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Há alguma terra molhada, que ainda não faz lama, fora da comprida tenda branca onde os militantes do Chega aguardam André Ventura para a II Convenção, em Évora. Com mais de uma hora de atraso, o presidente do partido lá vem, passo comprido e sonoro a bater naquele pedaço de terra batida, rodeado de cinco torres de auricular e em comunicação permanente. Um quadro poderoso que se adensa quando as câmaras e microfones dos jornalistas apertam para alcançarem o líder do Chega que vai acenando de lá de dentro da bolha. Os braços dos seguranças privados que o ladeiam cruzam-se nas suas costas, um terceiro une os dois cá atrás. E outro pede desesperado que desacelerem para conseguir “compor a entrada”. É o momento em que o líder entra na Convenção de Évora pela primeira vez, pretende-se impacto. André Ventura respira fundo duas ou três vezes, o sorriso esconde-se. Há ali um certo momento de transfiguração.

A palavra remete para o Novo Testamento e o episódio em que Jesus se mostra em glória a três dos seus apóstolos, a transfiguração. Afinal é André Ventura que assume sem pudor que o caminho do Chega está perto de uma religião. Os seguranças que o rodeiam a toda a hora e a bolha em que se transporta entre o gabinete das traseiras da Quinta Nova do Degebe e a tenda da Convenção deixam-no, na verdade, numa espécie de andor.

No seu refúgio nesta Convenção, um gabinete de trabalho de quem gere a Quinta que se transformou no refúgio privado de Ventura nestes dois dias, está um pequeno altar ao canto. Três imagens de Nossa Senhora, uma mais pequena do Sagrado Coração de Jesus e outra ainda do Santo António. “Assim tenho mais inspiração religiosa. Pedi esta sala para poder estar aqui mais descansado”, diz assim que o Observador entra na sala. Nem de propósito.

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