Explicador

Guia para entender como se negoceia na Cimeira do Clima

Dezembro 201505 Dezembro 2015
Vera Novais

O que correu mal em Copenhaga 2009?

Pergunta 9 de 9

“Copenhaga foi a pior conferência alguma vez organizada dentro das alterações climáticas”, diz, sem hesitar, Pedro Barata. Falhou tudo, desde a logística à diplomacia, e o resultado do acordo foi desastroso.

A logística. O centro de congressos Bella Center, em Copenhaga, “tinha capacidade para 15 mil pessoas, mas tinham lá 45 mil”. Por causa disso, houve delegados a ficar retidos na rua, com 10 ou 15 graus negativos, durante oito horas só para conseguirem o cartão de acesso ao recinto, conta.

A diplomacia. Neste campo as falhas foram quase incontáveis, como conta o antigo negociador. E dá o exemplo de quando ele próprio ficou retido no exterior do recinto. Havia uma manifestação na proximidade e a polícia dinamarquesa não deixava ninguém aceder ao recinto, nem os delegados e negociadores, nem tão pouco uma ministra do Ambiente italiana e respetiva comitiva. Foi tratada como se tratasse de uma manifestante radical, afirma.

Mas os exemplos não se ficam por aqui. A presidência da COP mudou da ministra do Ambiente para o primeiro-ministro dinamarquês e ninguém o avisou que a delegação africana se queria encontrar com a presidência. O resultado foi que o primeiro-ministro, num erro diplomático grave, não recebeu a delegação e esta “fez greve à negociação”.

“Tudo o que era processo negocial, regras, protocolos, estavam a ser desrespeitados”, diz Pedro Barata. E para terminar ainda pior “o plenário de Copenhaga foi um desastre como poucas vezes se viu a nível internacional”. O primeiro-ministro dinamarquês era o protagonista errado, diz o antigo negociador. Na lógica dele a União Europeia chegava a acordo com os Estados Unidos e depois com a China. Os restantes países limitavam-se a aceder.

Como não houve consenso a tempo do plenário, Barack Obama e outros chefes de Estado tomaram para si a responsabilidade de fazerem um novo texto. E não correu bem. Entre aqueles que estavam a negociar, que não se sabe bem quem eram, estava o negociador da Arábia Saudita que conseguiu incluir uma parte que sempre lhe tinha sido negada por todos os negociadores ao longo dos anos – uma compensação para os países exportadores de petróleo por danos económicos (resultantes da quebra das vendas com a diminuição do consumo de combustíveis fósseis).

Enquanto via o desenrolar do plenário nos corredores, numa televisão de circuito fechado, Pedro Barata perguntou a um diplomata de carreira: “Está muito mau?”. “Nunca esteve tão mal”, respondeu-lhe o diplomata desolado.

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