William O’Neil. Que ações mais subiram para investir como o guru?

05 Novembro 2015

A estratégia do especialista pode não ser a mais bonita, mas a história mostra que funciona. William O'Neil recomenda comprar ações que já começaram a valorizar numa potencial escalada estratosférica.

Esqueça a minúcia com que Warren Buffett estuda as empresas. Evite as simples métricas contabilísticas de Benjamin Graham. Não oiça o conselho de Peter Lynch sobre investir no que se conhece. Ignore o reconhecimento académico de Joseph Piotroski.

Se seguir a metodologia de William O’Neil, não precisa de nada disto. No limite, nem precisa de saber quais os negócios das empresas cujas ações irá comprar. É mais perigoso? Talvez.

Para investidores lerem

Em 1984, William O’Neil lançou o Investor’s Daily, agora Investor’s Business Daily, um jornal que “oferece informação não disponível no The Wall Street Journal e noutras publicações”. O portal Investors.com também é concentrado em estatísticas contabilísticas, rácios de mercado e indicadores técnicos.

Crédito: Wikipédia.

Desde 1998, a estratégia CAN SLIM, desenvolvida por O’Neil, rendeu 22,5% por ano nas bolsas norte-americanas, segundo a Associação Americana de Investidores Individuais. Entre mais de sete dezenas de táticas, a desenhada por William O’Neil está entre as melhores. O método de Piotroski rendeu mais, 24,8% por ano, mas o seu indicador de risco é superior.

O’Neil foi dos primeiros investidores a usar computadores na seleção de ações. Desde a fundação, em 1963, a sua sociedade, a William O’Neil + Co., começou a compilar dados estatísticos sobre os mercados acionistas. Além de usar os números para desenvolver a sua estratégia de investimento, William O’Neil ganhava dinheiro a vender acesso às suas bases de dados.

Este artigo – o quinto nesta série de dez sobre gurus da bolsa – revela as ações que William O’Neil poderia comprar nas bolsas europeias e norte-americanas aplicando a metodologia CAN SLIM.

Estratégias de bolsa
Depois de Buffett, Graham, Lynch, Piotroski e, agora, O’Neil, falta publicar as carteiras de cinco gurus até ao dia 10 de dezembro.
Guru Data de publicação
Warren Buffett 8 de outubro
Benjamin Graham 15 de outubro
Peter Lynch 22 de outubro
Joseph Piotroski 29 de outubro
William O’Neil 5 de novembro
Martin Zweig 12 de novembro
James O’Shaughnessy 19 de novembro
Joel Greenblatt 26 de novembro
John Neff 3 de dezembro
David Dreman 10 de dezembro

As letras do sucesso

“O primeiro passo para aprender como escolher os vencedores dos mercados acionistas é examinar os líderes do passado”, avisa William O’Neil em “How to Make Money in Stocks: A Winning System in Good Times and Bad”, o seu mais importante livro.

Há uma informação do passado que, segundo O’Neil, é contrária ao que se ensina usualmente nos mercados. Em vez de “comprar baixo e vender alto”, os investidores devem procurar “comprar alto e vender ainda mais alto”.

Ganhar com ações

A extensão da análise do principal livro de William O’Neil, “How to Make Money in Stocks”, é aumentada em cada nova edição. Na última, a quarta, avalia mais de mil ações vencedoras desde 1885.

How to Make Money in Stocks

A metodologia de O’Neil gira em torno da sigla inglesa que ele próprio inventou: CAN SLIM. Cada letra representa uma regra para selecionar ações: “C” para resultados trimestrais altos, “A” para lucros anuais elevados, “N” para novos máximos, novos produtos ou novos mercados, “S” para oferta e procura de ações, “L” para líderes, “I” para investidores institucionais e “M” para direção do mercado.

“A razão por que o CAN SLIM continua a funcionar ciclo após ciclo (…) é que é 100% baseado em estudos históricos realistas de como o mercado acionista efetivamente funciona em vez de usar as nossas opiniões ou de outros, incluindo os teóricos de Wall Street… ou os académicos”, explica O’Neil.

O guru da bolsa é um defensor da análise técnica, uma metodologia através da qual se procura ler a direção dos preços através da análise de gráficos bolsistas, em particular de cotações e de volume de títulos negociados. O livro “How to Make Money in Stocks” arranca com 100 gráficos de cotações de empresas que renderam muito dinheiro aos seus acionistas.

Como fizemos

O Observador navegou pela lista de mil ações europeias e norte-americanas – as que compõem os índices Bloomberg European 500 e Standard & Poor’s 500 – para encontrar os títulos que William O’Neil, agora com 82 anos, poderia comprar. Usámos como referência o método CAN SLIM descrito em Investors.com, o portal que serve de estandarte à sua estratégia, mas elaborámos alguns ajustamentos, em particular para eliminar qualquer subjetividade na seleção.

Há, todavia, um ensinamento de O’Neil que não respeitaremos. Deve vender-se imediatamente as ações “quando se têm pequenas perdas de 7% ou 8% em vez de aguardar e ter esperança que recuperem”, defende o guru. Só dentro de um ano é que o Observador fará o balanço às recomendações neste artigo, tal como nos restantes nesta série de gurus da bolsa, independentemente da evolução das ações até lá.

Estes foram os critérios que aplicámos na busca das melhores ações à William O’Neil:

Estas regras aplicadas às mil ações apenas revelam sete títulos que os seguidores de O’Neil podem considerar adicionar ao património.

Sete ações que William O’Neil poderia comprar
Os critérios do guru são exigentes, em particular entre as maiores sociedades. Encontrariam mais candidatos num universo de pesquisa alargado a pequenas e médias empresas.
Empresa Indústria Variação de 52 semanas Variação desde máximo de 52 semanas Crescimento homólogo Crescimento anual dos lucros em 3 anos Recomendação média
Lucros trimestrais Vendas trimestrais
Activision Blizzard Videojogos 77,58% -2,14% 666,67% 31,47% 24,05% 4,81
Grifols Biotecnologia 26,41% -2,73% 101,91% 17,39% 24,48% 3,54
IAG Aviação comercial 39,94% -8,02% 38,77% 15,17% 67,74% 4,41
Pandora Joalheria 59,39% -4,01% 41,51% 41,43% 37,57% 4,56
Regeneron Pharmaceuticals Biotecnologia 53,05% -6,92% 149,33% 56,72% 40,03% 4,09
Ryanair Holdings Aviação comercial 66,79% -1,54% 43,57% 16,93% 26,07% 4,28
Starbucks Restauração 61,65% -3,19% 24,66% 17,56% 22,75% 4,60
Fonte: Bloomberg a 5 de novembro de 2015. Variações na divisa de cotação. Recomendação média entre 1 (venda) e 5 (compra).

Além de ser uma carteira concentrada, a diversificação é também pobre, porque apenas se investe em cinco indústrias diferentes. Por isso, antes de investir, tenha em consideração que o risco dos títulos à William O’Neil pode ser superior ao já elevado risco de investir na bolsa através de uma estratégia diversificada.

Leia agora um resumo sobre a atividade das firmas selecionadas pelo método do guru O’Neil. As cotações indicadas são as válidas às 19 horas desta quinta-feira, 5 de novembro.

Activision Blizzard

Foi notícia logo no início da semana. A norte-americana Activision Blizzard (Nasdaq: 37,56 dólares) anunciou a compra da irlandesa King Digital Entertainment por cerca de 5,4 mil milhões de euros. A Activision Blizzard, que já é a responsável por séries de videojogos muito populares (como Call of Duty, Guitar Hero e Warcraft), adiciona assim uma ampla oferta de jogos para dispositivos móveis.

A King é dona de dois dos mais populares jogos nesta área: Candy Crush Saga e o Candy Crush Soda Saga. Esta aquisição – em simultâneo com os sucessivos máximos na bolsa – satisfaz a letra “N” da sigla desenhada por William O’Neil.

Grifols

A espanhola Grifols (Madrid: 43,60 euros) é a maior comercializadora europeia de produtos à base de plasma sanguíneo e outros produtos para o diagnóstico e equipamento relacionada com o sangue. Depois da aquisição da norte-americana Talecris Biotherapeutics em 2011 e da unidade de diagnóstico para transfusão de sangue da Novartis em 2013, a América do Norte representa agora 63% da faturação do grupo catalão.

O Departamento de Estado dos EUA apontou a unidade da Grifols em Parets del Vallès, perto de Barcelona, como estratégica para a nação norte-americana, segundo informação revelada pela Wikileaks. Explicação: fornecia 8% da imunoglobulina consumida nos EUA.

IAG

Este grupo anglo-espanhol nasceu da fusão da British Airways e da Iberia em 2011. Entretanto, não ficou de braços cruzados: em 2013 comprou a espanhola Vueling (que já era detida em 45% pelo grupo) e, já em 2015, chegou a acordo para adquirir a irlandesa Aer Lingus. Willie Walsh, o presidente do International Consolidated Airlines Group (Londres: 580,50 pence, Madrid: 8,15 euros), conhecido simplesmente por IAG, continua à procura de “oportunidades potenciais” de compra de outras companhias de aviação.

Com a recente aquisição da Aer Lingus, a IAG disputa com a Air France-KLM a segunda posição europeia e a quinta posição mundial das maiores companhias aéreas.

Pandora

A história desta empresa dinamarquesa exemplifica o crescimento que O’Neil procura. A Pandora (Copenhaga: 796 coroas dinamarquesas) começou em 1982 com um negócio familiar de importação de joias da Tailândia. Com o aumento de interesse, o casal fundador, Per e Winnie Enevoldsen, voltou-se para o retalho. Em 1989, contrataram desenhadores e montaram uma fábrica na Tailândia.

Com uma mão-de-obra barata que pode finalizar as peças à mão, a Pandora expandiu o negócio além das pulseiras que a tornaram mundialmente conhecida para anéis, colares, brincos e relógios. A empresa tem lojas em 111 nações. Em Portugal, os seus produtos podem ser encontrados em mais de 200 lojas.

Regeneron Pharmaceuticals

A atividade da Regeneron Pharmaceuticals (Nasdaq: 569,50 dólares) é o desenvolvimento de novos medicamentos. Tem atualmente três produtos em comercialização: o Arcalyst (que, no passado, foi vendido na Europa, incluindo Portugal, como Rilonacept Regeneron) utilizado no tratamento das síndromes periódicas associadas à criopirina; o Eylea (comercializado pela Bayer) e o Zaltrap (vendido pela Sanofi) que, embora tenham a mesma substância ativa, são usados para o tratamento de edema ou degenerescência macular na retina e para o tratamento de adultos com cancro colo-retal metastático, respetivamente; e o Praluent (também comercializado pela Sanofi) para adultos com hipercolesterolemia primária.

A investigação da Regeron centra-se principalmente em artrite reumatóide, asma, dermatite atópica, dor, doenças infecciosas e oncologia.

Ryanair Holdings

Quando Willie Walsh, o presidente do IAG, procurou comprar a Aer Lingus teve de convencer duas pessoas: Enda Kenny, o primeiro-ministro irlandês, e Michael O’Leary, o presidente da Ryanair Holdings (Dublin: 14,81 euros, Londres: 14,84 euros). O primeiro controlava 25% das ações da companhia de bandeira irlandesa, enquanto o segundo tinha 29,8%. Ambos acabaram por aceitar.

Em setembro, a Ryanair, que é a maior companhia aérea de baixo custo da Europa, anunciou aos acionistas que iria distribuir 398 milhões de euros em resultado da venda da participação na Aer Lingus.

Starbucks

É dona da maior rede de cafetarias do mundo. Desde a sua fundação em 1971 que a Starbucks (Nasdaq: 62,34 dólares) expande sucessivamente a sua cadeia. Chegou a Portugal em 2008 e, hoje, conta com mais de 22 mil lojas em todo o globo. As Américas ainda são a maior origem de receitas (69,4%, segundo os últimos dados), mas o peso tem diminuído com o crescimento da atividade nas regiões da China e da Ásia e Pacífico.

David Almas é analista financeiro independente registado na CMVM com o número oito. O autor trabalha subordinado ao Código Deontológico dos Jornalistas.

Texto de David Almas, ilustração de Andreia Reisinho Costa.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)