Do melhor para o pior: Presidente da República, Serviço Nacional de Saúde, primeiro-ministro, ministra da Saúde, diretora-geral da Saúde e, já com uma avaliação negativa ao trabalho nestes tempos de exceção, a Comunicação Social. Depois, bem no fim da tabela: a população. Numa análise ao espelho, os portugueses consideram que são, eles próprios, o maior vírus na missão de combater a Covid-19. E, no extremo oposto, fica Marcelo. O poder político e autoridades saúde saem, aliás, todos com nota positiva do divã da pandemia. Outra ideia que também fica clara na sondagem da Pitagórica para o Observador/TVI/Pitagórica é a de que, depois da chegada da vacina, vão ser precisos, pelo menos, seis meses até que tudo volte ao normal.

Um dos desafios lançados aos inquiridos na sondagem Observador/TVI era, simplesmente, este: tinham de dizer como avaliavam, até ao momento, a atuação das várias entidades no que diz respeito à preparação para a pandemia e no combate contra a Covid-19. E, aí, não houve espaço para auto-comiserações: 24% dão nota “má” ou mesmo “péssima” à população. É verdade que, no caso da Comunicação Social (segunda pior classificada), há 28% de respostas que lhe apontam o dedo. A diferença está no balanço entre as (poucas) avaliações positivas e as (mais constantes) avaliações negativas, que empurram os portugueses para o fundo da tabela.

O poder político, por contraste, sai relativamente poupado desta avaliação. Habituados a ser o alfa e o ómega dos problemas nacionais, Presidência da República e Governo (o inquérito foca-se em António Costa e em Marta Temido) conseguem nota positiva dos inquiridos. Marcelo, de resto, tem saldo claramente positivo. E, também, como entidade global, o Serviço Nacional de Saúde. Apesar das recorrentes críticas à insuficiência de meios materiais e de recursos humanos para uma resposta adequada à população — que já se ouviam no tempo do “antigo normal” e que se multiplicaram neste “novo normal” —, os portugueses reconhecem valor aos profissionais de saúde do setor público pelo trabalho desenvolvido nos últimos 11 meses. O SNS recolhe, aliás, a melhor classificação de “excelente”, com 10% das respostas apresentadas. Marcelo, por exemplo, não vai além dos 6% nesse campo.

Seis meses a um ano para o regresso da normalidade

Foi uma corrida contra o tempo, mas as vacinas contra a Covid-19 estão aí. E essa ténue luz ao fundo do túnel que agora se começa a anunciar é, afinal, o primeiro passo para que se possa começar a pensar num lento regresso à normalidade. Relativamente lento, na opinião da maioria. Bastante lento mesmo, para um terço dos inquiridos.

Parece que foi há uma eternidade, mas os primeiros casos de portugueses contagiados com o novo coronavírus foram identificados no início de março. Há mais de nove meses, portanto. Quase tanto tempo quanto aquele que ainda terá de passar para que as máscaras cirúrgicas, o gel desinfetante, o limite de pessoas em ajuntamentos possam começar a ser preocupações do passado, depois da chegada das vacinas a Portugal e do prazo em que se pensa ser possível atingir os 60% a 70% da imunidade de grupo da população.

Vamos a dados concretos: apenas 1% dos inquiridos admitem que, em menos de três meses, a vida pode voltar a ser o que era. Ligeiramente mais conservadores, 16% consideram que entre três e seis meses serão suficientes para repor a normalidade. E, depois, os mais pessimistas (ou realistas?): a maioria (47%) estima que entre seis meses a um ano é o tempo necessário para voltarmos ao que éramos; e outros 32% (quase um terço, portanto) dizem mesmo que será preciso “mais de um ano” para que se possa pôr um ponto final da pandemia.

Numa breve análise demográfica, percebemos que a resposta “entre seis meses e um ano” foi a mais frequente entre os homens, entre os inquiridos com idades entre os 35 e os 44 anos, que vivem na região sul e que integram as classes sociais mais altas.

E, quando as vacinas chegarem, o país está preparado para essa campanha em massa?

Ainda com os contratempos da campanha de vacinação contra a gripe sazonal frescos na memória, cerca de um em cada três portugueses (32%) considera que as autoridades de saúde não estão preparadas para essa exigente missão. Desses, 8% admitem mesmo que o país está “muito mal preparado” para as exigências de vacinar rapidamente uma parte substancial da população.

E se 48% concedem que a logística e os recursos humanos estão “razoavelmente preparados” para o que aí vem, nenhum dos inquiridos arrisca dizer que o nível de preparação é excelente. Os restantes 14% estão, pode dizer-se assim, ligeiramente otimistas.

De novo, numa análise mais fina dos resultados, percebe-se que as expectativas intermédias (razoavelmente preparado) reinam, de forma equilibrada, entre homens e mulheres, destaca-se na população entre os 45 e os 54 anos, de classe social média baixa e nas pessoas que residem na região norte.

Doença mais ou menos grave? Maioria fica a meio

Afastemo-nos um pouco do objeto de análise. Depois de analisar os protagonistas com responsabilidade na gestão e operacionalização do combate contra a pandemia, e depois de tomarmos o pulso ao que virá depois da vacina, ensaiamos uma análise mais global. Para isso, pegamos nos resultados à pergunta sobre o “nível de preparação do país” para combater o vírus. E podemos interpretá-los de duas formas: ou como tendo o copo meio cheio ou como tendo o copo meio vazio.

A verdade é que encontramos uma linha desenhada rigorosamente ao meio: 50% para um lado e 50% para o outro. É assim que se dividem as respostas que consideram que o país está bem, muito bem ou totalmente preparado, por um lado, e o pouco ou nada preparado, por outro.

Essa avaliação pela média repete-se naquilo que é a perceção do verdadeiro perigo que a Covid-19 representa. Com quase um ano de avalanches diárias de notícias sobre a doença, a evolução da pandemia e o caminho até à criação de uma vacina, e apesar das campanhas de desinformação que têm marcado os últimos meses, a maioria dos inquiridos considera que a doença provocada pelo novo coronavírus tem a exata gravidade que lhe tem sido atribuída.

Há 46% de respostas que referem que a Covid-19 é “semelhante ao que se tem dito”. O segundo bloco de respostas mais frequentes mostra, aliás, que quando há nuances, eles pendem mais para o lado negativo da balança. É o que dizem 38% dos inquiridos, que consideram que a doença é “mais grave” do que a informação no espaço público deixa transparecer. Apenas 13% consideram que tudo é, afinal, “menos grave” do que se tem falado até aqui.

Ficha técnica

Durante 6 semanas (10 Dezembro 2020 a 21 de Janeiro 2020 ) vai ser publicadas pela TVI e pelo Observador uma sondagem em cada semana com uma amostra mínima de 626 entrevistas. Em cada semana a amostra corresponderá a 2 sub-amostras de 313 entrevistas. Uma das sub-amostras será recolhida na semana da publicação e a outra na semana anterior à da publicação. Cada sub-amostra será representativa do universo eleitoral português (não probabilístico) tendo por base os critérios de género, idade e região.

Semana 1 Publicação: o trabalho de campo decorreu entre os dias 10 e 13 de Dezembro. Foi recolhida uma amostra total de 629 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de ±4,0%. A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de “telemóvel” mantendo a proporção dos 3 principais operadores identificados pelo relatório da ANACOM, sempre que necessário são selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica (CATI – Computer Assisted Telephone Interviewing).

O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses, sobre temas relacionados com as eleições , nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha bem como a intenção de voto nos vários partidos. A taxa de resposta foi de 55,32% . A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva.

A taxa de abstenção na sondagem é de 56,6% a que correspondem os entrevistados que aquando do momento inicial se recusaram a responder à entrevista por não pretenderem votar nesta eleição.

A Ficha técnica completa bem como todos os resultados foram disponibilizados junto da Entidade Reguladora da Comunicação Social
que os disponibilizara oportunamente para consulta online.