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Apesar de se manter a tendência de agravamento dos sintomas de ansiedade, depressão e stress à medida que a idade e o nível de escolaridade avançam, em 2024 os dados não eram tão preocupantes como em 2022. Em dois anos, o número de alunos que assume sentir mal-estar psicológico diminuiu de um terço (33,3%) para um quarto (25%). Os resultados constam do estudo do Observatório da Saúde psicológica e do bem-estar, uma iniciativa do Ministério da Educação promovida pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) que monitorizou os indicadores de saúde psicológica nas escolas e recolheu dados sobre alunos e pessoal docente e não docente.
“Os resultados sugerem uma melhoria da situação”, lê-se no estudo divulgado esta segunda-feira. De acordo com o Observatório, em 2022 o bem-estar psicológico dos alunos entre o 5.º e 12.º ano estava numa situação pior que a atual, mas continua a manter-se o padrão de agravamento nas estudantes do género feminino e nos estudantes mais velhos.
De acordo com a análise realizada, “as meninas têm valores mais elevados de stresse (5,6%), sintomas depressivos (4,6%) e valores mais altos para a ansiedade (4,5%)”. Cerca de 30% dos alunos dizem sentir irritação ou mau humor, número que aumenta para 32% quando falamos de “nervosismo”. Já no que toca ao momento de adormecer, cerca de 27% dizem ter dificuldade em fazê-lo e 21% dizem sentir tristeza “várias vezes por semana ou quase todos os dias”. No entanto, o estudo salienta que a maioria dos alunos (70,5%) diz que diz que raramente sente uma tristeza tão profunda que se sentem impotentes para lidar com ela.
Se a análise for feita com base no género dos inquiridos, “verificam-se diferenças estatisticamente significativas no mal-estar psicológico entre os rapazes e as meninas”, sendo que, em média, as raparigas registam uma pontuação de 7,5 de mal-estar psicológico em 20 (enquanto os rapazes se ficam por uma pontuação de 5,3).
Olhando para os níveis de escolaridade, no 5.º ano é quando os alunos dizem ter mais saúde psicológica, por oposição aos alunos do 11.º ano. Verifica-se, assim, “uma tendência de aumento do mal-estar psicológico ao longo da idade”.
Por outro lado, para contradizer estes dados, mais de metade dos alunos diz sentir-se alegre e bem-disposto (83,2%). Segue-se calmo e tranquilo (73,8%), ativo e energético (73,9%), e mais de metade diz que acorda fresco e repousado (55,3%). Uma vez mais, verifica-se uma tendência de diminuição da perceção de qualidade de vida à medida que a idade e a escolaridade avançam.
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A amostra deste estudo para estes níveis de escolaridade é de 3.083 alunos, aleatoriamente selecionados de norte a sul do país. No entanto, os dados “não são diretamente comparáveis com os do estudo de 2022, uma vez que nesta série de 2024, se incluíram os alunos do 5.º e 6.º ano de escolaridade”.
No que toca à satisfação com a vida, os rapazes apresentam melhores indicadores na escala, mas, no geral, os resultados também não são desanimadores: mais de dois terços dos alunos (76,4%) tem uma satisfação igual ou superior a 7, sendo que o valor médio neste parâmetro vai decrescendo com a idade.
Gestão emocional dos alunos está pouco desenvolvida
O estudo do Observatório permite concluir que, à medida que a idade aumenta, os níveis de otimismo, controlo emocional, resiliência, confiança, curiosidade, sociabilidade, persistência, criatividade, cooperação e autocontrolo tendem a diminuir. Há, assim, uma diminuição das competências socioemocionais, com os alunos do 5.º ano a apresentar os resultados mais elevados em todas as dimensões, comparativamente à realidade verificada nos estudantes do último ano do ensino obrigatório.
De forma geral, as três competências mais desenvolvidas são a cooperação (uma vez que os estudantes aparentam desenvolver boas relações com os colegas), o otimismo e a curiosidade. Surge depois a persistência, criatividade, pertença à escola, confiança e a relação com professores. E, por último, as competências menos desenvolvidas são as que obrigam a uma gestão emocional, como a ansiedade em momentos de avaliação.
Conclui-se também que o desenvolvimento de determinadas competências varia de acordo com o género. As raparigas apresentam maiores níveis de cooperação e melhor relação com os professores, apesar de registarem maiores níveis de ansiedade com avaliações. Já os rapazes têm mais competências ao nível do otimismo, controlo emocional, resiliência/resistência, confiança, sociabilidade e sentido de presença.
38% dos alunos admitem sentir-se inseguros na escola
De acordo com o estudo realizado, “há correlações positivas entre si”, como é o caso do otimismo, que está “positivamente relacionado com a confiança”, que, por sua vez, se relaciona “com a persistência e criatividade”. O próprio ambiente escolar — que é perspetivado como sendo mais positivo pelos alunos do 5.º ano — também se relaciona com “a conexão, a confiança, o sentimento de pertença à escola e com a cooperação”.
Outro aspeto que também apresenta correlações com outras competências é o bullying — mas, neste caso, estão em causa correlações negativas — nomeadamente, “com a maioria das variáveis das competências socioemocionais, como o sentimento de pertença e de cooperação”.
Segundo o estudo, mais de metade dos alunos (entre 61,8% e 76,7%) diz nunca ou quase nunca ter sido vítima de bullying, sendo que 61,8% dos alunos dizem sentir-se seguros na escola — uma perceção que tende a diminuir com a idade. No entanto, cerca de 38% afirmam já ter sido ridicularizados e cerca de 25% já foram ameaçados.
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Alunos do 11.º são os que mais bebem álcool diariamente
Sem surpresas, o tempo passado pelos alunos em frente a um ecrã é elevado. Dos alunos inquiridos, 97,3% dizem passar, diariamente, pelo menos uma hora em frente ao ecrã, período que é maior nos fins-de-semana. E 52,8% dos alunos que responderam ao inquérito assumem que, no mínimo, passam quatro horas por dias em frente ao ecrã. Os mais velhos (12.º anos) são os que passam mais tempo a utilizar dispositivos eletrónicos, apesar de os mais novos (do 5.º ano) passarem, em média, 2,9 horas por dia com gadgets e/ou computadores.
Durante a semana, em média, os alunos dizem passar mais de 4 horas em frente ao ecrã, mas o valor sobe para mais de 5h e meia quando falamos do sábado e domingo.
Já no que toca aos hábitos de consumo, o estudo conclui que 91% dos alunos dizem não fumar, enquanto 76,4% afirmam não beber. No que toca ao primeiro, os alunos do 11.º e 12.º são os que mais afirmam fumar todos os dias: 5,8% e 9,9% dos inquiridos, respetivamente. Numa divisão por género, os rapazes são aqueles que mais assumem este hábito.
No que diz respeito à ingestão de álcool, a percentagem de estudantes que afirma não beber desce para 54% quando falamos nos alunos de 11.º ano e para 39,3% quando falamos nos de 12.º. Contrariamente àquilo que seria expectável, o ano de escolaridade em que mais alunos afirmaram beber álcool todos os dias foi o 11.º (3,5%). Uma vez mais, numa divisão por género, os rapazes são os que mais afirmam beber álcool, nomeadamente pelo menos uma vez por semana.
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Cerca de metade dos professores sente-se triste ou deprimido
Apesar de pessoal não docente, encarregados de educação e outros funcionários (como psicólogos) também terem participado neste estudo, “a relativa fraca adesão dos agrupamentos de escolas/escolas não agrupadas neste estudo fez emergir alguma fragilidade na densidade dos dados nestes grupos e na possibilidade da sua generalização”, lê-se no documento. No entanto, os dados relativos ao pessoal docente são suficientes para tirar algumas conclusões e estabelecer comparações.
Apesar de dois terços dos docentes referirem que o ambiente escolar é de partilha, participação e colaboração, 66,8% dizem sentir-se “agitados”. Uma percentagem ligeiramente menor (66,1%) diz ter dificuldade em relaxar e admite reagir em demasia a determinadas situações (65,9%). Cerca de 61% dos inquiridos dizem sentir-se demasiado irritáveis e cerca de metade (51,5%) diz sentir tristeza ou depressão.
Dos professores inquiridos, 62% dizem estar satisfeitos com a vida, ainda que o mal-estar psicológico se faça notar, com cerca de 50% a admitir sentirem-se nervosos, 48% sentiam-se tristes e 49% irritados ou de mau humor. Tal como os alunos, também os professores têm dificuldade em adormecer e a percentagem de docentes que sente essa dificuldade é quase o dobro da de estudantes: 45,6%.