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Os vencedores

Boris Johnson, Partido Conservador

(Getty Images)

Haverá pouco a dizer sobre o que significa a vitória de Boris Johnson, quando os resultados oficiais dão ao Partido Conservador uma maioria de, pelo menos, 78 deputados — e, pelo menos, mais 161 eleitos que o Partido Trabalhista. É justo, porém, registar que esta maioria absoluta é o terceiro “visto” que Johnson põe na lista das quatro promessas que fez quando substituiu Theresa May na chefia do Governo. Primeiro, disse que chegaria a um acordo com a União Europeia — e chegou. Depois, garantiu que o faria ser aprovado no Parlamento — e conseguiu. Agora, depois de ter prometido sair reforçado das eleições, chegou a uma vitória clara — que abre caminho a que cumpra a quarta promessa: tirar o Reino Unido da União Europeia.

Nicola Sturgeon, SNP

(Getty Images)

É irónico que a segunda vencedora nestas eleições, no curtíssimo grupo de apenas dois, seja alguém que, provavelmente, venceu por ter uma posição radicalmente oposta à do primeiro vencedor,  Boris Johnson — tendo admitido mesmo apoiar o seu principal adversário, Jeremy Corbyn, para travar o primeiro-ministro. Com o Partido Nacionalista Escocês (SNP) a chegar aos 48 deputados — mais 13 que em 2017 —, Sturgeon vê a confirmação de que a estratégia estava certa, mas, mais que isso, pode ter colocado a Escócia um pouco mais perto da independência. É certo que, no imediato, não terá o novo referendo que pediu, mas, com maior peso na Câmara dos Comuns e na iminência de um Brexit que a Escócia rejeitou, o independentismo escocês torna-se cada vez mais difícil de desprezar.

Os vencidos

Jeremy Corbyn, Partido Trabalhista

(Getty Images)

Pior resultado do Labour desde a segunda guerra mundial (203), menos 161 deputados que os conservadores e uma derrota descrita como “chocante” pelos membros do próprio partido e “muito desapontante” pelo próprio líder. Jeremy Corbyn tinha nestas eleições um momento definidor do seu futuro político e perdeu em toda a linha. É certo que já vinha fragilizado e a braços com um partido dividido, mas as implicações desta derrota foram, provavelmente, muito maiores do que ele próprio poderia imaginar. Logo depois de saber que tinha garantido o seu lugar de deputado, ao vencer no seu círculo eleitoral, anunciou que não vai liderar o partido em próximas eleições, mas não sairá de imediato: para já, vai manter-se na liderança para permitir ao partido tranquilidade no período de reflexão interna que se seguirá.

Jo Swinson, Lib Dem

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Não é só o facto de os Lib Dems poderem ter conseguido, provavelmente, menos um deputado em relação a 2017 — e menos 10 que os que tinham antes da campanha começar, por terem beneficiado de algumas deserções de outros partido. Jo Swinson entra na lista dos derrotados também porque somou ao mau resultado nacional e perda do seu próprio lugar na Câmara dos Comuns — que passou para as mãos dos escoceses do SNP.

Com uma estratégia focada no apelo aos Remainers, Swinson acabou a apelar no voto tático contra Boris Johnson, nos círculos eleitorais onde os conservadores eram mais frágeis. Ficou com a própria liderança em causa e acabou por decidir sair.

John Bercow, ex-speaker

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Não foi candidato, mas não se pode dizer que não tenha feito campanha — senão por um partido, pelo menos por um objetivo: adiar o mais possível aquilo que a vitória esmagadora de Boris Johnson fará, agora, acontecer rapidamente, o Brexit. Enquanto speaker do Parlamento, John Bercow nunca fez grande esforço para esconder que achava uma má ideia para o país. Mais que isso, muitas vezes, foi ele o responsável pelas confusões e complicações que atrasaram votações e decisões. Agora, terá, pelo menos, o alívio de já não ser o homem que, nas próximas semanas, vai anunciar que os deputados aprovaram, de forma final e definitiva, a saída do Reino Unido da UE.

O assim-assim

Nigel Farage, Partido do Brexit

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Categoria única para o homem que perdeu, mas também ganhou — dependendo da perspetiva. Sem qualquer deputado eleito, o Partido do Brexit, de Nigel Farage, fica no grupo dos perdedores nestas eleições, sobretudo tendo em conta que vinha de uma vitória nas eleições europeias e que os eleitores escolheram agora, por maioria absoluta, alguém que, como ele, prometia cumprir o Brexit. A questão é que, por isso mesmo, também pode dizer-se que, afinal, Farage ganhou. O seu principal objetivo vai, afinal, ser cumprido — ainda que pela mão de Boris Johnson — e foi o próprio Farage a afastar-se de algumas corridas para não prejudicar os conservadores.

O que fez com o próprio boletim de voto é, aliás, simbólico do ponto final no Partido do Brexit: apesar de também ser candidato, Nigel Farage votou nulo.