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Seguro venceu em quase todo o país, Ventura conquista Faro e Madeira. Onde é que os candidatos tiveram mais e menos votos?

Seguro arrasa em Penamacor (onde nasceu), Ventura conquista Madeira, Cotrim e Gouveia e Melo vencem algumas freguesias e Marques Mendes ganha Fafe. Veja as curiosidades geográficas das presidenciais.

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A primeira volta das eleições presidenciais de 2026 mostram um domínio de António José Seguro em quase todo o país. O antigo secretário-geral do PS venceu em praticamente todos os distritos, à exceção de dois — Faro e Madeira — que foram ganhos por André Ventura. No que toca aos concelhos, apenas Luís Marques Mendes foi capaz de romper com a dinâmica de bipolarização entre Seguro e Ventura: o candidato apoiado pelo PSD e CDS venceu em três concelhos, incluindo Fafe (a terra natal), mesmo tendo ficado em quinto lugar com 11,3% dos votos.

João Cotrim de Figueiredo, apesar de ter ficado em terceiro lugar com cerca de 16% dos votos, não venceu qualquer concelho. O candidato apoiado pela Iniciativa Liberal recebeu vários votos dos concelhos do litoral e ainda conseguiu conquistar algumas freguesias, principalmente no concelho de Lisboa. Henrique Gouveia e Melo também não ganhou qualquer concelho e obteve votações na ordem dos 12%. A exceção foi a Madeira: na região autónoma (em que se envolveu numa polémica com uma reprimenda aos militares do navio NRP Mondego) não foi além dos 8%.

À esquerda, os resultados foram muito mais modestos. Catarina Martins, a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda, não angariou mais de 3,8% dos votos em nenhum distrito. António Filipe ainda conseguiu ganhar uma freguesia em Portel, no distrito de Évora, mas os bastiões do Alentejo falharam-lhe — o máximo que obteve foi 6,4% em Beja. Jorge Pinto, apoiado pelo Livre, não foi além de 1% (apenas Amarante foge a esta exceção) e foi superado por Manuel João Vieira.

António José Seguro. O candidato que venceu em 16 de 18 distritos e arrasou na terra natal

▲ António José Seguro

VASCO COELHO/OBSERVADOR

O candidato apoiado pelo PS ficou 31,22%, angariou mais de 1,7 milhões de votos e ganhou praticamente em todos os distritos. Castelo Branco foi onde conquistou os melhor resultado: 40%. António José Seguro é natural do concelho de Penamacor, também em Castelo Branco, onde obteve um resultado avassalador: 71% dos votos.

As Beiras e o Alentejo foram as regiões onde a candidatura António José Seguro mais se destacou. Além de Castelo Branco, o antigo secretário-geral socialista venceu confortavelmente na Guarda (36%), em Coimbra (35%) em Beja (34%) e em Évora (33%). Nos grandes centros urbanos, o candidato apoiado pelo PS também obteve bons resultados: ganhou todos os concelhos em Lisboa (à exceção da Lourinhã), do Porto (à exceção da Póvoa de Varzim), de Setúbal (à exceção do Montijo). Nesses três, venceu André Ventura.

A candidatura de António José Seguro também ganhou nos tradicionais bastiões do PSD, como Bragança (31%) Viseu (30%), ou Aveiro (29%). O candidato apoiado pelos socialistas até angariou mais votos em que concelhos em que o PS tinha ficado em terceiro lugar nas legislativas de maio de 2025, como Viana do Castelo (29%).

Em contraposição, António José Seguro não ganhou nem em Faro, nem na Madeira. Aliás, nesta região autónoma (tradicional bastião do PSD), foi onde obteve o pior resultado nestas presidenciais — 23% — e não ganhou em qualquer concelho. Em Portalegre, a corrida foi renhida, mas o ex-líder do PS venceu por apenas 60 votos. 

André Ventura volta a ganhar o Algarve e rouba a Madeira ao PSD

▲ André Ventura

DIOGO FARIA REIS/OBSERVADOR

O candidato apoiado pelo Chega conseguiu novamente ganhar no distrito de Faro, tal como tinha feito nas legislativas de 2024 e 2025. André Ventura ficou em primeiro lugar em várias concelhos algarvios, como Albufeira (onde Rui Cristina já tinha vencido as autárquicas), Olhão e Portimão. Mas a vitória do líder do Chega foi ainda mais expressiva na região autónoma na Madeira.

Na Madeira, André Ventura venceu em todos os concelhos. Em São Vicente, que já tinha eleito um presidente da câmara do Chega em setembro de 2025, o candidato conseguiu o melhor resultado em termos nacionais: 43,5%. O candidato — que passou à segunda volta com 23,29% e quase 1,3 milhões de votos — ‘roubou’ este tradicional bastião ao PSD nestas presidenciais.

No resto do país, André Ventura também obteve bons resultados, destacando-se em concelhos como Portalegre (31% e que perdeu por 60 votos para António José Seguro), Beja (28,8%) e Açores (26,7%). É principalmente no Interior e nas ilhas que o candidato apoiado pelo Chega angariou mais votos nestas presidenciais. Contudo, o apoio é praticamente nacional: ficou em segundo lugar em todos os distritos, à exceção daqueles que ganhou.

Em sentido inverso, Coimbra foi o único distrito em que André Ventura não obteve mais de 20% dos votos, apesar de ter ficado em segundo lugar. Também não venceu o concelho de Algueirão-Mem Martins (Sintra), de onde é natural, perdendo para António José Seguro. Nas grandes áreas urbanas — em concelhos como Porto, Matosinhos, Lisboa, Oeiras (onde o presidente da Câmara, Isaltino Morais, apoiava Henrique Gouveia e Melo) e Cascais — o candidato apoiado pelo Chega ficou em terceiro superado por João Cotrim de Figueiredo.

Cotrim Figueiredo ganhou votos no litoral e vence algumas freguesias de Lisboa

▲ João Cotrim de Figueiredo

FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVA

O candidato apoiado pela Iniciativa Liberal ficou em terceiro lugar, com 16% e obteve quase 900 mil votos. Os distritos onde obteve mais votos foram os do litoral, em particular Lisboa (19,3%), Porto (17,5%), Leiria (17,2%) e Braga (16,5%), onde ficou em terceiro lugar. Cascais foi o concelho onde obteve o melhor resultado (24,7%).

João Cotrim de Figueiredo não ganhou nenhum distrito, não furando geograficamente a bipolarização entre António José Seguro e André Ventura nestas presidenciais. Mas ainda conseguiu conquistar algumas juntas de freguesia. Em Lisboa, venceu Belém, Avenidas Novas e Estrela; no Porto, a União de Freguesias entre Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde. Também venceu em Serra de Santo António (concelho de Alcanena, distrito de Santarém) e Ortigosa (no concelho e distrito de Leiria).

Em contrapartida, o antigo presidente liberal obteve os seus piores resultados no Interior: em Beja, ficou em quarto lugar com 9,6% dos votos, Bragança não foi além do quinto lugar com 9,8% dos votos, tal como na Guarda (10,5%).

Gouveia e Melo obtém o melhor resultado em Setúbal e fica em terceiro lugar em três distritos

▲ Henrique Gouveia e Melo

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

O almirante Henrique Gouveia e Melo ficou em quarto lugar com quase 700 mil votos — e ficou-se pelos 12,3%. Numa análise geográfica, o candidato independente obteve resultados entre os 11 e os 14% em todo o país, não se verificando grandes diferenças regionais. Só a região autónoma da Madeira foi exceção: não foi além dos 8%. Em contrapartida, teve os seus melhores resultados na Murtosa (distrito de Aveiro) e Castelo de Vide (distrito de Portalegre).

O candidato independente até ficou em terceiro lugar em alguns distritos — Portalegre, Beja e Castelo Branco —ultrapassando João Cotrim de Figueiredo e Luís Marques Mendes. E até ganhou quatro freguesias: Isna (concelho de Oleiros, distrito de Castelo Branco), Alfaião (concelho e distrito de Bragança), Vila Franca da Beira (concelho de Oliveira de Hospital, distrito de Coimbra) e São Luís (concelho de Odemira, distrito de Beja).

Além da Madeira, os piores resultados do almirante verificaram-se na região autónoma dos Açores (10,5%) e no distrito de Braga (10,8%). Nos concelhos, obteve os piores resultados em Fafe e Penamacor — de onde Luís Marques Mendes e António José Seguro são, respetivamente, naturais.

Marques Mendes ganha em três concelhos (incluindo Fafe) e foi mais votado no Norte

▲ Luís Marques Mendes

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Luís Marques Mendes ficou em quinto lugar com 11,3%, angariando 637 mil votos. Contrariamente a João Cotrim de Figueiredo e a Henrique Gouveia e Melo, o candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS-PP até venceu em três concelhos: Fafe (de onde é natural), Boticas (distrito de Vila Real) e Sernancelhe (distrito de Bragança).

Numa análise geográfica, há uma grande assimetria na distribuição de votos em Luís Marques Mendes. O ex-presidente do PSD obteve melhores resultados no Norte e nas ilhas do que nas restantes regiões de Portugal. O candidato ficou em terceiro lugar em Viana do Castelo, Vila Real, Guarda, Bragança, Viseu, Açores e Madeira, com resultados entre os 14 e os 17%.

Em sentido inverso, a candidatura de Luís Marques Mendes registou fracos resultados nas regiões a sul do Tejo. O candidato obteve apenas 5,9% dos votos em Beja, ficando em sexto lugar — no concelho de Aljustrel não foi além de 3% dos votos. Em Setúbal obteve 6%, Évora 7% e em Faro, Setúbal e Portalegre 8%. Também no distrito de Lisboa não chegou aos dois dígitos, ficando-se pelos 9% dos votos.

Catarina Martins obtém os melhores resultados nas ilhas, mas resultado é historicamente negativo

▲ Catarina Martins

LUSA

A candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda obteve 2,1% dos votos, ficando-se pelos 116 mil votos. Catarina Martins obteve os melhores resultados nas regiões autónomas: na Madeira angariou 3,8% dos votos (e até chegou a 4% em concelhos como Câmara dos Lobos ou Santa Cruz) e nos Açores 2,7%, conquistando o sexto lugar.

Em Portugal continental, Catarina Martins registou os melhores resultados nos distritos mais urbanos: em Setúbal, angariou 2,5% dos votos (mesmo tendo sido superada por António Filipe e ter ficado em sétimo), em Faro obteve 2,4% e no Porto (de onde é natural) 2,2%. Na maioria dos concelhos — à exceção de Setúbal, Évora, Beja e Portalegre — ficou em sexto lugar, sendo a candidatura à esquerda do PS mais votada.

Em contrapartida, a eurodeputada bloquista teve resultados mais fracos no Interior norte: em Bragança (1,1%), Guarda (1,3%) e Vila Real (1,4%). Além disso, em alguns distritos do litoral, como Braga, Viana do Castelo ou Leiria, não conseguiu atingir a marca dos 2%. Foi também a bloquista com menos votos em eleições presidenciais.

António Filipe ficou em quinto lugar no Alentejo, mas PCP obtém pior resultado nas presidenciais

Presidential candidate António Filipe addresses supporters at his campaign headquarters in Lisbon, Portugal, 18 January 2026. More than 11 million voters are called upon to elect the new President of the Portuguese Republic, who will succeed Marcelo Rebelo de Sousa, who has reached the limit of his terms in office. There are 11 accepted candidates, a record number. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

▲ António Filipe

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Apoiada pelo PCP, a candidatura de António Filipe conseguiu os melhores resultados no Alentejo, onde os comunistas costumam ter mais votos do que no resto do país. Em Beja (onde obteve o melhor com 6,4% dos votos), Évora (4,5%), Setúbal (3,9%) Portalegre (2,8%) ficou em quinto lugar e foi o candidato da esquerda além do PS mais votado.

O candidato comunista até conseguiu vencer uma junta de freguesia: Amieira (no concelho de Portel, distrito de Évora). Contudo, os resultados revelam uma forte assimetria: se a sul do Tejo ainda existe algum apoio (ainda que cada vez menos), no resto do país António Filipe ficou em alguns distritos (Braga, Aveiro, Viseu, entre outros) abaixo da marca de 1% e até foi superado por Manuel João Vieira em vários casos.

Aveiro, Viseu, Bragança, Guarda, Leiria e Açores: em todos estes distritos, o candidato comunista foi superado por Manuel João Vieira. O resultado foi particularmente negativo nas ilhas — António Filipe ficou em nono lugar e foi ultrapassado por Jorge Pinto e Manuel João Vieira na Madeira. Nestas presidenciais, o PCP conseguiu o pior resultado de sempre: ficou-se pelos 1,6% e 92.500 votos, sendo superado por Catarina Martins.

Manuel João Vieira. O candidato que superou Jorge Pinto em vários distritos

O candidato à Presidência da República, Manuel João Vieira, durante a entrega de assinaturas no Tribunal Constitucional para validação da sua candidatura, Lisboa, 03 de dezembro de 2025.  ANDRÉ KOSTERS/LUSA

▲ Manuel João Vieira

ANDRÉ KOSTERS/LUSA

Em oitavo lugar nestes presidenciais, ficou o candidato independente Manuel João Vieira. Angariou quase 61 mil votos (1,1%). Setúbal foi o distrito onde foi mais votado (1,6%).

Manuel João Vieira ultrapassou a candidatura de Jorge Pinto, apoiado pelo Livre, em praticamente todos os distritos (menos o Porto) e até superou António Filipe em alguns.

Jorge Pinto. Não chegou a 1% e foi superado por várias candidatos até na terra natal

O canditado à Presidência da República, Jorge Pinto, intervém durante o comício de candidatura na biblioteca Almeida Garrett, Porto, 15 de janeiro de 2026. Os portugueses elegem o novo Presidente da República em 18 de janeiro. MANUEL FERNANDO ARAÚJO/LUSA

▲ Jorge Pinto

MANUEL FERNANDO ARAÚJO/LUSA

O candidato apoiado pelo Livre não chegou sequer a 1%, ficando-se por 0,7% dos votos, o que se traduz em mais de 38 mil votos. Apenas ultrapassou Manuel João Vieira no Porto.

Jorge Pinto é natural de Amarante, onde passou a noite eleitoral. No concelho, obteve 4,6% dos votos, mas foi superado pelos adversários Henrique Gouveia e Melo, João Cotrim de Figueiredo, André Ventura e António José Seguro.

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