na próxima edição, Tomás, Henrique, Francisco e Beatriz continuam em Santa Margarida para apoiar os portugueses ainda em jogo — um exemplo da camaradagem entre equipas que se vai observando no evento.
“É como se fosse uma família”, descreve o team leader dos Fénix. Apesar de sentirem uma pressão muito maior este ano comparativamente à sua experiência de 2023 — que foi mais de observador — sentem que estão a aprender “muito mais”, principalmente da interação com outras equipas. “É fantástico como nos conseguimos ajudar uns aos outros. Ontem, na véspera do nosso dia de lançamento, lá para as 20h, tínhamos uma equipa grega a ajudar-nos na montagem. Uma equipa espanhola também nos deu um sistema eletrónico crucial para o lançamento”, exemplifica.
Nuno Quitério tinha o sonho de ser piloto na Força Aérea Portuguesa. Chegou a fazer as provas de admissão, mas não conseguiu entrar. Continuou a ser guiado pelo “grande amor pelos aviões” e entrou no curso de Engenharia Aeronáutica, onde descobriu o projeto Fénix. Daí, o “amor” pelos aviões passou também para os foguetões. Tal como todos os outros estudantes portugueses, grande parte do conhecimento necessário para montar os respetivos foguetes foi adquirido em horário extracurricular. “Aprendemos por nós próprios”, referem, admitindo que para conciliar o programa com a vida académica, “o curso sofre de vez em quando, mas tem que ser“.
Desde a primeira ida ao EuRoC que Nuno se apaixonou pelo projeto que, apesar de ter ficado “um pouco parado” em 2023, voltou a emergir das cinzas — tal como o nome da equipa indica — para participar com toda a força na edição deste ano. O grande objetivo do jovem estudante é “mostrar que Portugal faz bons engenheiros” e admite que gostava, no futuro, de organizar um lançamento em conjunto com as restantes equipas portuguesas.
▲ A equipa portuguesa Fénix nos momentos antes da hora prevista para o lançamento do seu foguete
Martim Andrade/OBSERVADOR
Assim, desde fevereiro que a rotina tem sido só “desenhar, testar, desenhar, testar” no laboratório dos Fénix. Ficando para a última janela de lançamento, a pressão aumenta e os nervos dos elementos da equipa estão evidentemente presentes nas suas caras. No tempo em que estão outras equipas a lançar, os restantes são impedidos de continuar a trabalhar no seu foguete. Quando soa o tal “alarme nuclear” e são obrigados a estar na parte dianteira da tribuna para assistir ao trabalho dos outros, Nuno admite que ficam “muito nervosos” ao pensar, também, que dentro de alguns momentos vai chegar a sua hora de colocar o foguete na plataforma.
No início da tarde, referia ao Observador que só faltava montar o último componente: o sistema de paraquedas. Assim, tendo mais de quatro horas de trabalho pela frente até à última oportunidade para lançar o seu trabalho, o stress continuou a crescer à medida que o relógio se aproximava da hora final. Atrasos nos lançamentos anteriores fizeram com que a janela prevista (entre as 13h e as 14h) passasse para o final do dia. E, desde aí, o conjunto de t-shirts cor-de-laranja que vagueavam pelo recinto com alguma calma passaram a mostrar os ânimos mais exaltados.
Uns ainda se esforçavam para ver os lançamentos que decorriam. Outros só esperavam na fronteira com as tendas onde tinham todo o equipamento, o foguete e o tempo a apertar para acabar de montar as últimas partes. Só meia dúzia de elementos da equipa é que entraram na tenda neste período mais crucial. Corriam a toda a velocidade desde a “base” até à tribuna, para maximizar todos os instantes. A poucos minutos das 17h, a última hora prevista para haver lançamentos, ouve-se no intercomunicador o anúncio de extensão da janela para mais uma hora.
“Malta, tem mesmo de ser desta“, diz um dos “oficiais” do evento aos estudantes que, novamente, desmontam em sprint para a sua tenda. Os preparativos correm mesmo até ao último segundo. Os que ficam de fora da operação final mantêm-se otimistas e confiantes nas capacidades dos jovens engenheiros que estão com as mãos na massa no nariz do foguete.
Apesar de todos os esforços de última hora, chega, cabisbaixo e com os olhos avermelhados, um dos elementos que estava na tenda. Neste momento em que cruza a cerca que delimita o recinto, dirige-se ao pai — que estava a ver o evento — e, num abraço, liberta as emoções de uma semana de trabalho árduo que culmina num “scrub“. O momento foi logo entendido pelo resto da equipa, que via ao longe esta interação. Não vão conseguir lançar. O anúncio foi feito mais tarde, pela torre de controlo, que os Fénix não conseguiram ter o foguete pronto a tempo de ser lançado nesta última janela e, quando a voz que soava pelo altifalante se calou, o recinto ecoou o sentimento de tristeza, mas não hesitou em aplaudir os esforços da jovem equipa portuguesa.
No final, Tomás Raposo, dos North Space, deixou uma mensagem que, apesar de ser direcionada para a sua equipa apenas, serviu também para representar o trajeto dos Fénix. “Estamos aqui para ficar. Evoluímos imenso e ainda vamos evoluir mais. Veem-nos cá para o ano”.